Ometto, Reis e Lazzarini participam de palestra magna do especialista Maurice Strong

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

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João Guilherme Sabino Ometto, 2º vice-presidente da Fiesp, na abertura da palestra magna de Maurice Strong. Foto: Everton Amaro.

O 2º vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), João Guilherme Sabino Ometto, participou da palestra magna Perspectiva sustentável para o Brasil no mundo globalizado e suas vantagens competitivas, ministrada pelo ambientalista Maurice Strong, na tarde desta terça-feira (27/11), sede da entidade.

“Maurice Strong é uma das bandeiras da sustentabilidade no mundo e um dos maiores nomes do meio ambiente”, afirmou Ometto, lembrando que foi ele quem inspirou a Conferência das Organizações das Nações Unidas (ONU) sediada no Rio de Janeiro, a Rio-92, em que o Brasil se apresentou ao mundo levantando a bandeira da sustentabilidade.

“Há 40 anos, ninguém debatia esse assunto, mas hoje a indústria brasileira quer ser sustentável”, acrescentou, mencionando ainda que a delegação da Fiesp está em Doha, no Catar, participando a Conferência do Clima da ONU, que acontece até 07/12. “O Brasil já mostrou ao mundo que é um dos primeiros em sustentabilidade e que cumpre suas metas.”

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Nelson Pereira do Reis, diretor-titular do DMA, na abertura da palestra magna de Maurice Strong. Foto: Everton Amaro

O diretor-titular do Departamento de Meio Ambiente (DMA) e vice-presidente do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp, Nelson Pereira dos Reis, ressaltou que é uma honra para a entidade ser um espaço de discussão sobre meio ambiente e sustentabilidade.

“A Fiesp está há décadas engajada nesse tema”, afirmou, citando algumas das importantes ações já realizadas pelo DMA e o Cosema, sempre com o apoio dos outros departamentos e conselhos da casa, com destaque ao Humanidade 2012. “Este evento representa a simbologia das ações da indústria em prol da sustentabilidade nos últimos anos”, sublinhou.

Na avaliação do diretor do DMA, Strong trouxe preocupações reais a respeito da sustentabilidade e sua visita proporcionou um grande diálogo. “Ter hoje aqui o Maurice Strong, confere à Fiesp uma situação especial. Ele soube trazer para o debate da sustentabilidade as discussões mais diversas do tecido social, intelectual, social e empresarial de todo o mundo, sempre com respeito e grande liderança”, enfatizou.

O presidente do Cosema, Walter Lazzarini, observou que falar de sustentabilidade é essencial: “Strong é a historia viva da sustentabilidade. Poucas pessoas no mundo têm condições de apresentar uma vivência em todas as grandes conferências sobre o meio ambiente e, mais do que isso, com um olhar para o futuro”.

Lazzarini acredita que o Brasil tem feito muito pelo meio ambiente, mas que pode e deve fazer mais. “Não só porque este é um meio de manter o relacionamento comercial com os outros países, mas principalmente porque estamos visando um meio de viver no planeta Terra”, explicou.

No seu entendimento, Strong traz uma orientação do que é o futuro e qual a melhor forma de usar os recursos naturais. “Estamos pensando não só na sobrevivência das indústrias, mas na população e na sociedade”, explicou ao lembrar que é preciso ir além da teoria e aplicar efetivamente o conceito de sustentabilidade.

Maurice Strong: ‘O futuro que desejamos não acontecerá sozinho’

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

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Para Maurice Strong, o empresariado brasileiro tem que ser cada vez mais enfático nas ações sustentáveis que servirão de exemplo para o mundo inteiro. Foto: Everton Amaro

Durante a palestra magna Perspectiva sustentável para o Brasil no mundo globalizado e suas vantagens competitivas, realizada na tarde desta terça-feira (27/11), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o ambientalista Maurice Strong afirmou que acredita que as indústrias e o empresariado são o centro do movimento em prol da sustentabilidade. “Cada empresário é responsável pelas ações de suas empresas”, afirmou.

Na visão do especialista, o empresariado brasileiro tem que ser cada vez mais enfático nas ações sustentáveis que servirão de exemplo para o mundo inteiro. Para ele, não se pode manter as ações sustentáveis apenas em regras e leis: “É preciso arregaçar as mangas e começar a trabalhar. Existem atitudes viáveis e fáceis de fazer”.

