Comunicado – Consulta Pública SECEX/MDIC

O governo brasileiro abriu, recentemente, duas consultas públicas ao setor privado referentes a negociações comerciais em curso. Uma delas diz respeito ao interesse brasileiro em dar início à negociação de acordos comerciais com quatro parceiros: Canadá, Tunísia, Líbano e EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio, bloco que engloba Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça).

Outra busca identificar o interesse do setor privado brasileiro com relação ao aprofundamento das preferências tarifárias concedidas no âmbito dos Acordos de Complementação Econômica 53 (Brasil-México) e 62 (Mercosul-Cuba).

A Fiesp acompanha atentamente as negociações internacionais nas quais o Brasil está envolvido e elaborou um comunicado (disponível no menu à direita), detalhando os procedimentos para o envio de manifestações por parte do setor privado.

Skaf: México é impulsionado pela indústria, que cresce porque país tem competitividade

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

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Skaf: "O México está passando por uma fase bem interessante."

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, acredita que a visita de Enrique Peña Nieto na manhã desta quarta-feira (19/09) demonstra o interesse do presidente eleito do México em estreitar relações com o Brasil.

“A atitude dele, como presidente eleito, de estar aqui, de nos visitar e buscar os caminhos para incrementar nossas correntes de comércio e nossas relações em outras áreas, como cultural, social, educacional, é muito positiva e demonstra que ele é uma pessoa muito aberta e que gosta de conversar com a sociedade e com os setores produtivos”, afirmou.

A passagem pela sede da Fiesp foi o primeiro compromisso oficial de Peña Nieto como presidente eleito do México. “Acho que as intenções dele são muito positivas e ele é uma pessoa de muito bom senso e inteligente. Não vai fazer nada que subtraia, pois está buscando sinergias e multiplicação”, destacou Skaf.

O presidente da Fiesp mostrou otimismo em relação ao crescimento de negócios entre os dois países. Para ele, quando há vontade política, disposição dos setores produtivos e interação entre os países é possível fazer o comércio crescer e beneficia a todos. “Temos um estudo em que consultamos os principais setores quanto à disposição de um acordo com o México. O resultado é que, excetuando o setor de eletroeletrônicos, todos os demais estão dispostos a negociações e acordos com o México”, explicou.

Skaf enfatizou que, enquanto a carga tributária brasileira é em torno de 37 a 38% do Produto Interno Bruto (PIB), no México é de 23% – dos quais 12% é receita da petroleira que vai para o governo. “O México está passando por uma fase bem interessante: desemprego baixíssimo, em torno de 5%; fluxo de comércio de U$ 700 bilhões; previsão de crescimento de 3 a 4%, em 2012; inflação sob controle em torno de 4%; e crescimento industrial de 5%”, enumerou o presidente da Fiesp.

“O México tem o crescimento da economia puxado pela indústria, que cresce porque o país tem competitividade, que é a nossa luta por aqui”, explicou.

Skaf disse acreditar que a presidente Dilma Rousseff está adotando medidas corretas para melhorar a situação do país. Em sua avaliação, no entanto, o Brasil perdeu tempo para começar a mudar. “Estamos no caminho certo, mas tem outros [países] que já estão com custo baixo. E nós ainda estamos com expectativa de baixar e recuperar a competitividade brasileira”, concluiu.

PPaulo Skaf, presidente da Fiesp, e Enrique Peña Nieto, presidente eleito do México. Foto: Junior Ruiz

Paulo Skaf, presidente da Fiesp, e Enrique Peña Nieto, presidente eleito do México

Na Fiesp, presidente eleito do México declara intenção de ampliar integração comercial com o Brasil

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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Paulo Skaf, Enrique Peña Nieto e Benjamin Steinbruch durante reunião com empresários na sede da Fiesp


Em visita à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta quarta-feira (19/09), o presidente eleito do México, Enrique Peña Nieto, encontrou-se com empresários brasileiros e, em seguida, afirmou em entrevista coletiva que seu país tem a intenção de ampliar o fluxo de comércio com o Brasil.

“Este encontro na Fiesp tem como propósito reforçar o nosso interesse em uma maior integração comercial entre o México e o Brasil, as duas mais importantes economias da América Latina. Manifesto meu interesse e compromisso de ser um promotor constante desta integração para que os setores econômicos de nossas nações fiquem alinhados”, declarou Peña Nieto.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, disse que o caminho para que essa integração aconteça já começou com a vinda do presidente mexicano. “Ele está mostrando interesse e disposição para uma maior abertura e entrosamento, a vontade política de Enrique Peña Nieto pode ser traduzida em acordos de comércio entre nossos países”, ressaltou Skaf.

