Embaixador analisa na Fiesp conjuntura comercial global

Agência Indusnet Fiesp

O embaixador Ronaldo Costa Filho, subsecretário geral de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, falou nesta terça-feira (16 de outubro) em reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp (Coscex) sobre acordos comerciais e sobre a conjuntura econômica global.

Ao abrir a reunião, o presidente do Coscex, Rubens Barbosa, explicou o tema do dia, decidido em virtude da proximidade do desfecho da eleição presidencial – que provocou muita discussão sobre a economia brasileira, mas pouca sobre a mundial. Há rápida deterioração das condições do comércio internacional, lembrou.

Segundo Costa Filha, o grande ponto de inflexão, “sem qualquer juízo de valor ou de mérito”, é a assunção do governo norte-americano por Donald Trump, quase uma ruptura no comércio mundial.

A principal motivação por trás deste momento de ruptura, explicou, é a China, e acima de tudo a perspectiva de uma tomada –próxima- pela China de liderança no comércio global, avançando sobre setores econômicos de ponta. “Creio que seja a grande preocupação de Trump e de seu entorno.”

Discurso na semana anterior do vice-presidente dos EUA, Mike Pence, é avaliado por alguns como o início de uma nova guerra fria, econômica. Tanto China quanto EUA são parceiros essenciais para o Brasil, disse o embaixador, respondendo a dúvida de Rubens Barbosa sobre o posicionamento do país diante dessa nova guerra fria. “O Brasil não pode tomar partido”, afirmou Costa Filho.

Histórico

Costa Filho explicou o desenvolvimento industrial chinês. “Isso remonta à modernização da economia chinesa”, vinda do tempo de Deng Xiaoping. A abertura de um mercado de 1 bilhão de consumidores e com capacidade manufatureira parecia uma situação win-win, e houve transferência maciça de fábricas para a região. Essa produção pode ter sido o maior fator de manutenção de inflação baixa no mundo.

Só que a China nunca se satisfez em ficar nessa situação. Agora, com a absorção da capacidade industrial e de know-how, virou ameaça.

Com o “made in China 2025” o país assume sua meta de ganhar a ponta em setores industriais de alta tecnologia, e isso está por trás da reação do governo dos EUA.

Houve a imediata retirada dos EUA do TPP. Ocorreu uma reviravolta na tentativa de conter a China por meio de acordos. Em seguida houve a imposição de renegociação de acordos já vigentes, como o Nafta. É um ganho político para Trump, na análise de Costa Filho, mas não há temor entre os parceiros de grande alteração de fluxos comerciais.

Depois o governo passa a adotar medidas unilaterais, como a sobretaxa sobre aço e alumínio, sentida pelo Brasil. Questionáveis sob a ótica da OMC, incluem ameaças ao setor automotivo, que afetam diversos países – que tentam se acomodar aos EUA, conseguir uma solução negociada. E as medidas norte-americanas em relação à China agradam esses países, ressaltou.

Nenhum país foi capaz de impedir as ações dos EUA, disse o embaixador, que vê como difícil dizer o que vai acontecer. Por enquanto parece que os EUA estão se impondo.

Reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior com Ronaldo Costa Filho. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior com Ronaldo Costa Filho. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Reflexos na OMC

Na prática, a agenda negociadora da OMC estava paralisada havia vários anos, ressaltou Costa Filho. E os EUA querem negociar na OMC novas disciplinas parar coibir práticas chinesas.

Há 3 trilhos de complexidade e velocidade distintas para as mudanças, explicou o subsecretário. O primeiro, mais simples e potencialmente mais rápido, é o de transparência e modificação. Especialmente entre países desenvolvidos há percepção de falhas no cumprimento de determinações. Fala-se em punições e sobre a origem do descumprimento. Há muitos países com dificuldade para cumprir essas obrigações. Vai ser um desafio separar a falta de vontade e o deliberado descumprimento.

A segunda, extremamente complexa, vai ser o órgão de resolução de controvérsias. Os EUA não permitem a nomeação de árbitros.

Há demandas dos EUA relativas à OMC que efetivamente se referem a coisas problemáticas, como o descumprimento do prazo para suas decisões. Há casos em que que avança sobre suas funções e acaba funcionando como instância interpretativa, quase legislativa.

Além de não interessar aos EUA, diante do teor das medidas que têm tomado, a resolução de controvérsias, o resto dos membros tem mostrado plena disposição de sentar e negociar com os EUA, que sistematicamente se recusam a fazer isso.

O terceiro trilho é a agenda negociadora da OMC. Ela vem de Doha, de 2011, e os EUA têm vendido a ideia de modernizar as regras, combatendo brechas usadas pela China e “nivelando o campo”. Exemplos são subsídios industriais, tratamento dado a empresas estatais e transferência forçada de tecnologia. Isso agrada por exemplo Japão e Europa.

Perpassa tudo isso a noção do conceito de desenvolvimento, ou seja, tratamento comercial diferenciado para países em desenvolvimento. Não vem de Trump; está latente há muitos anos. Na rodada Doha se fez pressão sobre China (o verdadeiro alvo), Brasil e Índia, que não deveriam fazer jus a exceções, na visão dos países desenvolvidos.

Acordos bilaterais

O Mercosul tem feito esforço sobre-humano para concluir a negociação, mas a União Europeia, desde janeiro, quando houve uma oferta sobre produtos agrícolas, não pôs nada na mesa, disse Costa Filho.

São encorajadoras as negociações com o Canadá e com a European Free Trade Association (EFTA, que reúne Suíça, Noruega, Liechtenstein e Islândia), com ritmo de avanço muito positivo.

E a Ásia, sobretudo pelo setor industrial brasileiro, é vista com muita cautela. São mercados diferentes do nosso e muito competitivos industrialmente. “Mas é um continente inescapável.” A primeira negociação, mas simples, é com Cingapura, um mercado já essencialmente aberto, sem agricultura protegida. Uma preocupação, que há como resolver, via regras de origem, é a triangulação. E Cingapura é pragmática, tem disposição para tentar resolver problemas, antes mesmo de rodadas de negociação. Permitiria abrir portas para o mercado asiático, Em relação a acordo com a Coreia do Sul há enorme resistência. Nova Zelândia buscou o Brasil para iniciar negociação, e há pouca resistência a ela, mas é mercado limitado. O Japão é visto com mais agrado pelo setor industrial brasileiro, e há grupo de trabalho dos respectivos representantes.

Líbano, Tunísia e Marrocos representam negociações mais simples.

Quanto à OCDE, os EUA têm negado o consenso, havendo na mesa 6 candidaturas, 3 da América Latina (incluindo o Brasil) e 3 da Europa – e complicações como o Japão querendo maior representação asiática e a Europa insistindo num espelhamento, a entrada de um país europeu para cada país de outro continente. O trabalho do país vem sendo conduzido, afirmou Costa Filho.

Participaram também da reunião do Coscex Rafael Cervone, 3º vice-presidente da Fiesp e do Ciesp, Thomaz Zanotto, diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp e vice-presidente do Coscex, e Stefan Bogdan Salej, vice-Presidente do Coscex.

Aloysio Nunes Ferreira defende esforço em marcas e marketing para o agronegócio

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Reunião conjunta nesta sexta-feira (13 de julho) dos Conselhos Superiores do Agronegócio (Cosag) e de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp teve a participação do ministro Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores) como expositor, em palestra com o tema Acordos Comerciais e consequências para o Agronegócio Brasileiro.

José Ricardo Roriz Coelho, presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp, abriu a reunião, coordenada por Jacyr Costa, presidente do Cosag. O Brasil, e principalmente São Paulo, tem no agronegócio um grande exportador, destacou Jacyr Costa.

Roriz alertou que o cálculo do coeficiente de penetração do Brasil mostra o país em posição semelhante à do Japão e dos EUA, mas a comparação é feita com países como a Coreia do Sul, que não têm matérias-primas e alimentos. O presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp também disse que o governo deve ficar atento, no processo de abertura comercial, à agregação de valor aos produtos brasileiros.