Strong lembrou que São Paulo tem posição de liderança do empresariado brasileiro. “Fico impressionado com São Paulo porque é o centro econômico e produtivo do Brasil, mas isso significa também que a cidade tem mais responsabilidade ambiental”.

Para o ambientalista, a vida no planeta Terra está sob ameaça e, quanto mais seguirmos o curso em que estamos, mais difícil será revertemos esse quadro.

“O centro dessa questão é a comunidade industrial e de negócios. Vocês me dão esperança”, enfatizou. E emendou: “Este é um momento muito empolgante da nossa história, pois o futuro que desejamos não acontecerá sozinho: nós precisamos ser arquitetos do que desejamos para nossos filhos e netos”.

China

Consultor na área de Desenvolvimento Sustentável na China, país que apresenta os melhores avanços em tecnologias sustentáveis do planeta, Maurice Strong acredita que lá existem muitas oportunidades de negócios para o Brasil.

Segundo ele, o empreendedorismo chinês está em suas ações e comunidades. “Neste momento pós-revolução cultural, os chineses estão mostrando sua face e buscando lugares para investir”, disse.

Os chineses, explicou, estão focando no desenvolvimento da economia interna, o que permite muitas oportunidades de negócios para empresas brasileiras na China.

“A troca de experiências dos dois países é um ganho global porque são líderes na atualidade”, sublinhou Strong, sugerindo que a Fiesp envie uma delegação de empresários à China para que possam observar a perspectivas das empresas de lá. “Eles têm mais experiência, expertise e tecnologia do que se imagina.”

Ele explicou ainda que a China é um país muito dinâmico. “Eles estão construindo 500 novas cidades e querem que elas sejam verdes e ecologicamente sadias, para tirar a pressão das grandes cidades que já existem e estão crescendo rápida e desordenadamente.”

O ambientalista elogiou a produção de etanol brasileira como um bem para o planeta. “O etanol chama minha atenção, pois acredito que contribua para uma crescente fonte de combustível mundial”, disse, acrescentando que o Brasil pode aprender muito com a China e vice-versa.

Jeitinho brasileiro

Na avaliação de Maurice Strong, a última coisa que o Brasil deve fazer é adotar o modelo americano de consumo, conhecido por American way of life, porque não se pode seguir as diretrizes do consumo norte-americano. “O Brasil tem oportunidade de desenvolver seu próprio modelo, que será muito melhor para servir de exemplo para o mundo.”

E a sociedade civil e da mídia, acredita o especialista, têm um papel fundamental para deter a produção sem consciência ambiental. “Creio no papel das pessoas, que podem demonstrar suas preferências no momento do consumo. Na China, há o boicote aos produtos que agridem o meio ambiente”, exemplificou.

Para ajudar governos de outros países a garantir apoio no desenvolvimento sustentável de suas empresas, Strong aconselhou o Brasil a criar um “Conselho da Terra”.

“A sustentabilidade não pode ser só regras e leis, mas deve estar integrada como parte da vida humana. E o Brasil terá um papel fundamental no modelo de desenvolvimento sustentável na Terra”, concluiu.

Em aula-magna na Fiesp, Maurice Strong fala da necessidade de melhorias sustentáveis em prol do ser humano

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

O ambientalista Maurice Strong ministrou, na sede da Federação das Industrias do Estado de Sao Paulo (Fiesp), na tarde desta terça-feira (27/11), uma palestra magna, aberta ao público, sobre o tema Perspectiva sustentável para o Brasil no mundo globalizado e suas vantagens competitivas.

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Maurice Strong, que foi secretário-geral das Conferências de Meio Ambiente, em aula-magna na Fiesp. Foto: Everton Amaro

Embora não seja sua primeira visita ao Brasil, Strong afirmou que, certamente,  é mais importante. “Não existe uma única organização no mundo que tenha tanto comprometimento com a implementação da sustentabilidade nas indústrias como a Fiesp”, disse.

Ele, que é um dos principais especialistas em sustentabilidade no mundo,  lembrou a importância da participação brasileira na Conferencia de Estocolmo, quando passou a ser um líder nesse assunto. “Apesar de o Brasil não ser um país desenvolvido, tornou-se uma capital no debate sobre a sustentabilidade”.