Skaf afirmou ainda que todos os setores produtivos brasileiros, exceto o de eletroeletrônicos, teriam disposição e vontade de fazer acordos com o México. Para o presidente da federação, esses acordos incrementariam o comércio do Brasil com o México, hoje considerado “muito modesto” em sua opinião.

“O México tem uma corrente de comércio de US$ 700 bilhões, enquanto a do Brasil é de US$ 500 bilhões. Porém, nossa corrente com o México é de apenas US$ 9 bilhões. Temos que buscar incrementar nossa corrente de comércio com a nação mexicana em US$ 30 bilhões, e ambos os países têm essa possibilidade”, apontou o presidente da Fiesp.

Visita à Fiesp é primeiro compromisso oficial do presidente eleito do México

Agência Indusnet Fiesp

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Enrique Peña Nieto, presidente eleito do México

Eleito em julho deste ano, Enrique Peña Nieto escolheu a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para seu primeiro compromisso oficial como presidente do México.

Nieto reúne-se com Paulo Skaf e empresários paulistas na manhã desta quarta-feira (19/09), antes de se encontrar com a presidente Dilma Rousseff, em Brasília, no dia 20/09.

O presidente mexicano ainda passará por outros cinco países latino-americanos: Guatemala, Colômbia, Chile, Argentina e Peru. Enrique Peña Nieto toma posse no dia 1º de dezembro e abraçou a tarefa de estreitar laços e aprofundar o relacionamento político e econômico com os países da América Latina.

Após a crise econômica de 2009, o México tomou novo fôlego e voltou a ser um país competitivo a fim de suprir a demanda do mercado norte-americano por bens industriais, desbancando a China e demais países asiáticos. Seu parque industrial conta com duas fortes variáveis para chegar a esse resultado: reajustes salariais abaixo dos ganhos de produtividade e desvalorização cambial.

Os indicadores do México apontam para investimento com projeção de 26% do PIB, em 2012 ante 25,6% em 2011, inflação e taxa de desemprego em queda, enquanto as reservas internacionais giravam, no começo deste ano, em torno de US$ 149 bilhões.

As exportações mexicanas têm como principal destino os Estados Unidos e o Canadá (84% do total exportado em 2010), ambos países que formam, em conjunto com o México, o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta). O Brasil é seu principal parceiro na América Latina, tendo somado US$ 3,8 bi, em 2010.

A balança comercial Brasil-México, em 2011, apresentou déficit de US$ 1,2 bilhão, sendo que as exportações somaram US$ 4 bi e as importações US$ 5,1 bi.

Em Cancun, setor produtivo brasileiro apresenta propostas para combater mudança do clima

Lucas Alves, de Cancun, México, para Agência Indusnet Fiesp

Nesta terça-feira (7), representantes da indústria e da agricultura do Brasil promovem um evento em Cancun, no México, para demonstrar como estão tratando a questão da mudança do clima.

O encontro acontece a partir das 9h30 (hora de Cancun e 13h30 em Brasília), no Cancun Messe, local oficial onde estão ocorrendo os eventos paralelos da 16ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Cop16), que prossegue até sexta-feira (10).

No primeiro painel serão discutidas ferramentas para redução da emissão de gases de efeito estufa (GEE). A coordenadora para o Mercado Internacional de Energia da Fiesp, Carolina Lembo, traçará um panorama sobre o setor de energia no Brasil, destacando a participação de fontes renováveis na matriz.

Ela também mostrará como a integração energética na América Latina pode contribuir, de maneira significativa, para a redução de GEE na região, por meio do intercâmbio de experiências bem sucedidas em energias renováveis.

Participam do painel o diretor da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Olavo Machado; o presidente da União das Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank; e a diretora-executiva do Fórum Brasileiro do Setor Elétrico, Silvia Calou.

Investimentos de baixo carbono

No segundo painel, o coordenador da Área de Negociações Internacionais da Fiesp, José Luiz Pimenta Júnior, mostrará as perspectivas de investimentos de baixo carbono no Brasil.

