Desenvolvimento da mobilidade urbana depende da estruturação de bons projetos

Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp

Em sua primeira reunião deste ano, o Conselho Superior da Indústria da Construção da Fiesp (Consic) trouxe nesta sexta-feira (8 de maio) como tema a necessidade do desenvolvimento da mobilidade urbana e a estruturação de bons projetos nessa frente. Para Carlos Eduardo Pedrosa Auricchio, diretor titular do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Fiesp e vice-presidente do Consic, “é preciso engajar os governos para estratégias de desenvolvimento do país, para a retomada econômica”.

Presente também no evento, o deputado Itamar Borges, coordenador da Frente Parlamentar da Indústria da Construção (FPIC), aproveitou o gancho e destacou a relevância da parceria com a Fiesp para levar temas como esse adiante perante o governo, na busca de ações efetivas. “Temos o privilégio de trabalhar com o Deconcic e o Consic. Temos que trabalhar na mudança da lei de licitações. Nossa missão não é apenas legislar, mas fazer essa interlocução com o Executivo. Essa pauta precisa ser levada para presidente e governador. Para isso, é fundamental cobrar compromisso de quem vai assumir os novos postos.”

O presidente do Consic, José Carlos de Oliveira Lima, lembrou da criação de importantes programas dentro da Fiesp que foram tocados por governos. “Criamos dentro do Deconcic programas como o Minha Casa Minha Vida (MCMV) e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”, disse.

Inácio Bento de Morais Junior, secretário nacional de mobilidade urbana do Ministério das Cidades, expôs sobre a necessidade de debater junto ao setor da construção a política nacional de mobilidade urbana. “Não resta dúvida que o transporte coletivo é um importante meio de desenvolvimento”, disse.

Segundo Bento de Morais, houve a prorrogação para apresentação dos planos de mobilidade urbana pelos municípios. “O prazo inicial era 2015, prorrogado agora para 2019 diante do baixíssimo índice de municípios a fazer suas apresentações de projetos. Sem plano de mobilidade urbana, os municípios ficariam sem direito aos recursos da União. Para isso, a secretaria está disponibilizando até o próximo mês um site para que municípios passem a desenvolver esses planos”, explicou.

Os principais investimentos feitos pela secretaria de mobilidade urbana são feitos no setor de transporte público coletivo, motorizado e individual. “Mas o individual sempre recebeu prioridade. Porém modais como o ferroviário não podem deixar de ser prioridade ”, observou.

As desapropriações são apontadas por Bento de Morais como obstáculos que travam os projetos e seu desenvolvimento. “Cada município pode apresentar mais de um projeto, de acordo com sua necessidade na cidade. Os financiamentos podem ser usados para pavimentação de vias, mobilidade urbana, iluminação, sinalização de vias, abrigou ou estações, acessibilidade, como pequenas pontes e passarelas, calçadas adequadas ao pedestre”, explicou, lembrando que os municípios ainda têm deficiência na equipe técnica, com dificuldade de manter profissionais qualificados, o que trava os projetos.

“As principais dificuldades são falta de planejamento, demora nas desapropriações, dificuldade na obtenção da licença ambiental, judicialização, estruturação do projeto de forma inadequada, sem considerar a operação do empreendimento”, complementou.

Vicente Abate, diretor do Deconcic, lembrou da revitalização pela qual passaram os trens do metrô. “Os trens do metrô têm 40 anos e todos foram revitalizados. Esse processo de sucesso poderia ser replicado nas cidades, como nos metrôs de Brasília e Rio de Janeiro”, disse.

Newton Cavalieri, diretor titular adjunto do Deconcic, também chamou atenção para a necessidade de bons projetos. “O que a gente enxerga é a necessidade de fomentar a estruturação de projetos de melhor qualidade. O processo dos programas de concessão de rodovias do país hoje está profissionalizado, mas os primórdios foram feitos por empresas construtoras. Uma sugestão é fomentar esse desenvolvimento de reestruturação desses projetos. A solução de mobilidade urbana para essas cidades de médio e pequeno porte através dessas empresas. Nosso sindicato da construção pesada está de portas abertas para ouvir sugestões, como essas empresas poderiam atuar no sentido de privilegiar investimentos nessas cidades”, disse.

Claudio Conz, presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), falou sobre o projeto de calçadas que está em andamento nas cidades de Marília e Araçatuba. “É um programa interessante de reformulação de todas as calçadas que está sendo feito e que pode ser facilmente replicado para outros municípios. Os projetos estão todos disponíveis na internet. As entidades poderiam funcionar em apoio, mostrar como os modelos funcionam e são fáceis de ser replicados”, observou.

Diante desse tema, Carlos Eduardo Pedrosa Auricchio, diretor titular do Deconcic, propôs o encaminhamento do projeto de calçadas, com um convênio entre Fiesp, Ciesp, Caixa Econômica, secretaria de mobilidade para acelerar essa ação.

Por fim, Ulisses Castro, da Itaca Advisory, falou sobre a estruturação dos projetos. “As concessões e as parcerias público privadas são a principal alavanca para investimento em infraestrutura e inserção de novos players nesse mercado. É preciso estudos com maior capacitação técnica e qualidade”, disse.

No encerramento, Andre Dabus, diretor de infraestrutura e power & utilities – Marsh, lembrou que gestão de riscos, seguro e garantias são fatores que devem ser considerados na estrutura.

“Não existe solução milagrosa, mas somatória de valores que podem contribuir”, disse.

Reunião do Consic, que teve entre seus temas a mobilidade urbana. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

ENTREVISTA: Os principais desafios do Brasil para o desenvolvimento sustentável do meio urbano

Por Raquel Corrêa Sajonc

Luciel Henrique de Oliveira é Doutor em Administração pela FGV, professor da PUC Minas/Poços de Caldas e do Mestrado na área de Sustentabilidade, no centro universitário UNIFAE, em São João da Boa Vista/SP.

