Nova matriz energética segue precisando das termoelétricas, diz diretor-geral da ONS

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Hermes Chipp. Foto: Alberto Rocha/Fiesp

A oferta de energia eólica deve superar os 473 megawatts em 2018, enquanto o crescimento da oferta da hidráulica deve chegar a 22,3 mil megawatts no mesmo período. Ainda assim, a nova matriz energética, que se configura em torno de fontes renováveis, vai precisar das térmicas convencionais para atender a demanda, equilibrar custos e dar segurança ao sistema.

A avaliação é do diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermann Chipp.

“Vai ser uma maravilha, mas para garantir atendimento tem de ter térmica. Essa matriz tem de ser modificada”, defendeu Chipp, ao participar do segundo dia de agenda da Semana de Infraestrutura (L.E.T.S.), evento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Segundo ele, a oferta de energia deve aumentar em 20 mil megawatts em 2018 somente com expansão hidrelétrica , o que significa um crescimento de 22,3% entre 2013 e 2018. “Mas você não pode contar só com isso. Então, vai ter precisar de térmica”.

Para Chipp, a matriz energética brasileira permitirá no futuro a inclusão de novos reservatórios na matriz, aumento da participação térmica convencional (carvão mineral e gás natural) no médio prazo e viabilidade da expansão do parque nuclear no longo prazo.

O diretor do ONS informou ainda que o índice de armazenamento energético deve chegar ao fim do ano a uma taxa de 30%. “Isso é 10% abaixo da média.”

Chipp reiterou que na atual situação, “fica clara a necessidade de mudança da política operativa com despacho térmico, mesmo para anos hidrológicos próximos à média”.

Para Marco Antônio Oliveira, representante da PSR Consultoria, se o país quiser aumentar a matriz energética com riscos menores, precisa colocar térmica na expansão.

“Se quiser andar com nível de risco mais baixo, 15% de térmica. Se olharmos a diferença de na geração do período úmido para o seco, você vai ter problema no período seco para operar o sistema. A gente tem que inserir térmicas para manter até o nível de participação que ela tem hoje”, defendeu Oliveira.

Fontes renováveis

De acordo com o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, as fontes renováveis devem atingir uma participação de 83,5% somente da matriz de energia elétrica em 2022. Em 2013, cerca de 78,4% da matriz era proveniente de fonte renovável.

Altino Ventura Filho: (AR)_altino_ventura. Brasil tem, portanto, todas as condições para ser autossuficiente em termos de energia. Foto: Alberto Rocha/Fiesp

Segundo Ventura Filho, a participação das hidrelétricas na matriz deve cair de 76,9% para 69,9% em 2022, enquanto as térmicas por carvão deve manter a participação entre 1,4% e 1,5%. Já a eólica deve aumentar para 5,2%.

“O Brasil tem, portanto, todas as condições para ser autossuficiente em termos de energia, um exportador, um trade importante no mercado internacional”, disse Ventura Filho.

De acordo com dados do secretário, as fontes renováveis no mundo corresponderam a 13,4% da matriz de energia em 2013, contra 40,5% do Brasil no setor de energia como um todo no mesmo período. Os combustíveis fósseis chegaram a participar com 81,7% da matriz no ano passado, enquanto no Brasil o percentual foi de 58,2%.

O painel “Nova Configuração da Matriz Elétrica”, moderado pelo diretor da Fiesp Nelson Barreira, também contou com a participação do professor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e do diretor de construção da Norte Energia, Duilio Diniz de Figueiredo.
L.E.T.S.

A Semana da Infraestrutura da Fiesp (L.E.T.S.) representa a união de quatro encontros tradicionais da entidade: 9º Encontro de Logística e Transporte, 15º Encontro de Energia, 6º Encontro de Telecomunicações e 4º Encontro de Saneamento Básico. O evento acontece de 19 a 22 de maio (segunda a quinta-feira), das 8h30 às 18h30, no Centro de Convenções do Hotel Unique, em São Paulo.