Os setores que estão se adiantado na promoção de aportes para contribuir com as políticas brasileiras de mudança do clima. Também serão apresentados os fundos setoriais já criados que contemplam este novo momento. Ao debate se juntarão o diretor da CNI, Olavo Machado, e a presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), Elizabeth Carvalhaes.

Finalmente, o especialista em Meio Ambiente da Fiesp, Marco Antônio Ramos Caminha, abordará os avanços da indústria brasileira nas questões ambientais e o que as empresas têm feito para reduzir, de maneira voluntária, as emissões dos GEE. Estarão na mesa o representante da Braskem, Jorge Soto, e Erlon Rodrigues, da Fiat Power Train.

Governo acelera para concluir acordos comerciais com o México e União Europeia

Agência Indusnet Fiesp,

O governo brasileiro vai esperar as eleições regionais do México, em julho, para dar continuidade às negociações do acordo de livre comércio entre os dois países. O texto que está em jogo prevê uma zona de livre comércio em dez anos após a assinatura do acordo, tratamento especial para produtos sensíveis, além de um capítulo especial que aqueça os investimentos recíprocos e o comprometimento de compras governamentais.

De acordo com o Itamaraty, o governo mexicano está mais disposto a negociar e a aceitar a íntegra do texto, após ver sua economia despencar por conta da crise financeira internacional. Por outro lado, segundo o Itamaraty, ainda há resistência de alguns setores privados em concluir as conversas, como os setores de confecções e de maquinários.

“Precisamos dar um tempo ao governo mexicano para que este cenário seja revertido”, disse o negociador do Itamaraty, Paulo França, nesta terça-feira (8), durante reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp. “Acredito que a partir de agosto as negociações serão diferentes […] Daremos um salto qualitativo e avançaremos cada vez mais. Hoje há vontade política por parte dos mexicanos”, completou.


Parcerias
Atualmente, o Brasil mantém com o México três acordos de Complementação Econômica (ACE). O ACE 53 oferece isenção tarifária para cerca de 800 produtos; o ACE 54 possibilita o Brasil de negociar separadamente do Mercosul e o ACE 55 que flexibiliza as trocas comercias para o setor automotivo.

Por ter os Estados Unidos como principal parceiro comercial – cerca de 85% das exportações mexicanas são direcionadas à economia norte-americana –, o México viu suas contas chegarem no vermelho. Com a crise, os Estados Unidos fecharam a torneira e o México sentiu a necessidade de abrir seu mercado.

“O México é um prestador de serviço dos Estados Unidos […] Antes, eles [mexicanos] se vangloriavam em ter os norte-americanos como vizinhos, hoje eles se penitenciam”, afirmou o presidente da Fiesp em exercício, Benjamin Steinbruch.

Mercosul-União Europeia
Se por um lado as negociações com o México caminham para um desfecho positivo, as conversas com a União Europeia ainda cultivam algumas arestas, apesar de os europeus sinalizarem que precisam desenhar alguma parceria com o Brasil e, por consequência, com o Mercosul.

Para o chefe do Departamento de Negociações Internacionais do Itamaraty, Evandro Didonet, as negociações entre os dois blocos representam “uma equação difícil de ser solucionada”.

O negociador brasileiro adiantou que no final deste mês, durante a reunião de cúpula do Mercosul, em Buenos Aires, os países do bloco discutirão os pontos da negociação e a definição de calendário. E informou que o texto negociado será basicamente o mesmo de 2004, quando se iniciaram as conversas entre Mercosul e União Europeia.

De acordo com Didonet, há uma enorme vontade política do governo brasileiro em concluir o acordo até o final do ano. No entanto, em sua avaliação, este ano será apenas para “lançar as bases” das negociações e, possivelmente, concluí-las em 2011.

Os entraves da negociação estão nas resistências de alguns países do bloco europeu, especialmente a França, que defendem suas áreas agrícolas e temem pela entrada de produtos de terceiros mercados. Paris já anunciou que não abrirá seu setor agrícola nos termos exigidos pelo Mercosul e que possíveis aberturas deverão ser tratadas nos moldes propostos durante a Rodada Doha.

“Com o quase fim das conversas de Doha aliado à exposição brasileira no exterior, o interesse da União Europeia volta a emergir com bastante força. É provável que aconteçam concessões mais significativas”, explicou Didonet. “Hoje estamos mais fortes para entrar na negociação. Os europeus precisam mais do Brasil, quando comparado ao início das negociações”, completou.