O objetivo 11 para o Desenvolvimento Sustentável sugere que os países adotem ações que tornem as cidades e comunidades mais sustentáveis, com transportes de qualidade, ampliação de áreas verdes, acessibilidade, entre outras. Neste sentido, quais são os principais desafios do Brasil? E o que já vem sendo feito nas diferentes regiões do país para apoiar esta meta do ODS?

O objetivo 11 é um dos ODS mais ambiciosos na Agenda 2030, por relacionar desenvolvimento urbano, a necessidade de melhorar o ambiente urbano e a convivência nas cidades a fim de urbanizar assentamentos precários e favelas, e garantir melhores condições de vida para a população. Uma cidade sustentável implica considerar problemas que são inerentes à sua concepção, aos seus habitantes e ao seu ambiente. A representação das cidades – principalmente as maiores – está associada atualmente a uma imagem de desconforto, com concentração dos grandes males de nossos tempos: violência, exclusão, pobreza, poluição, marginalização, insegurança, estresse, desamparo, solidão, entre outros.

O Estatuto da Cidade (2001) criou instrumentos de desenvolvimento (como o plano diretor) e trouxe o desenvolvimento sustentável ao meio urbano, através da afirmação do direito às cidades sustentáveis, que considera a sustentabilidade urbana não de forma vaga, mas caracterizada em funções que a cidade deva garantir a seus habitantes. Assim, verifica-se uma situação em que os problemas se retroalimentam, num ciclo vicioso. A falta de moradia digna estimula a ocupação de áreas públicas, particulares e em áreas de risco; a falta de trabalho leva à informalidade e até mesmo à marginalidade; a ausência de opções de lazer não incentiva nem garante a cidadania; enfim, os sistemas públicos de transporte deficientes, aliados aos privilégios infra-estruturais acordados aos veículos particulares, conduzem, em muitos casos, ao caos de uma cidade.

Os principais problemas observados nas cidades atuais podem ser divididos em duas vertentes: a questão do acesso aos serviços públicos essenciais e as pressões sofridas pelo meio urbano, em detrimento de sua sustentabilidade. O acesso aos serviços públicos essenciais visa possibilitar uma melhor qualidade de vida a todos, e a redução da pegada ecológica das cidades. Isso ocorre a partir da instrumentalização das diretrizes e instrumentos que devem ser aplicados à política urbana como um todo. Moradia, asfalto, redes de água ou esgotamento sanitário, galerias pluviais, praças, parques, sinalização, zonas industriais, pontes, viadutos, novas avenidas etc., são vários os elementos infraestruturais que se apresentam como prováveis soluções para problemas urbanos.  Os elementos de pressão estão no setor público e privado e serão tratados mais à frente.

  • Principais desafios do Brasil para tornar as cidades mais sustentáveis:

Planejamento urbano, com elaboração e implantação de planos diretores adequados a realidade de cada município adoção de paradigmas adaptados para cada realidade urbana criar públicas, tanto em matéria de urbanismo como em matéria de ordenamento territorial. Neste ponto, são necessárias melhorias, uma vez que o plano diretor só é obrigatório para os municípios que tenham mais de 20 mil habitantes, que estejam em região metropolitana ou, ainda, onde haja a intenção de uso de instrumentos visando ao cumprimento da função social da propriedade urbana. Perde-se assim uma oportunidade, uma vez que os municípios de pequeno porte poderiam tornar-se, ainda que em consórcios, verdadeiros laboratórios de práticas desenvolvimento urbano sustentável.

  • O que já vem sendo feito nas diferentes regiões do país para apoiar esta meta do ODS:

Cidade sustentáveis atingem um equilíbrio de forma sistêmica nos aspectos social, econômico, político e ambiental. Desenvolvem boas ações nas áreas de governança, consumo sustentável, ação local para saúde, melhor mobilidade e menos tráfego, economia dinâmica e sustentável, educação para sustentabilidade, cultura para sustentabilidade, planejamento e desenho urbano, gestão local para sustentabilidade, equidade, justiça social e cultura de paz, e bens naturais comuns. As cidades sustentáveis adotam práticas que aliam a qualidade de vida da população, o desenvolvimento econômico e a preservação do meio ambiente, reduzem os impactos ambientais relacionados ao consumo de matéria e energia e à geração de resíduos sólidos, líquidos e gasosos. Embora não exista uma cidade que seja 100% sustentável, várias delas já praticam ações sustentáveis em diversas áreas, ainda que isoladas.

São exemplos de boas práticas:

  • Boas soluções urbanísticas adotadas em Curitiba;
  • Institucionalização da análise da pegada ecológica em Campo Grande;
  • Incentivo de uso bicicleta e a ampliação das ciclovias em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro;
  • Gestão integrada com formulação de planos estratégicos para o desenvolvimento sustentável, em Campinas. Além de consolidarem as bases para a conservação ambiental, essas ações, se articulam para o ordenamento territorial do município.
  • Preservação de áreas verdes, a arborização urbana e recuperação de áreas degradadas, utilizando as mudas de árvores nativas em João Pessoa;
  • Programa de orçamento participativo em Porto Alegre;
  • Projeto Banco Palmas de moeda social, em Fortaleza, no âmbito de economia dinâmica e sustentável;
  • Projeto Formação em Segurança Pública, Direitos Humanos e Cidadania, em Macapá;
  • Também em pequenas cidades existem bons exemplos, como a troca lixo reciclável por material escolar, em Ipameri (GO) e o projeto Projeto Florir Toledo (PR), que é um programa de fortalecimento comunitário, tendo como público-alvo adolescentes em situação de vulnerabilidade social.
  • Organizações de catadores de materiais recicláveis, que promovem a coleta seletiva por meio de conscientização da população sobre a importância da reciclagem para a preservação ambiental, assim como a inclusão e o desenvolvimento social. Exemplos como este ocorrem em muitos municípios do país.

Entre as submetas do ODS 11 está a proposta de aumentar a urbanização inclusiva e sustentável, e os assentamentos humanos participativos e integrados. Na sua opinião, como o setor empresarial pode contribuir com esta meta?

