Mato Grosso tem condição de produzir 100 mi t de grãos se mudar logística, diz coordenador da Aprosoja

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Edeon Vaz Ferreira, coordenador da Aprosoja. Foto: Luis Benedito/Fiesp

Com estrutura para armazenar e escoar, a produção de soja e milho do Mato Grosso pode chegar a 100 milhões de toneladas, afirmou nesta terça-feira (07/05) o coordenador da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Edeon Vaz Ferreira.

Segundo o último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de grãos do estado na safra 2012/2013 deve ultrapassar os 40 milhões de toneladas.

“Podemos produzir 100 milhões de toneladas de grãos (soja e milho), mas para isso é necessário que se mude a infraestrutura de logística”, disse Ferreira.

Ele participou do painel “Mineração e Agronegócio: Superando Obstáculos para o Escoamento da Produção”, moderado por Helder Gosling, diretor da Divisão de Logística e Transportes do Deinfra, durante o 8º Encontro de Logística e Transportes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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Helder Gosling, diretor da Divisão de Logística e Transporte do Deinfra/Fiesp. Foto: Luis Benedito/FIESP

Ferreira afirmou que ao principal dificuldade para elevar a produção no Mato Grosso é o alto custo do frete.

Segundo ele, para transportar um carregamento de Sorriso (MT) para o porto de Santos (SP), por caminhão, o embarcador vai pagar um frete de 145 dólares por tonelada. Na Argentina, o frete de uma carga saindo de Córdoba para o porto de Rosário custa 36 dólares por tonelada. A diferença ainda é mais alarmante se comparado ao frete dos Estados Unidos, US$ 25 por tonelada de um carregamento transportado por hidrovia de Illinois até Nova Orleans.

Ferreira defendeu o uso de ferrovias na região para reduzir as distâncias rodoviárias e, consequentemente, o custo do frete.“Reduzir o custo do frete, é isso que a gente precisa. E para isso precisamos da Ferrovia Norte-Sul em operação, a Ferrovia de Integração Centro Oeste (Fico) e da Ferrovia de Integração Oeste Leste (Fiol)”, afirmou.

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Brasil vai continuar sendo ‘rodoviário’ pelos próximos quinze anos, afirma professor da Esalq

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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José Vicente Caixeta, professor titular da Esalq. Foto: Luis Benedito/Fiesp

A reversão da matriz de transporte de cargas deve demorar ao menos 15 anos. E até lá o país será predominantemente rodoviário. A tese é de José Vicente Caixeta, professor titular da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP).

O docente citou alguns dos trajetos mais longos de commodities agrícolas feitos por caminhões. A soja, por exemplo, percorre 3.283 quilômetros para chegar de Campo Novo (RS) a Porto Velho (RO).  O milho viaja 2.037 quilômetros de Nova Mutum (MT) para Maraú (RS), enquanto o arroz sai de Bagé (RS) e percorre 3.595 quilômetros até Recife (PE), também de caminhão.

“Não podemos nos iludir que da noite para o dia vamos ter ferrovias, hidrovias ou qualquer outro modal. Vamos continuar sendo um país ‘rodoviário’ pelos próximos quinze, vinte anos”, alertou Caixeta no painel “Mineração e agronegócio: superando obstáculos para o escoamento da produção”, durante o 8º Encontro de Logística e Transportes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Temos de ter um plano muito bem estruturado para usar rodovias nos próximos 15, 20 anos, e ao mesmo tempo fazer as coisas acontecer nos outros modais”, explicou.

Caixeta também engrossou o coro de que não há um planejamento integrado no Brasil para logística e os transportes.

“Não há uma ação orquestrada para o país. Nós percebemos uma série de esforços importantes, mas liderados principalmente por embarcadores que querem resolver seu problema, como o caso da mineração, que em função de ter um pequeno numero de agentes envolvidos na produção daquele tipo de carga deu-se uma solução muito interessante”, disse.

Capacidade de armazenagem

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil conta com uma capacidade estática instalada para 143 milhões de toneladas, enquanto a produção brasileira de grãos deve chegar a 184 milhões de toneladas, 460 mil toneladas a mais que o previsto pela companhia anteriormente.

O Brasil está despreparado logisticamente tanto para escoar quanto para armazenar sua produção de grãos, uma vez que a localização dos depósitos nem sempre é adequada, segundo o professor Caixeta.

“Do final de janeiro até início de maior existe essa concentração muito forte de colheita no país e todo mundo quer movimentar seu produto, se a demanda pelo transporte aumenta, naturalmente o valor do frete também vai ser elevado”, explica Caixeta. “Então, se tivéssemos uma rede armazenagem bem localizada, isso amenizaria o problema no curto prazo”, completou.

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Especialista da USP defende explorar potencial de portos já existentes em vez de construir outros novos

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Rui Botter. Foto: Luis Benedito/Fiesp

Os portos Vila do Conde (PE) e Baía de São Marcos (CE) ainda são áreas potenciais para expansão, afirmou o professor Rui Botter, coordenador do Centro de Inovação em Logística e Infraestrutura Portuária (Clip) da Universidade de São Paulo (USP).

A favor de esgotar os recursos portuários existentes antes de construir novos terminais, Botter também citou os portos de Rio Grande (RS), Sepetiba (RJ), Santos (SP) e Aratu (BA) como áreas potenciais.

“É de fundamental importância que a gente tente esgotar os recursos portuários já existentes, de modo que a gente continue impactando o que já está impactado. Porque construir em novas áreas envolve impacto ambiental e socioeconômico”, afirmou Botter nesta terça-feira (07/05) no hotel Unique, em São Paulo.

Ele participou de painel “Mineração e Agronegócio: superando obstáculos para o escoamento da produção”, durante o 8º Encontro de Logística e Transportes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Botter também destacou a adoção de portos sustentáveis, com redução de emissões, ruídos, tráfego e investimento em novas fontes de energia para abastecimento de embarcações.

“É possível, talvez, que a questão de integração porto-cidade seja minimizada com uma nova visão portuária, de portos mais sustentáveis”, afirmou.

Logística falida

O professor da USP fez um alerta sobre a falta de planejamento nacional de logística com um capítulo dedicado especialmente a setor portuário. “Ou se faz um plano de Estado ou vamos a uma falência logística”.

Botter reiterou que a MP 595/2012, a MP dos Portos, é um “instrumento de marco regulatório, não de planejamento”.

Prioridade para grãos

O Brasil precisa de mais terminais e na produção de grãos se concentra a maior necessidade, segundo o coordenador do Centro de Inovação em Logística e Infraestrutura Portuária (Clip) da Universidade de São Paulo.

Empresas de mineração como Vale, CSN e EBX conduzem encorpados projetos para armazenagem e transporte de minério. No Maranhão, a Vale opera o Pier 4 e conduz estudos de expansão em seus sistemas Sul e Sudeste e explora possibilidades de novo terminal no Pará.

Em contrapartida, após 15 anos de maturação do projeto, a construção do Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram), no Porto do Itaqui, foi iniciada em2012, com previsão de conclusão para 2019. O aumento de demanda, explicou, é originado pelo escoamento da produção de grãos.

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