Mais informações: www.fiesp.com.br/lets

Gás natural: especialistas sugerem medidas para desenvolver mercado no Brasil

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Painel destacou importância do gás natural para o desenvolvimento econômico e aumento da competitividade da indústria brasileira. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Com pontos de vista do governo federal, de representantes da indústria e empresas da área de energia, foi realizado na manhã desta terça-feira (06/08), o seminário “Aumento da oferta e desenvolvimento do mercado: quando o sonho se tornará realidade?”, para debater as perspectivas do gás natural no Brasil.

O evento fez parte do 14º Encontro de Energia, realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A coordenação do seminário foi do diretor da Fiesp, José Eduardo Otero Vidigal Pontes.

Amilcar Gonçalves: EPE projeta crescimento da produção potencial em torno de 12% ao ano. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Todos os palestrantes falaram sobre as dificuldades do mercado de gás natural no Brasil e também foram unânimes em ressaltar a importância dessa matriz energética para o desenvolvimento econômico e aumento da competitividade da indústria brasileira.

O diretor da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Amilcar Gonçalves Guerreiro, apresentou estudos e projeções realizadas pela empresa. “A nossa perspectiva, para os próximos 10 anos, prevê o crescimento da produção potencial em torno de 12% ao ano e o aumento da oferta de 7% ao ano.”

“Diante dessas circunstâncias, não mostra uma perspectiva de sobra de recursos nos próximos anos, mas sim de uma situação de equilíbrio”, concluiu Guerreiro.

Symone Santana: conexão entre indústria de gás e de energia elétrica é um desafio a ser enfrentado. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Trazendo a visão da gestão pública, Symone Christine Santana , diretora do Ministério de Minas e Energia (MME), enumerou ações realizadas pelo governo federal – as rodadas de leilões, entre elas.  Mas recordou que “uma indústria do gás equilibrada não requer somente a mão da União, mas tem também os aspectos que dizem respeito a uma interação com os estados.”

Com base nas rodadas, a diretora do MME também falou sobre a possibilidade de junção da indústria de gás e as termoelétricas. “As recentes mudanças empreendidas no setor elétrico demonstram uma tendência de uma intensificação da geração termoelétrica. Essa conexão entre essas duas indústrias, do gás e de energia elétrica, é um desafio grande que esse governo precisa tratar, do ponto de vista de planejar a energia.”

Quebra de monopólio

Lucien Belmonte, da Abividro: contra a verticalização no mercado de gás natural. Foto: Julia Moraes/Fiesp

O superintendente da Associação Técnica Brasileira da Indústria de Vidro (Abividro), Lucien Belmonte, tem expectativas pessimistas, a curto e médio prazo, para o mercado de gás natural.

Ele citou o shale gas americano, usado não só de forma econômica, mas geopolítica. “Quando vocês olham as discussões de reservas internacionais de shale gas, a maior é a da China. Se a China começar a achar shale e se livrar das restrições ambientais que ela tem de produzir tudo com carvão, e se tiver um insumo barato, o que vai acontecer com o Brasil? Vai sobrar alguma coisa de indústria para gente?”, questionou.

Belmonte cobrou uma maior participação do Estado para buscar a quebra de monopólio da Petrobras. “Um player único não vai adiantar. A Petrobrás legitimamente defende seu mercado. Quem deveria proibir é o Estado, que deveria estar pensando de uma forma mais estratégica a questão dos insumos. Proibir a verticalização entre produção, escoamento, transporte e distribuição. É um ponto fundamental: a quebra desses monopólios sucessivos na mão de um agente.”

Marco Tavares, CEO da Gas Energy: "É preciso ter a visão do gás como matriz energética." Foto: Julia Moraes/Fiesp

Marco Tavares, CEO da Gas Energy, também defendeu mudanças para o mercado de gás para garantir a sobrevivência da indústria nacional. “A gente tem um trem vindo contra nós e estamos parados olhando esse trem chamado competitividade. O Brasil está caminhando diretamente para a perda completa da competitividade industrial.”