Aloysio Nunes Ferreira, ministro de Estado das Relações Exteriores, destacou que manter mercados e abrir novos mercados são desafios para o agronegócio do Brasil, que é uma grande potência agrícola e ambiental. “Nossos clientes ficam mais exigentes”, afirmou, e há um esforço a ser feito em marketing e marcas. Deu como exemplo a Argentina em relação à carne. Temos os atributos para continuar a ser uma grande potência agroindustrial, mas há concorrentes fortes, como os Estados Unidos. Hoje em disputa com a China, pode mudar o jogo e virar exportador de carne e soja para o país. O que interessa ao Brasil é ter regras claras. A guerra comercial é ruim, mesmo que represente ganhos no curto prazo, disse o ministro. “É um desastre no longo prazo. Vai deprimir o comércio mundial.”

Há um problema de fechamento de mercados em países europeus, que se tenta resolver em negociações com a União Europeia. A Apex tem feito trabalho importante em relação às exportações do agronegócio, destacou o ministro.

Arrasta-se há muitos anos a negociação do Mercosul com a União Europeia, lembrou. “Espero que esteja numa fase final, não terminal”, disse. Houve avanços importantes, como o capítulo de defesa sanitária, mas sobram temas como o setor automotivo, origem em máquinas equipamentos, vinho, denominação de origem.

Entre os negociadores europeus gera certa insegurança a onda de nacionalista e xenofobia que atravessa a Europa.

Em relação ao próprio Mercosul, Aloysio destacou que houve o início de tratativas para acordos comerciais em outros formatos, com outros países. “O Mercosul”, com essas mudanças, “passa a ser uma noiva cobiçada”, atraindo países como Coreia do Sul, Canadá e Cingapura. E fechar um acordo relevante abre portas e estimula outros países a procurar um acordo, afirmou, exemplificando com o interesse japonês demonstrado depois de bem-sucedidas conversações do Brasil com a Coreia do Sul.

As articulações para acordos não param nunca, afirmou o ministro, porque sempre surgem barreiras e há temas que se arrastam há tempos, como a rodada Doha da OMC.

Há fatos como as tecnologias digitais e a ascensão da China que alteram o panorama mundial. Aumenta a importância de acordos regionais, devido a turbulências globais.

Qualquer estratégia de desenvolvimento exige a inserção internacional do Brasil, afirmou. O atual governo retoma um esforço de maior integração, de abertura para o mundo, explicou.

Rubens Barbosa, presidente do Coscex, disse na abertura do evento que o ministro “vestiu a camisa do Itamaraty”, apesar de não ser oriundo dele, conseguindo superar a complexidade dos temas de política externa. Tomou medidas de modernização, instituindo planejamento de médio e longo prazo, em que havia deficiência. Em relação aos problemas de fronteira, a gestão de Aloysio tomou iniciativas importantes, afirmou Barbosa. O Itamaraty, lembrou, tem papel importante no comércio exterior.

Também fizeram parte da mesa principal da reunião Débora Vainer Barenboim-Salej, embaixadora-chefe do Escritório em São Paulo do Ministério das Relações Exteriores; Pedro Miguel da Costa e Silva, diretor do Departamento Econômico do Ministério; Roberto Ignacio Betancourt, vice-presidente do Cosag e diretor titular do Departamento do Agronegócio da Fiesp; Thomaz Zanotto, diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp e vice-presidente do Coscex.

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Reunião de Cosag e Coscex da Fiesp com a participação de Aloysio Nunes Ferreira. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Certificado de origem digital facilita exportações para Argentina e Uruguai

Agência Indusnet Fiesp

Para apresentar detalhes do documento de comércio exterior que está facilitando negócios e poupando recursos das empresas brasileiras, argentinas e uruguaias – o chamado certificado de origem digital (COD) – o Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp realizou seu segundo seminário sobre o tema na última terça-feira (20 de junho), em São Paulo. Para o diretor titular adjunto do Derex e mediador do encontro, Vladimir Guilhamat, o certificado de origem digital é um facilitador importante, principalmente no que diz respeito a tempo, para as empresas exportadoras.

Na visão do coordenador-geral de Regimes de Origem do Departamento de Negociações Internacionais do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Rodrigo Serran, o COD figura como ferramenta essencial de facilitação de comércio, dispensando a necessidade de utilização de certificados de origem em papel e aumentando a segurança das transações entre os países da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi).

“O COD dispensa o trâmite em papel, o arquivo é criptografado e enviado digitalmente ao importador. Funcionários habilitados na Aladi assinarão digitalmente estes arquivos”, explicou. Segundo ele, o governo brasileiro tem trabalhado intensamente para levar às empresas os benefícios do COD. “Brasil e Argentina têm a meta de, a partir do ano que vem, permitir apenas CODs em suas relações comerciais, eliminando os certificados de origem em papel”, completou.

A coordenadora de Facilitação de Comércio da Fiesp, Patricia Vilarouca de Azevedo, apresentou o passo a passo do processo de emissão do COD no sistema Fiesp e Ciesp. “A agenda de facilitação de comércio tem sido prioritária para nós [Fiesp e Ciesp], e para quem já emite certificado de origem impresso, emitir COD é ainda mais fácil”, finalizou.

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Certificado de Origem Digital foi tema de evento na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Diálogo regulatório Brasil-Argentina reúne especialistas e empresários na Fiesp

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

Uma integração comercial mais intensa entre Brasil e Argentina foi foco do seminário “Diálogo regulatório Brasil-Argentina”, realizado conjuntamente por Fiesp, Ciesp e Centro de Estudos do Comércio Global e Investimento (CCGI) da FGV nesta segunda-feira (11 de junho). Para além das atuais condições do Mercosul, especialistas e agentes de governo debateram estratégias de expansão e promoção das economias da região no exterior.

Na avaliação do diretor titular do Derex, Thomaz Zanotto, o governo argentino tem mostrado uma grande coerência em suas ações envolvendo o Mercosul, na busca por investimentos e parcerias. “A ideia é que juntos e mais fortes possamos fabricar e vender também produtos de maior valor agregado. Se não conseguimos fazer a convergência regulatória do século 20, como faremos a do século 21?”, questionou.

Zanotto apontou que, para a Fiesp, esse assunto tem sido prioridade desde 2012. Recentemente, a federação publicou uma cartilha técnica com propostas de aprimoramento de regulamentos na América Latina, na tentativa de eliminar obstáculos ao comércio regional. “Temos que caminhar mais rápido, passar por cima da burocracia, encontrando denominador comum”, defendeu.

O embaixador da Argentina no Brasil, Carlos Magariños, por sua vez, detalhou algumas dificuldades enfrentadas pelo seu país por conta de questões de convergência regulatória e os esforços feitos nos últimos anos por ambos os países. Já o subsecretário de Comércio Exterior do Ministério da Produção da Argentina, Shunko Rojas, contou como os argentinos estão trabalhando uma agenda ambiciosa de negócios para o Mercosul, considerando concessões, posições na Organização Mundial do Comércio (OMC) e acordos com a União Europeia (UE).

Para Mario Marconini, diretor de Política Comercial do Derex, o debate sobre cooperação regulatória é prioritário para a agenda de inserção internacional do país, sobretudo em um contexto marcado pela perda de protagonismo exercido pelas tarifas. Nesse sentido, Brasil e Argentina podem exercer um papel central na agilização da discussão regulatória dentro do Mercosul.

Na análise do secretário de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Abrão Miguel Árabe Neto, há um universo extenso de outros temas que impactam o comércio exterior além das tarifas. Dentre eles, está presente a discussão sobre barreiras não tarifárias, incluindo as questões regulatórias. “A discussão sobre cooperação regulatória foi definida nos níveis mais altos de governo como uma prioridade para a aproximação comercial entre Brasil e Argentina”.

O encontro contou ainda com a apresentação de projetos sobre regulação, incluindo as pesquisas da coordenadora do Centro do Comércio Global e Investimento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Vera Thorstensen, além de estudos sobre perspectivas para o aprofundamento do comércio bilateral, elaboração de propostas políticas e diálogos setoriais: automotivo, industriais, agricultura e alimentos.

