Copagrem discute desafios do setor de papel, gráfica e embalagem e analisa cenário brasileiro

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

A reunião mensal do Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem da Fiesp (Copagrem), realizada na manhã desta segunda-feira, 13/6, na sede da entidade, reuniu representantes do setor para discutir o cenário econômico atual e suas consequências para as empresas ligadas às atividades gráficas.

O coordenador do comitê, Fabio Arruda Mortara, abriu o encontro falando sobre a reunião que o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, fez com o presidente interino Michel Temer, na última quarta-feira, 8/6, em Brasília. “Foi um momento muito importante, por isso é necessário transmitir que todos vocês foram representados”, explicou. “[Demos] um voto de confiança que o governo precisava nesse momento em que está sendo tão atacado.”

Na sequência, o diretor executivo da Total Express, Vito Chiarella, fez uma apresentação sobre os serviços e história da empresa e também exibiu dados do setor.  “O mercado de publicações teve queda de 6% no faturamento nos últimos anos, e para este ano vemos uma queda ainda mais desafiadora”, lamenta. “Do ponto de vista financeiro estamos sofrendo bastante.”

Também presente na reunião mensal, o diretor executivo da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Mansur Bassit, divulgou um vídeo sobre a 24ª Bienal do Livro que acontece de 26 de agosto a 4 de setembro no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo. Ele falou sobre a importância e o esforço que tem sido feito para que a feira deixe de ser totalmente B2C e aborde também o mercado B2B.

Já o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex), Thomaz Zanotto, discursou sobre o cenário de comércio internacional e as mudanças do atual governo na forma de lidar e gerenciar a política de comércio exterior brasileiro. Sobre o novo ministro de Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, Marcos Pereira, ele afirmou se tratar de uma personalidade “hábil, inteligente e com um discurso ideológico contrário ao do Partido dos Trabalhadores (PT)”.  Zanotto afirmou ainda que o câmbio é o principal e grande problema atual. “Há o câmbio, e o todo o resto. Temos que levar a mensagem de que o câmbio é vital para ajudar a resolver todos os outros problemas.”

Por fim, o cientista político e professor do Insper Fernando Schuler traçou um panorama preciso sobre o cenário atual da política brasileiro. De maneira categórica afirmou que “o governo não está em crise. O país está em crise, mas o governo não”.  Segundo Schuler, Temer conta a seu favor com a boa relação com os congressistas, o que favorece a implementação de medidas no governo transitório. “Fazia tempo que não víamos no Brasil um presidente com a maioria no Senado, e ele tem.”

Reunião plenária do Copagrem, da Fiesp, em 13 de junho, com a participação do professor do Insper Fernando Schuler. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Copagrem discute perspectivas para economia, problemas no setor de editoras e novidades no marketing de dados

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem da Fiesp (Copagrem) fez nesta segunda-feira (30/11) sua última reunião do ano, com uma programação que incluiu palestras sobre o mercado de livros, sobre as perspectivas da economia brasileira e sobre a proteção de dados no marketing direto, além de uma apresentação motivacional.

Ao abrir o encontro, Fabio Arruda Mortara, coordenador do Copagrem, falou sobre a campanha “Não Vou Pagar o Pato”, lançada na Fiesp em setembro e apoiada por ela. Disse que chegou a um milhão de assinaturas e pediu o apoio dos presentes, lembrando que o Sindigraf imprimiu 20 mil folhetos para divulgação da iniciativa. “É uma campanha de cidadania.”

Guilherme Renato Caldo Moreira, gerente do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp e do Ciesp (Depecon), fez a apresentação A Crise e o Pós-crise. Mostrou um panorama de desemprego crescente (deve fechar 2015 em 9,2%, e 2016 em 10,9%), o que assusta pelas consequências sociais, e PIB em queda (3,5% este ano e 2,5% em 2016).

Uma boa notícia é a desvalorização do real, que permitirá acesso ao mercado externo, “o caminho mais rápido para sair da crise”. Mas como trazer a confiança de volta? Segundo Moreira, o que poderia puxar a retomada seriam os grandes investimentos em infraestrutura. No agronegócio – soja, por exemplo, com cadeia produtiva muito curta – não há grande efeito multiplicador.

Explicou o quadro de problemas estruturais e conjunturais e mostrou as apostas feitas pelo Governo que viraram fraquezas. A primeira foi depender da exportação de commodities, cujos preços a desaceleração da economia mundial reduziu. Problemas da Petrobras diminuíram a oferta de recursos usados pelo Governo, e o câmbio valorizado foi ferramenta para segurar a inflação. E o Governo não deu atenção para a desindustrialização, perdendo mecanismo histórico para sair de crises.

Custo para a indústria nos últimos 20 anos subiu mais que a inflação e mais que o custo dos produtos importados, disse Moreira. Há 9 trimestres em queda, a indústria caminha para a menor participação desde 1947 no PIB brasileiro. “Não há no mundo nenhum caso de perda tão rápida da participação da indústria”, disse, lembrando que outros países desenvolveram primeiro um setor de serviços de alto valor agregado antes de substituir a indústria. No Brasil, o setor de serviços é de baixíssimo valor agregado.

