Estudo Fiesp: Mudança do Clima – Avaliação dos reflexos das metas de redução de emissões sobre a economia e a indústria brasileira

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Confira o estudo Mudança do Clima – Avaliação dos reflexos das metas de redução de emissões sobre a economia e a indústria brasileira, lançado pela FIESP durante o evento de Mudança do Clima e Segurança Hídrica que ocorreu dia 21 de março, em comemoração ao Dia Mundial da Água.


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CLIQUE AQUI e veja as fotos do evento de lançamento do Estudo.

Fiesp lança estudo que mostra impacto no PIB das metas de redução de emissões

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

A Fiesp lançou nesta terça-feira (21 de março) o estudo Mudança do Clima – Avaliação dos reflexos das metas de redução de emissões sobre a economia e a indústria brasileira. A apresentação, a cargo de Angelo Gurgel, professor da FGV, foi feita na sede da Fiesp durante o seminário Mudança do clima e segurança hídrica: Reflexos e impactos para a sociedade.

Na abertura do evento, João Guilherme Sabino Ometto, 2º vice-presidente da Fiesp, disse que os fatos, a natureza e a sociedade obrigarão ao enfrentamento da questão climática. Ometto destacou o incentivo dado pelo presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, ao tema ambiental. Em relação ao evento, disse que dele sairiam grandes contribuições.

Walter Lazzarini, presidente do Conselho Superior do Meio Ambiente da Fiesp (Cosema), lembrou do stress hídrico, incluindo os problemas em São Paulo e cerca de 6 anos de seca muito forte no Nordeste. Manifestou preocupação com a situação das agências norte-americanas de proteção ambiental. Todos precisam fazer sua parte, afirmou.

Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, disse que a pauta do evento é muito importante, destacando a discussão sobre gerenciamento de recursos hídricos. Também os instrumentos econômicos atinentes à mudança climática têm grande relevância, disse. O Código Florestal, em sua opinião, vai obrigar ao seu uso. Jardim listou iniciativas do Governo estadual em relação ao agronegócio. O Brasil poderá ter papel de protagonismo na economia de baixo carbono, que virá, afirmou.

Impacto no PIB

Ao apresentar o estudo, Gurgel explicou que a ideia do levantamento é “pôr um pouco mais de ciência neste cenário em que o Brasil se encontra”. O modelo usado para o estudo, personalizado para o Brasil, considera por exemplo a forte presença do etanol e a base florestal do país. Essa modelagem, segundo o pesquisador, vai além do usualmente adotado, considerando a reação de outras economias do mundo.

Se forem adotadas as medidas com que o Brasil se comprometeu na COP de Paris, o modelo mostra que as metas para 2030 seriam atingidas, mas depois disso as emissões voltariam a crescer, caso não sejam tomadas medidas adicionais. Para que isso não aconteça, uma opção é a precificação.

O modelo considerou a precificação de carbono, via tributação e instrumentos de mercado (cap-and-trade). Pela taxação é possível atingir a redução pretendida, com um custo, disse Gurgel. Usando o comércio de créditos de carbono também.

Em 2030 o PIB seria 0,8% menor que se não se tomassem as medidas previstas na COP (cenário business as usual, BAU). Até 2030 a precificação via tributo não muda muito o panorama, mas o impacto negativo no PIB se acelera a partir daí, chegando a uma redução de 6,5% em 2050 em relação ao cenário sem esforço de redução das emissões.

Via cap-and-trade, o PIB seria 3% menor em 2050 que sem a adoção de medidas contra a mudança climática. E se o esforço fosse feito apenas forçando a troca por energia renovável, o PIB seria 19% menor.

Para cada setor da economia há um custo diferente da precificação nos dois casos, tributação e cap-and-trade, de 3 dólares a 60 dólares por tonelada de carbono até 2030, conforme o setor. A proposta levada pelo Brasil a Paris, pelo modelo, parece ter sido bem feito, disse Gurgel, mas a partir de 2030 serão necessárias novas ações. Ele destacou, entre as conclusões do levantamento, que com tributos, o custo de mitigação é elevado. Do ponto de vista de custo-efetividade, um mercado amplo de permissões de emissões (cap-and-trade) tende a ser melhor. A necessidade de haver esforços internacionais coordenados é outra conclusão do estudo da Fiesp. Clique aqui para ter acesso à íntegra do levantamento.