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Abertura do Diálogo Regulatório Brasil-Argentina, na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

“É o momento para desenhar conjuntamente o novo futuro”, diz na Fiesp secretário de Internacionalização de Portugal

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Eurico Jorge Nogueira Brilhante Dias, secretário de Estado de Internacionalização de Portugal, fez nesta terça-feira (15 de maio) na Fiesp a palestra Oportunidades de Investimentos em Portugal.

Houve nos últimos anos, segundo Dias, enorme esforço e dedicação dos empresários portugueses, sem os quais não teria havido solução para a economia portuguesa. Por exemplo, conquistaram novos mercados. O investimento direto estrangeiro supera 62% do PIB, e mais de 43% do PIB vem das exportações. O país é aberto, destacou.

Seguro legalmente, seguro politicamente, seguro na proteção cambial e de ativos. As pessoas são qualificadas, um dos patrimônios mais valiosos do país, após forte investimento em educação. Há incentivos financeiros e fiscais para fixação de investimentos em diversas áreas. E a União Europeia, com seus 500 milhões de consumidores, tem também acordos com países como Canadá, México e Japão.

Dias elencou seis áreas em que recomenda aos brasileiros aprofundar a análise do investimento em Portugal:

Mineração, com importantes reservas de lítio (usado em baterias de carros elétricos). Há empresas experientes no Brasil, destacou.

Química e petroquímica. Portugal é competitivo e tem ligação direta com o porto de Santos.

Agricultura, com 250.000 hectares de novas áreas disponíveis para plantar produtos premium, com margens mais interessantes.

Logística.

Turismo e imóveis. Há um patrimônio histórico que o governo pensa em ceder para a iniciativa privada.

Startups, com ecossistema favorável a elas, com o Web Summit, importantes incubadoras e apoio financeiro para incubação e também para aceleração.

“Acredito firmemente que vamos passar outro nível de relacionamento comercial entre Portugal e Brasil”, afirmou o secretário. “Podemos fazer mais, e este é o momento para desenhar conjuntamente o novo futuro, que o acordo entre União Europeia e Mercosul pode propiciar.”

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Reunião na Fiesp sobre Oportunidades de Investimentos em Portugal. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Momento no cenário externo para o Brasil é de desafios

Roseli Lopes, Agência Indusnet Fiesp

Conduzir a política externa brasileira neste momento não é algo simples. O movimento de volta do protecionismo econômico em alguns mercados externos, os desafios para negociações dentro do Mercosul e a nova ordem econômica que despontará da sua aproximação com a União Europeia, ou a crise na vizinha Venezuela, estão entre os fatores que podem interferir, de maneira negativa, no comércio externo do País. Na segunda-feira (24 de julho) o Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp (Coscex) colocou o tema em debate. O objetivo, mais uma vez, foi o de analisar o atual cenário mundial e, a partir dele, identificar os desafios que o Brasil tem de superar hoje para elevar seu fluxo comercial.

“O momento atual é delicado nas relações externas e nas negociações comerciais”, admitiu o embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex. A responsabilidade do Brasil será grande nos próximos seis meses, quando estará à frente do Mercosul, avalia. No último dia 21, o Brasil assumiu a presidência rotativa do bloco, na 50ª Reunião do Conselho do Mercado Comum e Cúpula do Mercosul e Estados Associados, em Mendoza, na Argentina. “Teremos de completar negociações de contas governamentais dentro do Mercosul, e essa agenda de 21 pontos de barreiras comerciais terá de ser enfrentada”, explica. Mas o maior desafio, em sua avaliação, será a questão da Venezuela.

Em dezembro de 2016, o Mercosul suspendeu a Venezuela do bloco após o país governado por Nicolás Maduro descumprir normas. Barbosa conta que o Mercosul está enviando uma carta à Venezuela como primeira etapa dentro do procedimento previsto nessa situação, mas, pelas declarações de Nicolás Maduro, diz não saber como o país receberá o documento. “Isso deverá criar uma situação muito delicada para o Brasil”, confessa.

O embaixador Marcos Galvão, secretário-geral de Relações Exteriores, diz que o Itamaraty é uma das instituições brasileiras que continuam funcionando bem e que a política externa tem pressa em apresentar resultados. O Brasil tem mostrado resiliência durante a crise, apesar dos desafios externos e internos que afetam, também, a política externa. A recessão econômica, da qual o país está se recuperando, afetou capacidades essenciais para a presença do Brasil na economia internacional.

De todo modo, a despeito do cenário menos favorável, Galvão é enfático ao garantir que a política externa brasileira não tem perdido prestígio no plano externo, diferentemente do que se possa alardear a respeito. Apresenta números para reforçar sua avaliação. Dados da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) apontam que o país tem hoje o quinto maior saldo positivo do mundo em comércio, superado apenas por China, Alemanha, Coreia do Sul e Rússia. Na semana passada, a AEB revisou para cima a projeção de superávit da balança comercial brasileira para um recorde de US$ 63,2 bilhões. Em 2016, as exportações superaram as importações em US$ 47 bilhões.

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Reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp. Helcio Nagamine/Fiesp


Retomada dos embarques

Dados do comércio exterior brasileiro indicam forte retomada das exportações neste e no próximo ano. No primeiro semestre de 2017, houve significativo avanço das exportações brasileiras. Nesse período, o Brasil exportou 19,3% mais na comparação com igual período de 2015.  No ano, o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) projeta crescimento de 12,8% das vendas externas. Em ritmo menor, o crescimento das importações até agora foi de 7,3%, “ou seja, um terço da velocidade do aumento das exportações”, diz Galvão.  Por fim, nas informações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) a média de aumento dos embarques nos países do G-20 – Grupo das 20 economias mais desenvolvidas do mundo – foi de 3%, enquanto no Brasil chegou a 21,5% no último ano.

“O Mercosul não perdeu a relevância como querem fazer crer alguns”, diz Galvão. A Argentina, por exemplo, responde hoje por 50% do crescimento previsto nas exportações brasileiras de manufaturados e se projeta na ordem de 6,8% em 2017. Nos primeiros seis meses deste ano, de todo o volume de manufaturados embarcado pelo Brasil, 20% tiveram como destino final o mercado argentino, e 19,2%, o norte-americano. “A Argentina se tornou o mercado número um das exportações brasileiras de manufaturados”, ressaltou.

Olhando para esses números, cresce a aposta de sucesso nas negociações entre a União Europeia e o Mercosul. O embaixador Ronaldo Costa Filho, diretor do Departamento de Negociações Comerciais Extrarregionais do Itamaraty, ressaltou o empenho do Mercosul e da UE em fechar o acordo até dezembro. “A União Europeia parece hoje realmente comprometida com a negociação com o Mercosul, sendo que isso nunca esteve claro no passado”, diz Costa Filho, avaliando que, do lado do Mercosul, há um grande interesse em avançar em uma agenda externa agressiva. Basta lembrar que as conversas em torno de um acordo se arrastam por quase 20 anos.

A percepção é compartilhada pelo embaixador Affonso Emilio de Alencastro Massot, secretário adjunto da Secretaria Municipal de Relações Internacionais de São Paulo e conselheiro do Coscex. Para ele, nunca houve uma conjunção de fatores tão favorável para que as negociações avancem quanto a vista no atual cenário. “O momento é de pressionar para se obter mais do que se procura, ampliando a vontade de conseguir concessões, em especial na parte de serviços e na digital”, diz. O embaixador Ronaldo Costa lembra que a reunião mais recente, em julho, “foi bastante positiva, com a aprovação dos textos normativos e três capítulos das propostas apresentadas concluídos, concorrência, facilitação de comércio e cooperação aduaneira”. O desafio do Brasil, e do Mercosul, estará nas áreas de propriedade intelectual e regras de origem, temas que, avalia, serão mais complicados de serem negociados.