O setor empresarial pode contribuir com esta meta alinhando-se aos governos locais para decidir investimentos e prioridades considerando critérios técnicos, procurando reduzir as pressões sofridas pelo meio urbano e tratando de interesses que envolvem a gestão urbana e a ocupação e o uso do solo. Verificam-se elementos de pressão cujas origens estão no setor privado (especulação imobiliária e lançamentos imobiliários que não se destinam populações de baixa renda), e também no setor público (ausência de planejamento territorial em nível macro e “periferização” das cidades, mantendo os fluxos populacionais em direção às zonas mais povoados).

Nem sempre critérios técnicos são levados em conta nos processos decisórios relativos à instalação desses equipamentos. Ao contrário, são comuns casos de necessidades criadas que, ao invés de responderem ao interesse público, respondem ao interesse do gestor que pretende promover sua imagem, ao do empreiteiro que necessita realizar uma obra ou, ainda, ao do especulador imobiliário. Várias das exigências mínimas em termos de oportunidade, conveniência, segurança, de resposta adequada às exigências ambientais (como estudos de impacto ambiental e de vizinhança) são ignoradas ou feitas pró forma pelo poder público, em nome de interesses particulares ou político-eleitoreiros.

Adotar áreas verdes no entorno das fábricas é suficiente para garantir ambientes públicos seguros, inclusivos, acessíveis e verdes? Como o setor empresarial pode se envolver mais nesta submeta do objetivo 11? Poderia citar alguns exemplos de boas práticas empresariais?

Adotar áreas verdes no entorno das fábricas é necessário, mas não suficiente. O objetivo 11.7 visa proporcionar o acesso universal a espaços públicos seguros, inclusivos, acessíveis e verdes, aos espaços públicos verdes, particularmente para as mulheres e crianças, pessoas idosas e pessoas com deficiência. O setor empresarial pode começar entendendo a diferença entre filantropia e responsabilidade social corporativa (RSC). Filantropia significa humanitarismo, é a atitude de ajudar o próximo, de fazer caridade, geralmente através de doações, como roupas, comida, dinheiro, medicamentos, etc. As ações filantrópicas encerram-se na doação. A RSC é um conjunto de ações que beneficiam a sociedade, levando em consideração a economia, educação, meio-ambiente, saúde, transporte, moradia, atividade locais, governo e ONGs. Implica em ações de médio e longo prazos, com acompanhamento, cobrança de resultados e prestação de contas. A empresa que investe em RSC torna-se co-responsável pelos resultados.

Isso pode ser feito com a adoção de práticas concretas de responsabilidade social, considerando em primeiro lugar as necessidades e o bem-estar de seus funcionários e familiares, bem como da comunidade no entorno da empresa. Num segundo momento, pode se envolver apoiando financeiramente projetos de inciativa de ONGs locais e regionais, com ações ambientais e sociais concretas (é o chamado investimento social privado).

Transportes mais seguros, acessíveis, com menor impacto ambiental, e a preço justo para todos, incluindo as pessoas em situação de vulnerabilidade, mulheres, crianças, pessoas com deficiência e idosos é uma das metas que precisam ser alcançadas até 2030. Como você vê o envolvimento do setor empresarial no alcance deste objetivo? Há exemplos que possam nos inspirar neste sentido?

O objetivo 11.2 visa proporcionar o acesso a sistemas de transporte seguros, acessíveis, sustentáveis e a preço acessível para todos, melhorando a segurança rodoviária por meio da expansão dos transportes públicos, com especial atenção para as necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade, mulheres, crianças, pessoas com deficiência e idosos. O envolvimento do setor empresarial no alcance deste objetivo ainda é tímido, tendendo a deixar estas ações para o governo. Porém existem muitas oportunidades de investimento nesta área.

Neste eixo estão desafios como reduzir a necessidade de utilização do transporte individual motorizado e promover meios de transportes coletivos acessíveis a todos, a preços módicos; aumentar a parcela de viagens realizadas em transportes públicos, a pé ou de bicicleta; desenvolver e manter uma boa infraestrutura para locomoção de pedestres e pessoas com deficiências, com calçadas e travessias adequadas; acelerar a transição para veículos menos poluentes; reduzir o impacto dos transportes sobre o ambiente e a saúde pública e desenvolver de forma participativa um plano de mobilidade urbana integrado e sustentável.

Como exemplos que possam nos inspirar pode-se citar:

  • A cidade de Tallinn, na Estônia, que implementou de um serviço de transporte público gratuito,envolvendo cerca de 426 mil pessoas e 480 veículos coletivos.
  • Paris, planejando-se para ser a primeira capital pós-carro do mundo, pretende abolir os carros individuais com motores à combustão. Até 2020 veículos a diesel serão proibidos de circular. A cidade vai passar por um longo processo de adaptação, a começar pelos estacionamentos: estacionar na cidade ficará mais caro e a meta é extinguir 150 mil vagas. Os estacionamentos nas ruas darão lugares a ciclovias. Táxis e ônibus autônomos e elétricos estarão disponíveis para a população. Além disso, vai investir pesado para ampliar a malha metroviária. O projeto vai construir 68 novas estações até as Olimpíadas e 2024.
  • Bogotá, na Colômbia – o sistema BRT TransMilenio, tem uma demanda superior a de muitos metrôs: no horário de pico, transporta até 45 mil passageiros por hora no sentido mais carregado. Se estas pessoas se deslocassem de automóvel no mesmo intervalo de tempo, seriam necessárias 25 faixas, o equivalente a uma via com 80 metros de largura. O BRT usa apenas duas faixas segregadas, ou seja, 7 metros da via.
  • O Rio de Janeiro, com o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que vai interligar os diversos tipos de transportes, como terminais rodoviários, aeroportos, estação de barcas, metrôs e trens. A expectativa é que permitirá a redução gradativa da quantidade de ônibus nas ruas e tornará o sistema de locomoção carioca mais inteligente, rápido e sustentável.

Finalmente, é necessário lembrar que que a cidade sustentável, da mesma forma que o desenvolvimento sustentável como um todo, depende de cada um de nós, que temos o direito ao meio ambiente. Gozar desse direito, assim como do direito de viver numa cidade sustentável, passa por ações proativas do poder público, mas passa também pela pro-atividade sociais em todos os seus segmentos. Assim, participar ativamente na gestão da cidade é lutar por viver com qualidade e dignidade.

