Bateria, autonomia e preço freiam carros elétricos no Brasil; etanol acelera fase de transição com híbridos

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Workshop realizado nesta quarta-feira (15 de agosto) pelo Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra) teve como tema o futuro dos carros elétricos no Brasil. Ao abrir o evento, Cyro Bocuzzi, diretor da divisão de Energia do Deinfra, destacou a maior eficiência energética dos carros elétricos e lembrou a dianteira do Brasil nos combustíveis limpos, com o etanol, que pode ser o combustível do futuro com as células a combustível, uma das tecnologias para geração de eletricidade a bordo dos veículos. “Toda essa transição [para os elétricos] precisa ser facilitada pelo governo, pelas instituições, pela indústria, pelos agentes”, como as empresas de energia, defendeu.

Henry Joseph Jr, diretor técnico da Anfavea, destacou a importância dos carros elétricos para a indústria automobilística. A redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) é um dos pontos em discussão pelo setor, levando a uma série de mudanças na produção. Outro fator é a mobilidade, que leva a debates como por exemplo o compartilhamento de veículos, pondo em xeque a propriedade deles. As pessoas, já hoje, pensam em uso, em vez de propriedade, disse. O transporte individual compartilhado tende a complementar o público. Outros setores, como o de informática, se envolvem no tema.

De 2010 a 2016 houve na China forte influência da eletrificação, incentivada pelo governo. Em 2016 foram licenciados quase 350.000 veículos híbridos ou elétricos (mas somente 5% do total do mercado) na China.

Também nos EUA esses veículos têm volume significativo de vendas. E é a Noruega que tem o maior market share dos híbridos e elétricos (25%), graças a políticas governamentais. No Brasil está em 0,2% (2017), com a venda de 3.000 unidades por ano.

São desafios para esses carros a autonomia (particularmente importante, ressaltou Joseph, no Brasil, pela extensão do país), a infraestrutura de abastecimento, o tamanho e o peso das baterias, o custo da tecnologia e de sua produção, a capacitação dos fornecedores, o custo-benefício para os consumidores e as regulamentações.

Mas a indústria automobilística não tem dúvida de que no futuro todos os veículos serão elétricos, por características como a simplicidades dos motores, seu torque e outras. A maior complexidade está no controle – software etc.

Incentivos, financeiros e não financeiros, regras e regulamentações estão entre os pilares globais para o crescimento das vendas de elétricos. Há varias taxas que podem ser reduzidas como incentivo, o que é feito no mundo, mas ao que se dá pouca atenção no Brasil.

Também são utilizados incentivos diretos e benefícios fiscais para a infraestrutura – carregadores públicos e privados.

Outros incentivos, não financeiros, fortemente usados na Europa, incluem vagas diferenciadas em estacionamentos, isenção de pedágio, estacionamento grátis. No Brasil isso ainda é muito incipiente, explicou Joseph. Há isenção de imposto de importação para veículos elétricos e redução para os híbridos. Alguns Estados cobram alíquotas reduzidas de IPVA para esses veículos, e o município de São Paulo os isenta do rodízio.

O IPI de híbridos e elétricos a partir de julho mudou. A Receita Federal criou uma tabela, que para os híbridos tributa em relação à eficiência energética e ao peso, com incentivo para os híbridos flex, e para os elétricos também se usam os mesmos critérios de peso e eficiência, com alíquotas reduzidas, mas Joseph considera problemáticas as faixas de peso.

O programa Rota 2030, disse, permite planejamento de longo prazo, 15 anos. Suas novas metas de eficiência energética permitem maior redução das emissões de dióxido de carbono, e há espaço para a eletrificação.

Joseph citou as metas do Acordo de Paris (COP 21) para redução das emissões de GEE.

A matriz energética brasileira tem diversificação de fontes, com peso para as limpas. Isso precisa ser considerado ao escolher o caminho para o desenvolvimento de tecnologias. Um deles é o de biocombustíveis, solução das mais fantásticas em curto prazo, em sua análise. Têm menor custo, há infraestrutura estabelecida, e o Brasil domina a tecnologia de seu uso e os produz.

A eletrificação é solução de médio e longo prazo, afirmou Joseph. Tem maior custo, é preciso criar infraestrutura e fazer a localização de tecnologias – necessária por exemplo, pelas exigências de financiamento de veículos para transporte de cargas.