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Mesa de abertura do seminário Mudança do clima e segurança hídrica: Reflexos e impactos para a sociedade. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Simulação com dados reais

Mariana Nicoletti, do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, apresentou, também no evento sobre mudança do clima e segurança hídrica, o estudo Simulação de Sistema de Comércio de Emissões. O início do projeto, na FGV, se deu em 2013, como instrumento didático, explicou. A simulação usa dados reais, fornecidos por 30 empresas de diversos setores em 2016, totalizando 60 MtCO2e. A negociação é feita numa plataforma online, da BVRio.

Uma conclusão do estuado, segundo Nicoletti, é que a alocação inicial gratuita (parcial) de permissões baseada em indicador de intensidade carbônica é vista pelas empresas como medida para minimizar impactos da precificação e reconhecer seu esforço (early action).

Também se concluiu que tanto “cap” absoluto quanto relativo são semelhantes. O mais importante é haver comunicação, monitoramento de performance e o ajuste contínuo dos parâmetros. A sinalização de preços estáveis é importante para o planejamento das empresas.

Para 2017 é previsto grupo maior, e serão feitas análises setoriais. Também deve haver aproximação com o Governo, para debate e aprendizado, disse Nicoletti.

Clique aqui para ter acesso às apresentações feitas durante o seminário.

Oficina de capacitação na Fiesp aborda mitigação de emissões de gases de efeito estufa

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Opções de mitigação de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) em setores-chave, no Brasil, foram o foco de oficina de capacitação, realizada no dia 30 de julho na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com especialistas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Tratou-se de metodologia para “Mapeamento de Tecnologias de Baixo Carbono” e “Construção de Cenários de Baixo Carbono” nos segmentos industrial e energético.

O treinamento integrou as ações de projeto que mobiliza 11 ministérios com vistas ao esforço do país quanto à mudança climática em setores-chave, como indústria, energia, transportes, edificações, LULUCF (Uso da Terra, Mudança de Uso da Terra e Florestas), gestão de resíduos e outras alternativas intersetoriais. O projeto está sendo implementado em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Segundo Régis Rathmann, do MCTI, as opções de mitigação auxiliam na identificação de seus respectivos potenciais e custos quantificados a fim de minimizar incertezas. “Muitos setores são produtores de energia e também dependentes”, avaliou. Rathmann detalhou os três componentes avaliados, na oficina:

1 – opções de mitigação identificadas e seus respectivos potenciais e custos quantificados para os períodos 2012-2035 e 2036-2050.

2 – análise integrada das diferentes opções de mitigação em estrutura de otimização integrada, considerando a não-aditividade das diferentes opções e outras considerações econômicas; e avaliação dos possíveis impactos dos custos de abatimento e diferentes políticas climáticas sobre a economia brasileira.

3 – capacitação de instituições, governo federal, estaduais e cidades-sede da Copa do Mundo 2014, bem como organizações da sociedade civil para implementação de ações de mitigação de emissões de GEE em setores-chave da economia.

Já Pedro Rochedo teve como foco a energia e frisou que o sistema energético brasileiro é bem diferente dos demais, no mundo. Aqui, há forte concentração de energia renovável, com 46% da energia primária renovável em 2013 (Fonte: EPE, 2014), contando com hidroelétricas como maior fonte de eletricidade, além do etanol, que representa cerca de 14% do consumo de combustível no setor de transporte.

Rochedo tratou, em detalhes, da estrutura do setor energético, composto por óleo e gás, carvão, sucroalcooleiro, biomassa e setor elétrico. Em termos de óleo e gás, por exemplo, o pré-sal oferece recurso enorme, com reserva entre 70 e 100 gigabarris de petróleo, porém, presente entre 200 a 300 km da costa, e a 8 mil metros abaixo do nível do mar, o que requer tecnologia, inclusive para o aproveitamento do gás acumulado nessa área. Em sua avaliação, óleo e gás contam com tecnologias maduras e, portanto, com baixa perspectiva de inovação.

