Mercado livre de energia elétrica é uma tendência mundial, afirma presidente da Abraceel

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

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Reginaldo Miranda da Abraceel

O custo de energia elétrica no Brasil está entre os mais caros do mundo, de acordo com o presidente da presidente da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), Reginaldo Medeiros. E, segundo ele, entre os motivos desse custo elevado estão a multiplicidade de impostos e a falta de políticas regulatórias do mercado livre de energia elétrica brasileiro.

Medeiros foi um dos participantes do painel  Mercado Livre e Competitividade Industrial, realizado durante o 13º Encontro de Energia da Fiesp, no Hotel Unique, em São Paulo.

O evento, coordenado pelo diretor da divisão de energia do departamento de infraestrutura da Fiesp (Deinfra), Luiz Pescarmona, contou com a participação do presidente da Tractebel Energia, Manoel Zaroni Torres; do presidente da Brix, Marcelo Mello; do diretor de energia da Braskem, André Gohn; e do presidente do grupo CPFL Brasil, Marco Antonio Oliveira de Siqueira.

Veja um resumo dos assuntos discutidos no painel:

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Marco Antonio Oliveira Siqueira.

Marco Antonio Oliveira de Siqueira (CPFL) – O presidente do grupo CPFL afirmou que 40% dos custos de energia elétrica no Brasil são provenientes de encargos e tributos. “Temos que trabalhar os custos dos encargos. Só desta forma garantiremos melhorias para competitividade da indústria nacional”, afirmou.

Siqueira defendeu o ajuste do sistema de precificação do produto. “O modelo de precificação estimula o consumidor a não fechar contratos de longo prazo e esperar a redução do preço”. E completou: “Se essa sinalização não for corrigida não teremos mais investimentos na área de energia.”


Reginaldo Medeiros (Abraceel) – O presidente-executivo da Abracel afirmou que o Brasil não pode abrir mão de ampliar o mercado livre de energia e de criar condições objetivas para que todos os consumidores tenham acesso aos seus benefícios. De acordo com o palestrante, o mercado livre de energia é uma tendência em outros países do mundo como os Estados Unidos, os membros da União Europeia, Canadá, Japão, Austrália e Nova Zelândia, que conseguiram aumentar a segurança com o processo de certificação e oferecer aos consumidores vantagens competitivas na oferta de energia.

“A única forma de pressionar as empresas a reduzir permanentemente o preço de energia elétrica no Brasil é promover a competição da indústria, por meio da livre escolha do consumidor. Isso possibilitará uma redução de custos para o consumidor final”, avaliou.

Manoel Zaroni (Tractebel) – O presidente da Tractebel afirmou que o preço da energia elétrica praticado no Brasil é baixo. De acordo com o palestrante, a multiplicidade de impostos eleva o custo final do produto: “O custo da geração de energia poderia ser mais barato, embora eu reafirme que ela [energia] é muito barata no Brasil. Nós construímos usinas, pela característica hidroelétrica, mais barata do que outros países”. E completou: “Quanto mais seguro o ambiente de investimento, são menores os riscos de precificação e custo de energia”, alertou.

Zaroni defendeu a adoção de políticas regulatórias no mercado livre de energia elétrica. “Ampliar o mercado livre é uma coisa mais do que necessária. Não faz sentido continuar com o mercado cativo de energia.”

Marcelo Mello (Brix) – O presidente da Brix apresentou as vantagens da plataforma eletrônica de negociação de energia elétrica, que registrou 5 milhões de megawatts-hora (MWh) em cerca de 4.500 transações realizadas desde o início de sua operação,  em julho de 2011, tornando-se, segundo o palestrante, um importante canal de compra e venda de energia elétrica para as empresas. “O mercado livre aumenta a competitividade da indústria brasileira e oferece oportunidades de negócios”, avaliou.

André Gohn (Braskem) – O diretor de energia da Braskem afirmou que a incerteza no preço de energia e o número excessivo de encargos e regras são fatores que desestimulam os investimentos do setor produtivo na geração de energia. “O consumidor precisa de energia elétrica confiável e com preço competitivo. Se houver uma redução no custo de energia da indústria, isso beneficiará as famílias através da redução dos preços dos produtos e serviços.”


Especialistas dos EUA e Colômbia traçam panorama internacional do cenário energético

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

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Peter Brown: 'O sistema energético dos EUA é muito mais complexo, o que não necessariamente faz dele mais sofisticado'

“Energia nos Estados Unidos: tão suja, tão barata.” Foi assim que Peter Brown, Chief Operating Officer Fellon McCord, iniciou sua palestra no painel Experiências Internacionais no Mercado Livre, realizado nesta segunda-feira (06/08), durante o 13º Encontro Internacional de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital.

Segundo ele, essa frase – uma apologia ao slogan do Encontro “Energia no Brasil: tão limpa, tão cara” – define a energia norte-americana. “Nos EUA é exatamente o oposto do Brasil”, afirmou ao lembrar que lá a energia é muito mais barata, comparativamente com outros países.

