Retrospectiva 2014 – Comitê da Pesca defendeu mais crédito à indústria de pescado

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

No ano de 2014 o Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca (Compesca) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) se concentrou em discussões sobre ampliação e melhoria do crédito ao setor e o combate à informalidade de produtores e de práticas de pesca extrativa mais sustentáveis.

O comitê também debateu como aproveitar melhor a vocação do país para a pesca esportiva.

NOTICIAS DE DESTAQUE EM 2014 

 

NOVEMBRO

Plano estratégico para 2015 foi tema da reunião. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Na última reunião em 2014 do Compesca, o coordenador Roberto Imai afirmou que nas primeiras reuniões do comitê em 2015 os integrantes do comitê devem concentrar suas atenções em debater e formular sugestões para aprofundar e melhorar o planejamento estratégico do setor. O encontro teve a presença do presidente da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), Itamar Rocha, que criticou a falta de financiamento do governo à produção de pescado no Brasil. >> Leia mais

OUTUBRO

Estiagem e efeitos sobre a aquicultura: tema da reunião de outubro. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A forte estiagem que o estado de São Paulo vem sofrendo desde o início do ano tem trazido trágicos reflexos para os produtores de pescados. “O nível de água dos reservatórios está realmente crítico. Muitos aquicultores tiveram que tirar os seus tanques da água porque chegou no fundo e já perderam a produção. Tem gente que já abateu o peixe antes do tempo e isso desregulou o mercado”, afirmou o coordenador do Compesca, Roberto Imai. >> Leia mais

SETEMBRO

Rui Donizeti Teixeira. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A reunião contou com a presença do responsável pela Coordenadoria Geral do Registro do Aquicultor do Ministério da Pesca e Aquicultura, Rui Donizeti Teixeira, que disse que a informalidade na aquicultura impede que o governo federal defenda o setor. O coordenador do Compesca, Roberto Imai, ponderou que o aquicultor regularizado é o mais penalizado, mesmo cumprindo a lei. Também participou da reunião do Compesca uma equipe da Fundação S.O.S Mata Atlântica. >> Leia mais

AGOSTO

Seminário discutiu formas de melhorar acesso a crédito para o setor. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O Compesca realizou um seminário com representantes do governo e do setor privado para discutir a oferta e a qualidade do financiamento à cadeia produtiva da pesca. O evento contou  com a participação do superintendente do Ministério da Pesca e Aquicultura, Marcos Alves Pereira, e do coordenador-geral de incentivo e apoio ao crédito do ministério, Evandro Barros de Daniel Carvalho, e representantes da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). >> Leia mais

JULHO

Reunião debateu irregularidades que afetam o mercado. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Na reunião do Compesca, o representante da Divisão de Inspeção de Pescado e Derivados (Dipes) do Ministério da Pesca e Aquicultura informou que as principais fraudes no mercado brasileiro são a troca de espécies, fraude econômica de glaciamento –procedimento para criar película protetora de gelo — e a fraude por adição de tripolifosfatos, compostos químicos. >> Leia mais


JUNHO

Reunião de junho teve na pauta ações socioambientais. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Para demonstrar que projetos de perfil humanista e ambiental podem, em conjunto com a indústria da pesca, trazer efetivos resultados para o desenvolvimento social e a preservação do ecossistema global, o Comitê convidou para a reunião de junho representantes da “Doutores das Águas” e “Projeto Albatroz”. Na reunião, Imai disse que uma das conquistas do Comitê foi a participação no Conselho Nacional da Pesca (Conape), que norteia ações importantes do Ministério da Pesca. >> Leia mais

MAIO

Jacqueline falou sobre os avanços de Goiás na proteção da fauna pesqueira quanto no incentivo da produção de peixes. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O Compesca convidou a secretária de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Goiás, Jacqueline Vieira da Silva, para apresentar os resultados positivos do estado no desenvolvimento de sua cadeia produtiva. Na ocasião, Jacqueline, mostrou resultados do estado após adotar posturas mais efetivas na proteção à fauna e no incentivo a à produção regional. Ela também destacou como uma ação importante o incentivo da pesca esportiva legal. >> Leia mais

