Artigo: Precisamos falar sobre os idosos

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*Por Daniela Diniz

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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Precisamos falar sobre os seniores. Sim, seniores, experientes, idosos, ou como algumas correntes vêm nomeando “talentos grisalhos”. No guarda-chuva da diversidade, esse é um tema ainda ignorado. Ignoramos que em 2020 triplicaremos o número de idosos que tínhamos em 2010. Ignoramos que daqui a 10 anos, as pessoas com mais de 50 anos serão quase 30% da população brasileira. Ignoramos que a expectativa de vida do brasileiro já passou dos 75 anos. Ignoramos que essa população tem ainda muita lenha para queimar.

Apesar de todas as estatísticas mostrarem o avanço da população grisalha e de estudos alertarem para um novo perfil da sociedade brasileira, as empresas seguem – em sua grande maioria – preocupadas apenas em desenhar benefícios, políticas e práticas de atração e carreira com base na força jovem (incluindo aqui as salas coloridas e as mesas de ping pong). A consequência? A fila da experiência só aumenta do lado de fora das companhias. Apenas 25,24% da população economicamente ativa tem mais de 50 anos. Entre as Melhores Empresas para Trabalhar – organizações que são referência em práticas de gestão de pessoas – somente 12% dos funcionários têm entre 45 a 54 anos. Os acima de 55 anos não passam de 3% do quadro total. É pouco. Muito pouco.

Se não incluirmos este tema na agenda corporativa e refletirmos sobre o impacto geracional na nossa força de trabalho, não vamos mudar nosso modelo mental e, consequentemente, não vamos avançar um dedo na nossa retrógrada forma de pensar a vida – dentro e fora da empresa. Vamos continuar dividindo a vida em fases, a carreira em degraus e os cargos em caixas. Vamos continuar separando a vida “profissional” da “vida pessoal” e cumprindo cartilhas gastas de gestão de pessoas. Acontece que no mundo volátil, complexo, ambíguo e incerto não existe mais linearidade. As coisas acontecem ao mesmo tempo e às vezes até de trás para frente.

Portanto, quando dizemos: “precisamos falar sobre os idosos” não se trata de elaborar aqueles programas de preparação para a aposentadoria. Pois não existe mais motivos para preparar alguém para a vida “após o trabalho” – ranço que carregamos ao sermos educados a dividir a vida em fases: nascer, estudar, formar-se, casar, ter filhos, trabalhar, “subir na carreira” e se aposentar (onde morava o imaginário da vida boa e tranquila). Esse modelo não cabe mais na nossa sociedade. Falar sobre os idosos significa preparar QUALQUER PROFISSIONAL para uma longa vida.  Trata-se de repensar o modelo mental para recriar as carreiras fechadas que foram desenhadas apenas para os mais jovens. Trata-se de colocar na pauta este tema, mesmo que seja apenas um primeiro pontapé, como os programas ainda embrionários de algumas empresas que visam contratar pessoas com mais de 55 anos.

“Ah, mas esses programas não passam de ofertas de subemprego para os velhinhos”, dizem alguns. Não importa. Abrir as portas – ainda que seja do atendimento no balcão – para os mais experientes é mudar o estereótipo do mercado de trabalho, acostumado apenas a ver jovens nas lojas, nas lanchonetes, no comércio de uma forma geral. Estou morando nos Estados Unidos por um período e aqui é muito mais comum do que no Brasil encontrar idosos trabalhando – seja nos restaurantes, seja nas clínicas ou nas lojas. Isso porque a busca por profissionais para os serviços há muito tempo deixou de ter o crivo da idade. Portanto, esses estabelecimentos não são considerados mais exceções ou locais especiais – a contratação dos cabelos brancos para essas funções já virou rotina.

Enquanto essa prática não entrar na rotina das empresas, porém, é preciso sim começar por políticas pontuais. A rede Starbucks, no México, por exemplo, anunciou recentemente a abertura de uma loja operada apenas por funcionários mais velhos: entre 60 e 65 anos. A iniciativa ocorreu no Distrito de Coyoacan, na Cidade do México. Os contratados receberão benefícios adicionais aos regulares – como aumento do seguro médico total, dias extras de folga e um dia de trabalho com turno de seis horas e meia – a jornada no México é de 48 horas semanais. No total, o quadro de funcionários soma 14 talentos grisalhos entre baristas, supervisores e especialistas em café, divididos em três turnos. O objetivo da rede é empregar 120 idosos até o final de 2019 no México.

É com iniciativas como essa que começamos a mudar nosso olhar e nosso modelo mental. Enquanto isso não acontecer, vamos continuar dividindo a vida em fases: início, meio e fim de carreira, e apresentar números cada vez mais descolados da nossa sociedade. Por fim, como diz Renato Bernhoeft, um dos pioneiros a trabalhar com transição de gerações e planejamento de sucessão em empresas familiares, “o grande desafio não está no envelhecimento, mas na capacidade de se reinventar” Que nós nos reinventemos — como empresas e como seres humanos.

*Daniela Diniz é diretora de Conteúdo e Eventos do Great Place to Work Brasil e autora do livro Grandes Líderes de Pessoas – a trajetória dos líderes de recursos humanos mais influentes do Brasil. Formada em Jornalismo pela Fundação Cásper Líbero, com MBA em Recursos Humanos pela FIA, atuou por mais de 15 anos como jornalista na Editora Abril.

Iniciativas Sustentáveis: Totvs – Gerações que se completam

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Por Karen Pegorari Silveira

Atualmente, o Brasil tem mais de 26 milhões de idosos. Esse número, em 2030, será superior ao de crianças até 14 anos. Já no ano de 2050, os idosos representarão quase 30% da população do país, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por isso, os negócios que já valorizam a mão de obra mais experiente sairão na frente.

Este é o caso da TOTVS, empresa multinacional brasileira de tecnologia que criou o programa Geração Sênior em 2016. A ideia inicial veio do vice-presidente de tecnologia e plataforma, Marcelo Eduardo, e a avaliação tem sido positiva, inclusive alguns dos novos contratados ocupam cargos altos.

O programa surgiu com o objetivo de incentivar a contratação de aposentados na TOTVS e inicialmente não teria distinção entre áreas, mas as primeiras que se propuseram a contratar foram a de suporte e facilities. Por meio desta iniciativa, a empresa já contratou dois profissionais e, além deles, cerca de 160 pessoas acima de 50 anos foram contratadas por meio dos demais processos seletivos.

A TOTVS é uma, entre os 94% de companhias que acreditam que a experiência da terceira idade contribui para o crescimento do negócio, de acordo com estudo da consultoria PwC e da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Segundo relata a diretora de RH, Rita Pellegrino, todos os envolvidos no programa foram surpreendidos. “Resolvemos rodar um piloto antes porque nossa população é muito jovem, mas os resultados foram muito positivos! Os profissionais da Geração Sênior possuem uma boa bagagem no mundo corporativo e são comprometidos. Em razão disso, algumas vezes se tornam mentores dos mais novos da equipe. Temos visto os profissionais mais sênior felizes em trabalhar e interagir com as pessoas mais jovem”, diz.

Para a companhia, a diversidade vai além. “Queremos mostrar para a sociedade que requisitos de gênero, formação, idade e outros, são detalhes. Queremos ressaltar a importância de valorizar as pessoas, independentemente desses requisitos”, diz Rita.

Sobre a Totvs

Atualmente, a empresa conta com cerca de 3,5 mil colaboradores na sede em São Paulo, sendo dois mil focados em desenvolvimento e inovação e 7,8 mil ao todo – sendo 60% da geração Y, nascidos pós anos 1980.