Para Tavares, é preciso ter a visão do gás como matriz energética. “Temos uma demanda reprimida e uma oferta excedente. Temos que equilibrar e buscar esse desenvolvimento da demanda, de forma estruturada e pensada. Devemos atacar o problema com duas medidas fortes: buscar mexer na política setorial e com uma nova regulação”, afirmou. “Precisamos fazer o choque de oferta chegar ao mercado.”

 

Para especialistas, processo de integração elétrica na América Latina ainda é lento

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

“Todos os sinais dizem que o melhor caminho é a integração, mas esse processo tem se desenvolvido de maneira muito lenta”, declarou o secretário de Planejamento energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, na manhã desta terça-feira (06/08) durante o 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no Hotel Unique, na capital paulista.

Participante do painel “Integração Elétrica na América Latina”, Ventura Filho explicou que, se a região fosse um único país, seu sistema de energia seria muito parecido com o que temos no Brasil, formado principalmente por hidrelétricas e com alta capacidade de interligação, o que permite benefícios como a redução de custos de operação, aumento da confiabilidade e segurança quanto ao suprimento da demanda. “O que limita [os processos de integração] são as distâncias geográficas entre as nações, o que exige investimentos maiores.”

Os debatedores do painel sobre a integração elétrica na América Latina. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Os debatedores do painel sobre a integração elétrica entre os países da América Latina. Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

Para o presidente do CIER, Hermes Chipp, outra dificuldade para se concretizar um sistema de conexão multinacional é o fato de os governos preferirem a autossuficiência – mesmo que a um custo mais alto – à dependência de outro país. “É preciso resgatar a confiança dos governos”, alertou. “Temos plenas condições de fazer uma integração e é uma pena que, hoje, somente 5% da energia gerada na América Latina seja transacionada.”

Bons Exemplos

Flores: bons resultados, mesmo que processo de integração seja lento. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Flores: bons resultados, mesmo que processo de integração seja lento. Foto: Julia Moraes/Fiesp

A integração elétrica, no entanto, não é algo impossível, como mostrou o especialista em energia do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Rodriguez Flores, ao apresentar o Projeto de Integração Energética da América Central (Siepac).

O Siepac une seis países da América Central através da interconexão elétrica e da criação de um mercado elétrico regional. Suas linhas de transmissão ligam, atualmente, 37 milhões de consumidores no Panamá, Costa Rica, Honduras, Nicarágua, El Salvador e Guatemala.

O processo, todavia, é demorado. Para se ter uma ideia, os estudos para a implementação do projeto começaram em 1987.

 

Discussão sobre hidrelétricas não pode ser ‘manipulada por aspectos ideológicos’, diz Zimmermann

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Marcio Zimmermann, secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A Alemanha utilizou 100% de seus recursos hídricos para gerar energia, enquanto a França usou 80% e os Estados Unidos (EUA), 60%. E todos os demais países desenvolvidos exploraram o seu potencial hidrelétrico. No caso do Brasil, a discussão sobre o aumento da capacidade instalada deve preceder o debate sobre eficiência energética, afirmou o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann.

“É uma discussão que não pode ser simplesmente manipulada por aspectos ideológicos, até externos aos interesses da sociedade brasileira”, afirmou o secretário ao participar do 14º Encontro Internacional da Energia, realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Em seu discurso de abertura do encontro, o secretário afirmou que reservas de gás não convencional no país, sobretudo no Paraná, devem assumir um papel energético importante apesar de sua dificuldade de extração. Mas ele ponderou que ainda é preciso responder a demandas de um país em desenvolvimento.

“Eu tenho demandas a responder típicas de um país em desenvolvimento. Em 15 anos vamos dobrar a necessidade de energia elétrica no país. Sabemos que dobrar significa fazer tudo o que fizemos desde o início da energia elétrica do Brasil até hoje” afirmou Zimmermann.