ABRIL

Imai: “Mercado está mudando e temos que estar alerta”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O mercado interno consumidor de pescados e a penetração de produtos importados foi um dos temas da reunião de abril do Comitê. Os integrantes também debateram assuntos como legislação, impacto ao meio ambiente e os desafios para tornar o setor produtivo competitivo, sobretudo, no mercado brasileiro. >> Leia mais

MARÇO

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Roberto Imai (centro) coordenador do Compesca e empresário Dario Loinaz (esquerda). Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Em uma das reuniões do Compesca, em março deste ano, o empresário argentino Dario Loinaz, que atua em promoção comercial da pesca esportiva, reconheceu que o potencial do Brasil para turismo da pesca esportiva é até 10 mil vezes maior que o da Argentina. “Somente no estado de São Paulo, 20 pequenas empresas provedoras de insumos ao pescador são as principais organizadoras de excursões para regiões de pesca e não agências especializadas”, lembrou o empresário na ocasião. >> Leia mais

FEVEREIRO

Deputado federal João Dado participou da reunião. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O pescado é uma proteína nobre e essencial para a saúde, mas sofre desigualdade em relação a outras proteínas animais na tributação, disse o coordenador do Compesca, Roberto Imai, na primeira reunião do ano. “O governo poderia economizar com saúde se incentivasse  a indústria de pescado, e mesmo assim somos mais tributados”, afirmou Imai. A reunião teve a presença do deputado federal, João Dado. >> Leia mais

Seminário da Fiesp discute meios de financiamento para a indústria de pescado

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Roberto Imai: investir em projetos por parte da indústria extrativa e esportiva da pesca podem ser alternativa para obter investimentos e financiamentos de instituições de fomento. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A falta de comunicação e de projetos da indústria da pesca pode ser o principal entrave ao financiamento do setor por parte dos investidores, de acordo com Roberto Imai, coordenador titular do Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca (Compesca) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Estou há 22 anos trabalhando na indústria de pesca e em todos os fóruns fala-se muito que faltam linhas de financiamento. Mas a gente tem de olhar para o nosso lado. O quê estamos fazendo para que as instituições que têm o dinheiro se interessem por quem precisa de dinheiro”, observou Imai nesta sexta-feira (15/08) na abertura do seminário “Meios de Financiamento para a Pesca e Aquicultura” .

O evento, destacou o coordenador do Compesca, tem como um de seus objetivos justamente chegar a uma conclusão do quê a indústria pode fazer para atrair investimentos para esse segmento.

Uma das possibilidades, segundo Imai, é a criação de projetos por parte da indústria extrativa e e do segmento da pesca esportiva.

“O próprio BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] solicitou uma reunião dentro da Fiesp porque ele tinha uma linha de financiamento, mas não havia projetos [inscritos]. Temos que nos preparar para isso”, completou.

Políticas

Helcio Honda: Brasil precisa investir mais na pesca esportiva. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Presente na abertura do encontro, o coordenador adjunto do Compesca, Helcio Honda, chamou a atenção para a falta de políticas de incentivo à produção de pescado no país.

“Vemos a pesca extrativa, por falta de políticas adequadas, praticamente se extinguindo e o objetivo do Compesca é discutir e levar aos agentes públicos as demandas para que o Brasil possa crescer neste segmento”, afirmou Honda.

Pescador esportivo, Honda também defendeu a o crescimento da indústria de pesca esportiva, segmento que, de acordo com ele, ainda carece de atenção do país.

“Eu represento o outro elo da cadeia e sou consumidor da pesca esportiva. Há um grande mercado para isso. Nós temos a indústria de hotéis, pousadas e de material de pesca. E infelizmente o país dá pouca atenção para esse mercado que é bilionário em outros países”, disse.

