Mercado de capitais requer estabilidade e previsibilidade, diz economista na Fiesp

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O economista Roberto Teixeira da Costa foi o convidado para debater o papel do mercado de capitais na atual conjuntura, suas repercussões internas e externas e perspectivas, no Conselho Superior de Estudos Avançados da Fiesp (Consea) nesta segunda-feira, 19 de junho.

Tendo sido visiting scholar da Columbia University, em 2016, em Nova York, comentou que os Estados Unidos têm preocupação com a Rússia, o Oriente Médio e o Estado Islâmico, passando ao largo da China e dos países latino-americanos. Ao questionar os especialistas sobre o porquê dessa atitude, revelaram que há uma preocupação apenas com os países que “dão trabalho”, por isso, o Brasil está fora do centro de atenção, no momento.

Sua experiência na universidade se converterá em livro que tratará do impacto do governo Luís Inácio Lula da Silva (2003-2011) no mercado de capitais; governança corporativa; as pequenas e médias empresas e o mercado de capitais; além do papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Costa lembrou que, em um momento histórico no governo de Juscelino Kubitscheck (1956-1961), foram impulsionadas duas indústrias incipientes (automobilística e eletroeletrônicos) e se criou letra de câmbio para financiá-las.

O mercado de capitais tem condicionantes básicas, de acordo com o expositor: estabilidade, inclusive da moeda, controle da inflação e credibilidade, pois o investidor precisa de previsibilidade. E, também, enfatizou a questão ética.

Na sua avaliação, o brasileiro é imediatista, mas precisa focar mais no médio e longo prazos. Enquanto o norte-americano poupa fortemente em ações com vistas à sua aposentadoria, o brasileiro precisa de educação financeira, pois o índice de investimento aqui ainda é baixo. “Não se trata de uma renda especulativa”, mas uma salvaguarda para o futuro. Dessa forma, seria possível desenvolver o mercado de ações, com a melhoria de resultados, além da inovação que se articula com a competitividade.

“A Bolsa de Valores no país é uma das mais bem equipadas do mundo”, sinalizou. Para ele, se antes os analistas de investimento não tinham acesso às informações, hoje têm uma gama de dados à disposição com a Lei das Sociedades Anônimas e a apresentação, inclusive, de relatórios ambientais.

Ruy Martins Altenfelder, presidente do Consea, fez comentários sobre a crise que atormenta o Brasil e suas saídas. Entre os questionamentos ao expositor, se uma possível interferência da Rússia nas eleições nos EUA poderia levar a um impeachment em função da mentira e do perjúrio. Para Costa, as chances são pequenas pelo fato de o norte-americano ser conservador, mas a questão do perjúrio realmente é fato grave.

Para Costa, não se deve julgar o mercado de capitais pelas ações da JBS, por exemplo, diante do questionamento feito por Altenfelder quanto à ética e a transferência do controle acionário da empresa para os Estados Unidos.

Por fim, o economista frisou que o Poder Judiciário de São Paulo, o maior tribunal de Justiça do mundo, com 100 milhões de processos, teria como saída natural a resolução em Câmaras de Mediação, Conciliação e Arbitragem.

Roberto Teixeira da Costa, economista, ingressou na área de mercado de capitais em 1958. Criou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), onde ocupou o cargo de presidente até 1979. É autor dos livros Nem só de marketing… postura e comportamento no mundo corporativo (2005, Conex) e Mercado de capitais. Uma trajetória de 50 anos (2006, Imprensa Oficial).

Roberto Teixeira da Costa falou sobre mercado de capitais no Consea, da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp