Transporte rápido de ônibus em Curitiba é apontado como solução de mobilidade urbana

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

No painel de “Soluções avançadas para mobilidade urbana” foram debatidas possíveis saídas para as metrópoles mundiais que têm um desafio comum pela frente: a oferta de transporte integrado e eficiente, de meios alternativos de locomoção e a resolução dos congestionamentos constantes que travam as cidades. Esse foi um dos debates ocorridos nesta segunda-feira (06/05), primeiro dia de programação do 8º Encontro de Logística e Transportes, realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no Hotel Unique, em São Paulo.

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Painel ´'Soluções avançadas para mobilidade urbana', no 8o. Encontro de Logística e Transportes da Fiesp. Foto: Luis Benedito/Fiesp

“Os Estados Unidos fizeram uma má escolha pelos carros, na área de transportes, e precisamos contar com a tecnologia para gerir o sistema. Hoje, é preciso buscar alternativas como veículos menores tocados a eletricidade ou biocombustível, além das bicicletas”, afirmou Michael A. Replogle, diretor do Institute for Transportation and Development Policy (ITDP), instituição fundada em 1895 com sede em Nova York.

Replogle elogiou o Bus Rapid Transit, implantado em 1975, em Curitiba (PR), exemplo para países como China e Suécia (Estocolmo, mais precisamente).

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Michael A. Replogle, diretor do Institute for Transportation and Development Policy. Foto: Luis Benedito/Fiesp

O especialista lembrou que a eficiência é evitar a troca de linhas, que encarecem o transporte público, e frisou que São Paulo e Rio de Janeiro se esforçam neste sentido. A cidade chinesa Guangzhou já aprimorou o sistema curitibano a fim de atender seus 10 milhões de habitantes e colhe resultados positivos. O mesmo se fez em Bogotá, capital colombiana.

Entre as soluções apontadas estão o gerenciamento de estacionamentos, atenção às novas incorporações que causarão impacto no trânsito e a cobrança de pedágio em regiões centrais. Ele sugeriu o exemplo de Cingapura, cuja cobrança não é feita pelo governo, mas sim por gestores que elevam ou reduzem a tarifa conforme a necessidade. Estocolmo tem esquema similar e, em Londres, paga-se 20 dólares diários para ingresso na área central, mas este valor se reduz se o veículo contar com filtros antipoluentes ou outras tecnologias que respeitem o meio ambiente.

Replogle também discutiu a ideia de ruas compartilhadas, sem guias, como existem hoje na Dinamarca e na China. Os carros rodam com velocidade reduzida e convivem pacificamente com pedestres e bicicletas. Para ele, é fundamental garantir mobilidade para quem usa bicicleta, inclusive no transporte público, além de facilitar a locomoção do pedestre. Outra necessidade apontada por Replogle é se pensar na ecologia das rodovias, garantindo boa drenagem, além da criação de vias secundárias para escoar o congestionamento.

Otimista, o especialista norte-americano confia que o Brasil poderá liderar a gestão de tráfego nas cidades, a exemplo do que já fez criativamente na capital paranaense.

Investimentos privados

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Rodrigo Carnauba. Foto: Luis Benedito/Fiesp

O desafio nas grandes cidades é a oferta de transporte público de qualidade em contraponto ao uso do transporte individual. A Odebrecht Transport trabalha em projeto de 24 km de VLT – veículo leve sobre trilhos sem linhas aéreas, segundo o diretor de mobilidade urbana da empresa, Rodrigo Carnaúba. “Cada modal deve desempenhar papel complementar na rede de transporte, oferecendo capilaridade e redução do tempo de viagem, além de tarifa mais barata”, refletiu.

Em sua opinião, o desafio é implantar projetos que estão no portfólio das Parcerias Público-Privadas (PPPs), em São Paulo. Trata-se de uma estimativa de investimento de R$ 60 bi nos próximos cinco anos, em diversas cidades, via Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com grande participação do capital privado.

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José Ricardo Marar, diretor da Infrapar Projetos. Foto: Luis Benedito/Fiesp

Carnaúba lembrou que a rentabilidade deve ser compatível com o capital privado e o nível de risco do negócio, além de se ter estrutura de garantias públicas.

Para encerrar, o diretor da Infrapar Projetos, José Ricardo Marar, reforçou que desde a Lei de Diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana (n. 12.587/2012) as empresas trabalham para encontrar soluções no setor de transportes. “Mas é essencial buscar foco no processo de gestão de informações dos projetos, como os da Copa [do Mundo], por exemplo, com o apoio da tecnologia”, ressaltou.

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