Brown ressaltou que os tributos no preço da energia norte-americana representam apenas 10% do valor e explicou que este valor é definido por diversos fatores, como clima, tecnologia, furacões, demanda, economia, legislação etc. “O sistema energético dos EUA é muito mais complexo, o que não necessariamente faz dele mais sofisticado”, explicou.

De acordo com Brown, nos últimos quatro anos, houve uma revolução na produção de gás natural nos EUA, com um aumento de 25%. “Essa revolução resultou em menores preços de energia para a indústria”, concluiu.

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Pablo Corredor: 'Transparência de informação é fundamental'

O painel, coordenado por Nelson Vieira Barreira, diretor da Divisão de Energia do Deinfra/Fiesp, discutiu os modelos de comercialização de eletricidade em alguns países, buscando estabelecer uma relação com o modelo brasileiro e possível adoção de regras externas, casos viáveis para o nosso mercado.

Também participaram da mesa Jeffery Dennis, Legal Advisor Federal Energy Regulatory Commission (Ferc), que apresentou as perspectivas de sucesso e desafio do mercado de energia norte-americano; e Pablo Corredor, Cier e PHC SAS, da Colômbia.

Corredor explicou as características muito peculiares daquele país no mercado energético e lembrou que é fundamental que a estrutura institucional seja clara: “Transparência de informação é fundamental”, concluiu.

13º Encontro de Energia: painel debate aperfeiçoamentos regulatórios para o mercado livre

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

A ampliação do mercado livre de energia foi um dos temas centrais do painel “Aperfeiçoamentos Regulatórios para o Mercado Livre”, uma das agendas desta segunda-feira (06/07) do 13º Encontro Internacional de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O painel, coordenado por Dorel Ramos, diretor de Energia do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, discutiu a flexibilização dos requisitos para se tornar cliente livre, as regras de comercialização, a complexa revisão de valores do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) – e seus reflexos – a viabilização do processo de venda de excedentes entre consumidores, os recentes sistemas de “bolsa de energia” e os aperfeiçoamentos no sistema de garantias.

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Marco Delgado, diretor da Abradee: 'Temos que olhar não só o momento vigente, mas também o futuro'

Marco Delgado, diretor da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), assinalou que a regulamentação visa garantir a segurança do suprimento de energia elétrica, mas que é preciso analisar o contextual atual e as perspectivas. “Temos que olhar não só o momento vigente, mas também o futuro”, afirmou.

Delgado sugeriu algumas questões imediatas para o desenvolvimento do mercado livre, visando estímulos à eficiência e à estabilidade. Entre elas, avaliar a pertinência e dimensionamento de subsídios.

“As distribuidoras não são contrárias à ambição do mercado livre, desde que se desenvolva de forma responsável, saudável e, principalmente, sem subsídios”, concluiu o diretor da Abradee.

Diretor da Aneel: apefeiçoamento melhora regulamentação

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João Julião Silveira, diretor da Aneel: 'O aperfeiçoamento é importante para melhorar a regulamentação de um ambiente livre”

Representando a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o diretor Julião Silveira Coelho fez uma análise dos aperfeiçoamentos regulatórios sob o ponto de vista estrutural que, segundo ele, é também cultural.

Para Silveira Coelho, essa análise é essencial para haver menos intervenções desnecessárias e desmotivadoras, como o recálculo do PLD, por exemplo. “É uma falta de objetivo e causará a refação  de diversos negócios fechados”, afirmou.

Segundo o diretor da Aneel, o aperfeiçoamento estrutural da Análise do Impacto Regulatório (AIR), implica diversas fases, como ilustrar as intervenções, defini-las, mostrar os benefícios que trará, entre outras. “O aperfeiçoamento é importante para melhorar a regulamentação de um ambiente livre”, explicou.

Usando como exemplo um formulário da Inglaterra, que será implantado na Aneel, Coelho defendeu mais clareza nos processos regulatórios brasileiros e garantiu que a Aneel sairá na frente nesse processo. “Não custa sonhar. Quem sabe isso seja adotado pelo poder legislativo?”, provocou.

Também estavam presentes no debate Ricardo Lima, conselheiro da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e Flávio Cotellessa, presidente do Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE).

Encontro anual da Fiesp discute ampliação do mercado livre de energia elétrica

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Cerca de mil indústrias utilizam o mercado livre de energia, o equivalente a 30% do consumo industrial, de acordo com o diretor-titular do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Carlos Cavalcanti. Responsável por suprir 28% do consumo nacional de energia, o mercado de livre figura como tema principal de um dos painéis do 13º Encontro Internacional de Energia, que acontece nos dias 6 e 7 de agosto, no Hotel Unique, em São Paulo.

“Vamos falar do aperfeiçoamento de marcos regulatórios para o mercado livre. Hoje há um limite de consumo de 3 mil MW para entrar no mercado livre. Tem gente que quer baixar para 500 MW”, explica o diretor do Deinfra, departamento responsável pela organização do encontro anual de energia da entidade.

