Governo de Mendoza pede apoio da Fiesp para projeto logístico

Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

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Ministro de Produção de Mendoza, Raúl Mercau, e governador de Mendoza, Celso Alejandro Jaque, durante seminário na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine



A província argentina de Mendoza deverá se transformar, nos próximos dez anos, em um centro de logística com capacidade de escoar a produção latino-americana para a Europa e os países asiáticos por meio do Pacífico. O canal conferiria à província uma posição estratégica no Mercosul.

A intenção foi anunciada nesta terça-feira (26) pelo governador de Mendoza, Celso Alejandro Jaque, durante encontro com dirigentes da Fiesp. Ele veio a São Paulo acompanhado de uma delegação de 15 empresários argentinos, que cumpriram agenda de 200 reuniões de negócios com brasileiros.

O chefe do Executivo da província pediu apoio da Fiesp para estimular empresas brasileiras a participarem do projeto logístico. Uma das etapas será a construção de um túnel ferroviário de 52 quilômetros de extensão, que ligará Chile e Argentina e agilizará o transporte. A licitação para a obra, orçada em US$ 3 bilhões, deverá ocorrer no mês de agosto.

“Queremos uma participação ativa de São Paulo na rede logística que estamos construindo. Nossa missão aqui é fortalecer ações conjuntas, e que fique claro que esta é uma política de Estado”, afirmou o governador Celso Jaque.

Investimento mútuo

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Ricardo Martins, dir. Relações Internacionais da Fiesp

Segundo o ministro de Produção de Mendoza, Raúl Mercau, o Brasil poderá ser importante parceiro para suprir a demanda de construção da infraestrutura logística. O governo da província costura com a Fiesp a realização de um seminário, ainda no primeiro semestre deste ano, para atrair grandes empresas brasileiras para o projeto.

Da mesma forma, o mercado brasileiro se abre para o país vizinho com as oportunidades em petróleo e gás.

Ricardo Martins, diretor de Relações Internacionais da Fiesp, acredita que futuras parcerias com empresas argentinas possam atingir 10% da capacidade de investimento da Petrobras no setor – cujo plano de negócios contempla US$ 240 bilhões nos próximos cinco anos. Só as empresas mendocinas poderiam garantir US$ 5 bilhões desse mercado, por meio de parcerias com os brasileiros para transferência de tecnologia.

Os esforços da Fiesp/Ciesp e do governo de Mendoza para promover investimentos mútuos e a integração industrial dos dois estados tiveram início com a missão comercial brasileira à província, em dezembro de 2010.

Outra prioridade da pauta é a conectividade aérea Mendoza-São Paulo, rota que ainda não contempla voos diretos. Segundo o governo mendocino, já há negociações avançadas com a companhia Aerolíneas Argentinas para viabilizar, como primeira etapa, uma interligação parcial com conexão na cidade de Córdoba.

Empresários discutem parcerias para fortalecer presença em mercados

Mariana Ribeiro, de Mendoza, Argentina, para a Agência Ciesp de Notícias

Os empresários brasileiros que foram a Mendoza, na Argentina, em busca de negócios nos setores de petróleo e gás, mineração e energia fizeram cerca de 200 reuniões com representantes de empresas locais, em dois dias de rodadas.

A missão empresarial, organizada pelo Ciesp e pela Fundação ProMendoza, entre os dias 30 de novembro e 4 de dezembro, contou com o apoio do governo da província.

Julio Diaz, diretor de Infraestrutura do Ciesp e proprietário da Laelc Reativos, fabricante de capacitores elétricos, também participou das sessões de negócios. Segundo ele, todas as reuniões foram bem direcionadas e deixaram links para negócios à frente. Após este primeiro passo, serão feitos novos contatos para fechar possíveis parcerias com empresas mendocinas.

“A intenção é que as empresas montem alguma base de produção no Brasil, associadas com brasileiros ou não. O governo de Mendoza também tem uma motivação muito grande em fazer o intercâmbio entre os dois estados. Dos empresários com quem conversei, pode dar negócios muito grandes”, resumiu o diretor, que fez 12 contatos em dois dias de agenda.

Unindo forças

Com o claro objetivo de integrar cadeias produtivas das empresas paulistas e mendocinas no intuito de adquirir tecnologia para aumentar a capacidade de fornecimento à Petrobras, a delegação brasileira cumpriu uma agenda de reuniões com dirigentes de empresas locais dos setores de máquinas, equipamentos e serviços voltados à indústria de gás e petróleo, mineração e energia.

Na avaliação do ministro de Produção, Tecnologia e Inovação de Mendoza, Raúl Mercau, Brasil e Argentina, juntos, têm um potencial muito grande para conseguir emplacar seus produtos de forma competitiva em terceiros mercados.

Segundo ele, as intervenções comerciais de cada um dos países para proteger suas economias – como a preferência para compras de equipamentos e serviços nacionais – pode se transformar em uma vantagem quando há integração das cadeias produtivas.