Para entrar em contato com o professor, escreva – luciel@uol.com.br

ARTIGO: Mobilidade urbana para todos, o que você tem a ver com isto?

 

 

 

 

 

 

 

 

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor. 


Por Guilherme Bara*

Com a maior concentração de pessoas nos centros urbanos, as grandes cidades se tornam locais onde os recursos e a infraestrutura são bastante otimizados, uma vez que, por meio de estratégias de georreferenciamento conseguimos beneficiar um número maior de pessoas com equipamentos públicos e meios de transporte. As concentrações urbanas contribuem para o desenvolvimento sustentável em diversos aspectos, pois precisamos de menos recursos como quantidade de terra, estradas e equipamentos públicos para atender um número maior de pessoas.

Por outro lado, sabemos que em boa parte das cidades esta concentração acontece de forma desorganizada, onde as pessoas chegam antes da infraestrutura. Isto faz com que estejamos atrasados no desafio de criarmos um ambiente que acomode, com qualidade, os habitantes das grandes metrópoles. Um dos principais desafios para a construção deste ambiente é disponibilizarmos um sistema de mobilidade urbana que atenda às necessidades e desejos de uma população.

Linhas de Metrô, estações de trem, corredores de ônibus há algum tempo são temas presentes nesta discussão. Mais recentemente as ciclovias e ciclofaixas, as calçadas e o pedágio urbano foram incluídos no debate. Certamente, todos estes pontos são fundamentais para melhorarmos a mobilidade urbana para todos. Neste contexto se destaca o desafio de viabilizar a mobilidade também para as pessoas com deficiência.

Certamente, esta parcela da população que, segundo a ONU, representa mais de 10% dos moradores das grandes cidades se beneficia de todos estes avanços. Mas, é neste ponto, que ganha importância a responsabilidade de cada um de nós em contribuirmos para este processo. O nosso comportamento e as nossas atitudes impactam diretamente na qualidade da experiência de um cidadão com deficiência quando este se desloca pela cidade.

Pouco adianta termos estações de trem a cada quinhentos metros se alguém, sem precisar, estiver sentado na vaga reservada; será excelente termos todas as calçadas acessíveis, mas parte do benefício se perde se poucos oferecem ajuda para uma pessoa cega atravessar o cruzamento; muito dos esforços e investimentos para termos mais linhas com ônibus acessíveis são desperdiçados se há motoristas que ignoram o sinal dos cadeirantes.

Para termos uma cidade mais inclusiva, segura e sustentável, conforme definido no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 11, certamente precisamos investir em trilhos, ônibus, cimento e asfalto, mas só será efetiva, de fato, se tivermos uma cultura de respeito e atitudes inclusivas que são responsabilidade de cada um de nós.

*Guilherme Bara é gerente de Relacionamento e Diversidade da Fundação Espaço ECO®       

Senai-SP lança semáforo acionado por aplicativo em workshop de mobilidade urbana na Fiesp

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O Senai-SP apresentou nesta terça-feira (20/9) na sede da Fiesp o Semáforo Inteligente para Deficientes Visuais. Acionado via aplicativo de celular, o sistema permite ao usuário receber um sinal do semáforo, avisando que pode ser feita a travessia. Quando o usuário chega ao outro lado, o aplicativo libera o semáforo.

Helvécio Siqueira, diretor da Escola Senai Italo Bologna, de Itu, mostrou o sistema durante o workshop Desafios da Mobilidade Urbana, promovido pelo Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra). Segundo Siqueira, o Senai-SP espera a liberação para os próximos dias de testes do sistema em ruas do município de São Paulo. Terminada a fase de experiência, o sistema deve ser apresentado ao Conselho Nacional de Trânsito (Contran), órgão federal de normatização do trânsito, para homologação, o que permitirá seu uso nas cidades brasileiras.

O projeto do Semáforo Inteligente para Deficientes Visuais começou graças a uma parceria com a Prefeitura de Itu. Depois, o desenvolvimento continuou para atender a uma demanda do programa Meu Novo Mundo, da Fiesp, Sesi-SP e Senai-SP, de promoção da inclusão no mercado de trabalho de pessoas com deficiência. O semáforo foi instalado para uso de seus alunos, que no contraturno atuam em fábricas e tinham dificuldade na travessia de vias de tráfego.  Professores e alunos da escola do Senai-SP participam do projeto, que tem apoio da Samsung no desenvolvimento de tecnologia.

>> Ouça boletim sobre o semáforo inteligente

Semáforo Inteligente para Deficientes Visuais, do Senai-SP, lançado durante workshop na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Siqueira mostrou também outros projetos da entidade para inclusão de pessoas com deficiência, desenvolvidos por seu Núcleo de Tecnologia Assistiva, que conta com equipe de 17 pessoas com formação em diversas áreas, o que permite a integração de processos. Um dos produtos é o Cooktop Giratório Adaptado para Cadeirantes, atualmente na fase de estudos para produção industrial e distribuição na América Latina. Outro é uma máquina de costura adaptada para pessoas com deficiência.

Há também um bebedouro projetado para atender às necessidades tanto de deficientes visuais quanto motores, incitadores musculares, um sistema de alarme para surdos e até uma calha para bocha paraolímpica, desenvolvida para o Sesi-SP de Mogi das Cruzes.

Semana da Mobilidade Urbana

José Ricardo Marar, diretor do Deinfra, moderou o workshop, parte da Semana da Mobilidade Urbana, que teve a participação também de Ana Odila de Paiva Souza, diretora de planejamento de Transporte da SPTrans; Luiz Carlos Mantovani Néspoli, superintendente da ANTP; Eduardo Haddad, professor da FEA-USP; Pedro Palhares, country manager da Moovit App; Mie Jojima, gerente de Inovação da SP Negócios.