Entrevista: Migração, Negócios e a Sociedade

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Por Karen Pegorari Silveira 

A vinda de imigrantes e refugiados ao Brasil traz à tona diversos questionamentos que envolvem os empregos dos brasileiros e a forma de contratação destes profissionais.

Para sanar essas e outras dúvidas conversamos com o Conselheiro Paulo Gustavo Iansen de Sant’Ana, chefe da Divisão de Imigração do Ministério das Relações Exteriores, a fim de esclarecer como as empresas podem ajudar a incluir imigrantes e refugiados no mercado de trabalho e como a sociedade pode se envolver no acolhimento dessas famílias.

Leia Mais na Íntegra da Entrevista:

Por que é importante para os negócios e para a economia brasileira a inclusão de imigrantes e refugiados no mercado de trabalho?

Paulo Gustavo Imigrantes e refugiados representam um ar fresco no mercado de trabalho brasileiro, uma vez que eles chegam com capacidades novas, com grande vontade de empreender, com muita vontade de vencer na vida aqui no Brasil. Há dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que mostram que o imigrante e o refugiado, em média, têm uma disposição para o empreendedorismo e para a busca de trabalho normalmente maior do que o trabalhador nacional. Então, a força de trabalho de imigrantes e de refugiados é complementar à força de trabalho brasileira e traz uma nova energia, uma nova movimentação que é positiva para todos.

Existe um mito de que os imigrantes e refugiados podem tirar o emprego dos brasileiros. Qual sua opinião sobre isso?

Paulo Gustavo Não creio que haja, na verdade, uma competição; considero que são esforços complementares. Imigrantes e refugiados chegam ao Brasil com muita disposição para o trabalho e trazem, muitas vezes, uma boa formação acadêmica. O Brasil é um pais reconhecido pela sua capacidade de acolhimento de estrangeiros. Falar de competição, na minha visão, não está correto. Diria que é mais complementariedade do que competição.

Quais os benefícios e desafios para as empresas que empregam mão de obra imigrante?

Paulo Gustavo A recepção de imigrantes e de refugiados pode ser extremamente positiva para o país, sobretudo para o mercado de trabalho. Mas para isso acontecer, é necessário que se possibilite a inserção rápida dessas pessoas no mercado de trabalho, o que contribui para minimizar seu impacto nos sistemas sociais do estado brasileiro. Quanto mais rápido essas pessoas comecem a trabalhar, mais produtivas elas vão ser para o pais, mais contribuições elas poderão oferecer às empresas e menos precisarão do apoio do estado brasileiro. Nesse sentido, a Lei de Migração é importante, porque ela possibilita que rapidamente o refugiado e o migrante possam tirar carteira de trabalho e CPF.

Para as empresas, há pesquisas que informam que um ambiente de diversidade, onde há pessoas de diferentes perfis, de distintas nacionalidades, de diferentes histórias de vida, é positivo para a produtividade da empresa. Isso traz mais motivação para o trabalho, traz novas ideias, traz novas perspectivas sobre processos de trabalho. E isso é muito positivo para todos.

Como o mercado de trabalho brasileiro pode apoiar os imigrantes e refugiados?

Paulo Gustavo A Nova Lei de Migração possibilita que ao chegar no Brasil e se regularizarem, os refugiados e imigrantes já estejam capacitados a trabalhar. Nesse momento, para a contratação, é muito importante o contato das empresas e de suas associações com a sociedade civil, que tem um papel muito importante no acolhimento desses imigrantes e refugiados em sua chegada, e com os órgãos do governo federal e dos governos estaduais e municipais que lidam diretamente com o imigrante para verificar o perfil mais adequado para sua contratação. Recomendo que o setor privado tenha um contato estreito com o Ministério do Trabalho, por meio da sua coordenação geral de migração, que mantenham contato com as organizações da sociedade civil que trabalham no acolhimento de imigrantes e que também fiquem em contato com prefeituras, por exemplo em São Paulo, que tem um centro de atendimento a imigrantes muito bom, o que pode ser muito importante no primeiro contato do imigrante com o setor privado.

Em sua opinião a nova Lei de Migração é um avanço? Quais são os pontos fortes desta nova legislação?

Paulo Gustavo É sem sombra de dúvida um avanço. Um ponto muito importante da Lei é que permite a regularização do imigrante dentro do território nacional, ou seja, um imigrante que está aqui no Brasil não precisa sair para obter uma autorização de trabalho. Ele pode conseguir isso estando já no Brasil, o que não acontecia na Lei anterior. No mesmo sentido, se quiser mudar o status dele, de estudante para trabalhador por exemplo, ele consegue fazer isso dentro do território nacional. Além disso, a nova Lei de Migração, que é uma Lei de vanguarda em termos internacionais, garante uma série de direitos aos imigrantes, refletindo as disposições da nossa própria constituição federal, em relação a direitos humanos, de acesso à educação, de acesso à saúde, a serviços públicos; direito de defesa. Eu diria que é uma lei voltada para inclusão do imigrante no Brasil, o que é muito positivo, porque, se formos ver em termos absolutos, o Brasil é um país muito fechado para estrangeiros de forma geral, sejam imigrantes, sejam refugiados. Menos de meio por cento da população brasileira é constituída por pessoas que nasceram fora do país. Isso em termos internacionais é muito pouco, e há estudos que informam que um certo percentual de estrangeiros na população é um fator positivo para o desenvolvimento do país, porque se está trazendo pessoas novas, em idade produtiva, que podem contribuir para o crescimento do Brasil. A Lei de Migração caminha nessa direção, sem diminuir o controle fronteiriço ou transigir em questões de segurança.  A lei possibilita que imigrantes venham para cá e possam contribuir para o desenvolvimento nacional.

Toda a sociedade brasileira tem que passar por um processo de abertura para o acolhimento de imigrantes e refugiados. Se toda a sociedade caminhar num sentido positivo, os imigrantes e refugiados serão um fator a colaborar para o desenvolvimento nacional brasileiro. Só que, para poderem contribuir, é necessário oferecer condições e, nesse sentido, empregar imigrantes e refugiados é um passo fundamental.

ENTREVISTA: RAFAEL LUCCHESI FALA SOBRE JOVENS, EDUCAÇÃO E MERCADO DE TRABALHO

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Foto de José Paulo Lacerda

Por Karen Pegorari Silveira

Rafael Lucchesi, diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), sugere como é possível contribuir com a inclusão de jovens no mercado de trabalho e na educação, e ajudar a atingir a meta 8.6 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Para ele, o Brasil precisa eleger a educação profissional como política de Estado, entre outras ações.

Leia Mais na íntegra da entrevista:

A meta 8.6 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) sugere que é preciso reduzir a proporção de jovens sem emprego, educação ou formação. Como o Senai, em parceria com as indústrias, têm contribuído com esta meta do ODS?

Rafael Lucchesi – Temos um grande desafio, já que o desemprego entre os jovens no Brasil chega a quase 30%. Com a recente aprovação da reforma do ensino médio, esse cenário poderá se reverter nos próximos anos, a fim de ampliar o acesso à educação profissional, já que apenas 9,3% dos estudantes brasileiros estavam no ensino médio em 2016. Apesar disso, o SENAI vem contribuindo significativamente com grande parte da formação profissional dos jovens brasileiros. A instituição é o maior complexo de educação profissional da América Latina e, desde que foi criado, há 75 anos, formou 71 milhões de brasileiros em 28 áreas da indústria brasileira, da iniciação profissional até a pós-graduação tecnológica. Pesquisa de egressos aponta que a cada dez estudantes formados pelo SENAI, sete conseguem vaga no mercado de trabalho no primeiro ano de formado. Em 2016, o SENAI formou 2,6 milhões de profissionais e esse número deve se expandir nos próximos anos, sobretudo, pelo crescimento da oferta da educação a distância.