Segundo o secretário, o Brasil tem um consumo per capta de até 2.400 KW/H por ano.

“Não é difícil entender por que vale a pena e por que o setor elétrico brasileiro foi um dos setores elétricos mundiais que mais recebeu investimento estrangeiro nos últimos anos”, completou.

Política energética brasileira em debate na Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A política energética brasileira e suas perspectivas foram alvo de debates, na quarta-feira (03/07), durante o seminário “O Futuro Energético e Geração Nuclear”, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na sede da entidade. No evento, estiveram em discussão temas como os limites de uso da hidroeletricidade no país, com a adoção de sistemas como a energia nuclear, por exemplo.

A abertura oficial do encontro foi feita pelo gerente do Departamento de Energia (Deinfra-Energia) da Fiesp, Roberto Moussalem.

O seminário "Futuro Energético e Geração Nuclear": debate sobre novas matrizes para o setor. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O seminário "Futuro Energético e Geração Nuclear": debate sobre novas matrizes. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

O primeiro a se apresentar no seminário, o secretário do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, explicou que a prioridade da política energética brasileira está baseada em hidroeletricidade, biomassa e eólica, fontes que representam 75% da expansão do sistema elétrico nos próximos anos. No entanto, as operações hidrelétricas, base dessa expansão, têm um horizonte de 12 a 15 anos, alertou ele, indicando que será necessário um substituto para o “carro-chefe” da matriz energética brasileira.

“As soluções já estão atrasadas”, afirmou Ventura. Segundo ele, a alternativa para substituir as hidrelétricas, esgotadas em no máximo 15 anos, partirá de uma mistura de fontes como a nuclear, térmica e o uso de gás natural.  O secretário destacou a geração de energia nuclear como um dos alvos de uma política mais efetiva e de curto prazo.

Também presente no evento, o chefe de gabinete da presidência da Eletrobras Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, afirmou que impulsionar a geração de energia nuclear no Brasil é como “quase construir um novo negócio” já que o modelo com o qual setor conta para negociar é da década de 1970. “O grande ineditismo é explorar as possibilidades de negócios que possam se adaptar às características do setor energético nuclear considerando o cenário econômico atual”, avaliou Guimarães.

Moussallem: iniciativa privada pode ajudar. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Moussallem: iniciativa privada pode dar apoio para energia nuclear. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O gerente do Departamento de Energia (Deinfra-Energia) da Fiesp, Roberto Moussalem, foi outro a defender a atuação da indústria no setor de energia nuclear. “A Fiesp entende também que há na energia nuclear um espaço muito importante para participação do setor privado. Na planta de energia nuclear o setor privado pode dar sim sua contribuição, aportando recursos e operando essas unidades”, afirmou.

Mais energia nuclear

A política energética brasileira pode valorizar mais a diversificação e o equilíbrio da oferta entre as diversas fontes energéticas que podem ser geradas no país. Inclusive com o maior uso de energia nuclear. A recomendação é da divisão de projetos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em estudo divulgado no seminário.

“Isso se refere a um quadro que entendemos que pode ser ampliado e melhorado”, afirmou o professor Otavio Mielnik, coordenador da FGV Projetos. Segundo o estudo, as reservas de urânio no país –matéria prima para geração de energia nuclear– em 2012 eram de 309 mil toneladas, com condição para manter dez usinas nucleares de 1.000 MW durante cem anos.  Mas as estimativas apontam que o potencial de urânio no Brasil é de 800 mil toneladas, levando em conta as condições geológicas e o fato de apenas 25% do território ter sido prospectado.

Alegando a necessidade de novos cálculos para aumentar a segurança da unidade, o presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro, também presente no seminário, informou, em junho, que o início da operação da usina nuclear Angra 3 foi adiado de 2016 para 2018.

