Boas lembranças do 1313 da Avenida Paulista

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Ela nunca esqueceu do impacto que sentiu ao entrar, pela primeira vez, no quinto andar. Ali, ao ver tanta gente trabalhando, se deu conta da grandiosidade da instituição para a qual começou a trabalhar no último mês de julho: a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Gerente do Departamento Sindical (Desin) da instituição, Daniele Azevedo de Souza é uma das 3 mil pessoas que circulam, em média, todos os dias pelo edifício de número 1313 da Avenida Paulista. E, admiradas, comemoram o fato de frequentar um marco da arquitetura da maior metrópole brasileira, uma construção que completa 37 anos neste sábado (27/08).

“O nosso prédio é especial”, diz Daniele. “O reflexo da importância da Fiesp e de tudo o que ela representa para São Paulo e para o Brasil”.

Seria um caso de pura e simples paixão momentânea pelo novo ambiente de trabalho? A julgar pelo que dizem os funcionários mais antigos da Fiesp, o relacionamento com a instituição e a sua sede é duradouro. “Não dá para esquecer esse prédio”, conta Laudelina Leal dos Santos, administradora do mesmo setor em que trabalha Daniele, o Desin. “Coisas muito boas acontecem aqui”.

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O prédio da Fiesp: 3 mil pessoas circulam todos os dias na sede da indústria paulista. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Laudelina é a colaboradora mais antiga da federação, tendo sido contratada há 38 anos. Assim, foi testemunha da mudança de sede do Palácio Mauá, onde hoje está o Fórum Hely Meirelles, no Centro, para a pirâmide da Paulista. “A avenida era muito sossegada”, lembra. “Tínhamos duas horas de almoço e dava tempo de sobra de comer e relaxar caminhando pela região e aproveitando as atividades oferecidas no prédio, como shows ao meio-dia às sextas-feiras”.

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Laudelina: no prédio da Fiesp desde os tempos em que a Paulista era "sossegada". Foto: Everton Amaro/Fiesp


Também um representante do time dos funcionários com mais tempo de casa, com 30 anos de carteira assinada, o gerente do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Fiesp, Filemon Lima, é outro entusiasta da programação cultural permanente, com shows na calçada, exposições de arte no Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso e peças e debates no Espaço Mezanino e no Teatro do Sesi-SP, atualmente em reforma e com inauguração prevista para setembro. “Digo a todos que aproveitem mais esse prédio”, conta.

Em suas melhores lembranças vividas na sede da indústria paulista, Lima conta que foi aqui que ele conheceu a sua primeira mulher, Solange, mãe de seus dois filhos e hoje a sua melhor amiga. “Trabalhávamos juntos e namoramos durante três anos”, diz. “Santo Antônio estava sempre por aqui”, brinca.

No balanço de tantas emoções, ficaram amizades de longa data, despedidas dolorosas e momentos que nunca serão esquecidos. “Tenho uma foto com o Zé Maria, lateral direito da seleção brasileira nos anos 1970 e ídolo do Corinthians, que tirei quando ele veio aqui”, diz. “Guardo até hoje, foi especial para mim”.

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Lima: um amor, muitas amizades, algumas despedidas, emoções de sobra. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Ídolos do vôlei

Gerente de Recursos Humanos da Fiesp, Marco Aurélio Meneguesso também guarda com carinho fotos com ídolos com quem já cruzou pelos corredores da Fiesp, como os craques do vôlei Serginho e Marcelo Negrão. “Estando aqui, temos a chance de ter contato com pessoas que a gente admira na nossa profissão e em todas as outras”, conta.

Além disso, para ele é um privilégio dar expediente num prédio tão conhecido. “Todo mundo sabe onde eu trabalho”, diz. “Somos uma das construções mais conhecidas da Paulista”.

Em todo o edifício, trabalham cerca de 2.300 pessoas, dos quais 465 são funcionários da Fiesp. Os demais fazem parte dos quadros do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e de sindicatos variados ligados à indústria.

Ceia de Natal

Um batalhão de gente que garante movimento 24 horas. Com serviços de manutenção, limpeza e segurança que não param jamais.

Funcionário da equipe de segurança do prédio, Paulo Ismar Lourenço conta que, no final de 2015, se sentiu emocionado, durante uma ceia de final de ano com seus colegas, ao se dar conta de que, mesmo com tão pouca gente trabalhando, o número 1313 da Paulista continuava em movimento. “Foi um momento de união muito bonito”, lembra. “Para um segurança, trabalhar na Fiesp é dinâmico: se hoje atendemos uma autoridade internacional, amanhã acompanhamos a visita de um grupo de alunos das escolas do Sesi-SP”, diz.

Dos bastidores aos palcos, emoção é o que não falta. Estrela de dois musicais de muito sucesso no Teatro do Sesi-SP, A Madrinha Embriagada e O Homem de La Mancha, Sara Sarres frequentou a sede da Fiesp praticamente todas as semanas de agosto de 2013 até junho de 2015, quando terminaram as temporadas dos dois espetáculos.

“Tive a sorte de viver muitos momentos inesquecíveis no prédio da Fiesp, mas um dia transformador para mim foi o lançamento do Projeto Educacional de Teatro Musical, em maio de 2013”, lembra. “Ver que existia um laço atado entre a indústria, a educação e a cultura foi uma emoção indescritível, me encheu de esperanças de vivermos num Brasil melhor”, diz. “Por essas e outras, o prédio da Fiesp é um cartão postal no meu coração”.