Qual a importância da inclusão desses jovens para o crescimento econômico do país?

Rafael Lucchesi – Os jovens bem preparados e com formação sólida são fundamentais para a competitividade das indústrias e para o crescimento econômico por serem uma força de trabalho criativa, com grande capacidade de trabalho, de absorção de conhecimentos e novas tecnologias. É no mercado de trabalho que os profissionais se desenvolvem e adquirem experiência para se tornarem ainda mais qualificados e produtivos. Além disso, a convivência de várias gerações no ambiente de trabalho permite a troca de experiências e conhecimentos indispensáveis à inovação e ao aumento da produtividade nas empresas. No entanto, é importante destacar que só a formação de mão de obra não é suficiente. O desafio é fazer com que o país retome o crescimento econômico para criar empregos. Nesse sentido, é preciso uma agenda mais ampla, que torne o país mais competitivo, com menor custo de financiamento, melhoria da infraestrutura, entre outros fatores.

Quais ações, na sua opinião, são necessárias para diminuir o número de jovens sem emprego e sem formação e atingir esta meta até 2020?

Rafael Lucchesi – O fundamental para o Brasil é eleger a educação profissional como política de Estado, uma forma de oferecer oportunidades de carreira e de renda aos jovens e aumentar a competitividade das empresas. O país gasta cerca de 6% do PIB em educação, acima de alguns países desenvolvidos. Então, não se trata de uma questão de recursos, mas de inserir a educação profissional como projeto de Estado e trabalhar para atingir a meta prevista no Plano Nacional de Educação (PNE).

Países industrializados, como a Alemanha por exemplo, têm aproximadamente 50% de jovens cursando o ensino técnico, enquanto no Brasil apenas 9,3% estão matriculados neste tipo de curso. O senhor acredita que o sistema alemão é o caminho para que o Brasil alcance a meta 8.6 dos ODS? Como este sistema poderia ser aplicado no país?

Rafael Lucchesi – O SENAI foi criado com base no modelo alemão e suíço de educação profissional, inclusive com o modelo de financiamento e institucional semelhantes. É uma experiência que deu certo no Brasil e que, inclusive, colocou o país no topo do ranking mundial no WorldSkills, o torneio de educação profissional do mundo, ficando à frente de países que são referências na área, como a Coreia do Sul e a própria Alemanha. Por isso, acredito que o sistema alemão é uma boa inspiração para construirmos o sistema no país. O maior desafio aqui seria estruturar as escolas levando-se em conta as especificidades desse tipo de formação. É preciso ter escolas de educação profissional que fluam no tempo nas competências que se modificam. Todos os principais estudos mostram que governos em todo o mundo têm dificuldade de responder aos desafios da educação profissional, que possui uma questão fundamental: formar pessoas com a habilitação exigida pelo mercado de trabalho, que se modifica muito rapidamente.

Educadores debatem a relação dos jovens com o mercado de trabalho

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Professores, educadores de organizações da sociedade civil e profissionais que trabalham com jovens em situação de vulnerabilidade estiveram nesta segunda-feira (30/09) na reunião técnica “O Jovem e o Mercado de Trabalho”. O encontro foi organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e o Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“O Sesi-SP e o Senai-SP [Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo] têm os olhos voltados para esses jovens e sua relação com o mercado de trabalho”, disse o diretor de Educação e Cultura do Sesi-SP, Fernando Carvalho, na abertura da reunião. “As habilidades básicas que foram ensinadas na educação básica não são as mesmas exigidas pelo mercado de trabalho. E é nosso papel entender esse processo e, de alguma forma, melhorar.”


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Consultor Ricardo Martins apresenta o estudo 'Educação para o Mundo do Trabalho'. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


O professor e consultor legislativo Ricardo Martins, mestre em Educação pela Fundação Getúlio Vargas (RJ) e doutor em Ciência Política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), fez uma palestra em que apresentou dados educacionais e o perfil do jovem que não estuda e não trabalha, chamado de “nem-nem”.

Ao mostrar os números do Produto Interno Bruto (Brasil é o 7º), do Índice de Desenvolvimento Humano (Brasil é o 84º) e dados educacionais do Brasil (país é o 53º entre os 65 países avaliados pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos), o professor falou sobre a importância da educação para a modernização e a competividade dos setores econômicos.

“Temos uma economia pujante, mas com alguns fatores que dificultam para que a gente continue se desenvolvendo de maneira justa e que contemple toda a sociedade. A questão básica são os problemas educacionais, que, no futuro, vão causar entraves sociais e econômicos para o país.”

Ações como a mudança curricular, a valorização do professor, a melhoria da gestão e da infraestrutura das escolas são algumas das propostas apresentadas para mudar a situação da educação brasileira. No entanto, lembrou o professor, só teriam resultados a médio e longo prazo.

“Essa garotada que está na escola hoje, ou fora dela, tem direito a ações do poder público e da sociedade civil organizada, que lhes dê condição de promoção. Essa é nossa preocupação”, declarou o professor, que citou como ações imediatas possíveis a identificação das causas que levam os jovens a deixar a escola, a avaliação de suas competências, a oferta de cursos de qualificação profissional com financiamento do Pronatec [Programa Nacional de acesso ao Ensino Técnico e Emprego] e aulas de reforço de português e matemática.

Após a palestra, os participantes se reuniram em grupos para debater sugestões de ação em curto e médio prazo com a finalidade de aproximar o jovem “nem-nem” para o mundo da escola e do trabalho.

Os trabalhos vão colaborar com as ações educacionais do CNI e da Fiesp, por meio do Sesi-SP e do Senai-SP. 

Sesi lança em SP programa para jovens vítimas de exploração sexual

Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544522351O ViraVida, um dos mais importantes programas de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes do Brasil, começará a operar em São Paulo a partir de 2013. O lançamento do programa na maior cidade do país acontece nesta terça-feira (04/12) a partir das 9h30, no auditório do 15º andar da sede do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), na Av. Paulista 1313.

Criado em 2008, o ViraVida é coordenado pelo Conselho Nacional do Sesi. Com sua implantação em São Paulo, estará presente em 17 Estados. A expectativa é de que o programa atenda, inicialmente, 100 jovens que sofreram violência sexual – já no primeiro semestre do ano que vem.

Segundo Avaliação de Impacto do ViraVida publicada recentemente, desde que foi lançado, foram investidos R$ 37 milhões no programa, o que representou um custo mensal, por aluno, de R$ 1.553,00.

Este número é bem menor, por exemplo, que os gastos do Estado com jovens de 16 a 18 anos retidos provisoriamente em centros de internação no país. De acordo com a Avaliação de Impacto do ViraVida, elaborada pela empresa de consultoria John Snow Brasil, o custo mensal de um detento menor de idade em 2004 chegava a R$ 7 mil. Atualizando-se esse número com a inflação do período, o preço de um jovem internado no Brasil pode chegar aos R$ 10 mil mensais.

Redução da desigualdade social

Para o presidente do Conselho Nacional do Sesi e idealizador do ViraVida, Jair Meneguelli, a chegada do programa em São Paulo é o melhor desfecho que ele poderia ter em 2012. “Foram vários lançamentos e formaturas realizados ao longo do ano em todo o país, o que foi muito significativo para nós, mas oferecer o ViraVida aos jovens paulistanos é uma grande conquista para toda a equipe do programa”, disse Meneguelli.