Thomaz Zanotto, diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex) e vice-presidente do Coscex, diz que a Aliança do Pacífico é prioritária nas negociações do Brasil, mas as normas de origem são hoje a maior preocupação, ou seja, as leis e os regulamentos estabelecidos pelo importador. O ministro Celso Lafer diz que os próximos meses serão de pressão para o Brasil e assim, avalia, “o desafio está em não se subestimar”.

“Brasil precisa de medidas concretas de integração regional”, diz Rubens Barbosa

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

Os esforços de integração regional na América Latina foram deixados de lado nos últimos 12 anos, de acordo com o embaixador e presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp (Coscex), Rubens Barbosa.

Em reunião do conselho nesta terça-feira (23), Barbosa falou sobre como o país poderia compartilhar seus avanços tecnológicos e conhecimentos técnicos, além de negociar um marco regulatório entre as economias do Cone Sul.

No fim do mês passado, o presidente do Coscex participou de um encontro da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi). “O Brasil está tímido na recuperação de uma política para a região. Se houvesse um aumento dos 16% do comércio negociado atualmente, nosso país seria obrigado a ter uma posição de liderança, que não tem hoje”, criticou.

Na União Europeia (UE) o nível de integração intrarregional passa dos 60%. Mesma situação vista na América do Norte, por meio do Nafta, e da Ásia Oriental, ambos com cerca de 50%.

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Reunião do Coscex sobre integração regional. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp debate situação de Mercosul e UE

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

Os atuais contextos político e econômico do Mercosul e da União Europeia foram tema de discussão do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp nesta terça-feira (18 de abril).

Com a participação do embaixador Ronaldo da Costa Filho, responsável pelo Departamento de Negociações Comerciais Extra-Regionais do Itamaraty, os diretores da federação analisaram as relações comerciais entre os dois blocos.

“Neste momento há uma percepção na Europa, na minha visão equivocada, de que a questão da imigração se trata apenas sobre a perda de empregos, o que tem causado um mal-estar. O que o cidadão local não considera são os possíveis ganhos dessa nova realidade”, explica Costa, ao citar as transformações causadas pela decisão do Reino Unido de sair do bloco europeu.

O encontro foi mediado pelo também embaixador e presidente do Coscex, Rubens Barbosa, pelo diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Thomaz Zanotto, além do presidente do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag), Jacyr Costa.

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Reunião no Coscex em que foi discutido comércio entre UE e Mercosul. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Na Fiesp, especialistas em comércio exterior defendem integração entre Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag), Jacyr da Costa Filho, disse nesta segunda-feira (3 de abril) que é uma necessidade a união de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai para fazer frente ao desafio representado pela crescente complexidade das transações internacionais. A declaração foi feita depois que ele ouviu representantes do Grupo de Países Produtores do Sul (GPS) e o presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp (Coscex), Rubens Barbosa.

Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e ex-presidente do Cosag, fez análise semelhante. “O Brasil, para realizar seu potencial de ser o grande fornecedor de alimentos do mundo, precisa se integrar a seus vizinhos”, afirmou. A presença de presidentes na região com visão favorável aos negócios se soma às oportunidades criadas por ações do governo Trump (EUA), disse.

O tempo das reformas econômicas no Brasil e na Argentina é convergente, destacou Barbosa, presidente do Coscex. Das propostas defendidas pelo GPS, destacou como de grande importância a criação de uma frente comum para lidar com os grandes importadores líquidos de alimentos. Ela deve ser implantada, afirmou, em preparação para o que acontecerá alguns anos à frente, quando somente Mercosul e EUA serão capazes de ampliar a oferta agrícola.

“Como vamos fazer para maximizar a receita na área agrícola? Temos que começar a pensar em como fazer a comercialização conjunta da produção do agronegócio e como agregar valor”, disse. É uma das três áreas que podem dar contribuição regional importante, ao lado da integração energética e da logística, especialmente por ferrovia.

Mas Barbosa vê problemas. Há uma desintegração, afirmou, sem revitalização do Mercosul, apesar do discurso dos governos. Efetivamente, discute-se hoje o mesmo que 15 anos atrás. Em sua análise, o Mercosul ficou paralisado e se isolou completamente.

Em relação ao Nafta, considera que não haverá mudanças substanciais – apenas coisas cosméticas. Com isso não serão criadas muitas oportunidades de negócios para os países do Mercosul.

O GPS é uma rede de instituições privadas da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, que propõe articular as instituições que a compõem de modo a conseguir o posicionamento em temas relacionados ao agronegócio com uma visão estratégica do mundo e da região. Gera informações e análises sobre temas de interesse dos membros, para fomentar o diálogo público-privado em cada país e entre eles. E também difunde informações e ideias em diversos níveis. Representantes do GPS participaram da reunião do Cosag, que teve como tema “Mercosul: Política, Agronegócio e os Desafios da Integração”.

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Reunião do Cosag de 3 de abril, em que foi discutida a integração de Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Horacio Sánchez Caballero, coordenador do GPS, fez a apresentação “Panorama Político e do Agronegócio na Argentina”. Segundo Caballero, o atual governo argentino se dispôs a se abrir ao mundo, retomando relações com organismos internacionais e se relançando regionalmente. Além disso, defende a abertura ao capital estrangeiro.

O agronegócio é visto como motor do desenvolvimento e foi alvo de uma série de medidas para melhorar o ambiente de negócios, com agenda mais agressiva de abertura de mercados.

Há incerteza no panorama político e econômico mundial, exigindo flexibilidade e atenção, disse. O governo toma medidas de curto prazo para amortecer choques, e no longo prazo quer mudança estrutural econômico-social, e especificamente no agronegócio se espera consolidar o crescimento, agregar valor.

Segundo Juan Ángel de La Fuente, do Comitê Gestor do GPS, o Uruguai, com seu pequeno mercado consumidor interno, precisa se integrar. O país quer mais Mercosul, mas um melhor Mercosul, com a eliminação de entraves ao comércio regional. Em relação às negociações do tratado de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia, o Uruguai considera fundamental o tema da agricultura. Com a China, a negociação, sempre dentro do Mercosul, tende a ser mais complexa.

“Desafios da Integração Regional e Terceiros Mercados” foi a apresentação a cargo de Martin Piñeiro, membro do GPS. Há, disse, convergência nas políticas agroindustriais entre os quatro países do GPS, mas todos passam por problemas políticos, e o setor privado deve levar-lhes propostas com uma visão regional. A região deve crescer mais que o resto do mundo na produção de alimentos, ressaltou.

Exportar é imprescindível para a região, que precisa abrir mercados num contexto internacional de crescente complexidade, afirmou Piñeiro. É importante tentar evitar que a OMC se enfraqueça. E é preciso reforçar a capacidade de negociação e a colaboração regional. Novos mercados podem se abrir, destacou.

É preciso, disse, criar uma frente comum em relação aos grandes importadores líquidos (UE, Japão, Oriente Médio e outros).

O segredo é a integração produtiva, como mostra o exemplo da Europa, disse, o que exige a facilitação do comércio de bens intermediários. Também é preciso trabalhar pela integração tecnológica, mais uma vez seguindo o exemplo europeu, para permitir os grandes investimentos necessários no setor.

Alexandre Pontes, secretário substituto de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), fez apresentação intitulada “Desafios da integração: Regional e Terceiros Mercados”.

Defendeu a troca de informações para integração da produção regional, a integração tecnológica, o avanço na propriedade intelectual. Também a promoção em investimentos. Há, lembrou, projetos de infraestrutura de integração regional.

O embaixador do Brasil nos EUA, Sérgio Amaral, participou da reunião do Cosag. O mundo passa por grandes transformações, quase revoluções, disse, e muitas vezes não nos damos conta da profundidade dessas mudanças e de seu efeito sobre nós. A globalização, disse, é contestada, assim como a democracia liberal e a ordem internacional criada após a Segunda Guerra Mundial. Cria-se um grau elevado de incerteza. O governo Trump passa por algo parecido. Aspecto positivo para nós é o forte apoio ao setor privado, disse Amaral. O Brasil não é alvo nem é questionado em suas políticas. Não tem superávit comercial com os EUA. Também não rouba empregos norte-americanos; pelo contrário, brasileiros investem e criam vagas nos EUA.