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Sara durante o lançamento do projeto Teatro Musical, em maio de 2013: para não esquecer. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Como um abraço

Um cartão postal que, com seus 92 metros de altura, emociona até quem já está acostumado com o melhor em matéria de construção. Vencedor do prêmio Pritzker, considerado o Nobel de arquitetura, em 2006, Paulo Mendes da Rocha diz que a casa da indústria paulista é “um prédio exemplar dentro da obra belíssima do Rino Levi”, numa referência ao arquiteto responsável pelo projeto.

Em 1998, Mendes da Rocha reformou a parte mais baixa da construção, aproveitando os apoios de concreto para sediar o que hoje é o Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso. Assim, a laje do pavimento superior do passeio recebeu um corte, com o recuo da laje inferior. Com a mudança, o passeio público foi ampliado, integrando o edifício à avenida mais famosa de São Paulo e dando a sensação de abraçar quem passa pela frente.

“O prédio reflete as relações que a Fiesp estabelece com a cidade por meio do teatro e dos seus espaços de exposições”, afirma Mendes da Rocha. “Marca bem o fato de São Paulo ser o maior centro industrial da América Latina”.

Numa prova definitiva de que a pirâmide da Paulista brilha e faz brilhar, o arquiteto lembra de quando assinou a cenografia da peça Futebol, dirigida por Bia Lessa e encenada em 1994, no Teatro do Sesi-SP. “Foi muito bom estar ali dentro, na plateia, e ver o meu trabalho em cena”, diz. “O prédio da Fiesp é um marco da arquitetura de São Paulo”.

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O prédio ds Fiesp iluminado com projeções em sua fachada: casa da indústria e palco da cultura. Foto: Everton Amaro/Fiesp


‘A Madrinha Embriagada’: temporada levou 150 mil pessoas ao Teatro do Sesi-SP

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

O encanto das 325 apresentações de A Madrinha Embriagada, a serem completadas na noite deste domingo (29/06), com a sessão de encerramento da temporada do espetáculo, não se limitou ao palco. Na plateia e na entrada do Teatro do Sesi-SP, não faltaram boas histórias nos bastidores do espetáculo, montado com o apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP).

“Já tivemos de tudo no teatro: um rapaz pediu a namorada em casamento, outro casal comemorou bodas de prata, uma senhora bem idosa, que fazia aniversário, foi ver a peça acompanhada de todos os filhos e netos. E eram muitos!”, conta o diretor geral da produção e intérprete do personagem Adolpho na trama, Cleto Baccic.

Em cena, Baccic já teve que exercitar seu jogo de cintura em situações como a de uma cartola um tanto folgada na cabeça. “No início da temporada, usava o cabelo longo. Quando cortei, a circunferência da cartola que usava diminuiu drasticamente, só que eu não me ative a esse detalhe”, diz. O resultado? “Na cena do ‘mico’, na qual entro com o tal adereço, a peça vinha parar no meu nariz, o que por si só já era um ‘mico’. Tive que fazer a coreografia com a cartola pulando na minha cabeça em vários momentos”.

Vasconcelos, à esquerda, e Baccic: muita concentração em cena. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Vasconcelos, à esquerda, e Baccic: muita concentração em cena. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


Além da habilidade de equilibrar um chapéu folgado e dançar ao mesmo tempo, Baccic também precisou segurar o riso em diversas situações ao longo da temporada, iniciada em agosto de 2013. “Certa vez, na hora em que derrubo a bengala e o Homem da Poltrona diz que tem certeza de que foi o ‘Rolando Bartelli’, uma criança que estava logo na primeira fileira, bem na minha frente, comentou: ‘sim, foi ele mesmo!’. Tive que segurar o riso”, lembra. “Adoro a reação do público, principalmente quando é assim, espontânea”.

De disciplina para não perder a concentração, Saulo Vasconcelos, que interpreta o Sr. Iglesias em A Madrinha Embriagada, entende. Segundo o ator, que já participou das montagens brasileiras de musicais como O Fantasma da Ópera, Cats e A Bela e a Fera, entre muitos outras, plateias formadas principalmente por crianças e adolescentes estão entre as mais desafiadoras. “É preciso redobrar a concentração”, diz Vasconcelos. “Alguns jovens brincam dizendo frases como ‘ah, não diga!’ na cena em que falta luz e o O Homem  da Poltrona comenta o que aconteceu”, conta.

E isso não é tudo. “Também já ouvimos espectadores fazendo barulho de grilos e de outros animais em momentos em que o palco fica escuro”, diz. “Só tendo uma disciplina absurda para não perder o clima”, conta.

Desce, cama, desce!

Numa cena em que interage com uma cama cenográfica, Vasconcelos só não chegou a passar apuro devido à agilidade da equipe de produção do musical. “A cama, embutida na parede, não desceu imediatamente algumas vezes”, diz. “Já estava pensando numa solução e mentalizando ‘desce, cama, desce’ quando consegui ouvir, do palco, até marteladas nos bastidores para resolver o problema. Sempre deu tudo certo”.

Vasconcelos e a cama que quase emperrou: marteladas nos bastidores. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Vasconcelos e a cama que quase emperrou: marteladas nos bastidores. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


No fim das contas, essas e outras situações ficarão guardadas, com carinho, nas memórias do elenco e do público ao final da concorrida temporada da peça, vista por 150 mil pessoas. “Poder levar às pessoas, sem distinção de classe social, um espetáculo com acabamento impecável, elenco de primeira, orquestra ao vivo, durante 11 meses e inteiramente gratuito, é o que mais me emociona e me motiva a continuar sonhando”, afirma Baccic.

E isso para não falar do clima nos bastidores. “O ambiente sempre foi extremamente agradável e eu não me refiro apenas ao elenco, mas também à equipe técnica”, conta. “Rimos juntos, sofremos juntos, nos preocupamos uns com os outros. Somos como uma família”. Uma família agora repleta de boas histórias para contar.

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