Safra Mundial de Milho

 

Mensalmente, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulga boletins com os indicadores do agronegócio e da indústria de alimentos.

Entre esses informes está o Safra Mundial de Milho.

O quarto levantamento da safra mundial de milho 2018/2019, divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), indicou aumento em todas as variáveis acompanhadas do cereal (produção, consumo, exportação e estoques finais globais) em relação ao terceiro levantamento. Veja os destaques.

 

Para ter mais informações acesse a última versão.

Os outros informativos periódicos produzidos pela Fiesp são: IPCA Alimentação e Bebidas (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), Balança Comercial do Agronegócio, Safra Brasileira de Grãos, Safra Mundial de Soja e Preços das Principais Commodities do Agronegócio.

 

Preços das Principais Commodities do Agronegócio


O informativo elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) traz os preços nacionais e internacionais de commodities como soja, milho, trigo, boi gordo, bezerro, algodão, açúcar cristal, café arábica, cacau, entre outros, bem como informações de câmbio.

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Os outros informativos periódicos produzidos pela Fiesp são: IPCA Alimentação e Bebidas (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), Balança Comercial do Agronegócio, Safra Brasileira de Grãos, Safra Mundial de Soja e Safra Mundial de Milho.

 

 

Com irregularidades climáticas, produção de grãos do Brasil não será recorde

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A safra 2013/2014 de grãos do Brasil deve ficar em 188,1 milhões de toneladas, contra 189,5 milhões de toneladas produzidas no ano passado, segundo números do levantamento Rally da Safra 2014.  O resultado é menor que o projetado por especialistas do setor, cujas expectativas apontavam para até 200 milhões de toneladas, e se distanciou do esperado recorde de produção do país. Os números foram apresentados na tarde desta terça-feira (01/04), em evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Não é safra recorde, bateu na trave. A gente chegou a especular 200 milhões de toneladas e esse ano não chegará a 190 milhões”, afirmou André Pessôa, sócio diretor da Agroconsult, ao divulgar os resultados do Rally da Safra 2014. A consultoria é a responsável pela iniciativa.

Este ano, o Rally levou cinco equipes para analisar amostras de soja e três dedicadas à avaliação do milho no verão e na safrinha. Foram percorridos 65 mil quilômetros pelo país, com 112 pesquisadores. Ao menos 2,2 mil produtores foram ouvidos. O Rally colheu 726 amostras de soja e 224 amostras de milho.

A apresentação dos resultados do Rally da Safra na Fiesp: 2,2 mil produtores ouvidos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A apresentação dos resultados do Rally da Safra na Fiesp: 2,2 mil produtores ouvidos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Pessoa explicou que o resultado bem abaixo do esperado é reflexo de problemas climáticos, como irregularidades de chuva e menor uso de tecnologias para produtividade.

“A principal característica dessa safra foi a irregularidade do clima. Em uma distância muito pequena de uma lavoura para outra houve ocorrência de diferenças significativas de produtividade por conta de uma chuva a mais que um produtor pegou e o outro não”, afirmou.

De olho na soja

A safra 2013/2014 de soja deve chegar a 86,9 milhões de toneladas, 5,7% maior que a safra de 82,2 milhões de toneladas no ano passado. O número ficou abaixo, no entanto, da expectativa inicial do Rally da Safra, de 91,6 milhões de toneladas, e da Agroconsult, realizadora da expedição, de 88,5 milhões de toneladas.

No caso da safra de soja, o número é recorde, mas não coloca o Brasil como maior produtor de soja do mundo. “Não passamos os Estados Unidos e vai ficar difícil passar depois que eles divulgarem aquele aumento de 6% da produção”, confirmou Pessôa.

Pessôa: safra de soja abaixo das expectativas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Pessôa: safra de soja abaixo das expectativas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ele acrescentou ainda que o aumento foi mais influenciado pela expansão da área plantada, que cresceu 7,6%, de 27,7 milhões de hectares para 29,8 milhões de hectares, do que pela produtividade.