Nosso grande desafio é pôr em movimento as oportunidades que surgem, afirmou, e o setor privado tem papel fundamental nisso. É preciso ter mais ambição e ajudar a construir as relações entre os dois países e a criar soluções. Empresários brasileiros deveriam conversar com os norte-americanos para tentar o entendimento. Os governos de ambos os países tenderiam a apoiar essas iniciativas. Defesa, energia, saúde estão entre os setores com potencial. E a região também pode se beneficiar.

‘Temos que ter resultados’, diz diretor do Departamento do Mercosul em reunião na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Mercosul fortalecido, mercado integrado. Para debater formas de ajudar a fortalecer esse processo, foi realizada, na manhã desta quarta-feira (26/10), na sede da Fiesp, a reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da federação. Na pauta, as informações mais atualizadas sobre o acordo, destacadas pelo diretor do Departamento do Mercosul (MRE), o diplomata Otavio Brandelli. Participaram do encontro o presidente do Coscex, embaixador Rubens Barbosa, o coordenador das atividades dos conselhos superiores temáticos da Fiesp, embaixador Adhemar Bahadian e o diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp e vice-presidente do Coscex, Thomaz Zanotto.

“Mercosul fortalecido, mercado integrado, esse é foco”, explicou Brandelli. “Temos marcada para a última semana de novembro uma reunião sobre o plano de ação para o fortalecimento do acordo”.

Segundo Brandelli, há pontos a serem observados no âmbito de todos os países participantes. “No Brasil, há reclamações de demora nos registros de comercialização nos órgãos competentes”, disse. “No Paraguai, de excesso de burocracia e demora nas licenças”.

No Uruguai, conforme o diplomata, há restrições à carne, às aves e às frutas do Brasil. E em relação aos medicamentos importados, cada lote deve ser submetido à análise, sem o conceito de amostragem. E assim por diante. “O Uruguai, por seu lado, se queixa de demora na entrada de caminhões na fronteira do Chuí”, afirmou. “Precisamos trabalhar todos esses pontos sem preconceito”.

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Brandelli (o segundo a partir da esquerda): muitos pontos a serem discutidos "sem preconceitos". Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


De acordo com Brandelli, em sua primeira década, o Mercosul teve foco na harmonização regulatória, com “legislação em excesso”. “Hoje há uma morosidade para aprovar novas normas, o processo decisório depende de consenso: basta um país ser contra para uma determinação não ser aceita”, explicou. “É o caso de avaliar a adoção de medidas diferenciadas, considerar acordos bilaterais dentro do bloco, pensar numa abordagem mais pragmática”, disse. “Isso pode dinamizar o Mercosul”.

Próximos passos

Assim, daqui por diante, o foco está em pontos como a facilitação de investimentos. “O Brasil chegou a negociar com Colômbia e Peru, mas nada estruturado no âmbito do Mercosul”, disse Brandelli. “Outro eixo de discussão é o acordo de compras governamentais e contratações públicas”.

Outra meta é incluir o açúcar no tratado. “O produto não tem porque continuar excluído”, afirmou. “Nenhum setor deve ser excluído”.

Por fim, a meta é trazer de volta ao centro das discussões o foco “econômico-comercial” do tratado. “Precisamos atacar a existência de barreiras comerciais de forma pragmática: temos que ter resultados”, explicou.

Após a apresentação do diplomata, o embaixador Rubens Barbosa destacou a necessidade de o Brasil exercer a liderança do bloco. “Precisamos apresentar propostas, ir atrás”, afirmou. “Gosto da volta da prioridade comercial, o Mercosul é um tratado econômico”.

Para o também embaixador Adhemar Bahadian, há motivos para ter esperanças. E a ideia de buscar a facilitação de investimentos é uma “criação brasileira”. “Estou mais otimista”.

Segundo o diretor titular do Derex e vice-presidente do Coscex, Thomaz Zanotto, “o Brasil vai precisar de muito investimento externo”. “Temos que pensar numa agenda mais pragmática”, afirmou.


Diretor da área internacional da Fiesp analisa saída do Reino Unido da União Europeia

Agência Indusnet Fiesp

O diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex), Thomaz Zanotto, considera que ainda é muito cedo para avaliar os impactos globais do Brexit (a escolha, feita pelo Reino Unido, de sair da União Europeia), mas afirma que isso tende a tornar mais longa a negociação entre o Mercosul e a União Europeia. Uma das razões é que a Inglaterra é favorável ao avanço do acordo.  Além disso, os esforços da União Europeia estarão concentrados nos aspectos econômicos, jurídicos e políticos do desligamento do Reino Unido do bloco. “No entanto, ainda acredito no sucesso do acordo”, afirma Zanotto. “Há um consenso no Mercosul quanto a importância da conclusão das negociações.”

Zanotto destaca que se o Brexit provocar redução significativa da atividade econômica na Europa o Brasil poderá ser afetado, já que o bloco europeu é um dos principais parceiros comerciais do país. Assim como outros países fora do bloco europeu, o Brasil pode ser marginalmente afetado caso as estimativas de menor crescimento do PIB mundial se confirmem. O Reino Unido, lembra, é um agente importante para a economia mundial, sobretudo para o projeto de integração europeu, e qualquer movimento drástico – como o Brexit – produz efeitos em escala.

O principal efeito do Brexit, diz Zanotto, é o aumento das incertezas, num cenário internacional que já é de baixo crescimento e sobrecapacidade produtiva. Isso, avalia, não contribui para a recuperação brasileira, sobretudo no comércio exterior.

Diretor do Itamaraty defende acordos alternativos para fortalecer Mercosul na negociação com União Europeia

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Em reunião nesta terça-feira (18/4) no Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp (Coscex), o ministro Ronaldo Costa Filho, diretor do Departamento de Negociações Internacionais do Itamaraty, defendeu que o Mercosul encaminhe outros acordos comerciais, como forma de se fortalecer para a negociação com a União Europeia. “É essencial colocar mais alguma coisa para andar”, disse, explicando que precisa ser algo significativo. “Negociar com os europeus não tendo alternativa enfraquece posição do Mercosul”, afirmou Costa Filho.

Ele informou que em 11 maio haverá reunião para que sejam feitas explicações de lado a lado sobre as ofertas, para análise posterior. Nova reunião entre negociadores-chefes pode ocorrer em junho ou julho, e no segundo semestre deve voltar calendário usual de 2 reuniões por semestre. Todo o cronograma, disse, ainda está sujeito a confirmação.

Ideia do Itamaraty, após 11 de maio, é promover conversas entre governo, setor privado e sociedade civil. Costa Filho não sabe se o formato será de uma grande reunião ou – o que ele prefere – eventos separados. O governo dará ao setor privado acesso a ambas as ofertas, mas pedirá que não haja debate público, mesmo sabendo que alguns setores poderão não ficar contentes.

A ideia é ter reação mais substantiva sobre a oferta europeia antes da reunião de junho ou julho. Segundo Costa Filho, a manifestação do setor produtivo não só sobre o que está na mesa, mas também sobre o que falta, ajudaria a chegar a resultado mais satisfatório.

De acordo com o diretor do Itamaraty, o governo tem se esforçado muito para evitar reações extremadas, “reações emocionais à oferta, que façam a negociação desandar”.

Segundo o diretor do Itamaraty, o Mercosul havia “desaparecido do radar da União Europeia”. Ela não estava preparada quando o Mercosul anunciou que estava pronto para voltar à negociação. A nova oferta, explicou Costa Filho, foi construída do zero, e os europeus esperavam que fosse feita em cima da discutida em 2004.

Para chegar à proposta, a Argentina fez uma oferta, o Brasil, outra, e depois as duas foram cruzadas, numa longa negociação, explicou. A Argentina relutou muito na questão da cobertura, o que exigiu muito esforço do governo brasileiro.