Para a Anfavea, o caminho une ambos –  biocombustíveis e elétricos. Não se pode abandonar uma tecnologia em que o Brasil é forte, disse Joseph.

O desenvolvimento de células de combustíveis, “alternativa fantástica às baterias convencionais”, dá ao etanol potencial de uso como fonte de geração do hidrogênio necessário a seu funcionamento. “Combinaria nossa matriz energética atual, limpa, com a eletrificação.”

Nuno Miguel Pinto, gerente de marketing da EDP, também fez apresentação no workshop. Os grandes motivadores para a eletrificação são a urbanização, a evolução tecnológica e a sustentabilidade. O novo paradigma da mobilidade inclui a eletrificação de veículos, a mobilidade partilhada e a conectividade e condução autônoma.

Os veículos elétricos ou híbridos serão 60% das vendas em 2060 (10% em 2025 e 35% em 2040). O grande obstáculo é o custo das baterias, que representam 40% do preço dos veículos atualmente, mas isso tende a se reduzir, o que ao lado do aumento da autonomia deve torná-los cada vez mais atraentes.

O custo total de aquisição e operação dos veículos elétricos é mais baixo em cinco anos, destacou Pinto. E as marcas têm apostado no lançamento de veículos elétricos. Alguns países, como França e Reino Unido, já estabeleceram a obrigatoriedade de venda somente de veículos elétricos no futuro.

A conectividade, associada à evolução da inteligência nos carros, deverá ser disruptiva na experiência e de utilização dos carros, disse.

A adoção dos veículos elétricos está atrelada à regulação e à vontade dos consumidores, disse o gerente da EDP. Na regulação há iniciativas de governos, como o de Portugal e dos EUA. Um exemplo é a permissão de uso de faixas rápidas de autoestradas norte-americanas pelos elétricos.

Pelo lado dos consumidores a expansão das vendas de elétricos virá da diminuição do custo das baterias e do aumento da autonomia dos veículos.

A EDP, explicou, comprometeu-se a até 2030 atingir 100% de frota elétrica nos diversos mercados em que atua, o que exigirá forte investimento na reposição dos veículos utilizados.

Em 13 de setembro a EDP vai lançar um aplicativo de celular que mostrará se é vantajoso usar um elétrico. Outra iniciativa da empresa é a adoção de tecnologia blockchain para medição e registro do consumo de energia e geração distribuída.

Junto com a BMW, a EDP implantou um corredor de postos elétricos entre o Rio e São Paulo, com 6 postos no percurso. Pinto disse que fez a viagem num elétrico, parando em 3 postos. Eles são necessários, destacou, para que as fábricas possam vender os carros elétricos.

Um dos postos fica em São José dos Campos, e será usado pelos carros da prefeitura.

Há um impacto significativo na rede elétrica pelo abastecimento em casa dos carros elétricos, ressaltou.

O abastecimento no dia a dia deverá ser feito nos edifícios de escritórios e nos residenciais, e a EDP desenvolve tecnologia para permitir a identificação dos veículos sendo abastecidos.

Juliana Sanchez Morine, especialista em assuntos regulatórios da Eletropaulo, listou iniciativas pelo mundo em relação aos elétricos, com destaque para a Noruega. A França subsidia a compra dos modelos, e o Brasil criou a Rota 2030 – tudo isso na esteira do Acordo de Paris.

A China se destaca pelo grande volume de produção e se destaca como protagonista nos veículos elétricos e nos carregadores, disse. O subsídio chega a 49% do preço final do veículo elétrico na Dinamarca.

A redução do IPI no Brasil foi lembrada por Juliana. A estimativa em médio e longo prazo é de 150.000 carros vendidos por ano no país, segundo a FGV Energia, citou.

Há mais de 2.000 elétricos em São Paulo. O Estado dá 50% de redução de IPVA para eles, e esses modelos são isentos do rodízio. Em 20 anos deve cair a 0 a emissão de CO2 no município de São Paulo, destacou.

Juliana lembrou que há enorme frota de motos na cidade, o que representa outra oportunidade de desenvolvimento de novos negócios.

A Eletropaulo tem um grupo de trabalho de veículos elétricos, que entre outras iniciativas desenvolve aplicativo para mostrar a melhor forma de locomoção de seus funcionários. Outra ação é assinatura de parcerias para instalação.

Juliana explicou que a Aneel regulamentou, liberando para qualquer pessoa física ou jurídica, a comercialização da recarga de energia. Deu como exemplo um shopping center, que pode cobrar pela recarga de carros em seu estacionamento.