Quando 2040 chegar

No mesmo estudo da FGV apresentado no seminário, foi feita uma projeção da demanda por energia elétrica no Brasil em 2040, que pode chegar a 1,2 milhão gigawatt-hora (GWh). O levantamento indica ainda que a utilização de energia nuclear no Brasil deve atender à demanda futura.

“Ficou claro que o sistema elétrico está em transição. E uma transição que tem dimensão econômica, energética e regulatória”, afirmou Mielnik  no seminário.

O maior consumo estimado seria se o país enfrentasse um cenário de crescimento anual de 2,5% até 2015 e posteriormente  de 5%.  Neste caso, a demanda por energia chegaria a 1,2 milhão gigawatt-hora (GWh). “É claro que os recursos públicos não serão suficientes para suprir a demanda”, disse Mielnik. “Mas o setor privado poderia contribuir e inovar trazendo sua experiência”, concluiu.

Ao falar da redução das tarifas de energia, Edison Lobão agradece à Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

Edison Lobão e Paulo Skaf em junho de 2012, durante seminário no Humanidade 2012. Foto: Junior Ruiz.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse nesta quinta-feira (24/01) agradeceu o apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) à redução nas tarifas de energia.

O corte no preço da conta de luz é ainda superior ao inicialmente previsto – variando de 18% (consumidores residenciais) a até 32% (indústria), conforme anunciado na véspera pela presidente Dilma Rousseff.

Lobão agradeceu ao Congresso Nacional, que aprovou a medida, e destacou que a redução é definitiva. “Essa redução é para sempre, é uma redução estrutural, não conjuntural”, afirmou o ministro em matéria publicada no jornal Valor Econômico.

Energia a Preço Justo

A Fiesp  e o Ciesp lançaram no ano de 2011 a campanha “Energia a Preço Justo”, com a finalidade de mobilizar a sociedade quanto a necessidade de evitar que as concessões de energia fossem renovadas sem uma queda no preço da conta de luz. A campanha mostrou que os brasileiros pagavam uma das tarifas de energia mais caras do mundo, mesmo sendo o sistema elétrico brasileiro baseado na hidroeletricidade, uma das mais baratas e limpas.

Conheça as medidas anunciadas pelo governo federal para reduzir a tarifa de energia elétrica

Agência Indusnet Fiesp

Em cerimônia na manhã desta terça-feira (11/09), o governo federal anunciou as medidas para reduzir as tarifas de energia elétrica, que entram em vigor a partir de 2013.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, informou que a redução será resultado de cortes em encargos embutidos na conta de luz e da renovação de contratos de concessão.

Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, durante anúncio. Foto: Francisco Stuckert

De acordo com o ministro, a queda na tarifa para a alta tensão (grandes empresas consumidoras) vai variar de 19,7% a 28%. Para o consumidor residencial, a queda no custo de energia vai ser de 16,2% a partir de 2013.

“A partir de 2013, todos os brasileiros, trabalhador e empresário, de todas as regiões, de todos os lugares, vão pagar muito menos pela energia elétrica consumida”, afirmou Lobão.

O governo, segundo Lobão, vai encaminhar ao Congresso uma medida provisória prevendo a possibilidade de renovação das concessões do setor de energia e que têm seu vencimento a partir de 2015. As concessões, disse o ministro, totalizam 22.341 megawatts, aproximadamente 22% do parque gerador do país, além de 85 mil quilômetros de linhas de transmissão. As prorrogações dessas concessões poderão ser feitas pelo prazo máximo de 30 anos.

Como contrapartida para garantir a renovação das concessões, o governo vai exigir a redução da margem de lucro dessas empresas, diminuindo o custo da energia para os consumidores, segundo informou Nelson Hübner, diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A Aneel ainda não finalizou o levantamento dos bens amortizados, trabalho que deve ser concluído no início de 2013. Com os números em mãos, o governo vai apresentá-los às concessionárias. Aquelas que aceitarem as condições para redução da tarifa de energia terão a concessão renovada. Caso contrário, a concessão retorna ao governo e será novamente licitada.

