Na Fiesp, Holanda mostra sua experiência sobre gerenciamento de resíduos sólidos

Nesta terça-feira (10/04), a Fiesp abre espaço para um debate fundamental: o desafio do gerenciamento de resíduos sólidos. Representantes holandeses explicarão sua trajetória, evitando-se erros comuns que ocorrem na implantação de um plano de gerenciamento de resíduos sólidos.

A Holanda é referência mundial quando o tema é gestão de resíduos, pois o tamanho do país e condições geográficas específicas impulsionaram os empresários a investir, desde 1970, em soluções ambientais eficientes e novas tecnologias. Resultado: cerca de 80% dos seus resíduos são reciclados, 16% incinerados e de 3 a 4% seguem para aterros.

Por meio de um projeto nacional envolvendo todos os setores e forte educação ambiental, o processo começa na arquitetura de um produto sustentável, que atende padrões rigorosos, reaproveitamento no final do ciclo, além de estímulos econômicos.

A ministra de Infraestrutura e Meio Ambiente da Holanda, Melanie Schultz van Haegen-Maas Geesteranus, participa da abertura ao lado do secretário de Estado do Meio Ambiente, Bruno Covas, e do presidente da Fiesp/Ciesp, Paulo Skaf.

O primeiro painel, sobre gerenciamento de resíduos na Holanda, contará com Herman Huisman, sênior da divisão de meio ambiente da NL Agency, entidade governamental de implementação de políticas nacionais.

Ao longo do dia serão tratados outros temas como responsabilidade pós-consumo de resíduos de embalagens, de eletroeletrônicos, gerenciamento de resíduos pelos municípios e para geração de energia. A Van Gansewinkel, maior empresa privada de reciclagem do país, traz sua experiência ao lado da universidade TU Delft, que trabalha no desenvolvimento tecnológico.


Desafio brasileiro

Em função da Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS), os brasileiros deverão se adaptar, até 2014, ao que determina a Lei. A implantação da logística reversa será um desafio e terá duas frentes a serem superadas.

Uma delas trata da geração de resíduos fora das residências, quando se vai trocar o óleo do carro, o pneu, a bateria, por exemplo, e o que sobra desta relação de consumo fica no prestador de serviço. Para isso, já existem algumas leis anteriores à PNRS relativas à destinação.

O segundo obstáculo a ser superado pela Política Nacional diz respeito ao que se torna resíduo na casa de todos nós. A embalagem, por exemplo, está cada vez mais presente nas relações de consumo e com peso maior, mas tem valor. Hoje se produz o dobro de resíduos em comparação há 10 anos. No Estado de São Paulo, cada cidadão gera 1.350 gramas de lixo/dia (Fonte: Abrelpe, 2011), o que, somando, dá 55 mil toneladas/dia.

Com a PNRS, a multa para o descarte de reciclados no lixo doméstico varia de R$ 50 a R$ 500 e, para pessoas jurídicas, de R$ 500 a R$ 2 milhões. A Lei trata da responsabilidade compartilhada pelos vários setores, importadores, indústria, comércio, governos e consumidor.


Perfil da Holanda

A gestão de resíduos entrou na agenda administrativa do país na segunda metade da década de 1970. Com condições geofísicas complexas para utilização de aterros sanitários – é plano, com lençóis freáticos elevados –, desenvolveu tecnologia para extração de gás que se transforma em eletricidade renovável. Nas grandes cidades, recipientes subterrâneos recebem os resíduos e apenas aqueles que não têm aproveitamento são incinerados, mas viram energia, inclusive para o aquecimento urbano destinado às residências.


Serviço

Seminário Internacional – Gerenciamento de Resíduos Sólidos: A Experiência Holandesa

Data: 10 de abril, terça-feira. Haverá tradução simultânea

Horário: 8h30 às 17h30

Local: Espaço Nobre, sede da Fiesp – Av. Paulista, 1313, 15º andar


Confira aqui a programação