Carlos Eduardo Mariotti, superintendente executivo da  Associação Brasileira da Indústria de Piso Laminado de Alta Resistência (Abiplar), que compôs a mesa, falou sobre a recuperação da celulose, atípica para o cenário das commodities, mas disse que os setores voltados para o mercado doméstico têm sofrido bastante.

Reunião do Copagrem, da Fiesp, com apresentações sobre conjuntura econômica, mercado livreiro e marketing direto. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Marcos da Veiga Pereira, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e da editora Sextante, revelou crise nos livros didáticos, provocada pela dívida, de R$ 470 milhões, relativa a produtos já faturados, sem a menor previsão de pagamento pelo Governo Federal. Em razão disso, o Copagrem deve encaminhar ao presidente da Fiesp, Paulo Skaf, pedido para que a entidade se envolva na tentativa de resolver o problema de pagamento dos livros didáticos, que ameaça deteriorar as relações entre editoras e gráficas.

Pereira falou também em “problema muito sério em relação a preço” no mercado das editoras de obras gerais, o que impede repassar a inflação. Teme queda de 0,5% nas vendas no ano que vem, o que, considerando a inflação, significará redução real de 10,5%.

Livro best-seller deveria custar cerca de R$ 80 hoje, mas mantém o preço nominal (R$ 39,90) do Código da Vinci, da Sextante, quando lançado em 2004. Com essa impossibilidade de ajustar os custos, há início de sucateamento das indústrias do setor.

Livro eletrônico é grande surpresa, afirmou, ressalvando que informação ainda é precária. Estima que feche o ano com o digital representando 5% do faturamento em obras gerais. “Depende de acervo, de equipamento bom com preço baixo e de preço razoável”, mas os dispositivos não ficaram imediatamente populares no Brasil, enquanto nos EUA a base de consumidores foi criada rapidamente. “Se tivesse que apostar, diria que em 3 anos vamos eventualmente dobrar a participação para 10%.”

As vendas virtuais devem ser de 15% a 20% do total, disse. “Gostaria de ver venda via Internet aumento saudavelmente e as em livrarias, mais do que saudavelmente.” Expansão das livrarias aumentaria competição por qualidade, em vez de preço.

Do direto ao diálogo

Efraim Kapulski, presidente da Associação Brasileira de Marketing Direto (Abemd), explicou que o termo foi criado há mais de 40 anos, mas é difícil de ser entendido. Chamar de marketing diálogo, afirmou, dá maior clareza. Diálogo porque “faz um caminho de duas mãos, conversando com o consumidor”.

Disse que na atuação parlamentar, ponto importante é trabalho feito há quase seis anos em relação à proteção de dados. Se fosse aprovada legislação que obrigaria ao consentimento (opt-in) para uso de dados do consumidor em ações de marketing renovado a cada 6 meses, a queda de atividade seria de 78%, afirmou. Serviços de marketing direto representam 0,7% do PIB brasileiro, disse. Multiplicando por 10, em razão das compras feitas, seria um impacto sobre 7% do PIB. Todas as associações do setor de comunicação se uniram e conseguiram alterar para melhor o projeto.

Kapulski disse que o setor também é chamado de marketing orientado por dados – e que o uso de dados será cada vez mais importante para o setor gráfico. Crescerá a utilização de ferramentas digitais e quanto maior a integração de meios, melhor o resultado. “Combinação estratégica bem feita melhora exponencialmente o resultado”, disse. “Inovação nesse caso significa uso dos dados com criatividade.”

Entrave ao crescimento do produto impresso em marketing direto é forma equivocada de considerar os custos, disse, respondendo a Wagner da Silva, da Abigraf. Falta educação do anunciante e também do fornecedor gráfico. “Não se pode mais depender da demanda inercial, pela maior concorrência.”

Marketing orientado por dados é poderosíssimo, admitiu Pereira da Veiga, da Snel, lembrando caso da Amazon.com, que consegue fazer o que antigos livreiros faziam com seus leitores, porque os conheciam.

Grupos de trabalho

Durante a reunião do Copagrem, foi anunciado o lançamento no dia 2 de dezembro da edição brasileira da revista PrintPower, que tem como destaque o tema Por que as marcas digitais estão gastando milhões com impressos?.

E Carlos Eduardo Mariotti assumiu a coordenação do grupo de trabalho de tributação do Copagrem.

Pedro Villas Boas, coordenador do grupo de trabalho de sustentabilidade, anunciou a assinatura na quarta-feira (25/11) do acordo setorial para a logística reversa. Lembrou que vai ser obrigatória a recuperação de todo o material de embalagem, que terá impacto sobre o setor a partir do ano que vem.

Sem mágica nos negócios

Como encerramento do ano, palestra de Marco Zanqueta, mágico profissional há 20 anos, com o tema “A Arte de Sair do Lugar Comum”. Zanqueta disse que o mágico vive um desafio a cada dia. “Ninguém vem para aplaudir o mágico – vem para descobrir seu segredo”, afirmou. E fez suas mágicas, mostrando cada truque, para provar que nos negócios não há truque. Com planejamento se chega ao resultado.