Jovem e livre, Peer Gynt será protagonista do Teatro do Sesi-SP no segundo semestre

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Quem passa pela frente do sobrado em tom de bege, numa rua movimentada do bairro da Aclimação, em São Paulo, não imagina que nos fundos daquela casa há um galpão. E muito menos que, nele, 15 atores se preparam, todos os dias, para o espetáculo que vai reabrir do Teatro do Sesi-SP, no prédio do Sesi-SP e da Fiesp, na Avenida Paulista, atualmente em reforma. Uma preparação que inclui canções dos Beatles, figurinos coloridos e um cenário pensado para receber um protagonista que é um dos maiores símbolos de liberdade no teatro moderno: Peer Gynt. Escrita pelo norueguês Henrik Ibsen, a peça tem direção de Gabriel Vilella e estreia prevista para o próximo mês de setembro.

Peer Gynt é como Hamlet. São obras que mudaram para sempre o teatro”, explica Gabriel Vilella. “É um personagem libertário, que se declara imperador de si mesmo”.

Na trama de Ibsen, o protagonista ganha o mundo e vive as mais variadas experiências até voltar à Noruega, sua terra natal, descobrindo que tudo o que ele procurava estava exatamente ali. Uma epopeia pessoal em busca da liberdade que, no palco do Teatro do Sesi-SP, será embalada por uma trilha sonora jovem, com várias canções dos Beatles. “O caráter libertário do personagem é o que mais me atrai na peça”, diz Vilella. “Peer Gynt é um espetáculo do livre arbítrio, contestatório e transgressor”.

Um trabalho que tem tudo para agradar jovens e adultos. “O teatro é, por excelência, uma descarga hormonal”, afirma o diretor da peça. “Os adolescentes vão pilhar ainda mais a história”.

Protagonista da trama, o ator Chico Carvalho classifica Peer Gynt como “uma peça absolutamente necessária”. “Estamos falando de um personagem transgressor, que busca um sentido para a sua vida”, diz Carvalho. “Numa época conservadora como a que estamos vivendo hoje, isso provoca a imaginação da plateia, reforça a atitude política e lúdica do teatro”.

O espetáculo traz ainda a atriz Mel Lisboa no elenco, entre outros nomes. “Nossos atores são deslumbrantes, temos uma equipe afinada e segura”, diz Vilella. “Estou bobo com o resultado”.

Quanto mais colorido melhor

Nessa fase de pré-produção, os figurinos, assinados por Vilella, são um dos itens em estágio mais avançado. Para compor a saga do protagonista, não faltarão peças coloridas e máscaras trazidas de países da Europa, do Peru e de tribos indígenas brasileiras. Um trabalho minucioso e arrematado com tecidos nobres, como sedas trazidas da Índia.

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Alguns dos figurinos de Peer Gynt: adornos, sedas e muita cor em cena. Foto: Everton Amaro/Fiesp


O cuidado com as roupas que vestem os personagens em suas peças rendeu ao diretor uma indicação ao Prêmio Shell de Teatro de São Paulo no primeiro semestre de 2016 na categoria figurino. A escolha foi pela peça Rainhas do Orinoco. A premiação será em março de 2017, depois de apontados os nomes escolhidos no segundo semestre deste ano.

Enquanto o resultado não vem, o frio na barriga fica por conta da estreia de Peer Gynt, astro do Teatro do Sesi-SP no segundo semestre. “Conhecemos a história linda que tem o Teatro do Sesi-SP”, diz Vilella.