Energia renovável: veja o resumo dos debates no Humanidade 2012

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Políticas públicas que estimulem a produção de energia sustentável e a diversificação das matrizes energéticas foram os temas abordados durante o painel “Energias para um Novo Mundo”, do seminário “Lideranças Empresariais”, promovido as Federações  das Indústrias do Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro (Fiesp e Firjan), nesta quarta-feira (20/06), no  Humanidade 2012 – iniciativa das duas entidades com a Fundação Roberto Marinho, em paralelo à Rio+20.

Moderado por Carlos Cavalcanti, diretor-titular do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, Carlos Mariani Bittencourt, vice-presidente do Sistema Firjan, o evento teve a participação de Adriano Pires (diretor geral do Centro Brasileiro de Infraestrutura-CBIE), Luís Pescarmona (presidente da IMPSA), Paulo Stark (CEO Brasil da Siemens), Eduardo Leão (diretor-executivo da União da Indústria de Cana de Açúcar-Unica) e Marcelo Soares (presidente e CEO da GE Energy América Latina).

Diretor-titular do Deinfra da Fiesp, Carlos Cavalcanti: 'Brasil precisa investir na produção de energias complementares'

 

Veja o resumo do evento:

 Carlos Cavalcanti (Fiesp/Deinfra) – O diretor-titular do Deinfra lembrou que 66% das emissão mundiais dos gases do efeito estufa (GEE) são resultantes da produção de energia. Na avaliação de Cavalcanti, o Brasil em breve se tornará uma das grandes matrizes energéticas, mas, para isso, o país precisa investir na produção de fontes de energias complementares, como a eólica e bioletricidade. “A América do Sul, a África e a Ásia possuem vastos potenciais hídricos não utilizados, que devem ser a base da expansão de seus sistemas elétricos. Temos que encarar este desafio”, afirmou.

Adriano Pires (CBIE) – O diretor geral da CBIE criticou as construções de hidroelétricas na Amazônia e disse que o país precisa investir na diversificação das matrizes energéticas. “O Brasil tem tudo para se tornar uma liderança mundial no setor de energia limpa. Para isso, precisamos de políticas públicas adequadas”, analisou.

Pires também reprovou o valor da tarifa energética brasileira, considerada uma das mais caras do mundo. “O governo precisa criar política pública que façam com que a população usufrua desse recurso. Não é possível que um país com reservas de energia limpa abundante tenha uma das tarifações mais caras do mundo”, argumentou.

Paulo Stark (Siemens) – O CEO da Siemens Brasil destacou os investimentos da empresa na produção de energia elétrica por meio da biomassa. “Precisamos aproveitar uma situação absolutamente singular que está acontecendo no mundo. O Brasil é um país de vanguarda na produção de energia limpa e precisamos tirar um bom proveito disto”, afirmou.

Marcelo Soares (GE) – O presidente e CEO da Energy América Latina destacou os investimentos da indústria na produção de energia eólica e solar. De acordo com o executivo, o país precisa desenvolver ações efetivas para atrair investimentos do setor industrial. “A busca por eficiência na fabricação dos equipamentos vai tornar o mercado um pouco mais competitivo e mais atrativo para o setor industrial. O governo já adotou algumas medidas, mas não foram suficientes. Precisamos baixar os custos”.

Luís Pescarmona (IMPSA) – Durante sua explanação, o presidente da IMPSA defendeu a abertura do mercado de energia limpa brasileiro. “Com a crise internacional, o Brasil tem uma oportunidade única de atrair investimentos para o setor de energia limpa. O maior mercado está aqui e capacidade técnica e financeira para custear estes projetos também”, disse.

Eduardo Leão (Unica): Segundo o diretor-executivo da Unica, o setor sucroenergético brasileiro gera uma receita de US$ 50 bilhões/ano e oferece mais de um milhão de empregos aos trabalhadores de 20% dos municípios brasileiros. “A cana-de-açúcar tem capacidade de trazer o desenvolvimento regional, econômico e social para o interior do país”, afirmou o executivo, que criticou a criação de políticas de incentivo, adotadas pelo governo, para uso da gasolina. “O preço administrado pelo governo não foi alterado nos últimos seis anos. Além disso, o preço do imposto da gasolina é reduzido. O governo precisa criar medidas para oferecer mais competitividade para os combustíveis limpos e renováveis”, apontou Leão.

Humanidade 2012

O Humanidade 2012 é uma iniciativa é resultado de uma realização conjunta da Fiesp, Sistema Firjan, Fundação Roberto Marinho, Sesi-Rio, Sesi-SP, Senai-Rio, Senai-SP, com patrocínio da Prefeitura do Rio, do Sebrae e da Caixa Econômica Federal. O evento acontece no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, até 22 de junho, paralelamente à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. O objetivo é realçar o importante papel que o Brasil exerce hoje como um dos líderes globais no debate sobre o desenvolvimento sustentável.

 

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Brasil registrou crescimento na produção de matrizes energéticas renováveis

Flavia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Novas tecnologias e investimentos na criação de fontes de energias renováveis foram um dos temas do painel Matriz Energética Nacional e Competitividade nesta segunda-feira (15), durante 12º Encontro Internacional de Energia da Fiesp, realizado no Centro de Convenções do Hotel Unique, em São Paulo.

Alberto Melo, diretor do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), afirmou que 47% das matrizes energéticas brasileiras, em 2009, foram provenientes de fontes renováveis. Número recorde se comparado à média mundial, de 13%. No mesmo período, o setor elétrico disponibilizou 90% de energia renovável.