Maurice contou que, desde o tempo de escola, se interessava pelas questões ambientais, e  logo em seu primeiro emprego, percebeu como a indústria afetava o meio ambiente. “Percebi desde então que é necessário ter uma forma sustentável de desenvolvimento”, afirmou.

O segredo, segundo ele, está em observar a eficiência de todos os setores da empresa na utilização de recursos. “No inicio, as pessoas costumavam a rir deste assunto. Mas as empresas tornaram-se bem sucedidas por causa de seu envolvimento e compromisso com a sustentabilidade”, acrescentou.

Embora as perspectivas sejam pessimistas, Strong prefere ter uma visão positiva sobre o futuro. “Eu vim aqui como um otimista em relação ao futuro, porque não podemos deixar de ser otimistas. Ainda acredito que e possível mudar tudo isso, mas o tempo está correndo”, alertou.

Strong afirmou ainda  que devemos utilizar as oportunidades de melhorias sustentáveis para manter a sobrevivência do ser humano. “Precisamos fazer o nosso futuro, porque se não, teremos um futuro que não queremos. Já estamos muito além quanto às emissões de gases carbônicos, por exemplo, e não devemos ficar nesse curso”, afirmou.

Em relação ao futuro ele mostrou-se preocupado: “Estamos falando da vida humana, que como sabemos está em risco. Continuo nessa luta porque me preocupo com a vida futura no planeta Terra”, concluiu.

Para Maurice Strong, países e empresas devem olhar suas práticas internas e buscar eficiência

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Na manhã desta terça-feira (27/11), a reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), contou com a presença de Maurice Strong,  especialista e personalidade mundial nos assuntos ambientais e de sustentabilidade.

Walter Lazzarini, presidente do Cosema, ressaltou o quão extraordinário é receber nesse conselho alguém com esse histórico.

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Da esq. p/ dir.: Celso Monteiro de Carvalho, Adhemar Bahadian, Walter Lazzarini, Maurice Strong, Warwick Manfrinato, Nelson Pereira dos Reis, Eduardo San Martin, durante reunião do Cosema que debateu "O Futuro que queremos - Da Rio-92 à Rio+20 - a Evolucao da Sustentabilidade no Brasil". Foto: Helcio Nagamine

Strong foi o articulador e secretário geral das Conferências da ONU sobre o Meio Ambiente,  e também quem usou pela primeira vez, em 1973,  o conceito de ecodesenvolvimento trazendo  uma concepção alternativa de política de desenvolvimento. Atualmente, é consultor em Desenvolvimento Sustentável do governo chinês e de países asiáticos.

Lazzarini comentou a agenda intensa que Strong teve com empresários paulistas desde ontem, com uma reunião na União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), e um encontro com CEOs de empresas. Ainda hoje, o especialista realiza uma aula-magna aberta ao público, na sede da Fiesp.

“Sobre o tema Sustentabilidade, ninguém melhor do que ele teria condições de nos informar o que vem sendo feito e o que nos espera para o futuro”, sublinhou o presidente do Cosema.

Agradecendo o convite recebido pela Fiesp, Maurice Strong, disse ser “uma figura do passado”. Mas afirmou que o que mais lhe dá prazer é estar com as pessoas que vão determinar o futuro. “Não estou aqui para ensinar muito, mas para encorajá-los a fazer isso.”

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Maurice Strong: 'O Brasil tem um papel de liderança em movimentos ambientais'. Foto: Helcio Nagamine

Referindo-se ao fato de o Brasil ter sediado duas Conferências Mundiais (a Eco 92 e a Rio+20), Strong citou um detalhe curioso: “Em 1972, o Brasil foi contrário à primeira conferência mundial, em Estocolmo. Chegou a participar da Conferência, mas inicialmente pensou em boicotá-la. Atualmente, além de ter sediado duas Conferências Mundiais de Meio Ambiente, o país tem um papel de liderança em movimentos ambientais”.

Sustentabilidade e negócios

Para Maurice Strong, sustentabilidade e negócios estão interligados intrinsecamente.  “A sustentabilidade não pode ser alcançada a não ser que as empresas adentrem nesse caminho”. Ele relembrou que, no Canadá, quando atuava no setor energético e minérios, era muito criticado por exigir que os projetos fossem acompanhados sempre por relatórios de sustentabilidade. E, hoje, isso já se tornou um hábito assimilado por todos.