Costa Filho lembra que a troca de ofertas se dá em momento muito complexo na União Europeia, que passa por três crises – agrícola, ameaça da saída do Reino Unido e migratória – que atrapalham a negociação. Em sua leitura, não há muita margem em relação à agricultura, o que, se for verdade, o faz temer muito pela negociação futura, “porque as cotas na mesa estão muito aquém do que se almeja”.

Ele citou também um “aperto crucial nos recursos”. Se a negociação com a União Europeia voltar a andar, terá que aparecer dinheiro – por exemplo, a equipe a ser enviada a Genebra tem 40 pessoas.

“Novo” Mercosul

O clima no Mercosul, disse Costa Filho, está mudando, graças à eleição de Mauricio Macri. Nova posição da Argentina traz de novo foco para a economia. A mudança, afirmou, foi impressionante, com disposição renovada para se engajar em novas negociações e pôr para andar as adormecidas. Primeira reunião de relacionamento externo pós-Macri, em março, teve sintonia perfeita, pela primeira vez nos 4 anos da experiência de Costa Filho.

O fator impeachment

O processo de impeachment da presidente da República entrou na discussão. Joseph Tutundjian, conselheiro, perguntou se Costa Filho via ameaça à coesão do Mercosul caso seja determinado o impeachment, tendo como resposta do diretor do Itamaraty que não. O embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex, considera que a coesão dependerá do que acontecerá depois que o novo governo assumir. Lembrou que o Congresso brasileiro e o Paraguai ainda não aprovaram a entrada da Bolívia, um dos focos de reação. O outro seria a Venezuela. Se houver reação política muito negativa dos presidentes, Brasil precisa se posicionar, disse Barbosa.

O embaixador disse que já começou a campanha a favor do fortalecimento da Câmara de Comércio Exterior (Camex), “coisa importante e difícil. Cada vez que muda o governo volto a falar do assunto”. Ele defende a vinculação direta à Presidência da República.

Outros acordos

O diretor do Itamaraty disse que entre os outros acordos em negociação pelo Mercosul o mais encorajador é o com o European Free Trade Association (EFTA, que reúne Suíça, Noruega, Liechtenstein e Islândia). Em junho deve terminar o diálogo exploratório, o que pode levar ao início das discussões no segundo semestre.

Deve recomeçar a andar a negociação com o Canadá, que já havia passado a fase de diálogo exploratório, mas havia esfriado com a situação do Mercosul. Ampliação do acordo com o México, disse Costa Filho, está avançando, com os dois lados empenhados, já tendo havido a troca de listas.

Com o Japão, que é muito cauteloso, a conversa é muito lenta. A Coreia do Sul recentemente se mostrou aberta a discutir temas aos quais antes era refratária, como agricultura. Ainda também na fase de conversa, com reunião prevista para junho.

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Ronaldo Costa Filho, do Itamaraty, e Rubens Barbosa, durante reunião do Coscex. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Em visita do presidente da Bulgária à Fiesp, Skaf destaca papel do país na aproximação com União Europeia

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, afirmou nesta quarta-feira (3/2) durante visita à casa da indústria paulista do presidente da Bulgária, Rosen Plevneliev, que o país pode dar impulso às negociações entre o Mercosul e a União Europeia. A aproximação entre Bulgária e Brasil é estratégica, disse.

Ressaltou também as vantagens da Bulgária em logística por sua localização – facilitando inclusive o comércio com a China. “Teremos um divisor de água nas relações com a Bulgária a partir desta visita”, afimou Skaf. “Vai mudar o rumo e fazer muito bem aos dois países.” Segundo o presidente da Fiesp e do Ciesp, deve haver um reforço da corrente de comércio. Lembrou que a falta de conhecimento entre clientes e fornecedores pode ser obstáculo nas relações entre países e que a presença e a abertura de canais de relacionamento devem ajudar a movimentar o comércio. “Aqui nasce um relacionamento em que faremos o possível para incrementar os negócios entre os países.”

Plevneliev se disse honrado em estar na Fiesp, para o Fórum de Negócios Brasil-Bulgária, e declarou que seu país está de portas abertas para os empresários. Afirmou que trabalhará para acelerar o acordo Mercosul-União Europeia, antes ainda de ocupar a presidência da união, em 2018. Lembrou que seu país está no centro do comércio entre Europa e Ásia e citou como vantagem a máxima simplificação do sistema tributário búlgaro, com uma alíquota única de impostos de 10%.

Dizendo-se defensor da abertura das fronteiras, declarou que atuar na Bulgária dá às empresas brasileiras acesso ao maior mercado do mundo, o europeu. A influência mais ampla na UE desejada pelo Brasil será apoiada pela Bulgária, disse, lembrando que também as empresas búlgaras querem atuar mais no Brasil. Mineração e alimentos estão entre os destaques de sua economia – por exemplo, a Bulgária produz alimentos para a estação espacial. Citou também o protagonismo do país em empreendedorismo (terceiro país em startups da Europa) e em tecnologia da informação. E há um boom de outsourcing rumo ao país, disse, citando Coca-Cola e Lufthansa como empresas que usam os serviços búlgaros. Destacou ainda que a parceria com o Brasil é lógica, mas também humana, em razão da comunidade búlgara que vive em São Paulo.

Plevneliev foi homenageado com a Ordem do Mérito Industrial, concedida pela Fiesp a personalidades e instituições dignas do reconhecimento ou da admiração da indústria.

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Paulo Skaf discursa na abertura do Fórum de Negócios Brasil-Bulgária, com a presença de Rosen Plevneliev. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Thomas Zanotto, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex) abriu o encontro destacando o momento e as afinidades e complementaridades entre Bulgária e Brasil, lembrando que a Fiesp valoriza a inserção internacional. Entre os diferenciais da Bulgária, disse, estão seu posicionamento estratégico, no Mar Negro, o fato de pertencer à UE e estar preparada para ocupar sua presidência. No curto prazo, explicou Zanotto depois do Fórum, a Bulgária pode ser um centro de distribuição e logística para a região. “Você olha ali e tem a Ucrânia, a Romênia, Rússia, que são países onde a logística é complexa. Conversei hoje cedo com um presidente de uma empresa, perguntei se ele vendia para essa região e ele disse ‘olha, a gente chega até a Turquia, mas quando entra no Mar Negro a logística fica complicada e cara’.” Mesmo não tendo uma economia muito grande, a Bulgária se posiciona “plenamente” para ser um hub logístico, explicou Zanotto. “Para nós, Comércio Exterior, esse é o principal interesse.”

O ministro de Economia da Bulgária, Bozhidar Lukarski, declarou que o Brasil é prioritário para seu país na América Latina. Tsvetan Simeonov, presidente da Câmara Búlgara de Comércio e Indústria foi direto: “Estamos aqui para fazer negócios.” Assim como tinha feito o presidente búlgaro, também frisou a baixa carga tributária –e a simplicidade das regras- na Bulgária, além de seu baixo índice de inflação. Clique aqui para ter acesso à apresentação (em inglês) feita por Simeonov.

Zanotto mostrou o peso do Brasil no agronegócio mundial, com sua liderança na exportação de diversos produtos. Frisou, apesar do fim do atual ciclo econômico, a força dos fundamentos econômicos do Brasil. Explicou que o erro no câmbio levou o Brasil por 15 anos a se tornar exportador de produtos primários, o que começa a ser corrigido pelo novo patamar da moeda. Falou sobre os desafios ao setor exportador, que deve puxar a indústria, mas não de forma fácil nem rápida. Como oportunidade de negócios citou o papel central do Plano Nacional de Exportações, que cobre praticamente todos os pontos importantes para alavancar os negócios, como remoção de barreiras comerciais. Destacou também a atratividade dos projetos de infraestrutura no país.

