Ministro da Suíça reforça interesse em negociações para livre comércio com o Mercosul

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Ministro Johann Schneider-Ammann durante seminário sobre câmbio na Fiesp

O ministro do Departamento Econômico da Suíça, Johann Schneider–Ammann, que está no Brasil acompanhado de uma delegação há dois dias, participou na tarde desta sexta-feira (14) de seminário na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Além de compartilhar a recente experiência do país europeu com medidas para conter a valorização da moeda local, a autoridade expressou intenções de seu país em estabelecer um acordo de livre comércio com o Mercosul.

“Nós queremos abrir o mercado e estamos muito interessados em um acordo de livre comércio com o Brasil e com o Mercosul”, afirmou Schneider-Ammann, em seu discurso de abertura do seminário “Os Efeitos da Oscilação Cambial no Brasil e na Suíça”.

O Brasil é um dos principais parceiros sul-americanos da Suíça que já opera um acordo de livre comércio com o Chile, desde 2004 – o primeiro do país europeu na América do Sul.

A intenção da Suíça em abrir seu mercado também vale para países como China, Índia e Rússia. Os suíços reuniram-se com representantes destas nações para intensificar o intercâmbio com base em um plano estratégico lançado em 2006.

Câmbio

No início de setembro, o Banco Nacional da Suíça anunciou teto mínimo para operações com sua divisa local, o franco-suíço, em relação ao euro.

O objetivo da medida é evitar maiores prejuízos para a economia daquele país provocados pela elevada apreciação cambial. Para o ministro Schneider-Ammann, a elevada valorização do franco representa uma “grave ameaça à economia e indústria suíça.” Ele ainda reconheceu que apesar da medida que estabelece o valor mínimo de 1,20 francos por euro, a divisa suíça ainda deve continuar elevada e, se for necessário, podem adotar novas ações.

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Benjamin Steinbruch, vice-presidente da Fiesp

O Brasil enfrenta situação de instabilidade cambial semelhante por conta do elevado fluxo de investimentos, principalmente na infraestrutura e no agronegócio, e com a valorização do real que barateia as importações e prejudica a competitividade de nossa indústria.

“Recentemente a Suíça deu provas concretas de uma ação direta no câmbio que nos surpreendeu. Talvez seja uma sinalização do caminho que o Brasil tenha que seguir eventualmente”, disse Benjamin Steinbruch, vice-presidente da Fiesp.

O economista do Banco UBS, André Carvalho, enxerga com mais cautela a aplicação das medidas suíças na economia brasileira. “Não sei se essa é a melhor opção para o Brasil porque ao fazer o mesmo que a Suíça, o governo estaria dando alimento para inflação no país”, ponderou.

Diretor da Fiesp defende rodada da moeda no G20 para evitar maior deterioração do câmbio

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

“A necessidade de regulação e disciplina do câmbio e do comércio internacional está evidente e a Rodada de Doha ultrapassada”, afirmou nesta sexta-feira (14), o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Gianetti.

O diretor foi um dos palestrantes no seminário “Os Efeitos da Oscilação Cambial no Brasil e na Suíça”, na sede da federação.

“A Rodada de Doha parece algo do século passado. Precisamos imediatamente que as nações líderes do G20 estabeleçam um novo diálogo internacional que seria a rodada da moeda”, afirmou Gianetti ao falar no encerramento do encontro.

Giannetti destacou a presença do ministro do Departamento Econômico da Suíça, Johann Schneider–Ammann, como uma oportunidade para que seja criado esse diálogo.

Schneider–Ammann, que está no Brasil acompanhado de uma delegação há dois dias, participou do seminário e compartilhou a recente experiência do país europeu com medidas para conter a valorização da moeda local, como o teto mínimo para operações com o franco-suíço em relação ao euro.