O ViraVida promove a geração de riquezas e a diminuição da desigualdade social onde ele é aplicado. Ao longo de quase quatro anos, mais de 2.700 jovens foram atendidos pelo programa Brasil afora. No total, 1.373 alunos concluíram os cursos e 927 estão em sala de aula. Entre os que já se formaram, 966 estão inseridos no mercado de trabalho, enquanto o restante participa de processos de seleção e aperfeiçoamento profissional.

Presidente Dilma dá início às provas da Olimpíada do Conhecimento nesta quarta-feira, 14/11

Agência Indusnet Fiesp, com informações do Senai

A presidente Dilma Rousseff abre na manhã desta quarta-feira (14/11),  no Pavilhão do Anhembi, em São Paulo, as provas da 7ª Olimpíada do Conhecimento.

Trata-se da maior competição entre estudantes de educação técnica e profissional das Américas, realizada até 18 de novembro, no local, pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

Durante a visita, Dilma tem na agenda a assinatura de um protocolo oficial ratificando São Paulo como cidade sede da competição WorldSkills International. Em 2015, o Brasil receberá estudantes de nível técnico de mais de 50 países de todos os continentes para provas semelhantes às que acontecem agora.

Até o fim desta semana, 640 estudantes de cursos técnicos e profissionalizantes competem em 50 ocupações industriais e quatro do setor de serviços. Entre eles, 36 estão inscritos em modalidades para pessoas com deficiência: nove disputam em costura para surdos; 10 em panificação para pessoas com síndrome de Down; sete em mecânica de automóveis para cadeirantes; e dez em tecnologia da informação para deficientes visuais.

Nas provas elaboradas com base nas qualificações exigidas pelo mercado de trabalho e nos avanços tecnológicos, os competidores precisam resolver situações semelhantes às que enfrentariam no ambiente real de trabalho. Todos são avaliados em diferentes quesitos e vencem o torneio os alunos que conseguem as melhores notas. Os vencedores que vão representar o Brasil no WorldSkills, maior torneio mundial de profissões que, em 2013,  será realizado em Leipzig, na Alemanha.

O desempenho dos alunos, todos com até 21 anos, forma um conjunto de indicadores que o Senai utiliza para orientar a atualização dos currículos nas suas escolas.

Eventos simultâneos destacam inovação

No mesmo período da realização das provas, o público visitante pode acompanhar uma série de atividades no Pavilhão do Anhembi que apresentam tecnologias adotadas pela indústria brasileira. Confira:

Inova Senai: mostra de 50 projetos inovadores com soluções para indústrias desenvolvidos por alunos, técnicos e professores do Senai. A exposição fica aberta à visitação pública nos dias 14, 15 e 16 de novembro. Entre os inventos, há soluções para manejo de resíduos da indústria, automação para aumentar a acessibilidade de pessoas com deficiência, uso de materiais recicláveis na construção civil e novos produtos alimentícios e cosméticos. A exposição fica aberta das 9h às 18h.

Torneio de Robótica: no desafio Senior Solutions, tema da temporada 2012/2013 da FIRST® LEGO® League (FLL), o objetivo dos times é propor soluções inovadoras para manter a qualidade de vida das pessoas na terceira idade. Nos dias 14, 15 e 16, acontecem competições das 10h às 17h. As finais serão no dia 16, a partir das 14h50.

Futebol de robôs: WRO Gen II Football é a mais nova competição internacional de futebol de robôs. Oito times do ensino médio do Sesi-SP, com três integrantes cada, disputam partidas de futebol com 10 minutos de duração. Cada time deve construir dois robôs autônomos (um goleiro e um atacante) utilizando apenas os kits de tecnologia LEGO® Mindstorms. As competições começam às 9h40 do dia 14 de novembro e seguem até as 12h20. No dia 15, a manhã está reservada para treinos livres. As partidas começam ao meio dia. Às 15h, haverá apresentação da equipe Sesi-SP, que esteve em Kiev, capital da Ucrânia, e garantiu, no gol de ouro, o 4º lugar na categoria para o Brasil. As finais e a premiação serão no dia 16 de novembro a partir das 13h30.

Desafio de Resgate: um robô simula o comportamento de um bombeiro no resgate de vítimas de um incêndio. Cabe a ele entrar no ambiente, e, de forma autônoma, desviar de escombros, transpor áreas obstruídas e ajudar a resgatar as vítimas. Dez times do ensino médio do Sesi-SP, com quatro integrantes cada, disputam as provas. As competições começam às 10h do dia 14 de novembro e seguem até as 14h40. No dia 15, haverá treinos livres pela manhã e provas a partir do meio dia. Às 14h do dia 16 de novembro será o desafio surpresa e, logo depois, a premiação.

Indústria do Futuro: exposição didática que apresenta ao público uma mostra das tecnologias utilizadas nas diversas fases do ciclo de vida do produto industrial. Numa área de mil metros quadrados estarão os cinco estágios da produção ao longo das últimas décadas: Desenvolvimento do Produto, Prototipagem, Linha de Produção, Robótica e Metrologia.  A cronologia das tecnologias considera como início a década de 1970, com base na produtividade, culminando com um espaço sobre o papel da indústria do futuro, com a busca de soluções em automação com mínima ou nenhuma interferência humana, a partir da montagem de uma aeronave. O projeto utiliza dois robôs que manipulam a fuselagem da aeronave, para alinhar as peças. A exposição fica aberta de 14 a 17 de novembro, das 9h às 18h.

Educação para o Futuro: o visitante vai embarcar em um trem cenográfico e vivenciar uma viagem pela história da educação profissional desde a década de 1940 até o futuro. Ao entrar no espaço, uma projeção mistura elementos de computação gráfica, animação, edição de vídeos históricos e montagens fotográficas. O trem viajará pelas sete décadas do Senai, a principal instituição de formação profissional para a indústria. Ao saírem do trem, os visitantes desembarcarão em uma mostra que apresentará ferramentas de ensino do futuro, com destaque para os equipamentos tecnológicos que ilustram a visão do Senai e Sesi para a educação profissional. Visitação aberta de 14 a 17 de novembro, das 9h às 18h.

Cyber Senai: espaço reservado a palestras e exposição do acervo do Senai. Nesse ambiente será possível interagir com tecnologias educacionais, como realidade aumentada e simuladores. Há programação de palestras: Biografia de Jorge Amado e imagem do Brasil na obra de Jorge Amado, no dia 14 às 15h30; Como a robótica mudou a minha vida, dia 15, às 16h; Projeto Nanomumdo, no dia 16, às 11h; Os cinco sentidos na gastronomia, no dia 16, às 14h30; Geração Y: os leitores do futuro, no dia 17, às 11h; apresentação cultural com músicos da Orquestra Filarmônica Senai-SP, no dia 17, às 16h.

Campeonato Mundial de Jovens Confeiteiros: 14 participantes (dois da Alemanha, dois da Áustria, dois do Brasil, dois da Hungria, dois da Polônia, dois da Suíça, um do Japão e um de Taiwan) irão demonstrar habilidades na arte da confeitaria, exibindo técnicas, tendências e produtos para marcar e transformar esse segmento no Brasil. As provas são práticas e individuais, com duração de 16 horas e realizadas durante os dias 13, 14 e 15 de novembro. Os componentes das receitas devem ser comestíveis e fabricados durante o campeonato. Dentre os quesitos a serem avaliados estão: sabor, aparência, acabamento, grau de dificuldade, inovação, método de trabalho, higiene e limpeza.

