Indústria de Defesa brasileira precisa aumentar exportações, afirma diretor da Abimde

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

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Segundo Lemos, expectativa é de crescimento do mercado interno. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O cenário interno é positivo, mas é preciso estabelecer parcerias para o crescimento das exportações da indústria de defesa nacional, disse o Coronel Armando Lemos, diretor técnico da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), nesta sexta-feira (05/04), durante o último dia do Defense Industry Day, evento que acontece na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O diretor da Abimde, entidade criada em 1985 que congrega 185 empresas de alta especialização tecnológica de segurança e defesa, alertou para a pouca expressividade das exportações brasileiras no cenário global. “Na década de 1980, o Brasil estava entre os dez maiores exportadores do mundo. Hoje estamos em 76º lugar. Exportamos 1,7 bilhões de dólares. O que é pouco para um mercado grande como esse”, disse.

Para Lemos, o caminho para o crescimento das exportações é a criação de parcerias, principalmente com os Estados Unidos. “O Brasil não abre mão de sua soberania, mas é necessário criar parcerias com os Estados Unidos. O Brasil é um bom parceiro e temos grandes oportunidades.”

Entretanto, na visão de Lemos, o futuro do setor é positivo devido ao aumento da demanda interna.  “O futuro é favorável. Há grande expectativa de crescimento interno e de geração de empregos. A sociedade brasileira entendeu que a questão de segurança não é responsabilidade apenas do governo e das forças armadas”, afirmou.

Lemos apontou as razões para o crescimento do setor nos próximos anos. “As recentes descobertas de reservas na camada do pré-sal criaram a necessidade de investimentos na indústria petrolífera, o que demandará maior consumo de produtos de segurança. Grandes eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas também fomentarão o crescimento do setor nos próximos anos.“

O diretor destacou a importância do crescimento do setor para o desenvolvimento da nação. “O crescimento contribui para o desenvolvimento nacional e promove uma maior independência do país. Gera capacitação, autonomia e crescimento”, encerrou.

Produtos importados perdem espaço no mercado interno, mas índices continuam altos

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

A participação de mercadorias importadas no consumo da indústria brasileira recuou, ao fechar o terceiro trimestre do ano em 22,3%, de acordo com os Coeficientes de Exportação e Importação (CEI) da Fiesp, divulgados nesta segunda-feira (12/11). Na comparação com o mesmo período de 2011, a retração foi de um ponto percentual. Quando comparado ao trimestre imediatamente anterior, o Coeficiente de Importação (CI) da indústria geral apresenta queda de 1,7 p.p..

A análise, realizada trimestralmente pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da entidade, mostra que, devido à queda do consumo aparente em um ritmo maior do que a retração da produção para o mercado interno, os produtos importados perderam espaço na demanda interna nos meses entre julho e setembro.

Segundo o diretor do Derex, Roberto Giannetti, “apesar da queda do CI no terceiro trimestre deste ano, o coeficiente continua em nível elevado, acima da média histórica de 19,8%. O aumento persistente das importações nos últimos dois anos diminuiu as oportunidades de crescimento da indústria brasileira tanto na produção de bens finais quanto de insumos”.

O Coeficiente de Importação para a indústria de transformação também apresentou queda, passando de 22,3% no terceiro trimestre de 2011 para 21,2% no mesmo período deste ano. Já na comparação com os três meses anteriores de 2012, a variação foi negativa em 1,4 p.p..

Em relação às exportações, a participação das vendas externas na produção total da indústria geral apresentou leve crescimento, de 20,2% para 20,3%, na comparação entre o período de julho a setembro de 2011 e de 2012. Na mesma base de comparação, o Coeficiente de Exportação (CE) para a indústria de transformação cresceu 0,4 p.p., atingindo a marca de 17,4%

“A retração da produção da indústria para o mercado interno foi mais intensa do que a redução da quantidade exportada. Portanto, a fatia enviada ao exterior ficou proporcionalmente maior em relação ao total produzido”, explicou Giannetti. “Enquanto a quantidade exportada apresentou queda interanual de 2,4% no terceiro trimestre, a produção da indústria contraiu 2,7% na mesma base de comparação.”

Setores

O coeficiente de importação apresentou alta em 16 dos 33 setores analisados. Destaque para o acréscimo de 12,9 p.p. no CI do setor de máquinas e equipamentos para extração mineral e construção, cuja participação dos importados cresceu de 38,8% no terceiro trimestre de 2011 para 51,7% no mesmo período de 2012. Outro setor de destaque foi o de tratores e máquinas para a agricultura, cujo índice passou de 45,7% para 55% na mesma base de comparação.