Como atual consultor em Desenvolvimento Sustentável do governo chinês e de países asiáticos, Maurice destacou a complementariedade das economias brasileiras e chinesas. “Um dos interesses da China no Brasil é na área do etanol. Não exatamente na exportação do produto, mas na questão de tecnologia.”

Foco na eficiência

Uma questão vital para a sustentabilidade, segundo Maurice Strong , é a eficiência. “Não exatamente a eficiência energética, mas a eficiência do sistema industrial”, afirmou. “A eficiência melhora a rentabilidade das empresas, mas também ajuda muito a sustentabilidade”.

Segundo ele, são os líderes industriais que podem fazer a diferença: “Eles precisam de políticas ambientais que deem apoio nisso, mas são eles que têm que tomar a iniciativa de liderança. Eu acredito que cada país e cada empresa deve olhar suas práticas internas e pensar em que podem se tornar mais eficientes”.

Strong na Rio 92

O ex-secretário do Meio Ambiente de São Paulo, Fábio Feldman, também presente na reunião do Cosema, comentou que muitos avanços obtidos durante a Rio 92 foram pela liderança de Maurice Strong, que também foi o primeiro diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Entre as conquistas, ele destacou a participação da sociedade civil e ONGs nos debates, a partir dessa Conferência. “‘Eu acredito que Maurice Strong fez falta na Rio+20. Teríamos avançado muito mais com a presença dele. Faltou a liderança de uma pessoa como ele.”

Veja  algumas frases de Maurice Strong, durante a reunião do Cosema:

Grandes cidades

“É nas cidades que as civilizações começam. Portanto, é nas cidades que devem se iniciar as grandes mudanças. Fico feliz de estar aqui em São Paulo. O fato de estarmos aqui, hoje, dialogando sobre sustentabilidade é sinal que São Paulo já está fazendo sua parte. “

Etanol e a China

“Sei que devemos fazer uma transição na economia mundial se queremos a sustentabilidade. E o etanol tem um papel importante nisso. Há espaço suficiente de uma empresa de etanol na China, e nesse sentido o Brasil tem muito a contribuir com sua tecnologia”

“Eu pessoalmente acho que o etanol tem um papel importante. Além disso , o Brasil pode também ser um país líder em energia renovável”.

Mudanças do Clima

“Infelizmente, estamos mudando os parâmetros dentre os quais a vida humana é sustentável. E muitas pessoas e países ainda ignoram esse fato. É quase certeza que se não tomarmos uma atitude agora, algo pior irá acontecer. Mas somos responsáveis para mudarmos isso. É uma pena que muitos países ainda ignorem isso, inclusive o Canadá”.

“A China, apontada como um grande emissor de gases de efeitos estufa, que já percebeu os impactos nas geleiras do Himalaia e também problemas como poluição das águas e atmosférica. Por isso, hoje eles estão dando muita prioridade aos carros elétricos.

Futuras gerações

“As gerações  que vão nos seguir terão que lidar com a situação que nós estamos criando.”

“Somos arquitetos do nosso futuro. Pela primeira vez na história da humanidade, somos responsáveis pelo futuro nosso e de nossos filhos e netos.  Acredito que esse é um problema de sobrevivência. E não podemos fazer nada sozinhos.”

Um dos maiores especialistas em meio ambiente, Maurice Strong avalia evolução da sustentabilidade no Brasil

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) recebe, na próxima terça-feira (27/11), o canadense Maurice Strong, secretário geral de Conferências da ONU sobre Meio Ambiente – um dos maiores especialistas sobre desenvolvimento sustentável e consultor da China atualmente.

O especialista atende a convite feito pelo Cosema e pelo Departamento de Meio Ambiente (DMA). No encontro, seu foco será o futuro que queremos – Da Rio92 à Rio+20: a evolução da sustentabilidade no Brasil.

Inscrições podem ser feitas na Agenda de Eventos da Fiesp.

Serviço
Data: 27 de novembro de 2012, das 9h às 12h30
Local: Avenida Paulista, 1313, auditório do 4º andar