WorldSkills Americas: 216 jovens de 24 países irão competir entre 14 e 17 de novembro em provas de robótica móvel, confeitaria, sistema de transporte da informação, jardinagem e outras 30 profissões da WorldSkills Americas. Com 38 competidores, o Brasil terá a maior delegação entre todos os países e supera, também, a quantidade de estudantes que participaram da primeira edição em 2010 no Rio de Janeiro. O WorldSkills Americas traz uma série de benefícios. É uma forma de sensibilizar as autoridades políticas, empresários, líderes educacionais e a sociedade da importância da educação profissional, como um instrumento eficaz de transformação social e econômica da família e do país.

Indústria paulista é 2ª maior empregadora de pessoas com deficiência, diz estudo da Fiesp

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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Da esq. p/ dir.: Marcos Belizário, José Roberto Ramos Novaes e José Roberto de Melo

No terceiro e último dia da 5ª Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho foi discutida durante o II Fórum Sou Capaz. Durante a exposição foi apresentado o relatório O Cenário do Trabalho da Pessoa com Deficiência no Estado de São Paulo, produzido pelo Departamento de Ação Regional (Depar) da Fiesp.

“Como muitas indústrias estavam com problemas com a fiscalização e sentiam dificuldades em cumprir a Lei nº 8.213/91, a Lei de Cotas, o Depar passou a trabalhar não só esta questão, mas também a valorização deste grupo do capital humano”, sublinhou Cristiane Gouveia, coordenadora do Programa Sou Capaz.

Realizado com base nos dados levantados pela Relação Anual de Informações Sociais (Rais), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Organização Mundial da Saúde (OMS), o relatório tem como objetivo viabilizar uma inclusão eficiente e eficaz com a contratação das pessoas com deficiência, além de realizar um trabalho de retenção deste contingente pelas empresas.

Também faz parte da proposta identificar em quais áreas e que ocupações estas pessoas desempenham na indústria. “Alguns setores não têm essa possibilidade em razão da insalubridade e periculosidade, e o relatório permite a compreensão do cenário e sinaliza a existência de outras categorias de deficiências que são adaptáveis”, explicou Cristiane. Segundo ela, o relatório será realizado e aprofundado em sua totalidade a cada dois anos, com abordagem de um único setor a cada semestre.

Mercado de trabalho

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544522351O estado de São Paulo, conforme dados da Rais, em 2010, possui 12.873.605 empregos formais, dos quais 100.305 são de pessoas com deficiência, habilitadas, ou reabilitados.

Deste número, a indústria contratou 37,36%. De acordo com o estudo do Depar/Fiesp, a indústria ocupa a segunda colocação no ranking de contratações, atrás apenas do setor de serviços e administração pública (veja gráfico abaixo).

Com os impactos da crise financeira mundial de 2008 a 2009, o setor industrial adequou seu quadro de funcionários para atender a normas jurídicas que interferiram na inclusão das pessoas com deficiência, o que ocasionou uma pequena queda nas contratações.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544522351Porém, mesmo com o panorama econômico atribulado, entre 2009 e 2010 houve um aumento significativo de crescimento de admissões e retenção de profissionais.

O gráfico aponta que pessoas com deficiência física e auditiva foram as mais absorvidas pelo mercado, devido à facilidade destas pessoas em se adaptarem às acessibilidades estrutural, comportamental e atitudinal.

Qualificação profissional

O relatório indica que a falta de capacitação tem sido um dos principais entraves para a inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho. Algumas ocupações exigem qualificação específica, o que não se limita ao setor industrial.

O emprego formal de analfabetos e formados até o 5º ano do ensino fundamental é inferior aos formados nos ensinos médio e superior, resultando na defasagem da educação fornecida pelas escolas públicas e privadas no Brasil.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544522351A exigência do mercado de trabalho em relação à educação vem, desde 2008, alterando este cenário, no qual apresentou ascensão na contratação de pessoas com formação nos ensinos médio e superior, colaborando assim, para o aprimoramento da mão de obra qualificada.

Ainda com base nos dados da Rais entre 2008 a 2010, os profissionais da indústria com deficiências auditiva e física possuem as maiores remunerações médias em relação aos demais.

Eficiência

Para Eliane Belfort, diretora-titular do Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp, o Programa Sou Capaz dá subsídios à discussão do tema. “As pessoas capazes são as que buscamos para a indústria, e estamos trabalhando as diversidades”, afirmou.

Ela frisou ainda a importância das políticas estruturantes, pois as políticas compensatórias, embora significativas para o debate, não são permanentes. “As políticas estruturantes diminuem a vulnerabilidade social e aumentam a capacidade de geração de renda ao longo do tempo”, analisou a diretora.

PROJETO DO SESI-SP VISA A INCLUSÃO SOCIAL DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL

No Brasil, de acordo com o Censo de 2000, existem cerca de 150 mil pessoas cegas e 2,4 milhões com grande dificuldade de enxergar.
Contudo, há menos de 100 cães-guias treinados no País.

Com o objetivo de ampliar o acesso a esse importante recurso de inclusão social, o Serviço Social da Indústria de São Paulo desenvolveu o Projeto Cão-Guia Sesi-SP que beneficiará trabalhadores da indústrias com deficiência visual.

Apesar de estudar dois anos a mais, mulher ainda ganha menos que homem, diz Marta Suplicy

Cesar Augusto, Agência Indusnet Fiesp

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A senadora Marta Suplicy e a ministra Iriny Lopes (Política para Mulheres da Presidência da República), durante a Mostra Fiesp/Ciesp

A senadora Marta Suplicy e a ministra de Política para Mulheres da Presidência da República, Iriny Lopes, participaram nesta segunda-feira (21) da mesa-redonda sobre o Empoderamento das Mulheres para o Equilíbrio Socioecnômico das Nações, realizada na 5ª Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental.

Junto delas estiveram a defensora pública e coordenadora de políticas públicas para as mulheres do estado do Ceará, Mônica Barroso, e a Procuradora de Justiça do Estado de São Paulo, Luiza Eluf.

Ao abrir o debate, Marta lembrou que já existem no Brasil quase quatro milhões de mulheres a mais do que homens, porém, elas ganham pouco mais de 70%, em média, dos salários deles. “É triste constatar, mas ganhamos menos a despeito de termos dois anos a mais de estudo na média nacional”, analisou.

A questão da renda feminina também foi abordada pela defensora pública do Ceará, Mônica Barroso. Ela mostrou números que revelam um distanciamento bem maior no topo do que na base da pirâmide salarial entre homens e mulheres. “Quanto mais estudamos, menos ganhamos em relação ao homem com mesma formação”, destacou.

A ministra de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes, reconheceu avanços nesta área: “Estamos melhor do que ontem e continuaremos avançando”. Mas alertou para o fato de que as mulheres, com suas crianças e jovens, são maioria entre as 16 milhões de pessoas-alvo do programa Brasil Sem Miséria, do governo federal.

“Esse cenário não se justifica por outra razão que não o preconceito do mercado de trabalho. Passamos décadas lutando para que as mulheres tivessem mais acesso à educação e, quando chegamos lá, continuamos com menos renda e, portanto, mais vulneráveis à pobreza e à miséria.”

Para a procuradora de Justiça de São Paulo, Luiza Eluf, é constrangedor ver uma modelo seminua “desempoderada” e “idiotizando” o papel da mulher em uma propaganda de televisão. “Não dá para incentivarmos um comportamento feminino tão submisso, como se a mulher tivesse de ser sempre dependente do dinheiro do homem, seja para consertar o carro batido ou pagar a fatura do cartão de crédito, trocando sexo pelo dinheiro dele”, argumentou.