“São empresas que estão funcionando há mais de 30 anos e não há negócio no Brasil que não se pague nesse período”, disse Lobão. “Então, todos os custos estão amortizados e os preços praticados têm que ser muito mais baixos. A Aneel está concluindo últimos cálculos para dizer em quanto cada concessionária terá que reduzir as suas tarifas”, completou.

Segundo Lobão, apenas uma parcela dessas concessões ainda não foi completamente amortizada. Para indenizá-las, o governo vai utilizar os cerca de R$ 20 bilhões hoje depositados na conta da RGR.

O ministro informou ainda que serão eliminados, da conta de luz, dois dos encargos setoriais incidentes: a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e a Reserva Geral de Reversão (RGR).  A Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) será reduzida a 25% de seu valor atual.

Veja abaixo a apresentação divulgada pelo ministério de Minas e Energia

Redução do custo de energia elétrica from BlogDoPlanalto

Carlos Cavalcanti, diretor do Deinfra: ‘Preço da energia vai baixar, mas o problema é quanto e como’

Carlos Cavalcanti em reunião do Conjur

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A energia no Brasil é a quarta mais cara do mundo, informou Carlos Cavalcanti, diretor-titular do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), um dos convidados da reunião do Conselho Jurídico (Conjur) realizada nesta segunda-feira (27/08).

De acordo com Cavalcanti, após a mobilização da Fiesp com a campanha “Energia a Preço Justo”, os preços pagos na conta de luz vão baixar, mas ainda não se sabe quanto e o modelo de redução.

“Nós não temos dúvida de que ela vai baixar. O problema é quanto e como”, afirmou o titular do Deinfra ao comentar a proposta de redução de 10% da tarifa de energia elétrica para empresas e usuários residenciais anunciada pelo Ministério de Minas e Energia em julho deste ano.

O diretor do Deinfra afirmou que redução da tarifa anunciada pelo governo, por meio da eliminação de encargos federais, não tem o efeito desejado pela entidade.

“Esse não é o objetivo da nossa campanha. O objetivo da nossa campanha é que reconheçam que os ativos das usinas estão amortizados e que se devolva este ganho por meio de uma redução de custo da energia. O resultado esperado pela Fiesp é uma redução de ao menos 30% da tarifa de energia elétrica no Brasil”, disse Cavalcanti.

“Querem discutir redução de tributos, nós vamos discutir, mas isso não tem nada a ver com o preço”, completou.

Ministério de Minas e Energia terá encontro com EUA para discutir energia e setor privado

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Márcio Zimmermann, aceitou o convite do vice-secretário de Energia dos Estados Unidos, Daniel Poneman, para uma rodada de conversações. O encontro acontecerá em outubro, dentro do âmbito do Diálogo Estratégico de Energia entre os dois países lançado em março de 2011.

A informação é de Francisco Romário Wokcickj, secretário-executivo-adjunto da pasta no Brasil, que participou nesta terça-feira (07/08) do segundo e último dia do 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp, em São Paulo.

Segundo Wokcickj, as autoridades brasileiras e norte-americanas conversaram na semana passada via teleconferência e, desta vez, as conversações podem ser ampliadas para o setor privado.

Francisco Romário Wojcicki, secretário-executivo-adjunto do Ministério de Minas e Energia

“Vai ter uma nova rodada com secretário Zimmerman e o Daniel Boneman, onde serão discutidos os avanços obtidos até aqui com o Diálogo. Vai ser em outubro”, antecipou secretário-executivo-adjunto do Ministério de Minas e Energia, sem informar data específica.

Wokcickj acrescentou que o debate será ampliado para a iniciativa privada  em vários setores, inclusive o de petróleo e gás e biocombustíveis. “Essa é uma oportunidade de ampliar nossa discussão técnica para a discussão privada.”