No mercado, ou Ambiente de Contratação Livre (ACL), vendedores e compradores negociam entre si as cláusulas dos contratos, como preço e prazo. “A lei permite que eles saiam do mercado cativo, como os consumidores de baixa tensão, para comprar energia diretamente das operadoras ou comercializadoras do mercado livre, que repassam a energia com custo de geração e transmissão sem o custo de distribuição”, esclarece Cavalcanti sobre os consumidores de alta tensão, ou seja, os industriais.

Segundo o diretor, ao comprar energia no mercado livre, o consumidor de grande escala economiza até 50% no preço pago. Em abril de 2012, o consumo no Ambiente de Contratação Livre chegou aos 15.388 MW médios contra 14.599 MW médios no mesmo mês do ano anterior.

Serviço
13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp
Data/horário: 6 e 7 de agosto de 2012, das 8h30 às 18h
Local: Centro de Convenções do Hotel Unique
Endereço: Av. Brigadeiro Luis Antonio, 4.700, Jardim Paulista, capital
Veja a programação no site: www2.fiesp.com.br/agenda/encontro-energia/

Mercado livre de gás natural não avança

Odair Souza, Agência Indusnet Fiesp

Enquanto o mercado livre de energia está em franca expansão, pouco se pode comemorar em relação ao desenvolvimento do mercado livre de gás natural. O setor patina no alto preço do insumo e no monopólio de apenas um agente – a Petrobras. No Brasil, a tarifa do gás natural é quatro vezes maior que nos Estados Unidos.

Este é o sentimento dos especialistas que debateram o tema Desafios do Mercado Livre do Gás Natural em São Paulo, no 12º Encontro Internacional de Energia, promovido pela Fiesp em São Paulo.

“No médio e longo prazo, essa situação tende a persistir”, na opinião de Carlos Faria, presidente da Anace. Para ele, o governo não está preocupado com a oferta neste momento. “Falta um plano de contingenciamento por parte do governo”, reclamou Faria, que criticou o alto índice de queima de gás natural, na casa de 20%: “Acaba impactando no preço.”

“Nos Estados Unidos o máximo discutido é de 4%, enquanto a Noruega não permite queima”, comparou Lucien Belmonte, diretor da Fiesp e moderador do painel. Belmonte criticou também a falta de dinamismo do mercado de gás. “O setor tem diversos desafios, mas mercado livre em São Paulo não existe”, sublinhou.

Para Luiz Ehlers, das Gas Energy, o estado de São Paulo sofre com a baixa produção de gás natural. “Oferta e demanda se equivalem”, comparou. Para ele, o pré-sal vai abrir oportunidades para novas operadoras. Segundo Ehlers, com o fim da concentração de boa parte das atividades nas mãos da Petrobras – a empresa controla a maior parte da produção do insumo, das distribuidoras e da logística –, principalmente em relação a gasodutos, o cenário atual será modificado para melhor.

O diretor da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), Hugo de Oliveira, não vê atratividade no mercado paulista. No seu entendimento, falta flexibilidade nos contratos. “O problema não é exclusivo da agencia reguladora, mas do desenho do mercado de gás natural”, considerou.

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Acompanhe a cobertura do 12º Encontro Internacional de Energia

Negociação eletrônica no mercado livre de energia ganha ritmo

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Marcelo de Mello, diretor-presidente da Brix

A plataforma eletrônica da Brix para negócios do mercado de energia livre registrou a negociação de 100 contratos em seus 12 primeiros dias de operação, informou o diretor-presidente da companhia, Marcelo C. F. de Mello, na manhã desta terça-feira (16).

“Em 12 dias temos mais de 100 contratos negociados, com um volume de 200 MW médio, e estamos muito contentes com essa marca”, disse o executivo ao participar do painel Energia Elétrica e Competitividade Industrial, no 12º Encontro Internacional de Energia.

Voltada para os agentes do Ambiente de Contratação Livre (ACL), também conhecido como mercado livre, a Brix deu início às operações de sua plataforma eletrônica no final de julho e negocia contratos com vencimento até 2013.

“Nós somos um canal de comunicação para que o comprador e o vendedor se encontrem de forma mais eficiente”, acrescentou Marcelo sobre o modelo de negociação.

Mercado Livre

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Armando Henriques, presidente da Duke Energy

Implementado em 1995, o mercado livre de energia no Brasil responde por 25% do consumo de energia no País, o equivalente a R$ 25 bilhões movimentados anualmente por meio de operações de compra e venda de energia.

O modelo de compra de energia, também conhecido pelo setor como “um clube”, ainda é restrito à indústria de médio a grande porte. A pretensão do mercado é aumentar sua cobertura para segmentos comerciais e de serviços como shopping centers, supermercados e bancos. Para ser um consumidor livre, a carga de consumo deve superar 0,5 MW.

“A grande proposta [para o setor] é que esse clube, onde prevalece a competição entre distribuidores, seja ampliado a um número maior de consumidores. Para isso, a proposta é que sejam flexibilizadas as regras de consumo. Ao flexibilizar, nós podemos dobrar a quantidade de energia distribuída e multiplicar o número de empresas usando esse benefício”, explicou Armando Henriques, presidente da Duke Energy que também  participou do painel.

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