Vôlei: Sesi-SP é derrotado pelo Sada/Cruzeiro e fica com o vice na Superliga

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp, de Belo Horizonte

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Equipe venceu 23 dos 27 jogos que disputou na edição 2013/14 da Superliga. Foto: Fiesp

O time do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) não conseguiu vencer a forte equipe do Sada/Cruzeiro e ficou com o segundo lugar na Superliga de vôlei 2013/14. A final foi disputada neste domingo (13/04) e o time mineiro venceu por 3 sets a 0 (parciais foram de 21/19, 21/17 e 21/18).

A partida encerra a temporada 2013/14 da equipe. Na Superliga, a equipe comandada atuou 27 vezes, com 23 vitórias e quatro derrotas . No campeonato paulista, em 2013, o Sesi-SP foi o campeão ao superar o Brasil Kirin/Campinas.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Sesi-SP, Paulo Skaf, entregou para os jogadores e comissão técnica as medalhas de prata e o troféu de vice-campeão.

O Sesi-SP entrou em quadra com Renan, Murilo, Sandro, Sidão, Lucarelli e Lucão, mais o líbero Serginho. Durante a partida, entraram Thiaguinho, Rogério, Mão e Manius.

O Sada/Cruzeiro do técnico Marcelo Mendez entrou com William, Wallace, Filipe, Leal, Isac e Éder, além do líbero Serginho. Entraram: Vinhedo, Paulo Victor, Douglas Cordeiro.

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Com o filho no colo, o levantador Sandro, capitão da equipe, recebeu o troféu pelo vice-campeonato. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


O jogo

De um lado, o melhor pontuador da Superliga, o oposto do Cruzeiro Wallace. Do outro, o melhor bloqueador da competição, o central Sidão, do Sesi-SP. Foi a final da mais importante competição do vôlei brasileiro, com emoção em cada detalhe: ginásio lotado, equipes preparadas e buscando a vitória em cada lance e jogadas magistrais dos dois lados da quadra.

O Sesi-SP começou no saque com Murilo, mas foi o Sada que abriu o placar e chegou aos 3 a 0. Em seguida, com Sidão no saque, o Sesi-SP empatou. A disputa seguiu ponto a ponto, com as duas equipes buscando entrar no ritmo do jogo e encaixar as jogadas. No primeiro tempo técnico, 7 a 6 para o time da casa. As equipes mantiveram o placar equilibrado até o décimo ponto, quando o time mineiro conseguiu abrir 12 a 9.

Mas o Sesi-SP foi buscar o empate, contando com a força do bloqueio de Lucão e Lucarelli. O Cruzeiro conseguiu abrir novamente e chegou a 16 a 13. O Sesi-SP não desanimou e mesmo com o set point  do adversário marcou mais dois pontos e chegou ao 19º. Mas Wallace fechou para o Sada em 21 a 19.

O Sesi-SP abriu o segundo set com o ataque de Renan, mas o erro no saque permitiu o empate. Como é esperado em uma final, novamente, as equipes se perseguiram no placar e mostraram nervosismo em muitos momentos. No Sesi-SP, os ataques de Renan foram o destaque. Mas o Cruzeiro aproveitou os erros do Sesi-SP, abriu 15 a 13 e segurou a vantagem de dois pontos.

Com o placar em 19 a 16, o Sesi-SP chegou ao 17 ponto depois de um rally incrível, que resultou em bola fora do Cruzeiro. Mas na sequência, o time da casa fez dois pontos seguidos e fechou o set com um ace de Eder.

O terceiro set era tudo ou nada para o Sesi-SP, mas o Cruzeiro queria definir. E veio com força, jogando nas falhas do Sesi-SP, e chegou aos 7 a 2. Só o bloqueio de Lucão trouxe o saque de volta para o Sesi-SP, mas o Cruzeiro recuperou e fez 8 a 3.O Sesi-SP ainda buscou a recuperação, mas não conseguiu tirar a diferença de cinco pontos no placar. O Cruzeiro ainda aumentou a vantagem, com o ataque de Leal, marcando 17 a 11.

O saque de Sidão, que marcou o 14º ponto do Sesi-SP, foi um dos poucos bons momentos da equipe em quadra. Dois ataques de Lucarelli também mostraram porque o Sesi-SP estava na final e a equipe demonstrou uma reação. Com o Sada no set point, Lucarelli foi para o saque e o Sesi-SP fez dois pontos e chegou a 20 a 18. Mas o Cruzeiro saiu campeão, marcando 21 a 18.

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Equipe agradece apoio de torcedores do Sesi-SP no Mineirinho. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Entrevista: Marcos Pacheco, técnico do Sesi-SP, e a decisão da Superliga

Lucas Dantas, Agência Indusnet Fiesp

Quando assinou com o Sesi-SP, em abril de 2013, Marcos Pacheco disse que sentia saudades de disputar mais uma decisão. “Estou há muito tempo vendo final pela TV”. Afinal, a última havia sido em 2010, no Maracanãzinho. Neste domingo (13/10), às 10h, no Mineirinho, em Belo Horizonte (MG), Marcos poderá matar essa saudade, quando comandará o Sesi-SP na finalíssima da Superliga 2013/2014 contra o Sada Cruzeiro.