Mauricio Macri mostra visão afinada com a da Fiesp, afirma Skaf

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

A recuperação da confiança e da credibilidade do país, tema caro ao presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, é preocupação também de Mauricio Macri, presidente eleito da Argentina. Em almoço nesta sexta-feira (4) com mais de 150 empresários na sede da Fiesp, Macri disse que quer implantar em seu Governo regras claras e que permitam a competitividade e a participação com igualdade de condições. “Temos claro que para construir o elemento central de uma sociedade, que é a confiança”, afirmou Macri, é preciso haver previsibilidade. Skaf disse que a visão do presidente eleito da Argentina é de uma economia mais liberal e de um governo mais leve, sem um tamanho que atrapalhe a vida das pessoas e da sociedade. “É uma visão muito semelhante à nossa, de modernidade, de agilidade de seriedade, de boa gestão, de governança.”

Skaf lembrou o trabalho de Macri na modernização, informatização e desburocratização de Buenos Aires, quando foi prefeito da capital argentina. Considera a eleição de Macri um sinal para a América Latina, “de menos Governo que pese nas costas da população”. Milhões de pessoas, disse, enxergam a eleição de Macri como início de um novo ciclo na região.

Skaf, assim como Macri, comentou o potencial de incremento do comércio entre Brasil e Argentina, a necessidade de reforço ao Mercosul e a possibilidade de mais acordos internacionais. Assim como Skaf, Macri destaca a importância da educação. Ambos frisaram a necessidade de criação de empregos de qualidade. Outro ponto comum é ver o Estado como apoio à iniciativa de quem produz, e não seu substituto.

>> Ouça Macri e Skaf em boletim de rádio

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Paulo Skaf com o presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri (centro), durante almoço na Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Ordem do Mérito Industrial

Macri foi agraciado com a Ordem do Mérito Industrial São Paulo, concedida pela Fiesp a personalidades e instituições dignas do reconhecimento ou da admiração da indústria.

A viagem ao Brasil foi a primeira de Macri depois de eleito presidente. Ao sair da Fiesp, embarcou para o Chile.

Agronegócio e setor energético podem ser saídas para o Mercosul

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

“A verdade é que o projeto de integração que está por trás do Tratado de Assunção é extremamente modesto e não atende mais as necessidades de seus integrantes. Por isso deve mudar”, afirmou o embaixador José Botafogo Gonçalves, nesta terça-feira (16/06) durante a reunião mensal do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O embaixador explicou que em 1991, ao assinar o tratado que deu origem ao Mercosul, o Brasil negociou a Tarifa Externa Comum em cima de sua própria tarifa aduaneira, pois a indústria nacional “ainda não estava confortavelmente preparada para uma abertura comercial”. No entanto, esse elemento não é mais eficiente para os empresários – não só brasileiros – que agora querem ganhar competitividade no mercado global.

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Embaixador José Botafogo (esq.) fala durante reunião do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


A saída, então, seria focar em projetos que possam alavancar os pontos fortes e elevar os investimentos estrangeiros no Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela. Uma vez que a dissociação do grupo é impensável e “só traz mais problemas”.

“O Mercosul tem uma vocação energética e agroalimentar enorme, por exemplo, e não dialoga sobre políticas para esses setores ou sobre como atrair investimentos estrangeiros para projetos da região”, ressaltou o embaixador.

“Os governos têm a possibilidade de fazer diálogos incríveis sobre o tema e assim formular planos econômicos que possam ultrapassar as fronteiras políticas e chegar a opções econômicas eficientes. Acredito mesmo que a saída é ressuscitar, revigorar o bloco baseando o diálogo nesses dois setores, com vista a sua interação no mercado mundial.”

Para o presidente do Coscex, embaixador Rubens Barbosa, é importante que o setor privado, por meio de entidades setoriais e representativas, seja o primeiro a pontuar ideias, traduzir pensamentos e formular estratégias de médio e longo prazo que envolvam os setores de energia e agronegócio. Porém, a participação do governo é essencial para o avanço prático e início dos resultados.

“Não adianta preparamos estudos e o governo – sem visão a longo prazo – não apoiar. Deste modo a iniciativa se perde porque, pois mais que queira, não há como o setor privado implementar isso sozinho”, afirmou Barbosa.

Acordo entre UE e Mercosul vai beneficiar comércio entre Brasil e Suécia, diz ministro sueco

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O governo da Suécia acredita “fortemente” que o acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul, em negociação há mais de 15 anos, deve beneficiar não só as economias de ambos os blocos como também as relações comercias entre o Brasil e os parceiros suecos.

A avaliação é do ministro da Indústria, Comércio e Inovação da Suécia, Mikael Damberg, que participou nesta quarta-feira (20/5) de um seminário sobre cooperação industrial na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), como parte de uma missão no Brasil. Ele deve ainda cumprir agenda em Brasília nesta quinta-feira (21/5), em esforço de estreitar a relação de comércio bilateral.

“Vemos com bons olhos os progressos nas negociações entre UE e Mercosul, que já ocorrem há muito tempo.  Esperamos que as negociações possam ser finalizadas assim que possível”, disse.

Em fevereiro deste ano, a Alemanha também manifestou seu apoio à aceleração das negociações entre os dois blocos. Durante visita ao Brasil, o ministro do Exterior alemão, Frank-Walter Steinmeier, afirmou o interesse do país na conclusão do acordo, que agora depende de um parecer da liderança da UE.

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Ministro Mikael Damberg: "Gostaria de discutir como podemos remover barreiras". Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ainda durante o seminário “Cooperação Industrial Brasil-Suécia”, organizado pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, o ministro sueco Damberg manifestou seu desejo em “remover barreiras comerciais” entre a Suécia e o Brasil.

“Gostaria de discutir como podemos remover barreiras e elevar o comércio bilateral, o que é uma necessidade para a cooperação industrial de longo prazo”, disse Damberg ao citar três áreas de interesse por parte do governo sueco: aeronáutica, mineração e bioeconomia.

Também participaram do encontro o vice-presidente da Fiesp Josué Christiano Gomes da Silva e o embaixador da Suécia, Per-Arne Hjelmborn.

O ministro Mikael Damberg está em missão no Brasil acompanhado de uma delegação de pelo menos 50 empresários e autoridades suecas.

Comércio Brasil e Suécia

A balança comercial com a Suécia foi deficitária para o Brasil nos últimos anos, registrando um déficit de US$ 1,1 bilhão em 2014.

O Brasil exporta principalmente minério, com 26,7% da pauta, café (24,5%) e ferro fundido (9,9%) para o parceiro sueco. Em relação às importações brasileiras, a pauta se concentra em máquinas, com 34,3%, e veículos, com 21,4% do total importado.

“Por pior que esteja, o Mercosul é uma das poucas fontes de superávit comercial para o estado de São Paulo”, afirma diretor do Itamaraty

Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp

Em sua origem, todo movimento de integração são processos políticos. No caso da União Europeia, a motivação foi evitar uma nova guerra e criar um espírito de cooperação. Já a criação do Mercosul começou a partir de uma aproximação entre Brasil e Argentina após ditaduras militares em ambos países. Foi traçando um paralelo histórico que o diretor do Departamento de Mercosul do Itamaraty, Reinaldo Salgado, iniciou sua palestra na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta terça-feira (19/5).

Salgado falou aos membros do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp sobre as perspectivas para o Mercosul.

Para o diretor, o bloco tem um histórico de motivação política, mas desde o início foi um processo ambicioso, no qual queriam levar os países ao livre comércio em três anos e depois instituir a união aduaneira em tempo recorde. “O comércio do Mercosul foi um grande êxito e ainda é, mas poderia e deveria ser melhor, sim, porque temos barreiras comerciais que não deveriam existir”, disse.

Diretor do Departamento de Mercosul do Itamaraty, Reinaldo Salgado. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Diretor do Departamento de Mercosul do Itamaraty, Reinaldo Salgado. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Ainda hoje o Mercosul é, no entanto, um escoamento preferencial de produtos industrializados. “Mais de 80% das exportações são de bens manufaturados e pelo menos metade disso em bens muito avançados, como carros”, explicou Salgado.

