Ex-BC aponta mercado financeiro como grande fonte de geração de riquezas

Agência Indusnet Fiesp 

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539834063

Gustavo Franco, ex-presidente do BC. Foto: Flávio Martin

O que acontecer no mercado empresarial e no mercado financeiro terá como centro, o mercado de capitais. Foi o que afirmou o ex-presidente do Banco Central (1997-1999), Gustavo Franco, durante palestra do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Fiesp.

De acordo com o economista, todo o processo de valorização dos ativos das empresas transitará pelo mercado de capitais. “O Brasil não tem como escapar da trajetória, que são os embaraços da riqueza, próprios da fase de desenvolvimento que o País está passando”, disse.

“Quando assumi o cargo de secretário-adjunto em política econômica da Fazenda, em maio de 1973, o market cap da Bolsa, ou seja, o preço de todas as companhias listadas na Bovespa, era US$ 85 bilhões”, ressaltou.

“Ou seja, com apenas um cheque nesse valor, um investidor estrangeiro compraria todas as empresas listadas no Brasil como: Petrobrás, Telebrás, Gerdau, Vale, etc”, explicou Franco.

Segundo ele, em 1995, o valor US$ 85 bilhões já havia subido para US$ 150. “Em julho de 2008, esse valor atingiu US$ 1,3 trilhão. Isso nos faz refletir que essa criação de riqueza não tem nada a ver com PIB. O que cresceu é a nossa mudança de percepção sobre futuro”.

O economista afirmou ainda: “Não tenho dúvida que será no mercado de capitais que as coisas vão acontecer e é lá que se ganhará dinheiro”.

Lentidão

Em relação ao atraso na criação do Banco Central no Brasil, que apresentou tecnicamente as atribuições da instituição apenas em 1997, Gustavo Franco criticou o atraso.

“Somos o país que mais tarde criou um Banco Central, três anos antes do final do século XX. Todos os países, da América Latina em particular, criaram seus BCs na década de 30”, observou. E alertou: “Há uma lei orçamentária que preste no Brasil? Ainda não. Somos avançados em várias coisas, mas em Lei Orçamentária digna de uma democracia moderna que somos, não. Isso é uma tragédia”.

A Lei Orçamentária Anual é uma lei elaborada pelo Poder Executivo que estabelece as despesas e receitas que serão realizadas no próximo ano. A Constituição determina que o orçamento deve ser votado e aprovado até o final de cada Legislatura. O envio do projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias é enviado pelo presidente da República ao Congresso Nacional.