“Na abertura setorial, chamou atenção as fortes altas do CI de máquinas e equipamentos para a agricultura, extração mineral e construção dando prosseguimento a altas consecutivas do CI desde 2010. Este movimento merece atenção, pois enfraquece setores relevantes para a economia brasileira.”

Dos 17 setores que mostraram retração, refino de petróleo e produção de álcool e material eletrônico e aparelhos de comunicação registraram as maiores quedas ante o mesmo período de 2011: 10,3 p.p. e 7,7 p.p., respectivamente. Vale destacar que o CI do setor de autopeças registrou a quarta redução interanual consecutiva, fato indicador de que o incentivo dado aos produtores nacionais do setor esteja produzindo efeito.

Dos 33 setores analisados pelo coeficiente de exportação, 14 apresentaram alta em relação a 2011.  Destaque para o de ferro-gusa e ferroligas e o de preparações e artefatos de couro, cujos coeficientes de exportação se elevaram 16 p.p. e 10,6 p.p., respectivamente. Na comparação entre os terceiros trimestres, o setor de produtos têxteis manteve a trajetória de alta do CE, passando de 18% para 18,7%, após consecutivas reduções do coeficiente.

Já entre os 19 setores que apresentaram queda no CE, o setor de metalurgia de metais não ferrosos registrou a maior baixa em bases anuais (6,6 p.p.), seguido pelo setor de aeronaves, o qual atingiu o menor nível do coeficiente na comparação entre os terceiros trimestres (37,6%).

Consumo de produtos importados atinge nível de 23,4% no 3º tri de 2011

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

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Roberto Giannetti, diretor do Derex/Fiesp. Foto: Helcio Nagamine

A participação de mercadorias importadas no consumo brasileiro aumentou 0,5 ponto percentual e chegou a um patamar de 23,4% no terceiro trimestre de 2011, de acordo com os Coeficientes de Exportação e Importação (CEI) da Fiesp, divulgados nesta quinta-feira (10). Isso indica a persistente falta de fôlego da indústria para escoar sua produção no mercado local. As exportações também registraram alta no período.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2010, o nível de participação dos importados no consumo doméstico era de 22,7%, inferior em 0,7 ponto percentual.

Este movimento mostra que os importados, embora cresçam agora em menor ritmo dado o arrefecimento da economia, continuam se expandindo em ritmo superior em relação à produção industrial destinada ao mercado interno no Brasil e ao consumo aparente – que neste trimestre apresentou retração de 0,3% em relação ao mesmo período de 2010.

Já a participação das exportações sobre o total da produção industrial brasileira registrou elevação tanto para indústria geral quanto para a de transformação. A primeira (que compreende a indústria extrativa) expandiu-se de forma mais significativa em relação ao terceiro trimestre de 2010, com alta de 1,0%, enquanto a elevação da indústria de transformação foi de apenas 0,6%.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2010, o crescimento das exportações da indústria geral foi de 5,3%; a produção, por sua vez, aumentou apenas 0,1%. Em resumo, os dados do CEI mostram que a produção industrial para o mercado externo tem avançado, mas estagnado ou até recuado quando direcionadas ao mercado interno do país.

Setores

Dos 33 setores analisados pela Fiesp, 16 apresentaram alta em seu coeficiente de exportação, com destaque para indústrias extrativas, tratores e máquinas para agricultura, e máquinas para fins industriais e comerciais, que, neste terceiro trimestre, tiveram alta de 10%, 5,9% e 4,9%, respectivamente, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

O estudo também mostrou que a participação dos importados no consumo aparente cresceu em 29 setores. As principais alta aconteceram nos setores de tratores e máquinas e equipamentos para agricultura (9%), metalurgia de metais não-ferrosos (4,6%), produtos diversos (3,9%) e artigos do vestuário (3,7%).

Os setores que apresentaram maior queda no coeficiente de importação foram siderurgia (3,6%) e equipamentos de instrumentação médico-hospitalar (2,1%).

Mantega incentiva investimento e promete generalizar desoneração da folha de pagamento

Cesar Augusto, Agência Indusnet Fiesp

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Ministro da Fazenda, Guido Mantega, com Paulo Skaf e João Guilherme Sabino Ometto (presidente e vice-presidente da Fiesp), em reunião na sede da entidade


O ministro da Fazenda, Guido Mantega esteve na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta segunda-feira (03/10), onde almoçou com o presidente Paulo Skaf, diretores e conselheiros da entidade. Logo após o encontro, o ministro concedeu entrevista coletiva para detalhar os temas abordados no almoço e se mostrou confiante na posição do Brasil diante do cenário internacional.