A 5ª Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental prossegue até quarta-feira (23) com a participação de autoridades e executivos que debaterão a apresentarão casos de sucesso voltados ao desenvolvimento social e econômico.

Fórum Sou Capaz traz mapeamento inédito de emprego para pessoas com deficiência

Solange Borges, Agência Indusnet Fiesp

O II Fórum Sou Capaz será realizado este ano em conjunto com a 5ª Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental com o tema “Mercado de trabalho e tecnologias assistivas para pessoas com deficiências”. Este debate fará parte da programação de sustentabilidade que encerra o Congresso, no dia 23/11, pois as duas atividades se complementam.

No Fórum, o Departamento de Ação Regional (Depar) da Fiesp apresentará mapeamento regional inédito, a fim de verificar a evolução da contratação de pessoas com deficiência e reabilitados em atendimento à Lei de Cotas (nº 8213/91) no Estado de São Paulo.

Hoje, os setores de serviços e a administração pública são os maiores contratantes, seguido pela indústria. Porém, um dos problemas apontados pelo estudo é a falta de capacitação.

O estudo se baseia em dados do Ministério do Trabalho, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Organização Mundial da Saúde (OMS) e na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), compreendendo o período de 2008 a 2010.

De acordo com a OMS, cerca de 10% da população mundial possuem algum tipo de deficiência, cenário divergente do apontado pelo IBGE, que aponta 14% para o Brasil (a partir do censo de 2000). Resultado: 24,6 milhões habitantes, no país, sendo que mais de 5,8 milhões residem no Estado. A RAIS apontou, em 2010, em São Paulo, quase 13 milhões de empregos formais, dos quais 100 mil são de pessoas com deficiência, habilitadas ou reabilitadas.

Talk show

Um dos momentos esperados do Sou Capaz é o “Gente que quebra paradigma”, talk show com presença confirmada do jornalista Osmar Santos e do radialista Paulo Soldate (Rádio Globo). A atriz Tábata Contri, o maratonista internacional Edmar Wilson Teixeira de Souza e a atleta Marinalva de Almeida, recordista brasileira em salto a distância para amputados, também participarão desta atividade comprovando que limites podem ser superados.

Haverá ainda apresentação de cases dos setores produtivos, como Duratex, Telefonica, TRW Automotive e Projeta – Ação Urbana Consultoria em Responsabilidade Social e Arquitetura Sustentável. E o lançamento de edital Sesi/Senai para indústrias que querem desenvolver programas de políticas de inclusão.

Serviço
II Fórum Sou Capaz e 5ª Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental

Data/horário: 23/11, das 8h30 às 17h30
Local: Sede da Fiesp – Av. Paulista, 1313, 15º andar, Salão Nobre

Profissionalização de jovens e mulheres de baixa renda é destaque na 5ª Mostra

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A 5ª Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambientavai reunir este ano exemplos bem-sucedidos de empresas que investiram no desenvolvimento social por meio de cursos profissionalizantes, educação de trânsito e ambiental, além de palestras sobre gestão pessoal.

A Ecovias faz parte desse grupo de empresas que vêm expor seus projetos e os resultados alcançados. Em julho de 2008, a concessionária de rodovias iniciou o projeto “De Bem com a Via”, com o objetivo de disseminar a educação para o trânsito às crianças e adolescentes que moram próximos às margens das rodovias do sistema Anchieta-Imigrantes.

Para alcançar o público-alvo, os organizadores do “De Bem com a Via” prepararam o Ecomóvel, carro adaptado que leva teatro, ações de educação para o trânsito e de preservação ambiental, música, palestras e brincadeiras educativas para crianças de 3 a 12 anos que moram nos arredores das rodovias. Desde seu lançamento, o projeto mais que triplicou o número de participantes chegando a 7.308 pessoas em 2011.

Geração de Renda

A montadora de carrocerias para ônibus Caio Induscar e a fabricante de eletrodomésticos Consul têm investido desde 2007 e 2010, respectivamente, em cursos de profissionalização e capacitação para gerar renda.

Com programas de treinamento voltados para familiares de seus funcionários, com idades de 15 a 17 anos, a Caio Induscar forma três turmas por ano para o mercado de trabalho e contrata 50% dos alunos. Ao todo são 13 encontros anuais com duração de três horas e meia cada.

Ainda na esteira da geração de renda e profissionalização, o Consulado da Mulher, cuja principal empresa mantenedora é a Consul, oferece a mulheres de baixa renda e pouca escolaridade assessoria para que possam alcançar melhores condições de vida por meio de uma atividade empreendedora. Apenas no ano passado, o projeto recebeu investimento de mais de R$ 3 milhões e beneficiou 1.399 mulheres em processos de geração de renda como o projeto Cooperlimpa de coleta seletiva.

Presente em 19 Estados do país, o Consulado da Mulher assessora 162 empreendimentos populares. A entidade é reconhecida pela Fundação Banco do Brasil, Unesco e KPMG como tecnologia social eficaz.

Serviço

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) irá sediar a edição 2011 da Mostra de Responsabilidade Socioambiental durante os dias 21, 22 e 23 de novembro. Para saber mais sobre a programação e como se inscrever gratuitamente, clique aqui.


Especialistas defendem a inclusão e a manutenção dos idosos no mercado de trabalho

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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Eduardo Nunes, presidente do IBGE

Em uma época na qual os idosos pensam cada vez mais em manter as atividades do dia a dia depois da aposentadoria, o Senai-SP realizou, em conjunto com o Senai Departamento Nacional nesta quinta-feira (6), o seminário “O Envelhecimento da Força de Trabalho: O que a Indústria tem a Ver com Isso?”.

Especialistas trouxeram à tona discussões sobre os impactos do envelhecimento na população brasileira e o papel da indústria neste contexto.

O economista Eduardo Nunes, presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), compartilhou com uma plateia de mais de 100 pessoas os temas que delinearam a evolução demográfica do País e a onda de população idosa no Brasil. Ele destacou que pessoas com idade acima de 65 anos representavam 4,8% da população brasileira em 1990; já em 2010 este índice aumentou para 7,4%, ou seja, mais de 14 milhões de idosos no País.

E como lidar com este novo Brasil? Nunes afirmou que são necessárias novas ações e programas voltados à terceira idade e defendeu ainda a criação de programas de inclusão dos idosos. “Não precisamos construir escolas, precisamos construir educadores e oferecer o melhor nível de ensino. Precisamos de um programa de integração e inclusão social, psicológica e econômica dos idosos na sociedade brasileira”, observou.

Eduardo Pereira Nunes afirmou que ainda não corremos o risco de ter um hiato de mão de obra. “O papel social da população idosa é exatamente o de preparar o jovem para o novo mercado de trabalho; já o papel individual é também o fato de que ele não pode sair do mercado de trabalho prematuramente do ponto de vista biológico”.

Entre os índices crescimento da população idosa em todas as faixas etárias, uma curiosidade: no Brasil, 23 mil pessoas possuem mais de 100 anos de idade. E a maior parte se encontra no Estado de Bahia.

Continuidade

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Laura Machado, diretora da InterAge e consultora do Senai

Laura Machado, diretora da InterAge Consultoria em Gerontologia Ltda. e consultora do Senai, expôs o percurso que a questão do envelhecimento tem feito no cenário nacional e internacional. Para ela, é urgente a mudança organizacional e o entendimento das indústrias sobre a permanência dos idosos no mercado de trabalho.