A queda no volume de soja foi motivada principalmente pela estiagem prolongada no norte do Paraná, sul do Mato Grosso do Sul, sul de São Paulo e de Minas Gerais, sudoeste de Goiás, Bahia, e do Piauí.

Na contramão, o excesso de chuvas no Mato Grosso, um dos mais importantes produtores da oleaginosa no país, prejudicou a produtividade. O Rally da Safra anotou uma produtividade de 53 sacas por hectare no estado, com uma produção de 27,1 milhões de toneladas.

Menos milho

A safra 2013/2014 de milho do Brasil deve ficar em 30 milhões de toneladas, o que significa uma queda de 13,3% com relação ao ano passado, quando a produção do grão chegou a 34,6 milhões de toneladas.

A produtividade do milho caiu 8,2% de 85 sacas por hectare para 78 sacas por hectare. A área também diminuiu, de 6,8 milhões de hectares para 6,4 milhões de hectares, o equivalente a uma taxa negativa de 5,9%.

De acordo com Pessôa, a estiagem prolongada no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Goiás foi a principal responsável pela queda de produtividade.  Por sua vez, o excesso de chuvas no Mato Grosso prejudicou o plantio de milho safrinha.  Além das complicações climáticas, a equipe do Rally da Safra notou uma redução do uso de tecnologias no plantio de milho na safrinha em todas as regiões do país.

Pragas

Outro empecilho para o crescimento da produção de grãos no Brasil foi a elevada incidência de pragas e doenças em boa parte das regiões produtoras do país, apontou Pessôa.  “A gente verificou não só a ocorrência de alta infestação de ferrugem na maior parte das regiões, mas também a baixa eficiência de muitos produtos que são tradicionais no mercado”, afirmou. “Vamos ter um problema tão sério quanto o que enfrentamos em 2003, 2004, quando a ferrugem chegou ao Brasil”, alertou.

O Rally da Safra

Iniciado em 2004, o Rally da Safra vai a campo, todos os anos, para avaliar as condições das lavouras de soja e milho no Brasil. A expedição é realizada entre janeiro e março. O roteiro é escolhido com o objetivo de percorrer os principais polos produtores.

Brasil terá safra recorde de soja 2012/13, aponta estudo Rally da Safra

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

O desempenho histórico das lavouras do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul contribuíram para que o Brasil registrasse uma safra recorde de soja 2012/13. O volume alcançará 84,4 milhões de toneladas de soja – contra 66,4 milhões de toneladas em 2011/12, totalizando um aumento de 27,7%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (26/03) durante a coletiva do estudo Rally da Safra 2013, em evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

André Pessôa, coordenador geral do Rally da Safra: 'Logística mais cara é aquela que não existe. Estamos no limite do uso da que temos. Precisamos de medidas emergenciais para não penalizar o setor pelo nosso sucesso'. Foto: Julia Moraes/Fiesp

A expedição técnica percorreu mais de 60 mil quilômetros entre os dias 28 de janeiro e 13 de março, coletando amostras nas lavouras de milho e soja em 12 unidades da federação: Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins. Estas unidades representam 96,6% da área cultivada da soja e 72,3% da área de milho no Brasil.

Com o registro de uma colheita recorde, o Rio Grande do Sul foi o destaque desta edição. De acordo com André Pessôa, coordenador geral do Rally da Safra e diretor da Agroconsult, apesar da estiagem do mês de dezembro, o estado produziu 49 sacas por hectares de soja e safra de 13,5 milhões de toneladas. “Este número é espetacular. É mais do que o dobro da produção da temporada passada [6,5 milhões de toneladas]. Tanto na colheita de soja quanto na de milho, o estado teve uma safra muito boa. O desempenho do sul do país contribuiu para que a gente tivesse uma safra de soja acima do esperado”, avaliou Pessôa.