Veículo individual vem por último, diz secretário municipal de Transportes

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

“Quando se fala em mobilidade pública é preciso hierarquizar o sistema: primeiro lugar, pedestres; segundo lugar, veículos não motorizados (como as bicicletas); terceiro lugar, transportes de carga e, por último, o veículo individual”, declarou, na tarde desta quinta-feira (17), o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, durante o Workshop Logística – Soluções para a Mobilidade Urbana, promovido pelo Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na sede da entidade.

Segundo o secretário, a alta intensidade de trânsito na capital paulista é causada pela falta de “democratização do viário”. Ou seja, a ocupação de muito espaço público por poucos cidadãos. Isso acontece, segundo ele, porque durante o planejamento de desenvolvimento urbano nem sempre se levou em conta que o pedestre deve ser o personagem principal.

“80% do viário é ocupado por carros individuais e continua-se incentivando as pessoas a usarem o carro. Construir pontes, viadutos, não resolve. Não adianta gastar R$ 1,5 bilhão para ampliar as marginais. Três anos depois continuamos com o mesmo problema”, exemplifica. “Mas quando você tenta democratizar, aqueles [que ocupam] 80% reclamam que você está usando o espaço deles. A cidade nem sempre está preparada para aceitar esse debate e essas mudanças.”

Entre as mudanças discutidas durante o workshop estão a criação de ciclofaixas e faixas exclusivas para ônibus, redução de velocidades em vias importantes, com o objetivo de reduzir acidentes, e novas formas de investimentos para o transporte coletivo, como o direcionamento total da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) para o setor.

Workshop Logística - Soluções para Mobilidade Urbana, na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Exemplos da China

Por muitos anos correspondente do jornal Folha de S.Paulo em Pequim, Raul Juste Lores contou sobre os problemas de mobilidade enfrentados pela China na década de 80, quando o êxodo rural levou mais de 550 mil pessoas para os centros urbanos. Ele utilizou os exemplos de duas grandes e ricas cidades – Pequim e Xangai – que tomaram decisões diferentes das brasileiras frente ao aumento exponencial da utilização de carros particulares.

Nas cidades chinesas o uso de veículos individuais foi coibido desde o início. Para circular nas ruas os motoristas precisavam de placas e licenças leiloadas pelo governo, que aumentava os preços cada vez que a demanda subia.  “Porém, todo o dinheiro arrecadado com isso ia para a construção de novas linhas do metrô. Então, de alguma maneira as classes mais altas acabaram financiando o transporte público”, conta Lores.

Pequim e Xangai seguem exemplos de outras cidades ricas, como Nova York e Paris. Todas têm em comum a diminuição do espaço para carros e o incentivo à utilização dos meios de transportes coletivos. Isso cria um lobby para a melhoria dos serviços, e essa melhoria, por sua vez, atrai mais usuários.

“As cidades ricas, ao contrário de São Paulo e outras cidades em desenvolvimento, optaram por uma grande malha de transporte público. Nós optamos por degradar milhões de metros quadrados, para criar espaços para carros, em áreas fabulosas que podiam ter comércios e residências”, lamenta Lores.

Transporte sobre trilhos

Também presente no evento, o coordenador de planejamento e gestão da Secretaria dos Transportes Metropolitanos de São Paulo (STM), Saulo Pereira Vieira, falou sobre os investimentos que o governo tem feito e irá fazer nos próximos 15 anos para melhorar a mobilidade na Grande São Paulo.

Segundo Vieira, até 2030 São Paulo terá 261 km de linhas de metrô, 347 km de linhas da CPTM e 238 km de monotrilhos. Para isso, os investimentos totais na rede sobre trilhos, entre 2010 e 2030, atingirão a marca de R$ 180 bilhões, disse.

Atualmente, circulam pelas 159 estações da rede metroviária da região mais de 7 milhões de passageiro por dia útil. Nos último quatro anos, a companhia registrou um aumento de 449.854.000 passageiros por ano. A quantia equivale a 38 vezes a população total da capital paulista.

Edson Perin, editor do RFID Journal Brasil, falou sobre aplicações da Internet das Coisas (IoT) no transporte. Em sua definição, a IoT é a comunicação de objetos diretamente com os sistemas de informação, pela Internet, sem que haja interação humana. A tecnologia, explicou, permite maior eficiência e redução de custos. Deu como exemplos desse tipo de automação o Bilhete Único paulistano, o pagamento de transporte urbano via smartphone no Rio e os sistemas de cobrança de pedágio e estacionamento, como o Sem Parar. Também falou sobre perspectivas futuras para a tecnologia.

Também participante, o diretor de políticas públicas do aplicativo Uber, Daniel Mangabeira, reafirmou que não vê ilegalidade nos serviços da empresa e lembrou que no dia 4 de setembro o Conselho Administrativo de Direito Econômico (Cade) lançou estudo que conclui que não há motivos econômicos para proibir novos prestadores de serviços individuais de passageiros – caso do Uber. Segundo Mangabeira, em outros países, como o México, por exemplo, o aplicativo foi regulamentado sob a condição de criar com os recursos arrecadados um fundo de desenvolvimento do transporte público. Mangabeira afirmou que o Uber pode gerar nos próximos anos oportunidade de geração de renda para 30 mil pessoas. O diretor também divulgou novo serviço da empresa, o Uber Bike, de carros adequados ao transporte de bicicletas.

O workshop foi moderado por José Ricardo Marar, diretor do Deinfra, que na abertura do evento destacou os impactos da falta de mobilidade e acessibilidade no consumo da e na cidade, afetando todas as pessoas. “Antes do Custo Brasil, há o custo cidade”, lembrou. As soluções, para um problema cada vez mais complexo, precisam ser originais, afirmou, dependendo da articulação entre setor público e privado, sociedade civil organizada e de toda a academia, com articulação de ideias, serviços e negócios.

Clique aqui para assistir na íntegra ao workshop.