Caberá às distribuidoras criar regras para alterações na rede, quando necessárias, para quem quiser oferecer recarga. Ficou proibida a injeção de energia na rede (produzida pelos carros).

Entre as oportunidades permitidas pela expansão da frota elétrica estão oficinas especializadas, aplicativos, cartões de recarga.

Workshop na Fiesp sobre o futuro dos carros elétricos no Brasil. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Workshop na Fiesp sobre o futuro dos carros elétricos no Brasil. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Danilo Nascimento Leite, gerente do programa de mobilidade da CPFL Energia, explicou que a empresa concentrou seus estudos na distribuição. Um dos temas analisados é o tamanho ideal da frota em relação à rede elétrica. Outro ponto é a estrutura de reabastecimento. Também o padrão de recarga faz parte de suas preocupações, ao lado dos modelos de cobrança.

Disso surgiu o emotive, programa de mobilidade. Com investimento de R$ 21 milhões, mediu em Campinas, na prática, ao longo de cinco anos, o impacto do uso dos carros elétricos. Há 16 veículos na frota, parte cedida para outras empresas, que deveria utilizá-los, abastecê-los nos postos da Eletropaulo e fornecer os dados referentes à utilização.

A análise incluiu o sorteio entre funcionários do uso de carros elétricos. Eles eram obrigados a carregar em casa, para avaliar a experiência do usuário. Ao longo do período de testes os usuários foram espaçando as recargas, que no início eram diárias.

Campinas tem 9 postos públicos de recarga, gratuitos. E em 2 postos, na Bandeirantes e na Anhanguera, há carregadores multipadrão da Eletropaulo, permitindo a ligação com São Paulo.

Há 5 veículos elétricos que são compartilhados por 1.000 colaboradores da Eletropaulo em seus deslocamentos internos, disse.

Gargalos

O custo das baterias cai exponencialmente (de 1.000 para 100 dólares por kW/h entre 2008 e 2022), e a autonomia também está aumentando, destacou.

O veículo elétrico já tem maior eficiência e menor custo operacional, mas ainda tem alto custo de aquisição.

Em sua análise, a infraestrutura de recarga também vai aumentar de fora exponencial, com a demanda alimentando o investimento.

O planejamento energético tem um cenário de 14.000 veículos puramente elétricos em 2020, que para seu abastecimento necessitariam da instalação de apenas duas turbinas eólicas. Geração não é um gargalo, disse.

O crescimento de forma adequada não gera problemas, afirmou. Os pontos identificados, como picos de carga e aquecimento da rede, são

Um ponto relevante é a subutilização dos postos de recarga. Ele considera importante os corredores em estradas, mas a pulverização excessiva nas áreas urbanas pode gerar subutilização.

A infraestrutura, em sua opinião, não leva à massificação dos elétricos. Demanda e infraestrutura devem se desenvolver paralelamente, disse.

Tatiana Bruce da Silva, mestranda do MIT em Portugal e até julho pesquisadora associada da FGV Energia, destacou os elétricos como a evolução da tecnologia automotiva. Políticas públicas e regulações, como sobre emissões de GEE, deram um empurrãozinho. O setor de transportes responde por 15% das emissões, frisou.

Em 2030 deve chegar a 130 milhões de carros elétricos o estoque (contra 3 milhões em 2017, ano em que se atingiu a marca de 1 milhão de unidades vendidas).

Além da matriz brasileira ser mais limpa para o abastecimento dos elétricos, para os híbridos, no momento atual, de transição, os motores flex são interessantes.

O Brasil ainda não oferece subsídios para a aquisição, em momento de restrição fiscal, mas há outros incentivos, como a redução de IPI graças ao programa Rota 2030, e reduções de II e IPVA. Tatiana frisou a importância da regulação no incentivo aos elétricos.

Lembrou a decisão da Scania de produzir no Brasil caminhões elétricos para o transporte de curta distância. Tatiana diz que gradualmente as fábricas produzirão no país veículos elétricos.

Citou a estimativa da EPE para o mercado de carros elétricos ou híbridos no Brasil nos próximos 10 anos, de apenas 1%, com a maioria de híbridos flex (cerca de 520.000 veículos em 2026).

Os carros mudarão a maneira como consumiremos energia, que, lembrou, é usada em outras atividades. Em relação à demanda, a análise deve considerar a evolução das tecnologias no setor elétrico. Os elétricos, disse, “são melhores para nosso dia a dia”.