Ao participar do painel “Diálogos Estratégicos sobre Energia Brasil-EUA”, Wojcicki listou quatro áreas de interesse do governo na relação bilateral com os Estados Unidos: petróleo e gás, biocombustíveis e biocombustível para aviação e cooperação em energia nuclear.

“No diálogo há também um aspecto mais amplo na parte nuclear. Nós, do Ministério, estamos tratando assim: cooperação de energia nuclear para fins civis”, afirmou o secretário-adjunto.

Agenda estratégica bilateral

No segundo e último dia de encontro, autoridades e representantes do setor de energia debateram sobre a agenda estratégica dos acordos bilaterais entre Brasil e Estados Unidos, a colaboração técnica entre os países, sobretudo, em biocombustíveis.

A participação do setor privado também foi discutida pela mesa, composta por autoridades do departamento de Energia dos Estados Unidos, do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e do Ministério de Minas e Energia.

“O objetivo é aumentar o intercâmbio de informações e oportunidades da aplicação de energia”, completou Wojcicki.

Expansão do gás natural depende de planejamento de oferta e demanda, diz diretora do MME

Cesar Augusto, Agência Indusnet Fiesp

O desenvolvimento do gás natural no Brasil depende de estudo e planejamento de oferta e demanda, com condições concorrenciais que permitam a sua expansão – esse fator é mais importante do que pensar em ampliar a rede distribuidora, segundo a diretora do Departamento de Gás Natural do ministério de Minas e Energia (MME), Symone Christine Araújo, uma das participantes do painel “Planejamento Estratégico para a Indústria do Gás”, agenda da manhã desta terça-feira (07/08) no 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp.

Symone Christine Araujo, diretora do departamento de Gás Natural do Ministério de Minas e Energia

Para Symone Christine Araújo, levar o gás até o consumidor não significa apenas “ligar os pontos”. É necessário muito trabalho de conhecimento de oferta, da demanda, dos mecanismos do mercado e seu comportamento para se pensar em instalação de infraestrutura.

“A quantidade disponível de Gás Natural no pré-sal, por exemplo, ainda é uma incerteza, pois se grandes quantidades tiverem de ser reinjetadas para aumentar a produção de óleo, certamente isso será feito e vai alterar o volume a ser ofertado.”

A especialista no setor Ieda Gomes, da Energix Strategy, afirma que o gasoduto é decorrente de oferta e demanda. “No Brasil, a fatia de gás natural ainda é pequena, por volta de 9% da matriz energética, mas deve dobrar nos próximos oito anos. No mundo, essa participação ultrapassa os 23% da matriz.”

Ieda Gomes reclama da alta carga tributária incidente sobre o energético, por volta de 30%, e alerta para a falta de incentivo para o uso de energias menos poluentes. “Quem quer fomentar energia mais limpa não poderia cobrar tanto imposto.”

 

Sustentabilidade vem de fontes eólica, hidrelétrica e da biomassa, diz secretário do MME

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Altino Ventura Filho, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do MME

O Brasil tem muito a dizer no contexto da energia sustentável, pois tem uma matriz que resulta de política adotada nas ultimas décadas. “O país tem presença respeitada e é um exemplo em todo o mundo”, afirmou Altino Ventura Filho, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME), em sua participação no 13º Encontro Internacional de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Durante o painel “Energia no Contexto da Economia Sustentável”, Ventura Filho recordou que, no final da década de 70, era alta a dependência energética brasileira. “Importávamos quase 30% da energia produzida e o Brasil foi se tornando dependente de energia de outros países”, afirmou.

No final da década, período em que o Brasil consumia 50% de sua matriz energética a partir do petróleo, quase não havia gás natural naquele contexto. “O petróleo era barato e figurava um quadro chocante em relação ao desenvolvimento sustentável”, lembrou.

De acordo com o representante do MME, decisões estratégicas como a construção de grandes e médias usinas hidroelétricas pela Eletrobras, aliada à prospecção de petróleo no mar pela Petrobras e o Programa Pró-Álcool diminuíram a participação de combustíveis fósseis na matriz energética.

