Copa do Mundo e Jogos Olímpicos serão ‘xeque-mate’ na estrutura burocrática do País

Agência Indusnet Fiesp

O Brasil estará, pelos próximos dez anos, no centro da agenda de eventos esportivos internacionais e terá uma oportunidade única de se mostrar diante do mundo. Este é o primeiro desafio que se impõe ao País com a conquista do direito de sediar a Copa das Confederações em 2013, a Copa do Mundo no ano seguinte e as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro, além dos Jogos Mundiais Militares em 2011.

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Orlando Silva, ministro do Esporte. Foto: Kênia Hernandes

“Infraestrutura é um tema que nós necessariamente teremos que enfrentar na preparação do Brasil para os grandes eventos. A Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 significarão um xeque-mate na estrutura burocrática do nosso país”, afirmou o ministro do Esporte, Orlando Silva, na abertura do 8° Construbusiness, realizado nesta segunda-feira (30/11) na Fiesp.

“Ou teremos outra dinâmica na resposta desses desafios, ou corremos o risco de expor nosso país a um colapso”, prosseguiu.

Impactos na logística

Segundo o ministro, mesmo com a viabilização dos investimentos projetados para os aeroportos paulistas de Congonhas (Capital), Viracopos (Campinas) e Cumbica (Guarulhos), que formam a base central do sistema aeroportuário para a Copa do Mundo, a operação estará no limite de capacidade em 2014 – levando em conta as demandas de fim de ano e as taxas de crescimento para o período.

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Oitava edição do Construbusiness lotou o Teatro do Sesi-SP, na sede da Fiesp


“Os eventos esportivos vão exigir não apenas mudanças na gestão, mas nas normas, de modo a definir um sistema mais ágil de processamento de contratos públicos que garanta o cumprimento dos prazos. Deverá ser um esforço de mãos dadas entre os governos e o parlamento brasileiro, para que os investimentos aconteçam sem sobressaltos”, cobrou Orlando Silva.

Temas-chave

O ministro do Esporte antecipou que 64 intervenções em mobilidade urbana nas 12 cidades da Copa foram estudadas e selecionadas pelo Governo, e devem ser anunciadas em dezembro pelo presidente Lula.

Segundo Orlando Silva, as intervenções no sistema somarão R$ 13 bilhões, e devem facilitar a circulação nos pontos de conexão entre a rede hoteleira, os portos, aeroportos, rodoviárias e estádios.

O principal investimento em mobilidade focado em 2014 será feito na cidade de São Paulo, de acordo com o ministro. Um consórcio formado pelos três níveis de governo deverá viabilizar, com R$ 3,5 bilhões, a conexão de Congonhas com o sistema metroviário e a CPTM em três pontos distintos.

Além disso, serão investidos R$ 6 bilhões nos 16 aeroportos localizados nas cidades da Copa, em ampliação da capacidade de terminais de passageiros, e de pousos e decolagens. No sistema portuário, R$ 0,5 bilhão será usado na qualificação de terminais de passageiros.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também autorizou uma linha de financiamento de R$ 4,8 bilhões para investimentos nas arenas esportivas e acessibilidade no entorno das instalações, e também prepara uma linha para financiar a expansão e a qualificação da rede hoteleira do país.

Segundo o ministro Orlando Silva, um estudo de impacto socioeconômico encomendado à Fundação Instituto de Administração (FIA/USP) indicou que, na preparação dos Jogos Olímpicos, 10,5% do efeito econômico total se dará na cadeia produtiva da construção.

“Além disso, 53% dos empregos gerados se darão fora das fronteiras do Rio de Janeiro. Isso nos mostra que os Jogos e a Copa serão um fator de indução nacional de crescimento econômico”, arrematou o ministro do Esporte.