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Oficina sobre mitigação de emissões de GEE, realizada na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Em termos de carvão mineral, predominante na região Sul do país, seu uso é pouco representativo em função da baixa qualidade que oferece e, em função do baixo preço, acaba sendo destinado ao uso térmico. O setor sucroalcooleiro brasileiro, como maior produtor de cana-de-açúcar, especialmente no Sudeste, só perde em etanol para os Estados Unidos, cujo etanol é feito à base de milho. Esse processo demanda vapor e eletricidade, e o bagaço deixou de ser avaliado como resíduo para se tornar fonte de energia.

Outro exemplo dado por Rochedo diz respeito à controversa energia nuclear. O Brasil conta com a 5ª maior reserva mundial de urânio, mas não domina toda essa cadeia produtiva. No entanto, a reserva existente é capaz de atender a demanda por mil anos.

O especialista do MCTI alertou para um caráter prático quanto à demanda energética: “Nos Estados Unidos, entregam-se à população de baixa renda, em algumas localidades, geladeiras mais eficientes porque isto é mais fácil do que expandir a base do setor elétrico”, exemplificou.

A Fiesp – por meio de seu Comitê de Mudança do Clima – participa das Conferências Climáticas Mundiais desde 2009, quando foi assinado o Acordo de Copenhague. Na ocasião foi reconhecido que o aumento da temperatura global não deve exceder 2º Celsius, até o final do século, para evitar mudanças irreversíveis no sistema climático. Desde então a Fiesp tem integrado a delegação brasileira, acompanhado a agenda internacional e participado de todas as Conferências das Partes (COP) da Organização das Nações Unidas (ONU). Na agenda nacional, a Fiesp integra os fóruns governamentais e da sociedade civil, defendendo a competitividade brasileira na construção dessa nova economia de baixo carbono. Outra iniciativa é a divulgação do tema para as pequenas e micro empresas, como a oficina realizada no dia 30 de julho. O Comitê de Mudança do Clima da Fiesp participará da COP21, em Paris, no final deste ano.

Oficina de capacitação na Fiesp aborda tecnologias de baixo carbono

Agência Indusnet Fiesp

Com apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) realiza dia 30 de julho oficina de capacitação com foco em metodologias para “Mapeamento de Tecnologias de Baixo Carbono” e “Construção de Cenários de Baixo Carbono” nos segmentos industrial e energético. Esse treinamento faz parte das ações do projeto Opções de Mitigação de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), integrando os esforços do país quanto à mudança climática.

A implantação do projeto é feita em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Os cenários integrados do potencial de mitigação das emissões de GEE auxiliam na tomada de decisão sobre ações que possam reduzir as emissões.

A oficina será dividida em duas etapas:

Tecnologias de baixo carbono aplicáveis para a mitigação de emissões de gases de efeito estufa nos segmentos energético e industrial. Das 9h às 12h.

Construção de cenários de baixo carbono nos segmentos energético e industrial. Das 14h às 17h.

A Fiesp – por meio de seu Comitê de Mudança do Clima – participa desde 2009 das Conferências Climáticas Mundiais, quando foi assinado o Acordo de Copenhague e reconhecido que o aumento da temperatura global não deve exceder 2º Celsius até o final do século para evitar mudanças irreversíveis no sistema climático. Desde então tem integrado a delegação brasileira, acompanhado a agenda internacional e participado de todas as Conferências das Partes (COP) da Organização das Nações Unidas (ONU). Na agenda nacional, integra os fóruns governamentais e da sociedade civil, defendendo a competitividade brasileira na construção dessa nova economia de baixo carbono. Outra iniciativa é a divulgação do tema para as pequenas e micro empresas, como a oficina que está sendo realizada no próximo dia 30. O Comitê de Mudança do Clima da Fiesp participará da COP21, em Paris, no final do ano.

SERVIÇO:

Mapeamento de Tecnologias de Baixo Carbono e Construção de Cenários de Baixo Carbono nos segmentos industriais e energético

Data e hora: 30 de julho das 9h às 17h

Local: Avenida Paulista, 1.313, São Paulo, SP

Inscrição: inscrições podem ser solicitadas até 28/07 pelo e-mail ctc_mitigacao@mcti.gov.br. Vagas limitadas.