Marcos Pereira, superintendente do Ministério da Pesca e Aquicultura, sugeriu novo encontro com presença do Ibama e da Marinha do Brasil para discutir entraves ambientais à produção de pescado. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O superintendente do Ministério da Pesca e Aquicultura, Marcos Alves Pereira, também participou da abertura do seminário e ouviu as primeiras reinvindicações e sugestões dos coordenadores do Compesca.

Pereira sugeriu a realização de um novo encontro com a presença de órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) e da Marinha para discutir os entraves ambientais à produção de pescado.

“Um evento como esse é importante para enxergar a dificuldade que o setor enfrenta e que precisa da ajuda e união dessas forças”, disse.

Caso de Rondônia

Outro objetivo do seminário do Compesca é apresentar casos de empresas bem sucedidas no segmento de pescado. Segundo o coordenador Roberto Imai, a intenção é procurar adotar e adequar práticas de empresas que deram certo em outros estados na produção de São Paulo.

“Estamos trazendo uma experiência de Rondônia para avaliar se podemos ou não ir por esse caminho”, disse.

A diretora de marketing e comércio exterior da Biofish Aquicultura, uma empresa de Rondônia, Janine Bezerra de Menezes, apresentou os ganhos da companhia com projetos de áreas de cultivo de peixe na região amazônica.

Janine Bezerra de Menezes: caso de sucesso de empresa que utilizou linha de financiamento no Norte do país. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Um dos projetos apresentados por Janine é uma área de 110 hectares, considerada de médio porte pela companhia, com lâminas de água para produção primordial da espécie de tambaqui.

“Na Amazônia utilizamos a linha de crédito do FNO (Fundo Constitucional de Financiamento do Norte). Foi um investimento de R$ 8,6 milhões para os 110 hectares entre construção e primeiro ano de custeio da produção”, explicou Janine.

De acordo com a diretora da Biofish, a produção de tambaqui na área pode chegar a 800 mil quilos por ano.

>> Veja a programação do evento

 

Retrospectiva 2013 – Um ano de maior visibilidade para a cadeia produtiva da pesca

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

“O Brasil tem tudo para ser um grande produtor de pescados mundial”. Essa é a crença do coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca (Compesca) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Imai. E não é por acaso que ele pensa assim.

Roberto Imai, coordenador do Comitê da Indústria da Pesca da Fiesp. Foto: Julia Moraes/FIESP

 

Além do aumento de consumo de pescados no mundo (e também no Brasil) nos últimos anos, o país tem o maior potencial de água doce do planeta, com mais de 8.000 km de costa marítima e condições climáticas favoráveis.

Contudo, para aproveitar esse potencial, Roberto Imai destaca que é preciso fortalecer a indústria nacional e ampliar a sinergia entre o governo e a iniciativa privada para eliminar os gargalos que prejudicam a competitividade e a inovação das empresas do setor.  E esses foram os enfoques das ações do Compesca durante todo o ano.

Maria Fernanda Ferreira, secretária de Planejamento e Ordenamento da Aquicultura, participa de reunião do Compesca, em maio. Foto: Hélcio Nagamine/Fiesp

Um dos ganhos para o setor, no ano de 2013, foi a maior visibilidade do Compesca em defesa dos interesses da cadeia produtiva. “O Comitê foi interlocutor nos principais fóruns de discussões do setor, no nível estadual e federal, e trabalhou no sentido de melhorar a organização dos principais elos da cadeia produtiva gerando menos conflitos e potencializando as sinergias existentes”, explica o coordenador.

Um exemplo dessa aproximação com o governo foi a participação da representante do Ministério da Pesca e Aquicultura na reunião do Compesca, no mês maio, onde apresentou o Plano Nacional de Desenvolvimento da Aquicultura sem Impactos nas Águas da União.

Roberto e ministro Marcelo Crivella. Foto: Julia Moraes/Fiesp

No mês de agosto, o ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella, assinou, e Roberto Imai assinaram edital de concorrência para concessão de áreas para o cultivo de pescado em águas da união no estado.

Um novo olhar sobre o setor foi verificado durante o lançamento do Plano Brasil Agroecológico, em outubro.