Ouça o boletim de áudio dessa notícia:

Tecnologia é chave para otimização de recursos hídricos e mobilidade urbana

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Quando o assunto é mudanças do clima, incluem-se também discussões em torno da otimização dos recursos hídricos e as tendências de mobilidade urbana no futuro.

Por isto, o 3º Fórum Econômico Brasil-França, realizado nesta segunda-feira (15/6), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), abriu dois painéis com estes temas com diversos convidados franceses e brasileiros.

Um dos participantes, o CEO da Suez Environnment, Gabriel Toffani, frisou o desperdício existente: 1/3 da água transportada é perdida no Brasil, 40% do esgoto não é tratado e 40% da água não é faturada, números que se somam ao fato de apenas 2% da água ser destinada ao reúso. Com o stress hídrico, deve-se utilizar cada vez mais água de reúso para irrigação urbana, cultivo, fabricação e reabastecimento, apostando-se em planejamento e investimento e evitando-se uma “guerra de água”, concluiu.

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Participantes da mesa do 3º Fórum Econômico Brasil-França, na Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Samuel Lee, vice-presidente para América Latina da Itron, apontou que os 34% da água perdida no mundo significam prejuízo de US$ 18 bilhões ao ano, ou 4 entre 7 pessoas que ficam sem o líquido. Esse foi um dos motivos para que a empresa desenvolvesse projeto que incorpora a tecnologia de informações obtidas junto ao cliente, o big data, o que resultou no agrupamento de 1 milhão e 500 mil clientes com 75 milhões de dados compilados diante de 25 variáveis a fim de compreender os níveis de perdas aparentes, reais e totais.

Para ele, “muda o modelo de negócio com informações, para ser sustentável, em um cenário em que haja incremento de investimentos para melhoria na eficiência operacional e antecipação de crises”, como a que vem sendo vivida por São Paulo.

Outro exemplo partiu da General Water, concessionária particular que abastece shoppings e grandes condomínios que compram o serviço. Segundo seu gerente Fernando Barros, a vantagem é a independência das operadoras públicas voltadas primariamente ao abastecimento da população. Outros benefícios são a reutilização de efluentes industriais e pluviais, menor gasto energético, além de controle da emissão de GEE na própria planta.

Mobilidade urbana e novos meios de transporte

As restrições impostas realmente podem levar à inovação. Na opinião de Christian Brodhag, diretor de pesquisa da École des Mines, o menor custo das informações possibilita o avanço na construção de cidades inteligentes, as smart cities, entendendo-as como um sistema e realizando a gestão dos serviços urbanos, indissociável, por exemplo, de questões como a mobilidade individual versus a mobilidade coletiva. Para ele, iniciativas como a Rede 21, especialmente para a troca de informações, são fundamentais para a sustentabilidade; dela já participam 9 países, mas o Brasil ainda não a integra.

Um exemplo claro de mobilidade, em Paris, foi apresentado por François Destribois, diretor da América Latina da RATP Developpement, que agrega linhas de metrô e ônibus, além de trens regionais. “É importante que haja segurança física e mental do passageiro e que seu deslocamento não sofra entraves, sem atrasos, o sistema é que deverá resolvê-los”, afirmou. É condição essencial a intermodalidade.

No Brasil, a RATP é parceira no desenvolvimento da Linha 4 do metrô (Butantã-Luz, amarela) em São Paulo, desde 2014, e ela atua também na revitalização de bondes do Rio de Janeiro.

A leitura de Alain Bullot, diretor de projetos no Brasil do Groupe SNCF, se soma à de Destribois: “as cidades são concorrentes, é preciso oferecer qualidade de vida e proximidade com a metrópole. Sentir-se perto não se mede em quilômetros, mas sim em previsibilidade de tempo”. De acordo com o participante, quando ocorre algo no sistema, é preciso detectar o incidente em 30 segundos, reagir em um minuto e solucioná-lo em dez, no máximo. Há esforços em termos de informações customizadas para os passageiros, como no Twitter, por exemplo, e a reformulação das antigas linhas radiais do metrô, que passavam pelo centro de Paris, por outras anelares.

O panorama do transporte, em São Paulo, foi apresentado por Thierry Besse, coordenador do Comitê de Parceria Público-Privada da Secretaria de Transportes do Estado: transporte de 4 milhões de usuários/dia no metrô; de 6 milhões/dia nas linhas férreas, que são antigas, mais 10 milhões/dias nas linhas de ônibus municipais.