A diretora afirmou que 70% dos brasileiros querem se manter ativos após a aposentadoria, de acordo com uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Recursos Humanos do Rio de Janeiro (ABRH/RJ).

“O conceito de aposentadoria já ficou velho. Tínhamos este conceito da imagem de uma cadeira de balanço, dentro de casa, o que hoje não reflete a realidade”, ressaltou.

Mas por que os idosos querem continuar trabalhando? Entre as justificativas, Laura listou a necessidade financeira e do benefício do plano de saúde oferecido pelas empresas, prazer em trabalhar, manutenção da atividade psicológica e mental e a vontade de se manter produtivo.

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Público presente ao seminário na Escola Senai Francisco Matarazzo, localizado no bairro do Brás, em São Paulo

“Não há barreiras para quem quer continuar ativo. O empresário Roberto Marinho (jornalista fundador da Rede Globo de Televisão, falecido em 2003) começou seu empreendimento aos 60 anos de idade, quatro décadas atrás”, disparou.

Laura discorreu sobre o Senai para a Maturidade, que tem como objetivo inserir na educação profissional o trabalhador em processo de envelhecimento e dar subsídios aos interlocutores para a sustentação do projeto.

Além disso, o programa visa conscientizar sobre a importância da manutenção da empregabilidade mediante o desenvolvimento de programas de qualificação.

Livro

Ao final do evento, foi lançado o livro do Programa Senai de Ações Inclusivas: Projeto Senai para a Maturidade, intitulado “O Envelhecimento Populacional Brasileiro e o seu Impacto no Mercado de Trabalho: Desafios e Oportunidades”. Para baixar a versão digital, clique aqui.

Igualdade de um ex-detento começa na contratação profissional, diz executivo da Odebrecht

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A variável de se empregar um ex-detento é a resistência por parte dos funcionários, mas é no processo de contratação que essa diferença diminui e o egresso que está disposto a se reintegrar à sociedade começa a se recuperar, afirmou Luciano Alfredo Bonaccini, executivo da Odebrecht.

Durante o segundo dia do Encontro Nacional do Programa Começar de Novo na sede da Fiesp, Bonaccini compartilhou com empresários e autoridades a experiência da construtora com sete apenados, ex-detentos, em uma obra no Estado de Minas Gerais entre 2007 e 2010.

“Os encarregados avaliaram bem essas pessoas. Trabalharam, se desenvolveram e tiveram sua oportunidade. Após o término da obra, os egressos voltaram ao mercado de trabalho”, afirmou o representante da companhia.

Ele alertou, no entanto, que cabe ao Estado desenvolver outros programas de reintegração depois que uma oportunidade profissional foi dada ao apenado.
“A obra terminou, e como dar continuidade a reintegração? Através de programas de oportunidade do Estado.”

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), idealizador do Programa Começar de Novo, concede um selo às empresas que oferecem oportunidades de trabalho para ex-detentos. A Odebrecht recebeu na manhã desta terça-feira (5) o selo do CNJ, após o trabalho realizado com os regressos em Minas Gerais.

Tranquilidade da obra

Bonaccini ainda afirmou que o maior desafio para a construtora durante o trabalho com egressos foi como manter a tranquilidade entre o quadro de funcionários da obra: “O ambiente de uma obra é relativamente tenso, são de duas a três mil pessoas em um ambiente restrito… em alguns casos temos obras com até dez mil funcionários.”

Antes da contratação de apenados, o departamento de Recursos Humanos da Odebrecht fez um levantamento para selecionar os encarregados de obra com perfil para realizar um trabalho com ex-detentos. “A pessoa que vai estar no dia a dia com o apenado tem que estar preparada para isso”, explicou Bonaccini.

Segundo o executivo, os operários se sentem receosos em trabalhar com apenados, principalmente, por conta de rotineiros momentos de tensão: “No momento de estresse, o apenado pode se declarar como ex-detento e dizer, por exemplo ‘toma cuidado comigo’. Isso já aconteceu. Então você precisa desarmar o espírito de postura de cárcere dele para o trabalho.”

Por falta de oportunidade, 70% dos ex-detentos retornam a criminalidade

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp 

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Paulo Skaf discursa durante evento do programa Começar de Novo da Fiesp e do CNJ. Foto: Everton Amaro.

Sensibilização de órgãos públicos e entidades da sociedade civil para que sejam fornecidos postos de trabalho e cursos de capacitação para os ex-detentos, promovendo a cidadania e, consequentemente, uma diminuição dos índices de criminalidade.

Este é o objetivo do Projeto Começar de Novo, inciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Senai-SP.

Durante a abertura do Encontro Nacional do projeto nesta segunda-feira (5), Paulo Skaf, presidente da Fiesp e Senai-SP, e o ministro Cezar Peluso, presidente do Superior Tribunal da Justiça (STJ) e do CNJ, assinaram, no Teatro do Sesi São Paulo, a renovação do convênio entre as entidades para manutenção do projeto.

Skaf afirmou que o principal objetivo do projeto é romper o ciclo da criminalidade, ofertando aos detentos e regressos uma oportunidade de retomar os estudos, por meio do Telecurso, e dos cursos de capacitação profissional oferecidos pelo Senai-SP.

“O acesso a educação é uma forma correta e eficiente de combater a criminalidade. E também daremos uma chance para aqueles que cometeram um erro e desejam começar suas vidas de novo. Isso é o que toda a sociedade quer”, disse.

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Ministro Cezar Peluso, presidente do STJ e do CNJ

“Existe uma resistência muito grande para contratação de ex-detentos. Os regressos estão pouco preparados para trabalhar numa empresa e se comportar em sociedade”, afirmou Peluso, completando que “a melhor maneira de combater a criminalidade é acolher o ex-detento na sociedade.”Segundo o ministro Cezar Peluso, um dos pilares da democracia moderna é garantir a dignidade da pessoa humana, e este principio inclui os indivíduos que cometeram algum delito.

De acordo com o presidente do CNJ, 500 mil pessoas cumprem pena no Brasil. Quando libertos, 70% retornam à criminalidade. Para reduzir esses índices, Peluso acredita que o Estado e a sociedade civil precisam criar e fomentar politicas públicas sólidas que propiciem a reintegração do infrator.

Cartilha

Durante o evento, Peluso lançou a cartilha Programa Alocação de Mão de Obra Prisional no Estado de São Paulo. O documento deve orientar os detentos e futuros empregadores sobre seus direitos e deveres no mercado de trabalho e na convivência em sociedade.

“Precisamos promover a reinserção social dos infratores ao meio social como finalidade educativa e social, possibilitando a recuperação da autoestima e dignidade humana”, acrescentou.

“Prisão é um lugar extremamente caro para deixar as pessoas piores”, diz Milton Gonçalves

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

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Milton Gonçalves afirmou que os investimentos na área de educação são importantes para o combate a criminalidade

“Eu poderia ter sido um criminoso, dadas as adversidades que a vida me trouxe, mas arte me salvou. Basta empenho de cada um de nós para que a sociedade seja mais justa”, declarou o ator Milton Gonçalves, aos mais de 400 participantes do Encontro Nacional do Projeto Começar de Novo, iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Senai-SP, nesta segunda-feira (5), no Teatro do Sesi São Paulo.