“Três fontes que contribuem para preservarmos e ampliarmos a sustentabilidade do setor energético brasileiro são hidro, eólica e biomassa. As demais têm um aspecto complementar”, afirmou o secretário, ao explicar que estas fontes mostram o resultado das politicas energéticas. “O país é um exemplo mundial reconhecido pela sua matriz energética competitiva e segura, em termos ambientais com baixa emissões”, atestou.

Altino Ventura Filho garante que todo o quadro energético essencial para o país tem sido feito com grande responsabilidade social. “Programas do governo levaram energia a quem não tinha. Quase 100% dos brasileiros têm acesso a ela atualmente”, sublinhou.

Inclusão social e agroenergia

Marcelo Alves Souza, representante da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial, a Onudi (agência da ONU para fomento de utilização de energias renováveis no mundo), concorda que a inclusão social não acontece sem a oferta de energia para todos.

Ele apresentou um programa de agricultura de baixo carbono, que consiste em três objetivos com meta de redução de 1 bilhão de toneladas equivalentes de CO2. Deu ainda o exemplo de um condomínio de agroenergia no estado do Paraná, no qual um produtor de suínos consumia cerca de R$ 3 mil mensais em energia elétrica.

Com a geração de agroenergia para a agricultura familiar e ausência de passivos ambientais nas propriedades, houve a criação de pequenas indústrias de energia locais que vendem o excedente de energia – produzida sem passivos ambientais – para a concessionária. “É a bioenergia movimentando a indústria em locais isolados”, resumiu.

Economia brasileira está mais complicada com sociedade mais exigente, diz ex-ministro

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O economista e ex-ministro de Minas e Energia Antonio Dias Leite, durante reunião do Cosec/Fiesp. Foto: Julia Moraes

O cenário econômico atual do Brasil é muito mais complicado em comparação com o quadro de desenvolvimento que se iniciava no país há 50 anos, uma vez que a sociedade está mais exigente. A afirmação é do economista e ex-ministro de Minas e Energia Antonio Dias Leite, ao participar nesta segunda-feira (5) do encontro do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Fiesp.

“São muito mais requisitos para a população, mais objetivos a alcançar e mais conflitos entre os objetivos. O ajuste da economia e a promoção do crescimento econômico requerem o aperfeiçoamento das instituições”, disse ele que está lançando o livro Brasil País Rico – O Que Falta.

Segundo Dias Leite, a publicação, preparada no segundo semestre de 2011, em plena crise mundial, trata essencialmente do que ainda falta para o Brasil ingressar na comunidade dos países ricos. “Nós estamos diante de dois problemas: enfrentar os desafios do curto prazo e começar de novo o processo de desenvolvimento. Nesse clima de incertezas, até que o Brasil se saiu bem, pelo menos até agora. Talvez porque o nosso tradicional e exagerado apego a regulamentos nos tenha trazido, nesse caso, proteção adequada quanto a eventuais aventuras e imprudências do sistema financeiro local”, refletiu.

Ele alertou, no entanto, que o complexo sistema jurídico do país usado como proteção não pode ser considerado para o crescimento econômico e fortalecimento da produção nacional. “Esse sistema dá lugar à lentidão dos processos que acabam em prejuízos para as partes interessadas, inclusive para o próprio Estado.”

Para o ex-ministro, o principal objetivo das autoridades brasileiras para elevar a posição econômica do Brasil no mundo é discutir e controlar a instabilidade monetária. “Nesse princípio do século 21, ficaram mais variados e sofisticados os desejos da sociedade. E mais difíceis se tornaram as coisas para compor uma nova estratégia nacional de desenvolvimento, evitando a tentação de querer alcançar tudo ao mesmo tempo”, analisou.

Dias Leite acredita que ainda falta muito para que o Brasil encontre o caminho para a retomada do desenvolvimento sustentável com uma estratégia de crescimento, segundo ele, “coerente”.