Programa oferece mestrado e doutorado no Ipen para profissionais do Senai-SP

Isabela Barros 

Por meio de um programa de pós-graduação entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), 40 funcionários do Senai-SP farão mestrado ou doutorado na área. A parceria foi apresentada em workshop realizado no dia 03 de novembro, na sede do Ipen, na Universidade de São Paulo (USP).

Estiveram presentes na ocasião o diretor regional do Senai-SP, Walter Vicioni Gonçalves, o diretor técnico do Senai-SP, Ricardo Terra, e o gerente de Inovação e Tecnologia do Senai-SP, Osvaldo Maia.

As aulas para os cursos de mestrado e doutorado começam em 2016 e devem ajudar os profissionais da instituição a trabalhar melhor em áreas variadas, como alimentos, por exemplo. O conteúdo será dado pelos professores ligados ao Ipen.

Vicioni durante o workshop que oficializou o acordo de cooperação entre o Senai-SP e o Ipen. Foto: Divulgação

Senai-SP e UFSCar elaboram propostas para parcerias

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) estão cada vez mais próximos. E reforçaram essa parceria em workshop realizado, nesta terça-feira (01/09), no Instituto Senai de Inovação de Materiais Avançados, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Na ocasião, foram feitas apresentações das duas instituições, com a elaboração de propostas para trabalhos conjuntos em projetos de pesquisa e inovação.

Entre essas possibilidades, estão a oferta de estágios técnicos e interinstitucionais para alunos, docentes, pesquisadores e especialistas da UFSCar e do Senai-SP, capacitação de profissionais do Senai-SP em nível de pós-graduação na UFSCar, prospecção de demandas do setor industrial, participação conjunta em projetos com instituições privadas e a oferta de mestrado profissional conjunto em 2017.

Representantes do Senai-SP e da UFSCar em workshop sobre parcerias em São Bernardo do Campo. Foto: Ana Mitiko/Fiesp

 

“O Senai-SP está no meio do caminho entre a universidade e as empresas”, afirmou o vice-reitor da UFSCar, Adilson de Oliveira. “Com a credibilidade que as duas instituições têm, é importante estabelecer essa sinergia”.

De acordo com o supervisor de Inovação do Senai-SP, Carlos Alberto Coelho, as novas parcerias podem fazer com que “mais empresas tenham acesso às tecnologias desenvolvidas pela UFSCar”.

Programa Senai-SP de Apoio à Pesquisa: a indústria mais perto da academia

Alice Assunção, com colaboração de Juan Saavedra e Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

Em julho de 2013, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) abriu as portas de suas escolas para mestrandos, doutorandos e pós doutorandos realizarem suas pesquisas. O objetivo da iniciativa: aproximar a indústria da academia.

Na avaliação do diretor técnico da instituição, Ricardo Terra, o Programa Senai-SP de Apoio à Pesquisa pode ajudar a descontruir uma barreira entre a indústria, sua formação profissional e a universidade. “Um dos objetivos desse programa é se aproximar da universidade. Precisamos quebrar paradigmas, começar a criar relações com as universidades”, explica Terra.

O diretor técnico do Senai também acredita que essa associação com a indústria pode elevar as pesquisas acadêmicas a um nível mais aplicável à realidade do setor. “Por que a gente quer ter uma relação com a universidade? Porque a universidade tem muita pesquisa básica. E a gente quer transformar isso em pesquisa aplicada, que é o que acontece, por exemplo, em instituições da Alemanha”, afirma.

Dilara Rubia é uma dos responsáveis por acompanhar o programa, em uma unidade do Senai no Brás, região central de São Paulo. Ela conta que o diferencial desse projeto, em comparação com outros, é a infraestrutura e os equipamentos que as escolas do Senai-SP dispõem para o pesquisador.

Dilara: infraestrutura e equipamentos são diferenciais. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Dilara: infraestrutura e equipamentos são diferenciais do Senai-SP. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

“Temos uma infraestrutura que muitas vezes não é encontrada nas universidades públicas. Também temos técnicos que conhecem alguns meandros que o cientista não possui, eles têm competências que foram desenvolvidas na própria formação do Senai”, afirma Dilara.