Seminário na Fiesp aborda segurança tecnológica e jurídica de serviços digitais

Bernadete de Aquino, Agência Indusnet Fiesp

A Fiesp promove no dia 24 de agosto, das 8h às 13h, o seminário “Riscos à Economia Digital, Mobilidade Urbana e Segurança Cibernética”. Realizado pelo Departamento de Segurança (Deseg) da Fiesp, em parceria com o Comitê Acelera Fiesp (CAF), o evento reunirá especialistas para discutir a livre concorrência, a defesa do consumidor e a segurança na utilização de serviços digitais inovadores e práticos. Um exemplo está nos aplicativos de celulares, que facilitam ações do dia a dia, como chamar um táxi, mas que se geram polêmica devido a questões legais.

Para o diretor do Deseg Rony Vainzof, “é impossível não se render às facilidades, mas é preciso que, junto com a inovação venham as seguranças jurídica e tecnológica necessárias para mitigar riscos aos usuários”.

No painel “Economia compartilhada, mobilidade urbana e meios de transporte”, participam o promotor de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios Frederico Meinberg Ceroy e o procurador-chefe do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Victor Santos Rufino.

Além disso, está confirmada a presença do vereador José Police Neto (PSD) – único voto contrário ao projeto que proíbe o uso de aplicativos como o Uber –, que apresentou na Câmara Municipal de São Paulo o Projeto de Lei 421/2015, que trata do compartilhamento de automóveis.

Para as apresentações durante o painel “Proibições de aplicações de Internet no Brasil e o Marco Civil” estão confirmados o diretor do Instituto de Tecnologia & Sociedade do Rio de Janeiro (RJ), Carlos Affonso Souza, o coordenador do Grupo de Trabalho em Direito e Inovação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Alexandre Pacheco da Silva, e o mestre em Direito e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, Caio César Lima,

O tema “Privacidade e Segurança Cibernética” também tem espaço reservado no evento e será discutido por Melissa Blagitz, procuradora da República de São Paulo, responsável pelo grupo de combate aos crimes cibernéticos, Danilo Doneda, consultor do Ministério da Justiça, e Renato Opice Blum, professor de Direito Digital do Insper.

Clique aqui para ver a programação completa e fazer sua inscrição.

Secretário de Mobilidade Urbana apresenta carteira de investimentos e pede parceria com a Fiesp

Anne Fadul e Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

A queda do PIB da construção e o desemprego no setor foram tema de comentários durante a reunião plenária do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta segunda-feira (13/7), na sede da entidade. A tendência não deve ser revertida neste ano, com o crescente aperto no crédito. Representantes da Caixa Econômica Federal (CEF) e do BNDES, presentes ao evento, confirmaram a falta de recursos para financiamento, mas apresentaram linhas de crédito que estão disponíveis.

E Sergio Henrique Andrade Cançado, superintendente executivo da Caixa, deu uma boa notícia para parte do setor. Ele disse que em agosto vai ser iniciado novo ciclo de pagamentos para construtoras que participam do Minha Casa Minha Vida. Carlos Eduardo Pedrosa Auricchio, diretor titular do Deconcic e coordenador da plenária, avaliou o novo ciclo como “um alento extraordinário, com a previsibilidade dos pagamentos”.

Convidado especial para o evento, Dario Rais Lopes, secretário nacional de transportes e da mobilidade urbana do Ministério das Cidades, disse que sua secretaria teve corte de metade do orçamento, de R$ 33 bilhões para R$ 16,5 bilhões. Mesmo assim, os empreendimentos em transporte a seu cargo somam R$ 153 bilhões. Lopes pediu ajuda à Fiesp e ao Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) para resolver gargalos nos investimentos. Também disse que há oportunidades de investimento em projetos de mobilidade em cidades como Petrolina (PE).

“No mês de julho, a secretaria de mobilidade urbana reúne uma carteira de 399 empreendimentos em transportes, um investimento na ordem de R$ 153 bilhões, sendo R$ 99 bilhões de recursos do governo Federal”, disse. Segundo o secretário, esta carteira é basicamente formada por 70% em investimentos de sistema sobre trilhos. Ele destacou projetos como a linha 4 do metrô no Rio de Janeiro, o Bus Rapid Transit (BRT) em Belo Horizonte, linhas de monotrilho em São Paulo, navegação fluvial urbana em Recife e o aeromóvel em Porto Alegre. Dos 399 empreendimentos citados por Lopes, apenas 47 foram entregues. “Temos 166 em preparação, 68 contratados, 10 em licitação e 108 em obra/execução. A distribuição dos recursos está em 64% no Sudeste, 9,8% no Sul, 3% no Norte, 5% no Centro-Oeste e quase 20% no Nordeste do Brasil”, afirmou.

Dario Rais Lopes, secretário nacional de transportes e da mobilidade urbana do Ministério das Cidades durante plenária do Deconcic. Foto Ayrton Vignola/Fiesp

Dario Rais Lopes, secretário nacional de transportes e da mobilidade urbana do Ministério das Cidades durante plenária do Deconcic. Foto Ayrton Vignola/Fiesp

 

Na visão do secretário, entre os desafios para a implantação dos empreendimentos estão a falta de qualificação dos entes federados e a ausência de regulamentação em obras de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Também citou a questão do descompasso conceitual entre obras e empreendimento, a necessidade de maior integração no que diz respeito a tecnologia veicular e a participação do setor privado. Diante disso, Lopes sugeriu um trabalho conjunto entre a Fiesp, o Ciesp e a Secretaria de Mobilidade Urbana para suprir esses gargalos. “Sugiro também o apoio na definição de prioridades e conceituação dos empreendimentos de mobilidade (plano de mobilidade) e propostas sobre a participação do setor privado na implantação e operação de empreendimentos de mobilidade”, completou.

Linhas de crédito

Durante a reunião, Sergio Henrique Andrade Cançado, superintendente executivo da Caixa apresentou as opções que o banco possui para as empresas da construção civil. “Temos muitas alternativas de linha de crédito, mas as mais usadas são PEC (Plano de Financiamento à Construção Civil) no âmbito do sistema brasileiro de poupança e empréstimo (SBPE), apoio à produção sem financiamento e o apoio à produção com financiamento. São os que mais reduzem os custos”, afirmou Cançado.

Já Guilherme Castanho Franco Montoro, também palestrante do encontro e chefe do departamento regional sul do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) focou nas linhas de crédito e nas condições de financiamento do banco nas áreas de desenvolvimento urbano e infraestrutura econômica, em especial para o Programa de Investimento em Logística (PIL).