Em sua avaliação, há um desafio de governança dos transportes em curso, para atender a esta demanda de mobilidade, e por isto são necessários projetos ambiciosos como a Linha 6 (Brasilândia-São Joaquim, laranja) e a Linha 18 (bronze, São Paulo-ABC). Além do mais, algumas linhas férreas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) são bem antigas, algumas centenárias. Segundo Besse, a modernização do sistema requer planejamento.

Especialista em mobilidade destaca iniciativas para transporte sustentável

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

O arquiteto Luiz Antônio Cortez Ferreira, coordenador executivo da Iniciativa Latino-Americana para o Transporte Sustentável (Ilats) foi o convidado da reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) desta sexta-feira (27/06).

No encontro, realizado na sede da entidade, o especialista em transporte sustentável listou iniciativas em prol da mobilidade urbana e do transporte sustentável, as quais julga necessárias para a melhoria da qualidade de vida em centros urbanos como São Paulo.

Para ver a apresentação da palestra, clique aqui.

Ferreira: desenvolvimento sustentável de meios de transporte eficientes e inclusivos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ferreira: desenvolvimento sustentável de meios de transporte. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Para Ferreira, a melhoria dos serviços de transporte passa por oito iniciativas, as quais têm como objetivo o desenvolvimento sustentável de meios de transporte eficientes e inclusivos, com diminuição da poluição do ar e sonora, e redução da dependência de veículos baseados em fontes fósseis.

Na visão do especialista, é preciso ampliar as redes de metrô e trens metropolitanos, “ordenando a ocupação territorial através da criação de redes de trens regionais”. Além disso, é importante o incentivo à mobilidade ativa e ao transporte não motorizado, com a criação de programas de incentivo para, principalmente, o uso da bicicleta.

Outra meta que na visão do especialista deveria ser pauta dos planos de governos federais, estaduais e municiais é a busca pela redução de acidentes de transito em 7,5% ao ano. Para tal, “dever-se-ia profissionalizar a gestão do transito, com a criação de cursos de formação de gestores de transporte e transito”, afirmou Ferreira.


A reunião do Cosema: debate envolveu ainda a renovação da frota e a promoção do uso do etanol. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A reunião do Cosema: debate envolveu ainda a renovação da frota e a promoção do uso do etanol. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Medidas para controle da poluição do ar, a renovação “rápida” da frota, a redução das emissões de precursores de ozônio, a promoção do uso do etanol, e a melhoria da eficiência do transporte de cargas também são ações importantes, na visão do convidado.

O presidente do Cosema, Walter Lazzarini Filho, o diretor do conselho, Mario Hirose, e o vice-presidente do grupo, Celso Monteiro de Carvalho, também participaram do encontro.

Presidente da Fiesp destaca importância de investimentos em mobilidade urbana

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf concedeu entrevista, no fim da tarde desta quinta-feira (23/01), ao jornal Três Tempos, no estúdio da Rádio Bandeirantes instalado na frente do edifício-sede das entidades.

Entre os principais assuntos abordados, Skaf enalteceu a capital paulista, que no próximo sábado (25/01) completa 460 anos de fundação.  “É uma semana especial para uma cidade especial, que abriga tantos povos, das mais diversas origens”, disse.

O dirigente também revelou quais mudanças considera fundamentais para a melhoria da capital paulista. “Precisamos corrigir o que incomoda os paulistanos, precisamos de mais quilômetros de metrô, de ônibus em melhores condições. Não basta ter corredor de ônibus”, afirmou Skaf. “Tem que ter ônibus”.

Skaf durante a entrevista à Rádio Bandeirantes: . “A condição precária dos nossos meios de transporte maltrata os paulistanos”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Skaf durante a entrevista à Rádio Bandeirantes: . “A condição precária dos nossos meios de transporte maltrata os paulistanos”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


Para Skaf, a melhoria da mobilidade urbana é crucial para promover a qualidade de vida da população. “A condição precária dos nossos meios de transporte maltrata os paulistanos”.

Quando perguntado sobre que lugar melhor representa São Paulo, Skaf apontou dois locais. “A Avenida Paulista é a verdadeira cara de São Paulo, o local que melhor a representa”, disse. “Outro ponto bastante representativo é o Pátio do Colégio, pois foi onde tudo começou, em 1554”.