Já o Paraná registrou a maior produtividade do Brasil, com 56 sacas por hectares e produção de 15,8 milhões de hectares – em 2011/12 foi de 10,9 milhões de toneladas. Santa Catarina chegou a 54 sacas por hectares e 1,6 milhões de toneladas.

Na região centro-oeste, o destaque positivo é Goiás, com 54 sacas por hectares. Mato Grosso ficou pouco abaixo do esperado, com média de 52 sacas por hectares. Um dos motivos, apontados por Pessôa, foi o excesso de chuvas no processo da soja tardia.

A região nordeste registrou uma queda significativa na colheita, com destaque para Piauí, que teve a pior produtividade no país, em função da estiagem de 45 dias, totalizando 31 sacas por hectares. A Bahia também teve um desempenho abaixo do esperado, com uma produção de 42 sacas por hectares.

Outro problema que assolou as lavouras brasileiras, de acordo com o coordenador geral do Rally da Safra, foi a incidência de pragas, que aumentou os custos da produção de soja e milho brasileira.

Milho verão

O milho verão alcançou 36,7 milhões de toneladas na safra 2012/13, com produtividade média de 85 sacas por hectares. Na safra 2011/12 o número foi de 75 sacas por hectares. Com destaque para o Paraná, cuja produção recorde chegou a 145 sacas por hectares. Santa Catarina registrou 120 sacas por hectares e o Rio Grande do Sul atingiu 97 sacas por hectares. Goiás de também apresentou uma ótima produtividade, com 144 sacas por hectares, seguido por Minas Gerais, que registrou 102 sacas por hectares.

Década de crescimento

De acordo com Pessôa, o Brasil registrou um crescimento significativo no setor do agronegócio nos últimos 10 anos. Segundo coordenador geral do Rally da Safra, neste período a área de plantio de soja brasileira cresceu 50% – de 18,5 milhões de hectares em 2002/03 para 27,8 milhões de hectares em 2012/13, uma expansão de 4,1% ao ano. Neste mesmo período, a produção aumentou 62%, de 52 milhões de toneladas (2002/03) para 84,4 milhões de toneladas (12/13).

No caso do milho, a área plantada foi ampliada em 18% – de 13,2 milhões de hectares em 2002/03 para 15,6 milhões de hectares em 2012/13, uma elevação de 1,7% ao ano.

Porém, no entendimento de Pessôa, a falta de investimento em logística e o apagão da mão de obra no setor agrícola são grandes empecilhos para o crescimento da agricultura brasileira.

Segundo o coordenador do Rally da Safra, apenas 16% do volume de exportações de soja e milho brasileiro é realizado pelos portos do nordeste, o que, no seu entendimento é pouco funcional, tendo em vista que a região norte/nordeste é responsável por 83,5% da produção de soja e milho do país.

De acordo com Pessôa, os custos para exportação do produto pelos portos da região sul/sudeste provocam morosidade e ônus para os produtores da região norte/nordeste, com um custo médio de US$ 100 por frete.

“A logística mais cara é aquela que não existe. E nós estamos no limite do uso da que temos. E precisamos de medidas emergenciais para não penalizar nosso setor pelo nosso sucesso”, alertou.

 

Aumento do frete vai consumir parte do ganho com exportação da safra 12/13 de milho, diz diretor da Agroconsult

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O elevado patamar dos preços internacionais do milho e a desvalorização da taxa de câmbio no Brasil vão trazer rentabilidade para as exportações brasileiras do grão no próximo ano, mas parte desse ganho deve ser consumida pelo aumento do custo pago pelo frete e outras despesas com logística para escoar a produção, avaliou nesta segunda-feira (10/12) o sócio-diretor da Agroconsult, André Pessoa, ao participar da reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp.

