Sem participação dos emergentes, mundo não atingirá metas climáticas

A ideia de que os países em desenvolvimento não têm de estipular metas para reduzir a emissão de gases de efeito estufa é infundada, defende o professor do Centro de Meio Ambiente, Economia e Sociedade (CEES, na sigla em inglês), da Universidade de Columbia, e biólogo associado ao Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), João Paulo Capobianco.

Isso porque o consenso internacional prevê que o aumento de 2ºC na temperatura mundial resultaria em mudanças prejudiciais ao planeta. Para evitar este risco, a média de gases de carbono na atmosfera, até o fim século, não deve ultrapassar a marca dos 18 gigatons, que já se encontra entre 40 e 45 pontos da escala, explicou Capobianco durante o seminário Agricultura, Mudanças Climáticas e Comércio: expectativas para Copenhague, realizado nesta sexta-feira (16), na sede da Fiesp.

“Mesmo se os países desenvolvidos zerassem suas emissões de gases poluentes em 2020, os emergentes teriam de traçar políticas sérias de redução. Caso contrário, as consequências climáticas podem ser desastrosas”, destacou o biólogo.

Segundo o especialista, o Brasil teria de diminuir 80% dos poluentes atmosféricos, principalmente por conta dos desmatamentos na região da Amazônia. “Não é mais uma questão de disputa política. Criar metas de redução é um papel que o País tem de cumprir no mundo”, concluiu Capobianco.


Propostas para o Brasil

Uma das medidas sugeridas por João Paulo Capobianco para auxiliar na redução de gases poluentes foi o Desmatamento Evitado.

A proposta é levantar o histórico de desmatamento de determinada região e, a partir dele, tirar uma média da prática na área em questão. Assim, todas as reduções sobre este desmatamento médio seriam compensadas financeiramente.

“Com essa finalidade, foi criado o Fundo da Amazônia, gerido pelo BNDES. Com a ajuda do governo, o Brasil já conta com uma boa estrutura de captação de recursos para reverter às práticas reducionistas”, disse o palestrante.

Além dessa iniciativa, a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, Magda Lima, apontou outras saídas para o País:


  • Redução de fertilizantes nitrogenados

    , com o uso de leguminosas como “adubo verde”;


  • Plantio Direto

    , através do qual o solo é minimamente revolvido, evitando, assim, que suas concentrações de carbono sejam liberadas na atmosfera;


  • Integração lavoura-pecuária

    , pois os solos degradados por monoculturas podem ser recuperados com a concentração de ruminantes;


  • Corte de cana crua

    , para cessar a ação das queimadas no solo;


  • Uso de resíduos vegetais

    para fabricação de biodiesel.