Em reunião na Fiesp, Miguel Reale Júnior critica sistema político brasileiro

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp 

“Salvo a medida provisória e a reeleição, o sistema político brasileiro em nada se modificou desde a Constituição de 1946”, dessa forma Miguel Reale Júnior, professor-titular da Faculdade do Largo São Francisco, iniciou sua apresentação durante a reunião mensal do Conselho de Estudos Avançados (Consea) da Fiesp, nesta segunda-feira (18), na sede da federação.

Sobre a temática de “Repensando o Brasil: Reforma Política”, o estudioso criticou o sistema político proporcional, adotado para eleição de deputados e vereadores. Em sua opinião, a medida contribui para o enfraquecimento das legendas politicas, distancia o eleitor do candidato, encarece o pleito eleitoral (contratação de cabos políticos) e ajuda na vitória de celebridades.

“Hoje os candidatos não representam os interesses da população como um todo, favorecendo apenas grupos de interesse que contribuíram com a vitória nas urnas”, alertou o palestrante.

Novos rumos

Reale acredita que o sistema distrital misto, adotado na Alemanha, seja a melhor alternativa para o pleito eleitoral brasileiro. Segundo ele, com a redução do campo geográfico da disputa, o eleitor se aproxima do candidato, o processo eleitoral fica mais barato e diminui o surgimento de candidatos paraquedistas.

Neste processo, o eleitor teria direito a dois votos: um no candidato do distrito e outro no partido, que, por meio de uma lista fechada, elegeria os demais representantes. A aprovação do projeto depende de uma emenda constitucional de da aceitação dos eleitores.

“Se a sociedade civil não se interessar pela política e reivindicar a constituição de novas lideranças que representem a massa, não vamos sair dos vícios que corroem a história brasileira”.