De acordo o representante do Itamaraty, todo processo de integração tem uma característica básica que é a tendência de concentrar a atividade econômica em polos mais dinâmicos da economia. “Por esse motivo os números de comércio são tão favoráveis a São Paulo, que é o maior polo dinâmico da economia do Mercosul”, completou. Os números, ainda hoje, dão razão aos que defendem o bloco de comércio, avaliou. “Por pior que esteja, o Mercosul é uma das poucas fontes de superávit comercial para o estado de São Paulo”.

Dados referentes ao comércio paulista em 2014, um ano reconhecidamente ruim, foram apresentados pelo palestrante. “O déficit de São Paulo no comércio exterior em 2014 foi de US$33 bilhões. No caso do Mercosul, tivemos exportações de US$9,5 bilhões e importações de US$4 bilhões. Então, São Paulo teve, no ano passado, um superávit com o Mercosul de US$5,5 bilhões”, frisou.

Argentina

As maiores críticas que o Mercosul recebe dizem respeito às restrições argentinas, afirma Salgado, e tendem a se atenuar na medida em que há a previsão de um novo governo no país vizinho do Brasil.  O palestrante avaliou que as restrições argentinas mudaram muito de motivação. “Até 2011, eram medidas, sobretudo, setoriais, que tinham como objetivo a proteção de determinados ramos da indústria”.

A partir de 2011, houve o aumento da restrição externa argentina, que passou a ser generalizada e com o objetivo central de obter superávit comercial. “O Brasil, por ser o principal parceiro da Argentina, certamente sairia prejudicado”, afirmou.

O palestrante explicou que o problema não são as regras, mas certas questões locais impactaram diretamente algumas políticas do Mercosul. “Vale lembrar que essa restrição externa deles é real, já que este ano a Argentina tem vencimentos de dívidas de bilhões de dólares, não tem acesso a mercados internacionais de crédito, e dificilmente terá acesso a investimentos”.

Medidas de crise como essa, que afetam o interesse nacional, tendem a pesar sobre os demais. “Se fôssemos pensar Mercosul como prioridade absoluta, a desvalorização da moeda brasileira em 1999 deveria ter sido conversada, mas não foi, e isso gerou desconfortos entre os países”, relembrou Salgado.

Brasil deve continuar diálogo com a Aliança do Pacífico, diz diretor da Aladi

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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João Mendes Pereira: “Cabe ao Brasil consolidar esse retorno institucional pleno do Mercosul no primeiro semestre do ano que vem”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O Brasil assume a presidência do Mercosul em um contexto complexo, uma vez que a situação econômica da Argentina e da Venezuela deve continuar complicada no próximo ano, o que continuará provocando impacto no comércio intrarregional. A avaliação é do diretor da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), João Mendes Pereira.

O ministro participou nesta terça-feira (18/11) da reunião mensal do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A reunião foi conduzida pelo presidente do conselho, o ex-embaixador Rubens Barbosa.

Segundo ele, a presidência argentina em vigor já deu início aos esforços para restabelecer a normalidade dos trabalhos no bloco, que viveu uma situação atípica nos últimos anos com a suspensão do Paraguai e a entrada da Venezuela.

“Cabe ao Brasil consolidar esse retorno institucional pleno do Mercosul no primeiro semestre do ano que vem”, afirmou Pereira.

Pereira disse acreditar que a agenda da gestão brasileira deve focar a continuação do diálogo com a Aliança do Pacífico, bloco formado por México, Colômbia, Peru e Chile, e nos desafios para um acordo comercial amplo com o México.

“Temos ainda desafios a superar. Primeiro, a definição do tipo de acordo que queremos e podemos conseguir com o lado mexicano, já que é uma intenção brasileira esse tipo de acordo. Também tenho ouvido muito do lado do setor industrial uma restrição muito grande a um entendimento mais amplo com o Brasil”, alertou.

Na opinião do diretor da Aladi, o Brasil deve perseguir uma negociação mais ampla que o Acordo de Complementação Econômica número 53, o qual, segundo ele, tem “apenas 900 itens negociados”.

“Há o desafio de buscar abrir as negociações com o México para um aspecto mais amplo possível”, disse.

Acordo UE

O diretor da Aladi afirmou ainda que outro pilar importante da agenda da presidência brasileira são as negociações externas, como um acordo de comércio com a União Europeia.

“Temos uma oferta a ser apresentada. Estamos no aguardo de um sinal verde da Comissão. É importante deixar claro que esse retorno do processo é o início de um processo duro e longo, no qual há uma relação muito estreita com o setor privado”, explicou.

‘Mercosul, como está, caminha para irrelevância’, diz embaixador José Botafogo

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Há dois elementos que fazem do Mercosul um bloco com capacidades “extraordinárias” de integração no sentido prático, a produção e exportação de energia e alimentos, avaliou nesta terça-feira (16/09) o embaixador José Botafogo Gonçalves. Segundo ele, a formação original do bloco (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) deveria ser o foco das intenções de integração regional.

“É preciso voltar a pensar no Mercosul dos quatro [países]. Porque o Mercosul, como está, caminha para uma absoluta irrelevância, na medida em que se converte cada vez mais num centro político de debate bolivariano. Por esse lado não há nada a fazer”, disse Botafogo ao participar da reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A Venezuela integrou o bloco em 2012, com a suspensão temporária do Paraguai.

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Botafogo: Mercosul deveria se concentrar em aumentar o comércio de produtos alimentícios transformados pela própria indústria do Brasil. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


O embaixador defendeu a mudança da vocação do Mercosul para o comércio energético, uma vez que a Argentina figura entre uma das promessas de abastecimento energético graças à descoberta de hidrocarbonetos não convencionais no sudoeste do país, na jazida de Vaca Muerta.

A jazida, que tem praticamente a área da Áustria, coloca o vizinho do Brasil na posição de terceiro detentor de hidrocarbonetos não convencionais do mundo.

“A Argentina tem enorme potencialidade no caso do gás natural. Os investidores estrangeiros vão olhar para as potencialidades energéticas brasileiras e também para as argentinas. Então, há todo um interesse de abrir uma discussão bilateral entre Brasil e Argentina, não só de empregos mas a título de governo, sobre políticas energéticas que sejam pelo menos convergentes”, avaliou Botafogo.

Segundo ele, potenciais como o da Argentina e do Brasil atribuem uma nova vocação “para o que eu chamaria de Mercosul energético, mas é preciso começar praticamente do zero”.


Alimentos

Botafogo também defendeu o potencial da produção de alimentos do Mercosul e afirmou que o bloco deveria se concentrar não só em aumentar o comércio de commodities agrícolas como também de produtos alimentícios transformados pela própria indústria do Brasil, inclusive.

“O que exportamos hoje são commodities agrícolas. Deveríamos focar em produtos, vender bife, latas e chegar à gôndola do consumidor chinês”, exemplificou o embaixador.

Ele acredita que as negociações comerciais do Mercosul no campo do agronegócio estão, no entanto, focadas no que não é o potencial sobretudo brasileiro: o acordo entre o bloco com a União Europeia (UE).

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Rubens Barbosa: Brasil precisa ter visão de médio longo prazo na dinâmica de negociação. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

“O Brasil sempre protesta contra a política agrícola da UE, mas o potencial do país não está na Europa, e sim na Ásia. A China vai incorporar nos próximos 10 anos mais de 400 milhões de pessoas na vida urbana. E quem vai dar comida para esses novos milhões de chineses que vão parar de produzir no campo para consumir na cidade?”, questionou.

“Um Mercosul alimentar envolvendo Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina também parece evidente, mas não há nada feito ainda a esse respeito”, concluiu.

A reunião do Coscex foi conduzida pelo embaixador Rubens Barbosa, presidente do conselho na Fiesp. Segundo ele “o Mercosul, como está, vai ser muito difícil recuperar o dinamismo negociador e comercial”.

Barbosa também afirmou que a nova percepção das vocações do bloco apresentada por Botafogo pode “injetar uma nova dinâmica na negociação. O problema é que para fazer isso a gente precisa de uma estratégia e de visão de médio, longo prazo que a gente não tem”.