Outro diferencial do programa, segundo ela, é a relevância da escola Senai para o industriário, o qual, por confiar na instituição, abre as portas de sua empresa para que o cientista possa fazer suas pesquisas. “A marca Senai abre portas na indústria, então há essa aproximação entre a ciência e a academia, uma oxigenação de conhecimento prático com o cientifico”, defende. “Com a sigla Senai, os empresários sentem confiança”, completa.

Cadeia têxtil

Um dos pesquisadores apoiados pelo programa do Senai-SP é o professor da escola Jorge Marcos Rosa. Ele conduz sua pesquisa de pós-doutorado, voltada para a cadeia têxtil, nos laboratórios da unidade do Brás.

“Eu sou um pesquisador diferenciado porque, após muito tempo na indústria, fui para a academia em 2004. Fica muito mais fácil quando se tem a experiência de chão de fábrica”, conta o pesquisador que supervisiona ao menos oito alunos com pesquisas também voltadas para o segmento têxtil.

Rosa: “Eu sou um pesquisador diferenciado porque, após muito tempo na indústria, fui para a academia em 2004”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Rosa: “Eu sou um pesquisador diferenciado porque, após muito tempo na indústria, fui para a academia em 2004”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Jorge já trabalhava no Senai do Brás quando decidiu começar um mestrado com foco no setor. Ele conta que, graças ao espaço e aos equipamentos cedidos pela escola para que ele realizasse suas pesquisas, o tempo de duração do mestrado foi reduzido.

“A quantidade de equipamentos que o Senai tem é absurda. Eu tenho um amigo que é um dos sócios de uma indústria química. Eles tem convênio com a Universidade Politécnica da Catalunha e falam que lá não há os equipamentos que nós temos”, relata.

Os pesquisadores

Guilherme de Oliveira Ferreira do Santos tem 27 anos e é doutorando da Universidade de São Paulo (USP). Sua pesquisa é sobre tratamento de efluentes têxteis. “O programa me propicia conhecer todas as substâncias utilizadas no tingimento do tecido, com as possíveis causas de poluição”, diz ele, que estuda métodos mais limpos e de custo menor de tingimento de têxteis.

Santos conta ainda que, com o programa de apoio à pesquisa do Senai-SP, descobriu processos industriais que alteraram alguns rumos de sua pesquisa.

“Eu tenho a enorme vantagem de fazer uma simulação em pequena escala do que acontece em grande escala em equipamentos do Senai e isso é uma vantagem enorme, pouquíssimas pesquisas conseguem fazer o mesmo”, afirma.

Os participantes do Programa Senai-SP de Apoio à Pesquisa: portas abertas na indústria. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Os participantes do Programa Senai-SP de Apoio à Pesquisa: portas abertas na indústria. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

 

Wan Chi Ming, 48 anos, é mestrando da USP e pesquisa como otimizar e baratear o sistema de produção da indústria têxtil. Ele deve defender a sua dissertação até o final deste ano.

“Na minha pesquisa, eu tenho que verificar qual o tempo de fabricação para cada etapa do processo. Para isso eu acesso a indústria para fazer a medição do tempo, a ficha técnica dos produtos, uso de mão de obra, consumo energético, tipos de maquinas utilizados. Eu não teria esse acesso à indústria se não fosse via Senai”, explica Ming.

Ele também destaca que a instituição pode ser uma vitrine desses trabalhos acadêmicos para o mercado. “O Senai proporciona para nós encontros com empresários, a gente conversa sobre processos e sobre o que pode ser melhorado”.

Alexandre Decaprio Ferreira, de 43 anos, mestrando da USP, Fernanda Marinho Pereira da Silva, de 36 anos, também cursando mestrado na USP e a doutoranda da USP Natalia Alves de Toledo também são alunos adotados pelo Senai do Brás. Eles conduzem, respectivamente, pesquisas sobre produção mais limpa da cadeia têxtil, implantação de processos de economia verde e a moda de rua.

“A indústria do vestuário tem uma série de falhas e culturas organizacionais que acabam influenciando no resultado da empresa”, analista Alexandre Decaprio sobre sua pesquisa de controle organizacional e economia verde. “Como o Senai abre muitas portas eu consigo ir na empresa pesquisar em loco. Estruturei um procedimento que extrai informações que me permitem identificar quais os pontos falhos”, completa. Ele deve defender a sua dissertação em outubro deste ano.