Além de analisar a situação macroeconômica do país, o ministro falou dos planos do governo para generalizar a desoneração da folha de pagamento, com redução na contribuição previdenciária que seguirá priorizando o setor industrial.

Crise

Para Mantega, atualmente o que mais aflige as classes produtoras, a Fiesp e todos os brasileiros é a crise internacional. Segundo ele, existe o perigo de agravamento do ambiente externo em função da elevada dívida soberana de alguns países europeus. Mesmo assim, acredita que as economias desenvolvidas saberão lidar adequadamente com essa situação, até revertê-la. O ministro falou sobre o Fundo de Estabilização criado para socorrer os países mais afetados e abordou amplamente os problemas da Grécia e suas possíveis soluções.

Europa

Guido Mantega salientou que confia na disposição da Grécia em cumprir com as condicionantes estabelecidas para receber as parcelas do programa de apoio que ela possui e afirmou que o Brasil de hoje está muito mais bem preparado para um agravamento da crise do que em 2008, tanto do ponto de vista fiscal quanto monetário.

“Temos uma estrutura fiscal sólida, podemos inclusive reduzir impostos; um mercado consumidor dinâmico; juros ainda altos, que podem cair; depósitos compulsórios elevados (R$ 500 bi) e reserva em moeda estrangeira, que hoje é uma vez e meia maior que a de 2008 (US$ 350 bi) – ambas podem virar crédito ao mercado, caso falte.”

Mercado interno

Para o ministro, um ponto muito importante é preservar o dinamismo do nosso mercado interno e permitir que ele seja usufruído pela produção brasileira. Com mercado interno dinâmico, dependemos menos de exportações, o que nos ajuda, já que os países ricos estão com problemas. “Fortalecemos e vamos manter essa conduta fiscal até 2014 e estamos aumentamos o superávit primário.”

Investimento

“Falei para os empresários da Fiesp que continuem investindo, porque o governo está preparado para uma crise crônica e mais branda ou rápida e mais aguda. De qualquer forma, vamos implementar medidas estruturais para continuar reduzindo custos, como os custos de infraestrutura, de energia e de tributos, de modo que a indústria brasileira seja cada vez mais competitiva em um mundo econômico adverso”, informou o ministro da Fazenda.

Câmbio e Juros

Ele lembrou que não existe um patamar ideal para o dólar, considerando o câmbio flutuante vigente no país: “O que existe é câmbio subvalorizado e sobrevalorizado.” Mantega, entretanto, cravou aquilo que seriam os juros ideias para o Brasil, “entre 2% e 3% ao ano, em linha com outras economias emergentes”.

Além disso, o ministro citou que, em momentos de alta do dólar, como agora, a dívida brasileira diminui e as reservas aumentam, o que melhora a relação dívida X PIB do Brasil, uma vez que o país é credor líquido em moeda estrangeira. Isso faz com que o Brasil fique na contramão da maioria dos países e faz com que o Brasil seja visto como um país seguro e mais confiável.

Inflação

Guido Mantega afirmou que vê uma pressão inflacionária mundial e vislumbra uma queda no preço das commodities, o que já estaria em curso, segundo ele. E, nas próximas semanas, devem chegar aos preços dos alimentos e combustíveis. “A inflação está sob controle. A boa notícia é que aqui vemos um movimento de queda de preços. Isso ainda não deu tempo de ser captado pelos índices de inflação, mas será sentido logo.”

Ele comentou que a inflação alta é tão ruim quanto o juro alto. Dessa forma, quando o Banco Central considerar que as condições são adequadas – e nós estamos ajudando a configurar essas condições, aumentando o superávit primário, reduzindo o crescimento das despesas correntes –, o banco central fará essa redução dos juros. Isso pode ser em um, dois ou três anos. Isso eu não sei e não quero saber.

Desoneração

“A Desoneração da Folha de Pagamentos é fundamental, já que a contribuição previdenciária é, talvez, um dos maiores tributos que nós temos hoje. São 20% sobre a folha. Nós iniciamos um processo de desoneração, começamos com quatro setores, não é fácil fazer isso, portanto foi um caso experimental.”

O ministro explicou que transferir parte disso para o faturamento foi um experimento inicial, a outra opção era passar para a PIS/Cofins. A ideia era transferir uma parcela inferior ao que se está desonerando na folha, mais ou menos um terço. “Nós vamos observar e aperfeiçoar o procedimento. Nossa ideia é generalizar a desoneração da folha, começando pelo setor industrial (manufatureiro). Vamos discutir com o setor, fazer cálculos juntos porque o que nós queremos não é desonerar totalmente. A gente não teria recurso para bancar desoneração de R$ 95 bilhões, se fosse o caso de simplesmente retirar todos os tributos da folha.”