Publicação sobre África reforça potencial mercado de energia da região

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

No último dia do 12º Encontro Internacional de Energia, a Fiesp lança um estudo sobre os caminhos disponíveis para aumentar o acesso à energia no continente africano.

De acordo com Pedro Jatobá, gerente de prospecção de novos negócios no exterior da Eletrobras, a publicação Mercados Energéticos na África, produzida pela Fiesp em parceria com o Banco Africano de Desenvolvimento e a Eletrobras, reforça, com informações mais aprofundadas do que as oferecidas pelos governos locais da região, a grande oportunidade mercadológica que é o continente.

“A África tem alguma coisa a nos ensinar. Se no Brasil somos tão bons para integrar sistemas, não somos muito bons em integrar sistemas de energia regionalmente. Nesse aspecto a África está na nossa frente”, disse Jatobá.

A grande extensão territorial do continente africano tem sido uma oportunidade para interconexões elétricas na região. O setor energético do continente opera com cinco modelos de interconexão para distribuição:

  • Sistema Elétrico Central (CAPP);
  • Sistema Elétrico do Nordeste da África (EAPP);
  • Sistema Elétrico do Sul da África (SAPP);
  • Sistema Elétrico do Norte da África (Comelec).

 

“São grandes oportunidades de interconexões de caráter regional, integrando países com objetivos semelhantes, como desenvolvimento econômico e aumento do acesso a energia”, completou Jatobá. Ele ressaltou que o sistema Norte da África (Comelec) já está integrado com a Europa, e essa pode ser “uma região certamente atrativa no curto prazo”.

Mais do que informações

Sebastian Veit, economista do Banco Africano de Desenvolvimento

O economista sênior Sebastian Veit, do Banco Africano de Desenvolvimento afirmou que a publicação oferece mais do que “simplesmente informações”, mas também um  contexto sobre o setor energético do continente africano que vai além dos dados gerais disponíveis.

Além de traçar um panorama sobre as características das matrizes energéticas do continente e dos 27 países analisados, o livro aborda a questão da pobreza, da produção energias renováveis e biocombustíveis e as possibilidades de integração elétrica.

Constituído por 54 países, o continente africano abriga 900 milhões de habitantes e gera um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 1,6 trilhão. E apenas 25% da população tem acesso à energia elétrica. “Procuramos atingir esse desenvolvimento social e econômico que vocês atingiram aqui no Brasil e esperamos levar os brasileiros para a África conosco”, afirmou Veit.

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