EUA querem criar ‘relação bilateral profunda com Brasil’, afirma embaixadora americana

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

A embaixadora e vice-secretária de comércio americana Miriam Sapiro, representante comercial adjunta dos Estados Unidos, falou, na tarde desta terça-feira (10/09), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), sobre a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. Miriam participou de uma reunião organizada pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da entidade. Empresários, representantes de companhias e acadêmicos estiveram presentes ao encontro.

“Podemos estreitar ainda mais os laços entre Brasil e Estados Unidos, se o governo brasileiro quiser“, disse a embaixadora.  “Somos duas democracias e duas das sete maiores economias deste planeta. Podemos alcançar mais do que fazemos atualmente”, opinou.

Miriam: “Podemos alcançar mais do que fazemos atualmente”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Miriam na reunião da Fiesp: “Podemos alcançar mais do que fazemos atualmente”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Para Miriam, apesar dos obstáculos enfrentados, principalmente em relação à burocracia brasileira, houve progresso nas relações entre os dois países nos últimos três anos. “Se olharmos para as estatísticas, perceberemos que o Brasil é o oitavo maior parceiro dos Estados Unidos. O comércio de produtos dobrou nos últimos anos”, informou.

Entretanto, isso ainda é pouco para a embaixadora.  “Apesar de estarmos falando de duas gigantescas economias, a relação Brasil/Estados Unidos representa apenas 1% do comércio global”, explicou. “Isso deixa clara a necessidade de ampliarmos nossas relações. Ainda há muito mais a fazer, se quisermos ver o avanço ideal”.

A embaixadora também declarou que os Estados Unidos têm interesse de aprofundar as relações comercias entre os dois países. “Queremos ter mais contato com o Brasil, não apenas em termos de blocos econômicos, mas bilateralmente”.

Inovação e investimentos

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Embaixadora americana disse que há barreiras a superar para incrementar as oportunidades de inovação entre os dois países. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Para isso, Miriam destacou duas áreas que podem ajudar a aproximação e expansão desse relacionamento. “A área de inovação representa muitas oportunidades e já criou muitos empregos no Brasil”, disse. “Os dois países já trabalham nessa área, principalmente no setor de biocombustível. Infelizmente há barreiras que impedem essa área de crescer, principalmente a lei de propriedade intelectual”.

Miriam citou também a área de investimentos como estratégica. “É uma área importante para a vitalidade econômica”, explicou. “É fundamental criar maneiras de atrair investimentos estrangeiros para os dois países, para o crescimento da pequena e média empresa e de empresas agrícolas brasileiras”.

Para ela, esses são mecanismo para maior colaboração e coerência bilateral.  “Temos ambições comuns, globais e locais. Espero que aprendamos e consigamos crescer. Crescer em competitividade, inovação, investimentos”.

A embaixadora encerrou a sua participação no debate citando Franklin Delano Roosevelt, presidente dos Estados Unidos de 1933 a 1945. “Há 80 anos, Roosevelt visitou o Brasil e disse que o progresso que fizemos não pode funcionar como pretexto para descanso, mas deve funcionar para estimular ainda mais progresso”, disse.  “Devemos, apesar do progresso que obtivemos recentemente, continuar a almejar o crescimento e o bem-estar dessas duas nações parceiras”, encerrou.

Hora de decidir

Giannetti: ações conjuntas inclusive na África. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Giannetti: ações conjuntas desenvolvidas pelos dois países na África. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Na reunião, Roberto Giannetti da Fonseca, diretor-titular do Derex, destacou as possibilidades para a parceria entre as duas nações. “Acho que os dois países podem fazer muita coisa juntos, principalmente na África”, disse.

Para Giannetti, o encontro é importante, pois acontece próximo da visita da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos, prevista para outubro.

Mario Marconini, diretor titular-adjunto, também manifestou a sua vontade de estreitar laços.  “Infelizmente, nos últimos 25 anos, não fizemos tudo o que um país como o Brasil pode fazer”, disse. “Ainda acredito que grandes empresas e muitos setores têm medo de competição estrangeira. Mas isso não é sustentável. O Brasil precisa se integrar”.

Marconini: “Infelizmente, nos últimos 25 anos, não fizemos tudo o que um país como o Brasil pode fazer”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Marconini: “Nos últimos 25 anos, não fizemos tudo o que um país como o Brasil pode fazer”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Segundo Marconini, existe a sensação de que o país não se movimenta e não avança desde a crise econômica de 2008. “O Brasil precisa decidir se quer se integrar ou não”, afirmou. “Nós da Fiesp temos clara a necessidade da criação de acordos de livre comércio. Não vemos o Mercosul como um obstáculo. A questão é entender se temos a intenção de negociar”, concluiu.