Imai, à esquerda, e Honda: torneio de pesca esportiva em Niquelândia, Goiás. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

O ministro Marcelo Crivella defendeu a viabilidade econômica e ambiental da aquicultura (cultivo de pescados), comparando-a ao Pré-sal, e garantiu que a “Reforma Aquária” – uso das águas da União para o cultivo de pescados – é viável para o Brasil.

Com o “Plano Safra da Pesca e Aquicultura”, o governo federal disponibilizou mais de R$ 4 bilhões em créditos para a cadeia produtiva até o ano de 2014. Detalhes do Plano foram avaliados na reunião do Compesca, em julho.

Mais informação para o setor

Novo canal dedicado a cadeia produtiva da pesca

Outro fato relevante do ano foi o lançamento, no mês de junho, de um novo canal de informação para cadeiaprodutiva da pesca. No portal da Fiesp, foi criada uma área dedicada ao tema, reunindo notícias, eventos, estudos e informações de interesse dos empresários do setor.

Na entrevista inaugural do canal, o coordenador do Comitê ressaltou as grandes oportunidades e desafios para a cadeia produtiva e ratificou sua convicção de que o Brasil tem chance de ser um grande ‘player’ na produção de pescados.

Pesca e Meio Ambiente 

Maria Fernanda Nince Ferreira, do Ministério da Pesca e Aquicultura. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Licenciamento Ambiental e mudanças na legislação ambiental foram amplamente discutidos durante o ano.

No dia 6 de março, o Compesca/Fiesp promoveu o Seminário Licenciamento Ambiental da Aquicultura.

Em junho, durante a reunião do Conselho Superior do Meio Ambiente da Fiesp,  o Secretário Bruno Covas informou que a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo iniciou uma revisão da legislação ambiental estadual, reduzindo de 1.240 para 389 as resoluções vigentes de 2012 para 2013.

Torneio aconteceu em Niquelândia, Goiás

Em setembro, o superintendente do Ibama, apresentou novidades de atuação do órgão no estado de São Paulo.

As dificuldades de trazer competitividade  ao setor foram avaliadas na reunião do Compesca de setembro.

Em outubro, a cidade de Niquelândia, em Goiás, acolheu a I Semana de Pesca Amadora Esportiva, Aquicultura e Preservação Ambiental, evento que contou com o apoio do Compesca/Fiesp.

Na última reunião plenária de 2013, o coordenador do Compesca solicitou ao ao ministro em exercício da Pesca e Aquicultura, Atila Maia,  um planejamento estratégico para o setor.

Última reunião plenária do Compesca em 2013, com presença do ministro em exercício da Pesca e Aquicultura, Atila Maia. Foto: Beto Moussalli/FIESP

 

Evento de encerramento das atividades do Compesca em 2013. Foto: Beto Moussalli/FIESP

Que venha 2014!

A cadeia produtiva da pesca encerrou o ano com muito otimismo, promovendo um “Happy Hour” com representantes do setor.

Em 2014, o “mar estará para peixe”? Ao que tudo indica, sim. Setores como saúde, turismo e gastronomia estarão em evidência devido à Copa do Mundo no Brasil, o que aponta para uma tendência de aumento do consumo de pescados no Brasil.

Também é esperada a definição do Código Florestal, que poderá trazer ao pescado brasileiro o rótulo de peixe ambientalmente sustentável.

Bons ventos para a pesca em 2014. Apresentação artística no Happy Hour de encerramento das atividades do Compesca em 2013. Foto: Beto Moussalli/FIESP

As linhas de financiamento focadas na aquicultura tendem a apresentar crescimento em 2014. Além disso, são esperadas outras políticas públicas que favorecem o setor, como desoneração de impostos federais e inclusão do pescado na cesta básica e a desoneração da folha de pagamento da indústria do setor. Outras atividades ligadas ao peixe como a pesca esportiva e a aquariofilia (peixes ornamentais) devem entrar no escopo das decisões para o melhor uso dos recursos existentes.

