Mercadante alerta contra estagnação da indústria e defende economia do conhecimento

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540019351

Aloizio Mercadante, ministro de Ciência e Tecnologia

O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, mas esse bom desempenho sugere uma estagnação da atividade econômica, para o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

“Como os preços das commodities estão muito altos e deverão continuar muito confortáveis por um longo período, nosso maior risco é o Brasil se acomodar como um grande exportador destas commodities”, alertou Mercadante nesta quinta-feira (26), ao participar do Seminário Brasil do Diálogo, da Produção e do Trabalho, organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pelas centrais sindicais.

No início de seu discurso, o ministro destacou a importância de desenvolver o conhecimento tecnológico da indústria brasileira. “Economia do futuro é uma economia do conhecimento. Não podemos nos acomodar”, enfatizou.

Mercadante sugeriu um modelo de pesquisa, como a Empresa de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que atenda outros setores da indústria. O ministro mencionou o Senai como objetivo de uma possível parceria por ter “alguns centros de referência importantes para essa política.”

“O Estado brasileiro conseguiu criar a Embrapa da agricultura. Por que não podemos criar também uma Embrapa da indústria? Precisamos organizar a demanda. A indústria precisa ter um lugar onde ela bata na porta e diga: meu problema é esse aqui”, defendeu ele.

Investimento Externo

O investimento estrangeiro ideal para o Brasil, na opinião de Mercadante, é aquele não desestrutura as empresas que já existem.

“Nós queremos investimentos (externos)? Queremos. Mas um investimento que traga tecnologia, que fortaleça as empresas daqui, e não simplesmente um investimento que vem para comprar o que já existe, para inflacionar o que já construímos”, defendeu o ministro.

Para assumir esse tipo de postura mais agressiva, Mercante pediu pela parceria entre trabalhadores, indústria e governo. “E não uma atitude passiva.”