O ator lembrou que a população carcerária brasileira dobra a cada oito anos, um número alarmante comparado ao crescimento da população. E observou que se o Estado e a sociedade civil não adotarem medidas eficazes até 2080, mais de 90% da população brasileira estará atrás das grades. “Noventa por cento da população morará em um condomínio fechado. Esta é a aposentadoria que vocês desejam? Este é o futuro que vocês sonham para os seus filhos e netos?”, questionou.

Na avaliação de Gonçalves, a falta de acesso da comunidade carente ao ensino básico, somada ao preconceito contra os negros, estimula os jovens a ingressarem na criminalidade. “A nossa grande missão é educar os meninos. É preciso educação em todas as esferas da sociedade para que o desenvolvimento intelectual se dê por completo provendo ao individuo desde cedo os implementos necessários para o seu crescimento enquanto cidadão ativo no seu grupo social”, apontou. E completou: “É preciso oferecer, minimamente, alimentação adequada para crianças e substratos para que ela possa seguir a diante com sua evolução individual com condições minimamente iguais das crianças abastardas”.

Durante a apresentação, Gonçalves afirmou que já sofreu discriminação racial e relatou um episódio marcante durante a sua adolescência, quando foi barrado por um guarda metropolitano, na Avenida Paulista, com a justificativa de que o lugar não era adequado para pessoas negras e pobres.

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Valmir Salaro, apresentador e repórter da Rede Globo

“Hoje estou aqui, em plena Avenida Paulista, e preciso dizer a vocês que é possível mudar o processo; basta vontade política e empenho social. O Brasil somos todos nós, não é uma entidade fantasma aos nossos interesses”. Emocionado, o ator completou: “Hoje eu digo: eu não vou sair da Paulista, meu senhor; meu lugar é aqui”.

Cobertura jornalistíca

Valmir Salaro, apresentador e repórter da Rede Globo, confidenciou que ao longo dos seus 30 anos de carreira, ele realizou poucas matérias valorizando a reintegração de ex-detentos a sociedade.

“Relatar apenas o aumento dos crimes é um erro gravíssimo que nós (jornalistas) cometemos e influenciamos a sociedade”, afirmou. E parabenizou a inciativa da federação: “Eu não conhecia o belo trabalho realizado pela Fiesp de reintegrar e dar educação a pessoas que nunca tiveram acesso”.

Curso do Ciesp orienta empresas na contratação de pessoas com deficiência

Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

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Da esq. p/dir.: Demétrio Zacarias, Walter Vicioni, Walter Gimenes, Alexandre Serpa e Davi Zaia, durante a reunião do Depar II/Ciesp

O Ciesp anuncia as inscrições para a segunda turma do curso Inclusão das Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho, voltado para empresários, gestores e profissionais de recursos humanos. O programa será realizado em dois módulos, com carga horária de 30 horas, nos dias 17, 18, 24 e 25 de maio, em São Paulo.

O objetivo do curso, organizado pela Diretoria de Produtos, Serviços e Negócios do Ciesp, é propiciar aos participantes os conhecimentos e conceitos sobre a obrigatoriedade imposta pela Lei de Cotas (nº. 8213/91), regras e aplicações legais para a contratação de profissionais com algum tipo de deficiência nas empresas brasileiras.

A primeira turma, formada em novembro de 2010, contou com 19 participantes. O diretor de Responsabilidade Social do Ciesp, Vitor Seravalli, apresentou os resultados do treinamento nesta terça-feira (15), durante reunião do Departamento de Ação Regional (Depar II/Fiesp).

A avaliação do curso mostrou que o programa atendeu as necessidades de 100% dos participantes. Todos classificaram o treinamento como ótimo (64%) ou bom (36%).

Aplicação imediata

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Vitor Seravalli apresentou os resultados do treinamento

“A unanimidade de aprovação nos chamou atenção. Percebemos que as empresas têm dificuldades com a questão da inclusão, e o conteúdo oferecido possibilitou aplicação imediata nos negócios”, analisou Seravalli.

Pontos fortes do programa, indicados espontaneamente pelos participantes:

  • Saber como incluir PCD na empresa;
  • Possibilidade de abordagem prática;
  • Aplicabilidade das aulas no trabalho;
  • Elaboração de programa de inclusão;
  • Relatos de PCDs e dinâmicas de sensibilização como deficiente.

Vitor Seravalli também anunciou que o Ciesp deverá aproveitar sua capilaridade no interior paulista para levar o curso às diretorias regionais em 2011, com programação e carga horária adaptadas. “A intenção é que o programa seja referência estadual e nacional”.

A reunião foi presidida pelo diretor-titular do Depar II, Alexandre Serpa. Contou com a participação do superintendente operacional do Sesi-SP e diretor regional do Senai-SP, Walter Vicioni, que fez um balanço das atividades sociais e esportivas das entidades e projeções para 2011; e do secretário estadual de Emprego e Relações do Trabalho, Davi Zaia.

Ele tratou, entre outros temas, do Programa Estadual de Apoio à Pessoa com Deficiência, que já inseriu quase 10 mil pessoas no mercado de trabalho entre 1995 e 2011.

Mais sobre o “Sou Capaz”

O treinamento oferecido para gestores em São Paulo é mais um passo do projeto “Sou Capaz”, braço do programa Capital Humano na Indústria, coordenado pelo Depar/Fiesp, que visa encontrar facilitadores para o cumprimento da Lei de Cotas.

A iniciativa conta com o apoio das unidades do Ciesp no interior para fazer o projeto chegar ao empresariado local. A proposta é identificar onde estão e quantas são as pessoas com deficiência (PCDs), bem como o tipo de sua limitação, capacitá-las e inseri-las no mercado de trabalho.

Fiesp lança curso de inclusão das pessoas com deficiência

Djalma Lima, Agência Indusnet Fiesp

O Mercado de Trabalho e Pessoas com Deficiência foi tema de palestras na manhã de quarta-feira (6) na Fiesp, durante encontro organizado pelo Departamento de Ação Regional (Depar), no qual se oficializou o lançamento do curso Inclusão das Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho.

Voltado a profissionais de Recursos Humanos e Gestores, a iniciativa tem como objetivo propiciar conhecimentos e conceitos sobre a obrigatoriedade imposta pela “Lei de Cotas”, além de esclarecer regras e aplicações legais para a contratação de profissionais com deficiência nas indústrias e empresas brasileiras.

O curso terá duração de 30 horas e será dividido em dois Módulos com matérias sobre: sociologia do trabalho, tipos e definições sobre deficiência, recursos humanos e dicas de convivência; tecnologia no mercado e a quem se destina, elaboração e gestão de projetos.

De acordo com o Superintendente Regional do Trabalho e Emprego no Estado de São Paulo, José Roberto de Melo, existem hoje no estado mais de 2 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. Dentre elas, 300 mil estão enquadradas na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) e recebem o Beneficio de Prestação Continuada (um salário mínimo) do INSS, sendo que 100 mil já estão contratadas.

“Portanto, temos à disposição do mercado mais 200 mil trabalhadores nestas condições, o mesmo número de vagas disponíveis em todo o estado”, ressaltou Melo.

Ainda participaram do evento Cristiane Gouveia, da Equipe do Depar, que apresentou o Projeto Sou Capaz, e os palestrantes Adriano Bandini, da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida; e Roberto Rios, jornalista, radialista e consultor da Campos Gestão pelos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Serviço
Curso “Inclusão das Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho”
Módulo I – 8 a 12 de novembro de 2010
Módulo II – 22 a 26 de novembro de 2010
Associados ao Ciesp e Sindicatos Filiados a Fiesp terão desconto.
Mais informações podem ser obtidas no Ciesp, pelos telefones (11) 3549-3258 / 3297 / 3202.

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