Especialistas esboçam na Fiesp modelo de mobilidade inteligente

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Moderado por Pedro Francisco Moreira, diretor adjunto da Divisão de Logística e Transportes do Departamento de Infraestrutura da Fiesp, o workshop Mobilidade Inteligente reuniu especialistas em urbanismo e transporte para discutir tendências futuras. Mas, como destacou Moreira, “a solução está aí, a tecnologia está aí para ser usada”. “Não é coisa futurista.”

O urbanista Carlos Leite, sócio diretor da Stuchi & Leite, disse que não há mobilidade inteligente sem cidade inteligente. No mundo todo há cidades com lugares mais inteligentes e lugares mais burros, afirmou, lembrando que “hoje todos queremos nos locomover melhor”. São Paulo, como qualquer cidade com proporção semelhante de carro por habitante, afirmou, não tem mobilidade inteligente.

Leite comparou Bogotá a São Paulo, lembrando que a capital da Colômbia conseguiu nos últimos 12 anos fazer com êxito a transformação do transporte individual para o coletivo integrado e ciclovias (que teve seu uso ampliado de 5% das pessoas para 53%).

Cidades para as pessoas é o que se quer para o século 21, disse, usando como exemplo o uso de ruas e calçadas para o lazer, como é feito na Times Square, em Nova York, e na avenida Paulista, em São Paulo.

O paradigma do metabolismo urbano no século 21 é o de cidades compactas multifuncionais, permitindo que 90% do tempo se façam os deslocamentos a pé.

Planejamento urbano e transportes precisam andar juntos, defendeu o urbanista. A meta é ter menos deslocamentos e que eles sejam mais curtos. Para isso é preciso ter sistemas de transporte eficientes, multimodais e integrados, com perda de protagonismo do carro. E há uma reorganização, forte, do sistema logístico urbano/regional, com mudanças no sistema de abastecimento e distribuição de cargas.

Transporte precisa deixar de ser baseado em caminhões, passando para trens e, na área urbana, para Vucs.

Sistemas de tecnologia da informação serão aplicados à gestão da cidade e dos transportes. Haverá, disse, uma migração para a sociedade de serviços avançados em substituição à de bens imóveis, como casas e carros. E os carros deverão passar a ser usados on demand, como já se faz em Cambridge (Massachusetts, EUA). Além disso, virão novas tendências no modo de vida na cidade – como por exemplo mais uso do aluguel, porque as pessoas deverão ficar menos enraizadas, mudando-se com mais frequência de cidade.

Carlos Augusto Costa, diretor adjunto de Mercado da FGV Projetos, fez a apresentação Big Data – Mobilidade & Logística. Explicou que o volume disponível de informação coletada em cidades como São Paulo é enorme, e se buscam formas de usar esses dados. Junção de dados pessoais com dados públicos e das empresas terá enorme impacto, afirmou. Quem conseguir analisá-los terá vantagem competitiva.

O diferencial para reter talentos e atraí-los é zelar pela população, disse Costa. Nova York, São Francisco, Boston, Chicago e Barcelona se destacam nesse aspecto, afirmou.

A internet das coisas terá grande impacto na logística, e a interpretação dos dados disponíveis das pessoas permitirá oferecer melhores serviços. O avanço, lembrou, terá custo, e é preciso discutir quem vai pagar por isso.

Conrado Ramires, cofundador da Pegcar.com, contou a história da startup, que, afirmou, resolve uma demanda do mercado, criada pela superlotação de carros e alto custo para sua manutenção. Nasceu como plataforma de compartilhamento de carros, permitindo monetizar sua propriedade em momentos sem uso pelo dono. Há, disse, uma revolução na maneira como as pessoas se movem.

De seus dois anos de vida, um foi empregado na busca de um modo de fazer seguro para os carros inseridos na plataforma. A empresa não tem frota própria, o que permite ganhar escala de forma fácil.

Luciano Driemeier, gerente de Estratégia de Produto da Ford América do Sul, fez a apresentação Evolução tecnológica e novas tendências de mobilidade. A Ford, disse, acredita muito na tecnologia. Compara a atual revolução na mobilidade com a ocorrida 100 anos atrás, quando a implantação da linha de produção pelo Ford permitiu o barateamento dos carros e sua consequente popularização.

A Ford vai ser ativa na criação de alternativas de mobilidade, sem deixar de lado a fabricação de carros. Um dos exemplos é a van dinâmica, da startup Chariot, adquirida pela Ford. Em funcionamento na região de São Francisco (EUA), a empresa, disse, vai além do que fazem as plataformas de compartilhamento de carros para a retirada de veículos das ruas.

Explicou que já há muitas tecnologias de carros semiautônomos, mas a discussão sobre o carro totalmente autônomo dentro da Ford levou à conclusão de que pularia a fase 3 (numa escala de 1 a 5) para em 2021 ter o carro autônomo no nível 4, de elevado grau de automação, da SAE.

Clóvis Simabuku, diretor de Sistemas do Detran de São Paulo, explicou os avanços do órgão em tecnologia, especialmente na desburocratização e melhora do atendimento ao cidadão. Lembrou que um terço da frota nacional de veículos está no Estado de São Paulo.

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Mobilidade inteligente foi tema de workshop do Departamento de Infraestrutura da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp