MPI: Líder é quem mobiliza as pessoas para mudanças

Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp

O momento de constantes mudanças, econômicas, políticas e sociais, exige novas estruturas organizacionais e novos modelos de lideranças, avaliou o mestre em filosofia Gilberto Guimarães, durante o 10º Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI), organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta segunda-feira (25/5.

Guimarães apresentou a palestra “O papel do líder na empresa” e afirmou que as organizações são abstrações jurídicas, ou seja, as empresas são as pessoas que fazem parte dela. Essas pessoas, por sua vez, precisam de um líder que tome decisões e assuma responsabilidades.

“Líder não é quem manda. Líder é aquele que é conhecido por manter a sobrevivência da empresa, que toma decisões e faz as escolhas corretas”, disse o palestrante. A liderança positiva, para ele, é uma tentativa de fazer com que as pessoas tenham um desempenho muito acima do esperado.

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Gilberto Guimarães: "A crítica gera o medo, que não ajuda a produzir". Foto: Everton Amaro/Fiesp


O papel do líder é mobilizar as pessoas para as mudanças, que são contínuas e seguem em um ritmo acelerado. “As empresas que não perceberam que as mudanças são rápidas, logo são consideradas obsoletas”, alertou. Segundo Guimarães, o conceito de subordinação relacionado ao chefe ou ao líder não existe mais, já que, muitas vezes, o trabalhador sabe mais do que os seus próprios chefes.

“Hoje em dia, a relação de trabalho é muito mais uma organização de iguais, parceiros ou associados, e não de total subordinação”, explicou.

Novas formas de liderança

O novo líder não gerencia apenas as pessoas, mas é responsável pela gestão da base de conhecimento, do uso das informações que as pessoas desenvolveram e aplicaram, defendeu o especialista.

“É a gestão do intangível, do bom uso do conhecimento”. Para Guimarães, a informação e o conhecimento são tão ou mais importantes quanto os outros fatores de produção, como mão de obra e capital. “Um trabalhador do conhecimento leva com ele a ferramenta do seu trabalho. A ferramenta é dele, e o produto do seu trabalho, portanto, também é dele”, comentou.

De acordo com o palestrante, o líder tem a função de ajudar a criar o novo, sendo mais inovador e criativo, e precisa conhecer os seus liderados, os apoiando e não somente criticando. Para isso, o líder precisa eliminar o medo no ambiente de trabalho.

“A crítica gera o medo, que não nos ajuda a produzir e nem nos deixa mais competentes”, afirmou. Guimarães reiterou que não se trata de aceitar ou ignorar os erros, mas o fundamental para o líder é aprender a construir uma solução positiva.

Ele acrescentou que o líder deve ser otimista e conseguir seguidores, que vão confiar nele. “As emoções são contagiosas. Em um ambiente em que o líder é pessimista e negativo, a equipe liderada também será assim”, disse.

Gilberto Guimarães afirmou ainda que o líder deve dar a cada pessoa um sentido da importância do trabalho que ela realiza, criando significados positivos. “Quando as pessoas têm um propósito profundo e estão engajadas com seu trabalho, isto tem efeitos positivos nos seus resultados e na produtividade. A função do líder é permitir que cada um dos seus liderados tenha a percepção do significado do trabalho que ele faz”, elucidou.

MPI: Aumento de teto do Simples é tratado com urgência no Congresso, diz ministro Afif

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O aumento do teto de faturamento do Simples, regime tributário especial para empresas de pequeno porte, está sendo tratado em caráter de urgência, afirmou nesta segunda-feira (25/5), o ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos. Mas a falta de consenso sobre o ajuste fiscal ainda tranca pauta do Congresso.

“Apresentamos o estudo e o projeto de lei ainda no ano passado. Tratamos com o presidente do Congresso que deu urgência. O projeto está pronto para ir à plenária. Só não colocamos ainda porque o Congresso está muito tumultuado com o dissenso do ajuste fiscal”, afirmou Afif.

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Ministro Afif: "O objetivo maior de qualquer governo é o emprego e renda". Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Ele participou do 10º Congresso da Micro e Pequena Indústria, organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Afif disse ainda que “mexer no limite do Simples não adianta, temos de mexer em todas as tabelas”.

O limite de faturamento anual para pequenas empresas optarem pelo regime Simples deve aumentar de R$ 3,6 milhões para R$ 7,2 milhões, enquanto o teto para o micro empreendedor deve aumentar de R$ 360 mil para R$ 720 mil por ano, e o do micro empreendedor individual, o MEI, para R$ 120 mil versus R$ 60 mil. O aumento dessas faixas, no entanto, deve entrar em vigor no próximo ano.

“Estamos fazendo para o ano que vem. O objetivo maior de qualquer governo é o emprego e renda, e quem responde com mais rapidez é, sem dúvida, a pequena empresa”, disse Afif.

Presente na abertura do encontro, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, informou que, somente em São Paulo, há mais de 2,5 milhões de micro e pequenas empresas.

“Estaremos ao seu lado com todas as forças”, disse Skaf ao ministro Afif. “Tão logo se vire a página do ajuste fiscal, entraremos nessas mudanças necessárias ao microempresário”, completou.

Dois pleitos que beneficiam as MPMIs são atendidos pelo governo federal

O governo federal editou medida provisória que dá permissão para financiamento da União para a criação do Fundo Garantidor de Risco de Crédito (FGC) destinadas às micro, pequenas e médias empresas.

Também foi convertida em lei a medida provisória 451 que, dentre outros temas, suspende a exigência da Certidão Negativa de Débitos (CND) para obtenção de crédito.

As decisões atendem dois dos pleitos discutidos pelo Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Fiesp durante o Fórum “O Impacto da Crise Financeira para Micro, Pequenas e Médias Indústrias”, realizado no último dia 13 de abril.

“Nós propusemos e enfatizamos a necessidade de fundos garantidores em todas as esferas. Neste sentido, o Fórum tem contribuído para que esses fundos comecem a ser operacionalizados”, afirmou o diretor-titular do Dempi, Milton Bógus.

O Fundo Garantidor de Risco de Crédito para micro, pequenas e médias empresas, implementado pelo governo federal, vai disponibilizar R$ 4 bilhões do Ministério da Fazenda. A medida provisória nº 464 foi publicada no último dia 9 de junho.

Já a prorrogação da suspensão da CND beneficia as empresas que precisam ter acesso às linhas de crédito com recursos do governo, como as operacionalizadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A prorrogação está oficializada no artigo 7º da Lei 11.945, de 4 de junho de 2009.