“Estamos falando da integração internacional de um cluster [concentração de empresas] que excede os limites geográficos da província. Isso nos permitirá fortalecer nossa presença em mercados e aproveitar as vantagens legais que existem em cada lado”, definiu o ministro Raúl Mercau. “Nesse caso, os favorecimentos para empresas nacionais podem se tornar vantagem se houver relação bilateral”, frisou.

Negócio fechado

Os empresários argentinos se motivaram com a disposição do Brasil em organizar a missão a Mendoza e garantiram que os contatos devem evoluir para parcerias comerciais, com as oportunidades que se abrem no mercado brasileiro para a cadeia petrolífera.

“Creio que há muita oportunidade, tanto para a Argentina como para o Brasil, de formarmos um bom vínculo entre os países. Particularmente, pela possibilidade que as empresas locais tiveram, com esta missão, de poderem se mostrar ao mercado internacional”, afirmou Ariel Chavez, gerente da Denersa, empresa que promove a expansão de projetos de energia renovável.

Sergio Fabrizi, gerente-geral da Aldo Fabrizi & Cia., procurava uma oportunidade para posicionar seus produtos no mercado brasileiro e buscar alianças com empresas que queiram se associar à companhia, fabricante de válvulas borboletas para diversos setores industriais, inclusive o petroquímico.

“É necessária a complementação com empresários locais para poder chegar aos clientes e ampliar nosso mercado. A Petrobras, por exemplo, é um potencial importante de consumo, e sabemos que precisamos ter algum aliado no Brasil para chegar até ela. Esse foi um dos motivos que nos trouxe para cá”, revelou Fabrizi.

Governo de Mendoza convoca empresários brasileiros a participar de projeto da Vale

Mariana Ribeiro, de Mendoza, Argentina, para Agência Indusnet Fiesp

Em reunião com representantes da missão brasileira na Casa de Governo de Mendoza, o ministro de Produção, Tecnologia e Inovação da província, Raúl Mercau, também acenou com uma abertura aos negócios com o Brasil.

Na ocasião, ele anunciou que a Vale vai investir US$ 4 bilhões na província, em um projeto de extração de sal de potássio que deverá gerar 4.000 empregos nos próximos três anos.

“É um investimento histórico para a província e para o país. A Vale vai demandar uma quantidade de bens e serviços que as empresas mendocinas não têm condições de suprir. A integração das nossas cadeias produtivas também é muito importante nesse processo”, ressaltou Mercau.

A missão chefiada pelo Ciesp levou um grupo de 15 empresários brasileiros a Mendoza, entre 30 de novembro e 4 de dezembro. A agenda incluiu a participação na primeira edição da Expo Pura Energia e rodadas de negócios com empresários argentinos, ligados aos setores de petróleo e gás, mineração, energia elétrica e fontes renováveis.

Parcerias

Segundo o ministro, a Vale se comprometeu a contratar mão de obra local e privilegiar a compra de insumos das empresas de Mendoza no projeto de extração do minério. Isso poderia beneficiar as indústrias brasileiras no fornecimento de equipamentos e serviços para esse mercado. O investimento deve movimentar a construção de 325 quilômetros de linha férrea na região.

“Associados com as empresas brasileiras, teremos escala para fornecer. É uma oportunidade de US$ 600 milhões anuais”, frisou o ministro.

O diretor do Ciesp, Ricardo Martins, recebeu com entusiasmo a proposição do governo de Mendoza, que pode resultar em parcerias, joint ventures e acordos para compra de tecnologia.

“É uma oportunidade nova que nem vislumbrávamos, e que pode abrir um leque de negócios para o Brasil. Temos que tirar proveito disso, ou seja, se eles não têm condições de fornecer, vão precisar de nós”, reforçou Martins.

Outra proposta para avançar na integração de cadeias produtivas dos dois países é a realização da Semana de Mendoza em São Paulo, na sede do Ciesp/Fiesp, em 2011. O evento deverá receber os empresários mendocinos para rodadas de negócios nos moldes da programação organizada pelo Ciesp na capital da província argentina.

Brasil e Argentina querem integração industrial

Mariana Ribeiro, de Mendoza, Argentina, para a Agência Indusnet Fiesp

A integração de cadeias produtivas de Brasil e Argentina é um tema que deverá ganhar força na agenda do Ciesp/Fiesp em 2011. A parceria entre empresas dos dois principais países do Mercosul é tida como uma saída para enfrentar as dificuldades impostas pelo câmbio nas negociações internacionais.

Estudo das entidades industriais demonstra que a moeda brasileira está sobrevalorizada em 40% em relação ao dólar, enquanto o iene está subvalorizado também em 40%, o que derruba os preços do produto chinês no mercado e prejudica a competitividade.

Para dar mais um passo na direção da aproximação comercial, o Ciesp levou um grupo de 15 empresários para uma missão empresarial em Mendoza, na Argentina, que ocorreu do dia 30 de novembro até 3 de dezembro.

A província é importante produtora de vinho e azeite e ostenta a segunda maior refinaria de petróleo do país, em Luján de Cuyo. A delegação participa da primeira edição da Expo Pura Energia, que envolve os setores de petróleo e gás, mineração, energia elétrica e fontes renováveis. A agenda inclui uma série de rodadas de negócios com empresários mendocinos, com o objetivo de buscar afinidades comerciais e oportunidades de parcerias.

O diretor de Comércio Exterior e Relações Internacionais do Ciesp, Ricardo Martins, que acompanhou a missão, espera um aproveitamento mínimo de 50% em negócios reais com as rodadas promovidas pela entidade, em parceria com a Fundação ProMendoza.

“A integração comercial é a forma mais rápida de lograrmos uma competitividade maior e atingirmos terceiros mercados, principalmente no momento em que os mercados emergentes estão sendo dominados por produtos chineses. Talvez desta forma o problema da taxa de câmbio passe a não significar tanto”, afirmou Martins.

Complementação industrial

Um dos objetivos da missão empresarial é justamente ser um facilitador desse processo. Ou seja, colocar em contato o que as indústrias dos dois países têm de melhor. O Brasil abre uma oportunidade de aproximação com a pujante indústria de petróleo e gás, especialmente com o projeto da Petrobras, cujo plano de negócios envolve investimentos de R$ 224 bilhões até 2014.

A ideia é buscar na Argentina a expertise e a tecnologia em máquinas e insumos para a cadeia petrolífera, na figura de parcerias ou joint ventures com as empresas brasileiras, que assim possam se capacitar a fornecer para um terceiro. No caso, a Petrobras.

“Eles (Petrobras) compram muita coisa fora do Brasil porque a nossa indústria não tem, mas não compram da Argentina porque ela não tem preço. O produto chinês tem um custo muito mais baixo. A saída é justamente essa: oferecer know-how e tecnologia para a empresa brasileira, e desta forma aproveitar a oportunidade também como provedor. Ganham os dois lados”, apontou Ricardo Martins.

O diretor calcula que os contatos entre brasileiros e mendocinos na missão podem resultar em negócios da ordem de US$ 500 milhões em potencial, dentro do que é esperado para o fornecedor nacional (30% do valor do orçamento) no plano de negócios da Petrobras.

Ciesp chefia missão empresarial em Mendoza, Argentina

Agência Indusnet Fiesp

Desde o dia 30 de novembro até 4 de dezembro, o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) lidera uma missão empresarial na capital da província de Mendoza, na Argentina, importante polo de refinamento de petróleo. A convite do governo local, os empresários brasileiros buscam parcerias com as companhias daquela região.

Participam da missão empresas do setor metalomecânico; fabricantes de equipamentos para o setor de petróleo, gás e mineração; além de representantes da área de energia elétrica e fontes renováveis. Também serão organizadas, pelo Ciesp e a Fundação ProMendoza, rodadas de negócios, as quais a delegação brasileira participará da primeira edição na feira Expo Mendoza – Pura Energia.

“O foco principal é promover o intercâmbio na área de Petróleo e Gás. Várias empresas argentinas, fabricantes de válvulas, flanges e conexões, acabam não tendo acesso às oportunidades geradas pela exploração da indústria de petróleo no Brasil, principalmente com o pré-sal”, afirma Ricardo Martins, diretor de Relações Internacionais e

Comércio Exterior do Ciesp, que acompanhará a missão.

Cadeia do petróleo

Segundo Julio Diaz, diretor de Infraestrutura do Ciesp, para cumprir o plano de negócios da Petrobras todo o parque industrial precisa se preparar. A meta leva em conta uma produção de 3,9 milhões de barris de petróleo/dia em 2020. Ou seja, 70% de conteúdo nacional.

Entre os desafios:

  • Ampliar a capacidade produtiva de setores altamente competitivos;
  • Desenvolver concorrência em setores de média competição;
  • Incentivar a associação entre companhias nacionais e internacionais, além da instalação de empresas estrangeiras no Brasil para transferência de tecnologia.

“Temos que motivar essa aproximação. Só desenvolvimento, só laboratório de pesquisa, não vai nos dar a tecnologia necessária para participar desse processo”, defende Diaz.

Mendoza se destaca por ser o terceiro maior produtor nacional de petróleo e abriga a segunda maior refinaria da Argentina, depois de La Plata. Controlado pela espanhola Repsol, o polo processa 200 mil barris/dia na localidade de Luján de Cuyo.

Mercosul

Polo estratégico do oeste argentino e ligação entre o Mercosul e o porto do Chile, as exportações da província de Mendoza subiram 15% no primeiro semestre de 2010, com relação ao mesmo período do ano passado.

As remessas estrangeiras atingiram US$ 874 milhões em comparação com os US$ 759 milhões alcançados até junho de 2009. No total, as vendas somaram US$ 1,48 bilhão no ano passado. O Brasil detém quase 20% das exportações mendocinas.