Entrevista com Milton Bogus, diretor do Dempi/Fiesp: ‘Quem não inovar vai ficar para trás’

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

 

Milton Bogus, diretor-titular do Departamento da Micro e Pequena Indústria (Dempi) da Fiesp

As micro e pequenas constituem 98% das empresas brasileiras, segundo o Sebrae Nacional. Apesar da melhora nos últimos anos após a promulgação da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, o segmento ainda sofre com alguns gargalos: falta de capacitação e de acesso ao crédito são as principais ameaças à sobrevivência aos negócios desse porte, de acordo com Milton Bogus, diretor-titular do Departamento de Micro e Pequena Indústria (Dempi) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Em entrevista ao portal da Fiesp, Bogus comenta os desafios e oportunidades para as micro e pequenas indústrias – alguns dos temas em debate no VII Congresso da Micro e Pequena Indústria,  que acontece quarta-feira (10/10), no Hotel Renaissance, em São Paulo.

E faz um alerta: “Quem não inovar vai ficar para trás”.

Veja a entrevista com o titular do Dempi/Fiesp.

O Congresso da Micro e Pequena Indústria da Fiesp está chegando a sua 7ª edição. Na sua avaliação, nesses últimos sete anos, o cenário das micro e pequenas indústrias melhorou? Quais as principais conquistas, na sua opinião?

Milton Bogus – Sem dúvida nenhuma, o cenário das micro e pequenas empesas melhorou e procuramos contribuir para isto. A Lei Geral [das Micro e Pequenas Empresas foi um dos fatores principais para a redução de tributos, para ampliar acesso a mercados e ao ambiente de crédito e para a simplificação e desburocratização na abertura e fechamento de empresas.

Quais obstáculos ainda afetam a sobrevivência das pequenas empresas no Brasil?

Milton Bogus – Na minha visão a falta de capacitação e o acesso ao crédito hoje são gargalos das pequenas empresas. Apesar da melhoria da burocracia, ainda temos um ambiente complexo para as micro e pequenas empresas, como por exemplo: acesso ao crédito, concorrência predatória nas importações, a falta de capacitação e a dificuldade da inovação. E, no caso das pequenas empresas que não estão no regime Simples, o excesso de tributos e a carga tributária dificultam a sobrevivência desse segmento.

O tema do Congresso MPI deste ano é justamente Da Sobrevivência à Excelência. Isso sugere uma mudança na visão do empresário com foco concentrado no tema da competitividade? Quais enfoques sobre a busca por excelência serão dados no Congresso?

Milton Bogus – Com certeza é a melhoria da competitividade. E essa melhoria deve ser feita através da gestão de pessoas, do conhecimento dos meios de financiamento à produção e dos mecanismos para inovação, bem como a utilização das formas mais atuais de acesso ao mercado e de comunicação. Esses serão os principais enfoques.

Gestão de pessoas e inovação, portanto, devem fazer parte da visão estratégica das empresas? 

Milton Bogus Eu diria que quem não inovar vai ficar para trás. A inovação é fundamental para manutenção do crescimento das empresas, e quem realiza essas inovações são as pessoas. Gerenciar este recurso voltado para inovação é estratégico para as empresas. Formar equipe é fundamental para o crescimento das empresas – cada um fazendo a sua parte para um objetivo comum. 

As micro e pequenas indústrias têm grande relevância na economia do País, gerando emprego e renda e movimentando diversos setores. Como elas podem buscar suporte ou recursos para implementar itens como inovação e capacitação profissional, crédito, ou novas tecnologias de comunicação para aumentar suas vendas?

Milton Bogus – As empresas podem e devem procurar suas entidades de classe, universidades, institutos de pesquisa, escolas técnicas, entre outras instituições, que apoiam e capacitam as micro e pequenas empresas.

Em relação ao crédito, as micro e pequenas empresas devem buscar informações sobre linhas de financiamento existentes e se prepararem para o relacionamento com os agentes financeiros.

E quanto às novas tecnologias, as micro e pequenas empresas precisam conhecer mais as novas mídias que a cada dia crescem com rapidez e devem avaliar quais mecanismos existem para entrar nesse mercado, pensando sempre em seu público-alvo.

Qual a contribuição do Dempi/Fiesp e entidades parceiras nesse sentido?

Milton Bogus – Em capacitação, o Dempi/Fiesp implementou uma parceria com mais de 20 universidades e institutos de ensino, estabelecendo uma via de mão dupla entre o ambiente acadêmico e o empresarial.

Realizamos, ainda, parcerias com instituições financeiras e agentes de desenvolvimento para atender às empresas e informar as linhas de financiamento e garantias existentes para facilitar o acesso ao crédito.

E também temos atuado nas frentes parlamentares e nos fóruns do segmento para a construção de políticas públicas voltadas às micro e pequenas empresas.