“Damos suporte em operações diretas, onde há contratação diretamente com o banco, e operações indiretas, onde ocorre ponte de instituições financeiras credenciadas por nós”, afirmou Montoro. Segundo ele, em 2014 houve um desembolso de R$ 69,7 bilhões. Os setores de infraestrutura e indústria foram as que mais contribuíram para este montante, com 37% e 27%, respectivamente. Comércio e Serviços foi responsável por 28%, seguido do setor de agropecuária, com 9%. Montoro estima queda de cerca de 30% nos desembolsos neste ano, o que deve reduzir o total a R$ 140 bilhões.

Com relação aos investimentos no PIL, Montoro disse que o banco segue relevante no financiamento, com ampliação da participação dos bancos, do mercado de capitais e com oportunidades para investidores institucionais e incentivos à emissão de debêntures nos projetos financiados por eles.

Remuneração do FGTS

O Projeto de lei nº 1358/2015, que trata da correção do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) pela remuneração da poupança também foi tratada no encontro. Abelardo Campoy Diaz, representante titular dos empregadores no conselho curador do FGTS e integrante do conselho jurídico da vice-presidência de incorporações e terrenos urbanos do Secovi, afirmou que o projeto traz impactos.

“O primeiro reflexo é o aumento da taxa de juros pelo beneficiário final e o segundo é a sobreposição do funding com poupança. Teremos também insegurança jurídica. O projeto traz apelo indiscutível tanto do ponto de vista econômico quanto social. Não há ambiente político para combater o projeto”, afirmou Diaz, que ressalvou que ele “pode ser melhorado”. Ele defendeu uma proposta alternativa, que usa os resultados do próprio fundo (o “lucro” do FGTS) para aumentar o ganho dos cotistas sem equiparar a remuneração à da poupança.

Durante a reunião, Manuel Carlos de Lima Rossitto, diretor titular adjunto do Deconcic, apresentou informações atualizadas sobre o grupo de trabalho sobre Responsabilidade com Investimento, que começa nova fase neste semestre.

Representantes do Deconcic da Fiesp participam de reunião sobre mineração e mobilidade urbana

Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp

O Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realizou na primeira semana deste mês, em Brasília, uma reunião para tratar de assuntos relacionados à indústria da mineração e também questões voltadas à mobilidade urbana.

O diretor-titular do Deconcic, Carlos Eduardo Auricchio, o diretor adjunto e vice-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Luiz Eulálio de Moraes Terra, e o diretor e coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Mineração (Comin) da Fiesp, Eduardo Rodrigues Machado Luz, estiveram em reunião com o secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, Carlos Nogueira, atendendo ao pedido do Ministro de Minas e Energia em discutir com a SGM os aspectos relacionados à implementação do “Plano Nacional de Agregados”.

Representantes da Fiesp durante reunião em Brasília. Foto: Divulgação/Fiesp

 

No mesmo dia, os diretores se reuniram com o diretor geral do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Celso Luiz Garcia, abordou a Portaria nº 541/2014, a qual dispõe sobre licenciamento ambiental, requerimento de lavra, e dá outras disposições, além da destinação de recursos para o DNPM na mineração paulista.

Mobilidade Urbana

Ainda em Brasília, Manuel Carlos de Lima Rossitto, diretor adjunto do Deconcic, se reuniu com o Secretário Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana – Ministério das Cidades, Dario Rais Lopes, para alinhar as propostas do departamento, voltados à mobilidade urbana.

Mobilidade Urbana, Infraestrutura e a Copa 2014

Apresentação feita pelo Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco) durante o 8º Encontro da Arquitetura e da Engenharia Consultiva de São Paulo, demonstra como investimentos em  infra estrutura e  mobilidade para a Copa do Mundo podem ser uma grande oportunidade de negócio.

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Objetivo é ter apenas três minutos de intervalo entre trens em São Paulo, afirma presidente da CPTM

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

“Nosso maior objetivo é fazer com que, em meados de 2015, o intervalo entre os trens em todas as linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) seja de apenas três minutos.

A afirmação é do diretor-presidente da CPTM, de Mário Bandeira, em sua exposição na tarde desta segunda-feira (06/05) durante o painel “Mobilidade Urbana – A expansão do Transporte Sobre Trilhos em Regiões Metropolitanas”. O painel fez parte do 8º Encontro de Logística e Transporte, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Mario Bandeira. Foto: Luis Benedito/Fiesp

“Das seis linhas da CPTM, trabalhamos em duas com quatro minutos de intervalo. A meta é que todas elas operem em três minutos daqui a dois anos”, garantiu. O diretor falou também sobre os projetos de expansão e modernização em curso na CPTM.

“Hoje, os serviços da CPTM se estendem por 255 quilômetros, transportando dois milhões e 800 mil pessoas por dia”, disse Bandeira.

O principal desafio enfrentado, segundo ele, é o de adequar-se às constantes mudanças de demandas da população. Para isso, o investimento para este ano é de 1,1 bilhão de reais.

Bandeira afirmou que em um período de sete anos, entre os anos de 2007 e 2014, a demanda pelos serviços da CPTM irá dobrar. “Teremos, até 2015, 164 trens com oito carros, cada, para atender a toda essa demanda.”

Rio de Janeiro

Delmo Pinho. Foto: Luis Benedito/Fiesp

Outro participante do painel, o subsecretário de transportes do governo do Estado do Rio de Janeiro, Delmo Pinho,  falou sobre a situação da malha metro-ferroviária da capital carioca.

Pinho disse que o governo corre contra o tempo devido aos grandes eventos que a cidade do receberá até o ano de 2016. “Temos uma grande agenda de eventos nos anos vindouros. Para isso precisamos de uma rede de transporte de qualidade.”

De acordo com o subsecretário, mais de 15 bilhões de reais serão investidos pelo governo fluminense até 2016, modernizando todo o sistema metro-ferroviário com a criação de uma anel de alta performance, que consiste em quatro linhas de BRTs (bus rapid transit) ligando bairros como Barra da Tijuca, a região do estádio do Maracanã, Deodoro e Ipanema.