No total de sua carreira como técnico foram dez finais, com sete títulos (três como técnico e quatro como auxiliar). E mesmo com toda a experiência acumulada, a ansiedade e o frio na barriga continuam lá. Para o experiente treinador, se não tiver mais isso, é porque tem algo errado. Marcos admite, inclusive, que já está dormindo pouco e não consegue desviar sua cabeça para outro assunto. Até o lugar onde os familiares vão sentar no ginásio é importante nessa hora.

Em entrevista à equipe da Fiesp, o técnico do time masculino de vôlei, Sesi-SP, contou como passa os dias antes da final e como pensa que será a decisão de domingo, a quarta partida entre as equipes na temporada. No primeiro encontro na temporada, pela Superliga, na Vila Leopoldina, vitória mineira por 3×0. Na final da Copa Brasil, deu Sada de novo, por 3×2. Mas no jogo do returno do campeonato brasileiro, em Contagem, o Sesi-SP venceu por 3×2 e mostrou que estava pronto para o desafio. No domingo, os dois times se reencontrarão para a derradeira decisão.

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Marcos Pacheco durante treino com a equipe masculina de vôlei do Sesi-SP. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Foram quatro anos desde a última final. Você já disse que sentia saudades da decisão, e terá a chance de se reencontrar com ela no domingo. O que pode falar dessa partida?

Pacheco: A última final que disputei foi 2009/2010 (Cimed 3 x 0 Montes Claros). Faz tempo. Eu participei da primeira em jogo único, em 2007/2008 (Cimed 3 x 2 Minas), no Maracanãzinho. É um jogo diferente, complicado, especial. Falando como técnico, você não tem outra chance. Em contrapartida, todas as atenções estão naquele jogo. É um momento muito bacana. É duro, estressante, mas é muito legal participar, para um técnico, para quem trabalha, é um momento mágico.


Tony Azevedo, finalista olímpico e atleta mais experiente do Polo Aquático do Sesi-SP, disse que a final é o jogo mais fácil de jogar, que o difícil é chegar. Mas uma vez lá, a missão é jogar com coração e curtir o momento. Você concorda?

Pacheco: O Tony é bem experiente, tem uma vivência grande e muitos títulos. Respeito e concordo em parte. Aquela ansiedade, a dor de barriga, tudo isso faz parte e tem que ter. Quando você não sentir isso, algo está errado. Entrar no ginásio para um confronto desse nível, entre duas verdades, dois sistemas, com uma rivalidade grande, isso gera uma ansiedade, uma vontade de vencer, tem todos esses ingredientes que fazem o espetáculo ser diferente. Faz valer a pena estar ali, passar por tudo aquilo na fase de classificação, as dificuldades e felicidades. É um jogo para curtir, sim. Não é para rir dentro de quadra, mas para curtir o objetivo da temporada.


Você prefere final em um jogo só ou com playoff de três ou cinco partidas?

Pacheco: Eu sigo o regulamento. Disputei três finais em jogo único. Tive a felicidade de ganhar as três. Eu sinto que é um jogo muito pesado. Determinar tudo em uma temporada, em um jogo só, me parece pesado. Para mim, seria mais natural ou justo um playoff de três partidas. Em contrapartida, as grandes competições são em uma final única. É muito cruel. É bacana para quem ganha, mas não dá chance para quem perde.


Como você avalia o estágio que o Sesi-SP chegou a essa final? É como você planejava?

Pacheco: Como time não está 100%. Poderia ser um pouquinho melhor, em termos de sincronismo, entrosamento, por n motivos. Mas, ainda assim, chega muito bem. É experiente, mescla jogadores experientes com alguns que estão na final pela primeira vez, com tudo o que isso representa. Essa mescla é importante. Alguns já sabem o caminho, outros não, mas têm muita vontade de vencer. Chegamos muito bem para a final. Talvez não no ponto máximo, mas chegamos muito bem.


Você não teve força máxima em nenhum dos momentos decisivo do ano. Nos jogos em que mais precisou do time completo, jamais teve essa opção. Contusões atrapalharam o planejamento para essas partidas. E para a final de domingo, não terá o Evandro. Você lamenta os problemas ou entende que faz parte do jogo?

Pacheco: É do jogo. Gostaria, sim, de ter o time completo, 100%, mas infelizmente antes de todos os jogos decisivos este ano algo aconteceu. Faz parte. Para mim, a Superliga começa na contratação. Ali começam os duelos, as disputas dos time por cada jogador. Eu tive a felicidade de estar em uma equipe que me possibilitou ter o Evandro e o Renan. Em alguns momentos não tivemos o Murilo, mas tivemos o Manius, o Ary e o Mão, que fizeram muito bem a função. Não tivemos o Sidão, mas tem o Rogério, o Aracajú. Não tivemos o Serginho, mas o Lucianinho segurou muito bem. Aconteceu, faz parte do jogo. Não é o ideal, mas é assim.


