Indústria quer mecanismos para compensar efeitos do câmbio sobre comércio internacional

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

Em seu pronunciamento na abertura do seminário “Impactos do câmbio sobre o comércio internacional”, o 1º vice-presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Rafael Cervone Netto, destacou que o Brasil deve buscar igualdade de condições para competir com indústrias de outros países.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1545000812

Rafael Cervone Netto, 1º vice-presidente do Ciesp

“É importante que haja mecanismos que permitam a compensação dos efeitos do câmbio sobre o comércio internacional. O Ciesp e a Fiesp estão engajados em perseguir esse importante objetivo”, afirmou Cervone Netto durante o evento realizado na manhã desta terça-feira (24/07), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O 1º vice-presidente do Ciesp frisou que a manufatura brasileira é influenciada pelos impactos do câmbio no comércio internacional. “A indústria é hoje o setor mais exposto às danosas consequências desse desalinhamento cambial”, afirmou, lembrando que o fator dificulta na concorrência das mercadorias brasileiras no mercado externo.

De acordo com Cervone Netto, a sobrevalorização do real exacerbou as desvantagens competitivas dos produtos brasileiros e abriu espaço para volumes crescentes de importações, em detrimento da produção nacional.

“O momento é de extrema preocupação da indústria”, alertou, citando a projeção de crescimento negativo (-0,8%) para a indústria em 2012.

Na visão de Cervone Netto, são diversas as circunstâncias que levaram à substituição da produção doméstica pela importada, mas o câmbio foi um dos vilões.

Esse cenário, sustentou o dirigente do Ciesp, demonstra a importância de discutir os mecanismos existentes para compensar ou reparar os efeitos do câmbio sobre o comércio internacional. “Não se descarta a possibilidade de sugerir a criação de regras sobre o tema”, afirmou.

O 1º vice-presidente do Ciesp ressaltou ainda que é fundamental que essa discussão ocorra de modo multilateral, pois o câmbio pode causar desequilíbrio nas tarifas, medidas antidumping e compensatórias, salvaguardas, regras de origem e retaliações autorizadas.

“O Ciesp e a Fiesp ainda vislumbram desafios relevantes para a indústria doméstica”, explicou ao lembrar que, no contexto da crise econômica internacional, o câmbio é um dos elementos que dificultam a competitividade brasileira.

O seminário “Impactos do câmbio sobre o comércio internacional” foi realizado pela Fiesp em parceria com a Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EESP/FGV) e o instituto dos Analistas Brasileiros de Comércio Internacional (ABCI).