“Além disso, em setembro de 2010, iniciamos a construção de uma linha de metrô de 13 quilômetros que liga Ipanema e Barra da Tijuca. Ela realizará 230 mil viagens por dia”, disse.

Carlos José da Cunha, presidente da Supervia ,  empresa que administra a malha ferroviária urbana de passageiros da região metropolitana do Rio de Janeiro, falou sobre os serviços prestados pela empresa.

“Um dos problemas que temos é que o sistema de sinalização ainda é manual e temos grande intervalo de trens, entre oito e 12 minutos nas estações”, contou.

Carlos José Cunha. Foto: Luis Benedito/Fiesp

Entretanto, com o novo sistema em funcionamento, o tempo de espera dos passageiros será reduzido para algo entre quatro e seis minutos, segundo Cunha.

“Na estação Marechal Deodoro, o objetivo é atingir três minutos.”

Cunha também disse que cem quilômetros de trilho em todo o sistema já foram trocados. “Agora usamos dormentes de concreto.”

Segundo o presidente da Supervia, a grande mudança de gestão é direcionar as ações para os passageiros. “Criamos bicicletários e contratamos 160 jovens de comunidades.”

Cunha chamou a atenção para um grave problema que acontece na malha carioca. “Muitas pessoas invadem as áreas próximas aos trilhos. Para acabar com isso, somos obrigados a investir muito na construção de muros e de passarelas”, disse.

“Um dos pontos interessantes da nossa gestão são os altos investimentos imobiliários nas áreas próximas estações. Teremos um dos maiores shopping centers do Rio próximo da Central do Brasil”, afirmou.

O debate teve a coordenação do diretor da divisão de Logística e Transportes do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, José Ricardo Marar.

 

Até a Copa do Mundo, São Paulo deve investir R$ 50 bilhões no setor de mobilidade urbana

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp 

Da esq. p/ a dir.: Joel Benin, Marcos Vinicius de Souza, Renato Viegas e Pedro Pereira Benvenuto durante evento na Fiesp.

 

 

As possibilidades de negócios no setor de infraestrutura, transporte e construção civil na Grande São Paulo, nos próximos três anos, foram os temas do painel “Copa do Mundo 2014 – Investimentos previstos pelo Governo Federal”, durante o seminário “Missão Empresarial Brasil e Itália: Grandes eventos esportivos”, realizado na Fiesp, nesta segunda-feira (16).

Pedro Pereira Benvenuto, coordenador de Planejamento e Avaliação da Secretária do Estado de Planejamento e Desenvolvimento Regional, apresentou os projetos de ampliação da malha metroviária, ferroviária e de rodovias, necessária para realização da Copa do Mundo.

Segundo ele, os investimentos no setor de mobilidade urbana devem ultrapassar os R$ 50 bilhões: “Nos próximos anos faremos um investimento maciço no transporte urbano sobre trilho”, afirmou Benvenuto.

Renato Viégas, diretor-presidente da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano, apontou o crescimento econômico da Macrometrópole paulista, formada por cidades da Grande São Paulo, Baixada Santista e Campinas. A região abriga 72% da população do estado e produz cerca de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual.

Governo Federal

Joel Benin, assessor especial do Ministério do Esporte, acredita que a Copa do Mundo de 2014 contabilizará um rendimento direto de R$ 47 bilhões no PIB Nacional. Além de contribuir com a abertura de 700 mil empregos diretos e indiretos.

“Nosso principal objetivo é promover o Brasil no mundo, gerando um salto de qualidade nos serviços e modernização da infraestrutura”, analisou Benin. E completou: “O evento auxiliará no fortalecimento das relações do País com o mundo”.

Marcos Vinicius de Souza, diretor de Fomento à Inovação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), frisou aos empresários italianos as vantagens de investimento no País. Entre as ações, destacou as linhas de crédito oferecidas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Além disso, Souza destacou o projeto de isenção de tributos como IPI, PIS/Confins e taxas de exportação, que beneficiará as empresas que participam dos projetos de construção das 12 Arenas Esportivas.

Emplasa apresenta estudo sobre desenvolvimento metropolitano do Estado

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Representantes da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S.A. (Emplasa) apresentaram nesta quinta-feira (12), durante a reunião do Conselho Superior de Infraestrutura (Coinfra) na sede da Fiesp, estudo sobre a organização do sistema de desenvolvimento metropolitano do Estado de São Paulo.

Diana Meirelles da Motta, diretora de Projetos de Gestão da Emplasa, expôs um raio-X dos sistemas urbanos de todas as regiões do Brasil, com a dimensão de cada capital dos Estados e as estatísticas demográficas. O objetivo é mapear a infraestrutura para o desenvolvimento econômico e social e contribuir para as ações focalizadas de políticas públicas.

Renato Viegas, presidente da Emplasa

Para a diretora, atualmente o fluxo migratório do Brasil está se direcionando mais para as cidades médias do que para as metrópoles. “O peso populacional crescente destas áreas tem avançado mais que os grandes centros, nos aspectos demográfico e econômico”, apontou Diana Motta.

Ao traçar um paralelo com a situação do Estado de São Paulo, é evidente o alto grau de urbanização, que atinge mais de 90% em razão de poucas cidades possuírem população rural, segundo Rovena Maria Carvalho Negreiros, diretora de Planejamento da Emplasa. Apesar deste índice, a rede urbana da capital e região metropolitana é mais integrada do que o restante do Estado.

“O que São Paulo precisa é requalificar e reordenar suas cidades, para que não perca sua competitividade para os demais centros urbanos brasileiros, que aproveitam o crescimento econômico do País para crescer organizadamente”, completou Diana.

Integração

Na avaliação de Renato Viegas, presidente da Emplasa, é fundamental que as ações sejam unificadas à secretaria de Estado de Desenvolvimento Metropolitano, em complementaridade com os investimentos setoriais. “Temos que adequar os instrumentos de gestão, para o atendimento tempestivo das necessidades da população”, salientou.