Outubro Rosa: Brasil precisa superar gargalos para melhorar no tratamento ao câncer

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

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Max Senna Mano: “Lidamos com uma diferença de 3 a 5 anos de diferença na sobrevida do paciente no sistema público em relação ao privado". Foto: Divulgação

No Fórum de Combate ao Câncer da Mulher, evento que acontece na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o chefe do grupo de câncer de mama do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), Max Senna Mano, mostrou tratamentos que deveriam estar disponíveis no SUS mas não estão.

“Trabalho metade do meu tempo no setor público. E parece que em 10 minutos que passo do privado para o público eu mudei de país, porque são realidades totalmente diferentes”, afirma o médico.

Segundo Mano, o Brasil está em um momento único porque enfrenta, ao mesmo tempo, problemas médicos comuns aos países subdesenvolvidos e desenvolvidos. No caso específico do câncer, por exemplo, estômago e colo de útero estão entre os 10 primeiros com maior incidência, maiores marcadores de subdesenvolvimento. Mas entre os dois campeões, próstata e mama, é padrão de país desenvolvido. Muitos gargalos precisam ser solucionados com extrema urgência no país, de acordo com o médico. Entre eles, a atenção ao diagnóstico precoce, o acesso aos tratamentos e a continuidade ao tratamento quando o exame constata a existência de um nódulo.

“Um aspecto interessante é que, quanto mais baixo o nível sócio-econômico-cultural, mais as pequenas medidas proporcionam melhoras incríveis nos índices de saúde da população. No Brasil, ainda temos muita margem para essas medidas simples.”

Com foco nos tratamentos de alto custo no câncer de mama, Mano apresentou as novas descobertas já aprovadas pela Agência Nacional de Saúde (ANS) para serem usadas no Brasil. Entre elas, o uso de um novo princípio ativo, pertuzumab, ao atual, com trastuzumab e quimioterapia, que aumenta em até 40% a sobrevida do paciente.

No entanto, tratamentos como esse estão restritos ao sistema privado. “Como pode a ANS dizer que um tratamento é eficaz e seguro e ele não entrar automaticamente no sistema público?”, questionou. “Lidamos com uma diferença de três a cinco anos de diferença na sobrevida do paciente no sistema público em relação ao privado. E não tem solução fácil para isso.”

Mano reconheceu ser difícil para qualquer país pagar tratamentos caros em seus sistemas públicos de saúde. “Não é rentável para o Estado pagar um tratamento de um câncer de mama metastático, mas é uma obrigação. Por isso, a situação é difícil não só para nós, mas também para países desenvolvidos.”