André Pessoa, da Agroconsult: 'O nosso grande problema do ano que vem é logística'

O especialista espera um recorde de área plantada do milho safrinha de mais de 8 milhões de hectares, o que permite uma produção total (safrinha e safra) de mais de 70 milhões de toneladas no próximo ano.

“O nosso grande problema do ano que vem é logística. Vamos continuar exportando milho em grande volume nos primeiros meses do ano, depois uma safra de soja que tende a ser muito grande, mas não temos nenhum investimento novo de logística nesse período e temos um problema gravíssimo com os caminhões”, afirmou Pessoa sobre a Lei 12.619/2012, que prevê novas normas para a profissão de motorista.

“Nós já estamos com a redução da frota circulante de caminhões exercendo uma pressão muito grande sobre o frete de açúcar. A expectativa é que se tenha uma majoração na safra que vem, no auge da exportação da soja 2012/13 em relação ao que foi em 2011/12, de 30% do frete”, afirmou o diretor da Agroconsult.

Segundo Pessoa, o clima chuvoso no segundo trimestre do ano e a quebra da safra norte-americana de milho por condições climáticas ruins permitiram ao Brasil ter um desempenho robusto em exportações do grão, e as exportações para o começo de 2013 devem seguir fortes.

“O Brasil talvez seja um dos poucos lugares que tenham disponibilidade de milho hoje para exportar. E a gente vai seguir com exportações elevadas até fevereiro”, afirmou o especialista.

Preços

Reunião do Cosag discutiu perspectivas para o ano de 2013. Foto: Everton Amaro.

Desde junho deste ano, uma forte seca e elevadas temperaturas – as maiores desde 1985 – têm reduzido as projeções para a colheita do Cinturão de Milho, no centro-oeste dos Estados Unidos, o maior produtor mundial da commodity.

Em resposta aos prognósticos mais pessimistas, os contratos futuros do grão negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) – principal do mundo – já atingiram o patamar recorde de US$ 8,3875 por bushel.

O executivo da Agroconsult acredita que os preços elevados do milho devem continuar, ao menos, durante o primeiro trimestre de 2013. “Há perspectiva de alguma redução do preço de milho no segundo trimestre do ano que vem, mas, mesmo assim, será muito pequena”, projetou.

Pessoa acredita que o preço do milho deve ficar em US$ 7 por bushel para a média da safra 2012/2013, enquanto a soja deve operar na faixa de US$13,5 por bushel, também em 2012/2013. “Mas são cenários conservadores, levando em consideração a concretização de uma safra brasileira e argentina dentro da normalidade.”

‘Tropicalização do trigo’ pode ser última grande fronteira de pesquisa no Brasil, diz presidente da Embrapa

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Presidente da Embrapa, Maurício Antônio Lopes. Foto: Julia Moraes

Recém-empossado, o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Mauricio Antônio Lopes, defende a “tropicalização do trigo” e acredita que a adaptação da commodity ao solo brasileiro é a “última grande fronteira da pesquisa no Brasil”.

O pesquisador assumiu a presidência da Embrapa em outubro, após o cargo ser deixado por Pedro Antônio Arraes Pereira, que pediu exoneração ao Ministério da Agricultura no final de setembro.

Para Lopes, a chamada “tropicalização do trigo” pode elevar o Brasil à condição de grande player da commodity.

“Nós ‘tropicalizamos’ a soja, o milho. Está aqui o desafio de ‘tropicalizar’ para que o Brasil, de repente, se torne no futuro um grande exportador de trigo”, afirmou Lopes, ao participar do encontro do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2012/2013 de soja deve atingir recorde de produção, ficando entre 80,06 milhões e 82,8 milhões de toneladas.

As previsões também são de recorde para a produção de milho no caso da safra 2011/2012. Segundo projeções da Conab, a estimativa é de uma produção de 72,2 milhões de toneladas da oleaginosa, o equivalente a 43,8% da safra total de grãos no Brasil projetada para o período.