Representantes de Miami-Dade discutem oportunidades de negócios com o Brasil

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Comissário do condado de Miami-Dade, Jose Pepe Diaz. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O comissário do condado de Miami-Dade e presidente da International Trade Consortium, José Pepe Diaz, chegou à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) acompanhado de uma delegação de mais de 20 representantes da região no sul da Flórida para falar de oportunidade de negócios entre Brasil e Estados Unidos (EUA).

“Quando falamos com o Brasil é como falarmos com a nossa família porque muitos brasileiros estão fazendo de Miami sua segunda casa”, afirmou Diaz ao abrir o seminário “Oportunidade de Negócios no condado de Miami-Dade”.

O diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex), Thomaz Zanotto, participou da abertura o encontro e acentuou que o estreitamento da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é “um dos principais objetivos dessa federação”.

“Essa visita acontece em um bom momento. Espero que façam da Fiesp a casa de vocês e descubram novos negócios”, afirmou Zanotto, acrescentando que pelo menos 27 mil estudantes brasileiros estão nos EUA por meio de diversos programas de incentivo a estudo, entre eles o Ciência sem Fronteira.

O vice-presidente de Desenvolvimento Econômico Internacional do Beacon Council, agência de fomento ao investimento de Miami, Mario Sacasa, acompanhou o comissário Diaz na missão.

Segundo Sacasa, o objetivo da agência é orientar investidores estrangeiros na região. “Somos as pessoas certas para isso”, completou.  O Beacon Council oferece serviços de identificação de local, pesquisa personalizada, acesso a contatos de negócios, incentivo dos negócios, assistência e programas de financiamento, licenciamento e assistência regulatória, formação e recrutamento de mão de obra.

O chefe da Unidade de Desenvolvimento Econômico do Comércio Exterior do Condado de Miami-Dade e do Departamento de Recursos Econômicos, Jimmy Nares, também acompanhou a missão e apresentou um vídeo sobre a infraestrutura e as facilidades de instalar uma empresa na região.

“Formamos uma pequena área no sul da Flórida, mas temos 80% de todo o fluxo de comércio internacional do estado”, afirmou Nares.

De acordo com Eric Olafson, diretor do Porto de Miami – conhecido como Portões das Américas –, mais de uma dúzia das principais companhias de carga marítima operam no local.

Em 2013, o Porto de Miami movimento de quase US$ 16 bilhões em exportações e importações do Brasil.

Olafson espera buscar parcerias com empresas brasileiras para cobrir a demanda por serviços de alimentação, por exemplo, de mais de 15 linhas de cruzeiro estabelecidas no porto. “Esperamos trabalhar com brasileiros para aumentar o nosso tráfego de cruzeiros.”

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Diretor de Comércio Exterior da Fiesp, Thomaz Zanotto. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A diretora-executiva da Autoridade de Desenvolvimento do Centro de Miami, Alyce Robertson, chamou atenção durante o seminário para investimentos na indústria da arte na região central do condado.

“A arte é um aspecto muito importante do Centro de Miami. Atualmente movimenta pelo menos US$ 1 bilhão em todo o condado”, informou.

O diretor do Departamento de Aviação do Condado de Miami-Dade, Gregory Owens, e o presidente do Greater Miami Convention and Visitors Bureau, William Talbert, também fizeram apresentações sobre as instalações do Aeroporto Internacional de Miami e a indústria de turismo da região.

Brasil tem avanços e estagnação simultâneos, avalia professor da Universidade de Miami

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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Amaury de Souza, professor visitante do Center for Hemispheric Policy da Universidade de Miami

O Brasil mudou muito, e nós não acompanhamos essa mudança. Continuamos a ver o país muito menor do que ele é e a subestimar os problemas que ele enfrenta, ainda desnorteados a respeito dos rumos de nossa política doméstica e internacional.

A análise é de Amaury de Souza, professor visitante do Center for Hemispheric Policy da Universidade de Miami, durante o Fórum Brasil – Estados Unidos realizado nesta terça-feira (26/06) na Fiesp.

Entretanto, o professor reconhece que em determinadas áreas o crescimento do agronegócio brasileiro é evidente, ainda que não seja devidamente reconhecido. “O fato de o Brasil ter se tornado praticamente a fazenda do mundo é visto como algo normal e até deletério, porque um país depender da exploração de commodities e não da indústria ainda é visto na América Latina, na velha ideologia de esquerda, um país colonial”.

Amaury de Souza explicou que a explosão da importação de commodities para a China tornou possível o avanço na redução da desigualdade social, com a redução da pobreza e a ascensão de uma nova classe média. “Nos últimos 24 meses caímos de 25% para 23% na população de pobres, portanto, um avanço extraordinário”. Ele ainda frisou que o Brasil é o único país onde há queda na desigualdade e melhora na distribuição de renda.

Falta educação

No entendimento do professor Amaury de Souza, a posição do Brasil na escala do poder econômico mundial é invejável, porém, ainda é pouco. “O país persiste na situação de baixíssimo poder de atividade e crescimento do parque industrial, com níveis educacionais absolutamente horrendos, com boa parte de nossas crianças saindo da escola primária sem saber ler e escrever ou fazer operações básicas de aritmética”, criticou.

Além deste diagnóstico, apontou outros entraves como a carga tributária concentrada no consumo – que penaliza as famílias mais pobres com mais impostos – e a infraestrutura deficiente em portos e rodovias, que prejudica o escoamento da produção agrícola.

Federalismo gigante

O docente da Universidade de Miami destacou ainda que a estrutura do governo federal deveria ser reduzida pela metade, bem como a divisão da arrecadação tributária entre estados e municípios.

“Hoje 65% de toda a arrecadação tributária fica com a união, porque contribuição não se divide. Portanto, esse é o primeiro ponto a ser feito, precisamos de um novo federalismo”, afirmou Souza, que também teceu críticas sobre a existência de ministérios do trabalho e da pesca, que compõem a inflada estrutura do governo federal.

“É preciso reduzir drasticamente o tamanho do governo federal e aumentar a força dos estados e municípios, e há uma razão boa para isso, pois eles têm um nível de administração pública e de eficiência dos seus programas muito superior a tudo que o governo federal faz”, completou Amaury de Souza.