 

Fiesp pede a ministro da Pesca um planejamento estratégico para o setor

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A indústria brasileira de pescado precisa voltar ao mercado exportador e para tanto é necessário planejamento estratégico para alavancar o setor, e, sobretudo, aliviar os gargalos de logística que impedem o escoamento da produção – inclusive dentro do país. O pedido foi feito nesta sexta-feira (29/11) pelo coordenador-titular do Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca e Aquicultura (Compesca) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Imai, ao ministro em exercício da Pesca e Aquicultura, Atila Maia.

“Estamos chegando lá. Hoje produzimos muito peixe, mas estamos com dificuldade de logística até no Brasil”, afirmou Imai. “É importante conhecer mercados alternativos para crescer o nosso mercado”, completou.

O coordenador do Compesca conduziu a reunião plenária do comitê, que, além de Maia, contou com a participação da secretária da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Monika Bergamaschi, do diretor do Departamento de Fomento do Ministério da Pesca, Sebastião Saldanha e de outros convidados. O coordenador adjunto do Compesca, Helcio Honda, também liderou a reunião.

Pelo lado do governo, Maia reconheceu que a cadeia produtiva da pesca precisa de planejamento estratégico, mas ponderou que não foi possível fazê-lo até agora já que o setor “não se conhecia”.

Ministro Atila Maia. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

“O nosso setor não conhecia suas potencialidades. Ao iniciar nossas atividades logo identificamos isso e começamos este ano a pressionar os nossos superintendentes e aqueles que interagem conosco, inclusive o Imai, e aí essas informações começaram a aparecer e hoje, com certeza, já nos dão uma tranquilidade muito grande para poder prever o futuro”, explicou Maia.

Segundo o ministro, ao menos 90 parques aquícolas foram lançados em 2013 pelo Plano Safra e mais 1.600 áreas aquícolas.

Também presente no encontro do Compesca, a secretária estadual Monika Bergamaschi, de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, afirmou que o Estado terá novidades. “Vamos ter pelo menos na área de parque aquícola um bom avanço”.

Expo Milão 2015

A representante da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Ana Cláudia Barbosa, apresentou a participação do Brasil na Exposição Universal de 2015 na Itália (Expo Milão 2015), cuja participação brasileira está sendo organizada pela agência.

“Nós vamos ajudar as empresas brasileiras a fazer negócios e tirar vantagens de momentos como esses”, disse Ana Cláudia. “Esse evento pode se transformar em um evento de negócios”, completou.

Entre 1º de maio de 31 de outubro, o Brasil vai mostrar na Expo Milão sua capacidade para ampliar a produção de alimentos e atender à demanda mundial de maneira sustentável.

Realizada a cada cinco anos, a Exposição Universal é organizada desde 1851. A edição de2015 em Milão terá uma área total de 1,7 milhão de m² e contará com a participação de 138 países participantes.

Ao lado do ministro da Pesca, coordenador do Compesca na Fiesp participa de lançamento de edital e pede mais ações no setor

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Nesta sexta-feira (02/08), em São Paulo, foi realizado o lançamento do edital de concorrência para concessão de áreas para o cultivo de pescado em águas da união no estado. O evento foi realizado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura, com o apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O objetivo do edital é dar impulso à produção de pescados e mariscos em lagos, reservatórios e nas águas do litoral paulista.

O encontro contou com a presença do Ministro da Pesca e Aquicultura, senador Marcelo Crivella, e Roberto Imai, coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca (Compesca) da Fiesp.

Imai, à esquerda, e Crivella: mais ações para incrementar a pesca no Brasil. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Imai, à esquerda, e Crivella: mais ações para incrementar a produção de pescados. Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

“A questão do licenciamento ambiental e regularização dos empreendimentos aquícolas no estado é antiga”, disse Imai.  “Precisamos reconhecer as dificuldades. Existem entraves que estão sendo trabalhados e vão ser melhorados com o edital”, acrescentou.

