Cultura alimentar na França e no Brasil é tema de evento na Fiesp

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

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Rubens Barbosa: acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia pode ser benéfico para o setor agrícola brasileiro. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Com o objetivo de dividir experiências e promover trocas entre as culturas alimentares da França e do Brasil, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Embaixada da França no Brasil promoveram na tarde desta quarta-feira (26/11) a conferência “Olhares Cruzados França-Brasil sobre Alimentação”.

Para o embaixador Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp, o encontro foi promovido com o objetivo de reforçar os laços econômicos entre as duas nações, além de identificar novas oportunidades de acordos entre os países, os quais visem desenvolvimento mútuo.

O presidente do conselho aproveitou a ocasião para expor seu desejo de ver avanços na negociação para um acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. “O acordo é importante, e o setor agrícola brasileiro pode se beneficiar com um melhor conhecimento entre as nações”, completou.

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Embaixador Denis Pietton: “Brasil e França devem contribuir para a inovação do setor alimentar”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

A abertura do encontro contou também com a participação do embaixador da França no Brasil, Denis Pietton. Segundo ele, a alimentação é tema relevante para França e Brasil. “Os países têm pela frente o desafio da qualidade alimentar e da melhoria das práticas na agricultura”, afirmou.

Além disso, Pietton afirmou ser necessário uma evolução no modelo alimentar das nações e como as empresas do setor que podem atender às novas demandas da sociedade”.

“Brasil e França devem contribuir para a inovação do setor alimentar”, concluiu.

Hábitos alimentares

Em seguida, especialistas em alimentação falaram sobre a evolução e as tendências dos modelos alimentares brasileiro e francês.

O sociólogo Claude Fischler destacou os padrões históricos de alimentação em seu país. “Franceses comem em horários fixos e debilmente beliscam entre as refeições”. Fishler também informou que os franceses comem em média 3,5 vezes por dia, enquanto os brasileiros comem em média 4,8 vezes.

O especialista destacou a lentidão com a qual os franceses costumam se alimentar.

“Passam muito tempo à mesa, cerca de 130 minutos por dia, em média.  A única coisa rápida em um fast-food francês é o serviço”, observou.

“Na nossa visão, o importante é como comer, e não o que comer”, resumiu.

A nutricionista Sophie Deram abordou temas ligados ao comportamento alimentar e obesidade entre brasileiros. “Hábitos alimentares brasileiros mudaram muito nos últimos anos”, disse.

Ela ainda destacou dados preocupantes em relação ao Brasil. “89% da população ingere sal em excesso e o número de crianças com sobrepeso no país também cresce”, alertou.

>> Brasil e França discutem desafios da indústria de alimentos e ações conjuntas


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Na mesa da esquerda para a direita: Damien Loros, Mario Sergio Cutait, Jean-Rene Bursson, Rubens Barbosa, Denis Pietton, Sophie Deran, Alessandra Blanco e Claude Fischler. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp