Chile é estratégia brasileira para alavancar exportação

Agência Indusnet Fiesp

As empresas brasileiras podem se beneficiar dos 20 acordos comerciais que o Chile mantém com 56 países da Ásia, América Latina, União Europeia e os Estados Unidos. Segundo a presidente chilena Michelle Bachelet, que esteve na Fiesp nesta quinta-feira (30) em encontro com Lula, os instrumentos dão acesso a 85% do PIB mundial e a 4 bilhões de consumidores.

“A rede de acordos configura uma plataforma comercial eficiente para atingir outros mercados”, afirmou Bachelet, convidando empresários brasileiros a utilizarem o Chile como ponte para exportarem seus produtos a terceiros países.

A contrapartida, segundo o ministro da Economia chileno, Hugo Lavados Montes, é submeter os produtos a um trabalho de agregação de valor, em percentuais que variam de acordo com o país e giram em torno de 40%.

Ponte para o mundo
O governo brasileiro é favorável à estratégia de internacionalização das empresas para alavancar a competitividade dos produtos nacionais. De acordo com Welber Barral, secretário de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio (MDIC), o Brasil tem feito esforços para firmar acordos comerciais com vários parceiros econômicos e aprofundar os instrumentos já em vigor com algumas nações da América Latina. Porém, as negociações não têm progredido.

“As negociações regionais e multilaterais do país têm esbarrado em dois argumentos: quando é com parceiro desenvolvido, eles querem a negociação sem incluir agricultura, o que evidentemente não é aceitável, por ser um dos itens em que o Brasil é mais competitivo. Com os países em desenvolvimento, há um temor com relação ao tamanho e à competitividade da indústria brasileira”, explicou Barral.

Segundo o secretário, a dificuldade nas negociações com outros países abre espaço para o Brasil aumentar sua estratégia de internacionalização de empresas – e a que se mostra mais eficiente é a utilização do Chile como plataforma de exportação, com vantagens logísticas e comerciais.

“Para aproveitar a oportunidade, porém, é necessário agregar valor produtivo local, em alguns casos com mudança de classificação tarifária dos produtos. Isso será possível na medida em que conseguirmos, por meio de encontros como esse, maior integração produtiva”, ponderou Welber Barral.

A estratégia levou o governo brasileiro a incentivar mecanismos de integração. No caso do Chile, uma das ações junto à Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (Abdi) é a identificação de setores em que seja mais fácil a integração produtiva. Já a cooperação entre as zonas francas dos países, que entrará em vigor esse ano, permitirá maior competitividade dos produtos da Zona Franca de Manaus no mercado chileno.

Lula: Brasil pode ceder Copa América 2015 ao Chile

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se comprometeu, nesta quinta-feira (30), a conversar com os dirigentes do futebol brasileiro para que o País ceda a Copa América de 2015 ao Chile.

“É uma proposta viável. O Chile tem o direito de contribuir na organização de eventos esportivos”, afirmou Lula.

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A presidente do Chile, Michelle Bachelet, e o ex-presidente Lula

A afirmação foi uma resposta ao pedido feito pela presidente chilena, Michelle Bachelet, durante encontro bilateral realizado na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Bachelet se mostrou confiante com a possibilidade de seu país sediar a competição esportiva latino-americana. “Seria uma forma justa de distribuição [das competições no continente]. Queremos os brasileiros em massa no Chile em 2015”, sugeriu.

Como contrapartida, Lula propôs uma troca: o Chile cederia a Copa América de 2019 ao Brasil

Michelle Bachelet defende Brasil para Conselho de Segurança da ONU

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Com discurso baseado no argumento de que a crise na economia global coloca os países emergentes diante de uma nova fase da política internacional, a presidente do Chile, Michelle Bachelet, defendeu a entrada do Brasil no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (CSONU).

“Brasil e Chile têm insistido há muitos anos na necessidade de fortalecer organismos multilaterais. E reitero o compromisso do meu país em reconhecer o Brasil como um emergente muito poderoso no mundo que deve ter um assento permanente no Conselho de Segurança”, afirmou Bachelet, durante o Encontro Empresarial Brasil-Chile, realizado na sede da Fiesp, em São Paulo, nesta quinta-feira (30).

O CSONU tem poder para autorizar ações internacionais, entre elas: sanções econômicas e envio de forças armadas para solucionar conflitos. É formado por 15 países, sendo 5 deles membros permanentes (China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia) e os demais rotativos. A ampliação do número de assentos é um dos principais itens da agenda externa brasileira desde o início dos anos 1990, quando do fim da Guerra Fria.


Oportunidade histórica

Para a mandatária chilena, os países emergentes precisam estabelecer uma “agenda política clara e com objetivos bem definidos” para participar de discussões em um novo cenário da geopolítica pós-crise.

De acordo com Michelle Bachelet, a turbulência econômica coloca as nações em desenvolvimento “diante de uma oportunidade sem precedentes para influenciar na capacidade e responsabilidade da política internacional”.

“Se nós, emergentes, quisermos contribuir para a construção de acordos internacionais, teremos que redefinir e ampliar a perspectiva global”, indicou.

O tema deve ser debatido no próximo encontro dos chefes de Estado dos 12 países-membros da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), que em 10 de agosto se reúne em Quito, no Equador, para que Bachelet passe a presidência rotativa do bloco a Rafael Correa.