Durante o lançamento, o coordenador do Compesca cobrou ações concretas para a melhoria da cadeia produtiva da pesca. “Precisamos buscar soluções sempre para que as questões como o licenciamento sejam resolvidas”, disse. “Com o lançamento, a responsabilidade aumenta. As cadeias produtivas precisam ser trabalhadas. A cooperação é o atalho para o desenvolvimento saudável da cadeia, das empresas”.

“É um momento histórico”, classificou Crivella.  “A aquicultura, impulsionada pelo edital, suprirá as faltas que temos no pescado de água doce. É um passo importante para que São Paulo volte a ter uma produção à sua altura”.

Segundo o ministro, com o edital será alcançada uma produção de mais de 23 milhões de quilos. “Era preciso simplificar os processos para os produtores. Estamos destravando o processo produtivo e desburocratizando o licenciamento ambiental”, destacou o ministro. “A aquicultura é o caminho para que o Brasil se transforme em um grande produtor de pescados”, analisou.

Alberto José Macedo, secretário adjunto da secretaria de Agricultura de São Paulo, também participou do evento.

Indústria do pescado brasileiro precisa se modernizar, diz assessor do Ministério

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Luís Alberto de Mendonça Sabanay, assessor de Assuntos Estratégicos e Relações Institucionais do Ministério da Pesca e Aquicultura.Foto: Hélcio Nagamine

A criação de um sistema de produção da aquicultura brasileira estimulará o crescimento do setor, na opinião do Assessor de Assuntos Estratégicos e Relações Institucionais do Ministério da Pesca e Aquicultura, Luís Alberto de Mendonça Sabanay.

Segundo ele, o Plano de Safra da Pesca e Aquicultura estimulou a produção nacional de pescado e o desenvolvimento sustentável do setor. Por isso, acredita, torna-se oportuna a discussão de um plano de produção da aquicultura que beneficie todos os elos da cadeia produtiva.

“A indústria do pescado brasileira hoje é obsoleta: não é profissional nem competitiva”, salientou Sabanay, durante o painel de discussão sobre “Aspectos Econômicos (Plano Safra e Tributações)” do Seminário Licenciamento Ambiental da Aquicultura, realizado na quarta-feira (06/03) pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

“Quando falamos de modernização e dos incentivos oferecidos pelo governo, não estamos só querendo beneficiar a indústria, mas chamá-la para um debate sobre o movimento de organização que dê conta daquilo que pensamos para o futuro”, argumentou.

Nessa linha, o coordenador-adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva de Pesca e da Aquicultura da Fiesp, Hélcio Honda, sugeriu que Sabanay incluísse na pauta de debates a questão da carga tributária e incentivos fiscais.

“Apesar de estar na cesta básica, o incentivo não foi suficiente para estimular a produção de pescado em todo o Brasil”, observou Honda. “Além disso, temos os tributos federais, principalmente o PIS/Cofins, que incide uma carga altíssima na produção. Então, dentro do desenvolvimento econômico, creio que isso deveria entrar na nossa agenda”, pontuou.

Avanços

Hélcio Honda, cordenador-titular do Comitê da Cadeia Produtiva de Pesca e da Aquicultura da Fiesp.Foto: Hélcio Nagamine

O gerente do Departamento de Relações com o Governo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Victor Burns, mostrou-se otimista com os avanços realizados pelo setor.

“Nos últimos três anos, muita coisa melhorou. Hoje, o crédito está organizado no Plano Safra da Pesca e Aquicultura, com condições em cima daquilo que a gente pediu nesses últimos anos”, afirmou. “Agora, o próximo passo é definir que políticas industriais podemos apoiar para ajudar o setor.”

Presente ao evento, o superintendente federal da Pesca no Estado de São Paulo, Jorge Augusto de Castro, pediu aos empresários para que zelem pelos equipamentos e maquinários ofertados por órgãos públicos por meio do Plano Safra.

Ele chamou a atenção para o mau uso desses recursos: “Tenho viajado pelo interior de São Paulo e encontrado máquinas e equipamentos totalmente deteriorados”, alertou. “Independentemente dos investimentos para novas compras, nós precisamos zelar pelo bem público”, completou.