Debate intersetorial com MCTI aborda mitigação de gases de efeito estufa

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Em julho, na Fiesp, foi realizada oficina de capacitação sobre opções de mitigação de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) em setores-chave do Brasil com especialistas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Tratou-se de metodologia para “Mapeamento de Tecnologias de Baixo Carbono” e “Construção de Cenários de Baixo Carbono” nos segmentos industrial e energético. O treinamento integrou as ações de projeto que mobiliza 11 ministérios com vistas ao esforço do país quanto à mudança climática e está sendo implementado em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

A segunda etapa desta iniciativa foi a realização nesta quinta-feira, 27, do workshop “Tecnologias e processos inovadores no setor industrial”. O objetivo foi debater sobre a pesquisa e o desenvolvimento, em diferentes segmentos, sobre processos que direta ou indiretamente auxiliarão na redução de emissões de GEE nas próximas décadas. No encontro, participaram representantes dos setores de alimentos e bebidas, cerâmica, cimento, ferro-gusa e aço, ferroligas, metais não-ferrosos, mineração, papel e celulose, químico e petroquímico e têxtil, além de consultores.

Para Régis Rathmann, do MCTI, é necessário consenso quanto à tecnologia, no setor industrial, para a construção de cenários de baixo carbono a fim de estabelecer mecanismos de políticas públicas para a remoção de possíveis barreiras. O especialista explicou que está sendo utilizada uma visão conservadora nesses cenários em função do momento econômico que o país vive.

Workshop na Fiesp apresentou processos que auxiliarão na redução de emissões de GEE. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

 

Rathmann frisou que já ocorreram rodadas de encontros com vários setores a fim de balizar as tecnologias já existentes e as futuras e as opções de mitigação. “Entre janeiro e março do ano que vem serão publicados os relatórios setoriais para que haja tempo de receber contribuições”, disse, e um dos pontos de atenção é o impacto na competitividade. Com a crise hídrica, a matriz energética pode sofrer intensificação do carbono, alertou o representante do MCTI.

As opções de mitigação auxiliam na identificação de seus respectivos potenciais e custos quantificados a fim de minimizar incertezas. “Muitos setores são produtores de energia e também dependentes”, avaliou. Rathmann detalhou os três componentes principais na construção de cenários:

1 – opções de mitigação identificadas e seus respectivos potenciais e custos quantificados para os períodos 2012-2035 e 2036-2050.

2 – análise integrada das diferentes opções de mitigação em estrutura de otimização integrada, considerando a não-aditividade das diferentes opções e outras considerações econômicas; e avaliação dos possíveis impactos dos custos de abatimento e diferentes políticas climáticas sobre a economia brasileira.

3 – capacitação de instituições, governo federal, estaduais e cidades-sede da Copa do Mundo 2014, bem como organizações da sociedade civil para implementação de ações de mitigação de emissões de GEE em setores-chave da economia.

A Fiesp – por meio de seu Comitê de Mudança do Clima – integra as Conferências Climáticas Mundiais desde 2009, quando da assinatura do Acordo de Copenhague. Naquele ano, foi reconhecido que o aumento da temperatura global não deve exceder 2º Celsius, até o final do século. A partir de então a Fiesp acompanha a delegação brasileira e a agenda internacional, participando das Conferências das Partes (COP) da Organização das Nações Unidas (ONU) e divulgando o posicionamento da Fiesp. Na agenda nacional, a Federação faz parte dos fóruns governamentais e da sociedade civil, defendendo a competitividade brasileira na construção dessa nova economia de baixo carbono. Outra iniciativa é a divulgação do tema para as pequenas e micro empresas. O Comitê de Mudança do Clima da Fiesp participará da COP21, em Paris, no final deste ano.

Clique aqui para ler carta enviada ao Ministério das Relações Exteriores por João Guilherme Sabino Ometto, vice-presidente da Fiesp e Coordenador do Comitê de Mudança do Clima da entidade, para apresentar as diretrizes que a Fiesp entende serem necessárias ao balizamento dos compromissos que o Brasil assumirá na COP21.