Numa final é sempre coração e tática lado a lado? Chega algum momento em que passa a ser raça e bola no chão e a tática é deixada de lado, ou até o fim é um jogo de xadrez? Ou isso depende de como o jogo segue?

Pacheco: Eu acredito em estratégia, em coletivo, em harmonia, mas tem jogos em que o coração faz a diferença. A final da Copa Brasil foi, como no boxe, uma luta franca, aberta. Os dois foram pro combate. E eu acredito que final de domingo será bem próxima a isso. Os dois vão pro jogo. O Sada vem de uma sequência maravilhosa, manteve um grupo e o trabalho muito bem feito. Mas o SESI-SP é competente também e acredito que será um jogo bem aberto e franco. Os dois times vão para a guerra.


Você acabou de lembrar que o Sada manteve a base do grupo da última final. Mas o Sesi-SP também. Quatro dos seis jogadores que entram em quadra estiveram na decisão de 2010/2011 (Nota: pelo Sesi-SP, Sandro, Murilo, Sidão e Serginho jogaram a partida, além do líbero reserva Lucianinho, que fazia parte do grupo).  Qual a diferença para os dois times no caso, uma vez que a base do Sesi-SP é até bastante experiente, com finalistas e campeões olímpicos entre eles?

Pacheco: Porque lá se manteve uma equipe vencedora. Esse ano, o Sesi-SP foi reformulado demais. Lógico que mantivemos uma base, mas fizemos mudanças. Existem jogadores que são peças-chave no processo da equipe. O Sada manteve o oposto, já o Sesi-SP mudou. Eles mudaram os dois centrais, o que foi a grande mudança para a guinada da equipe e suas conquistas. Nós mudamos um só. Um jogador muito importante que chegou foi o Lucarelli, enquanto eles mantiveram a dupla de ponteiros. Os dois lados tiveram mudanças ao longo do tempo, mas as peças-chave deles continuaram a mesmas, e no Sesi-SP algumas mudaram ou vivem momentos diferentes, como o Murilo, que ainda está se recuperando.


Você observa algum favoritismo de algum lado?

Pacheco: Não. Não vejo favoritismo algum. A história recente do confronto mostra que existe um equilíbrio muito grande. Porém, o Sada oscila muito pouco, mantendo uma regularidade muito alta, impressionante mesmo. Cabe a nós fazermos um padrão de jogo próximo a isso. Se o Sesi-SP não fizer um jogo de altíssimo nível, a final será muito rápida, porque dificilmente o Sada vai baixar seu nível.


Lucão disse que na final do ano passado (RJX 3 x 1 Sada) o time que ele jogava (RJX) entrou muito afobado e tomou uma aula no primeiro set. Depois acalmou e conseguiu reverter a partida até conquistar o título. Como segurar o ímpeto para não entrar gastando tudo e depois perder o controle da partida?

Pacheco: O time vai ser agressivo desde o começo do jogo, mas existem variáveis importantes como encaixe das rotações, por exemplo, que ditam o ritmo. Ninguém vai para a decisão forçando o saque e pensando no erro. Todo mundo quer acertar, mas o erro é inerente ao jogo. Se entrarmos com uma sequência forte e errar, mudamos a estratégia. Nós montamos a nossa estratégia, eles montam a deles. Por exemplo: montamos uma para fechar o jogo nas pontas. E o Sada monta uma que prioriza os nossos ponteiros. Opa, encaixou. Essas coisas são importantes antes do jogo. A gente percebe isso no primeiro set. Temos uma comissão que fica olhando e vendo o que precisa mudar. Com 21 pontos, tudo passa muito rápido. Se conseguirmos identificar deslocamentos, podemos ou não mudar a estratégia. Para perceber isso, é muito importante observar os centrais. Se eles jogam na espera, se jogam antecipando, queimando… isso você consegue ver mais rapidamente e a partir daí você percebe se aquilo que você estudou do adversário está sendo cumprindo ou se ele mudou para aquele jogo.


O time para a final já está na sua cabeça?

Pacheco: Sim, está pronto, sem nenhuma dúvida.


O Marcos Pacheco tem superstição? Muda algo no comportamento antes da final?

Pacheco: Já acreditei em superstição. Já tive isso de caneta, tênis, meia, hoje sou desapegado. É uma semana de pouco sono, eu durmo muito pouco e o coração dá uma acelerada. Fico ansioso, se as coisas darão certo, se o ginásio está ok, se a programação está ok, se os familiares sentaram em lugares legais. Tem muitas variáveis, muitos interesses nos bastidores. Dez equipes da Superliga já estão negociando e fica procurador em cima querendo atrapalhar. É muita coisa envolvida e fico preocupado se não tem nada influenciando os caras. Como tá a cabeça dos jogadores, os novos, experientes, como estão… Fico louco se algo me escapa e fico perguntando tudo para as pessoas que trabalham comigo cada detalhe, perturbo mesmo. Na minha primeira final, eu não tinha referência nenhuma de como seria. Não sabia o que fazer, se mudava o time que vinha jogando, se mantinha o esquema. Hoje eu tenho histórico da final. Sei como funciona e o que tenho que fazer. Mas continuo muito ansioso e esperando o momento da partida. Isso não muda.