Melo prevê um aumento no consumo de energia até 2019, proveniente do crescimento da renda per capita e da população, demanda que será atendida graças ao grande potencial de matrizes energéticas no País, com crescimento estimado de 5% ao ano, até 2019. “O Brasil o não pode parar por falta de energia. Temos que aproveitar essa facilidade que natureza concedeu ao País”, declarou.

Além disso, de acordo com o especialista, o Brasil contará com o aumento de 35 megawalts de energia hidroelétricas nos próximos dez anos.

Para Melo, a proposta do governo da construção de usinas hidroelétricas sustentáveis será um grande desafio para o País. ressaltando que essa fonte de energia contribui significativamente para redução de gases poluentes. Como exemplo, o especialista citou a usina de Itaipu, que em 2009 produziu 90 milhões de MWH, o equivalente a 526 barris de petróleo/dia. Até 2015, as usinas de Belo Monte e Santo Antônio devem atingir 10% da capacidade instalada.

Viviane Bernardes Coelho, do Centro de Pesquisa da Petrobras

Contudo, para que essa energia seja utilizada, o especialista acredita que o governo precisa investir em linhas de transmissão para os grandes centros. “Não podemos escolher onde estão as fontes de energia eólica e hidroelétricas, mas temos que disponibilizar esse recurso para os grandes centros consumidores”, analisou.

Viviane Bernardes Coelho, representante do Centro de Pesquisa da Petrobrás, destacou os investimentos da estatal em novas fontes de energia, estimados em US$ 1,6 bilhões, dos quais 14% são dedicados à produção de fontes renováveis, o maior investimento no setor de energia limpa em todo o mundo.

Segundo Coelho, Brasil ocupa um papel de destaque no ranking de matrizes energéticas mundiais, sendo o segundo maior consumidor de energia de biomassa, com destaque para o etano. Além disso, a palestrante lembrou que o desenvolvimento tecnológico, atrelado ao valor mais acessível desta nova tecnologia contribuiu para o crescimento da demanda de fontes renováveis. “Nos últimos anos houve um decréscimo do custo tecnológico de energia solar e eólica”, alertou.

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País precisa de uma política forte para o setor de Petróleo e Gás

Odair Souza, Agência Indusnet Fiesp

O Brasil precisa se posicionar estrategicamente para garantir que a indústria nacional tenha capacidade de aumentar o conteúdo local nos investimentos em petróleo e gás. Este foi o entendimento dos palestrantes do painel Política Industrial para o Setor de Petróleo e Gás e a Demanda de bens e Serviços do Pré-sal, durante o 12º Encontro Internacional de Energia, promovido pela Fiesp nestas segunda e terça-feira (15 e 16).

Eloy Fernandez y Fernandez, diretor da Onip

Apesar das medidas que o governo vem tomando para posicionar melhor o fornecedor brasileiro, as entidades representantes da indústria de petróleo e gás advertem para os gargalos críticos que podem dificultar a geração de empregos, o aumento da competitividade e o sucesso da participação das empresas nacionais como fornecedoras de bens e serviços ligados ao petróleo, que pode totalizar US$ 400 bilhões até 2020. “O Brasil tem escala suficiente para desenvolver uma sólida cadeia de bens e serviços”, observou o diretor geral da Onip, Eloy Fernández y Fernández.

O diretor da Onip considera que, para o País alcançar esse patamar, o setor de petróleo precisa de uma política ampla por parte do governo. “Se os fatores de competitividade não forem implementados com êxito, a geração de empregos nos próximos 10 anos, que poderia totalizar entre 1,7 milhão e 2,1 milhões, não acontecerá nessa projeção”, alertou Fernández.

O diretor da Onip elencou alguns fatores capazes de influenciar positiva ou negativamente no aumento do conteúdo local:

  • Sistema tributário, custo de capital e câmbio;
  • Inovação dentro das empresas;
  • Desenvolvimento da Engenharia nacional;
  • Educação básica e técnica;
  • Ganhos de produtividade; entre outros

 

Para o diretor do IBP, Antonio Carlos Guimarães, o discurso de que as empresas operadoras só têm interesse em produtos importados virou jargão. “Ao contrário, as operadoras entendem que comprar no Brasil é um bom negócio. O desenvolvimento sustentável do País está no DNA delas”, sublinhou.

Guimarães vislumbra um aumento significativo da produção industrial destinada ao setor de petróleo e gás. “Juntos, virão o aumento da arrecadação e a geração de novos empregos”, previu. O palestrante também considerou que para aumentar a capacidade produtiva das empresas nacionais são necessários incentivos que viabilizem o predomínio de fornecedores nacionais. “Hoje, o predomínio é dos produtos estrangeiros, há um ‘gap’ enorme do ponto de vista da capacidade das empresas nacionais”, refletiu.

Mais empregos

O plano de investimento da Petrobras vai aumentar consideravelmente o número de empregos na cadeia naval, segundo o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (Abenav), Augusto Mendonça. “Dos atuais 60 mil trabalhadores, o setor deverá ter mais de 100 mil funcionários, em decorrência do aumento da fabricação de plataformas e navios de transporte”, disse. Mendonça também considerou a necessidade de uma política concreta para o setor.

Mobilização da Indústria

O diretor de Infraestrutura da Fiesp e do Ciesp, Julio Diaz, fez um relato da mobilização que a Fiesp/Ciesp tem feito para conscientizar a indústria paulista sobre o potencial de investimentos que o setor de petróleo e gás terá nos próximos anos.

“Há 10 anos, o setor representava 5% do Produto Interno Bruto brasileiro. Hoje, corresponde a 10%, em 2010 será responsável por 20%”, frisou. “Estamos perdendo para o mercado externo em competitividade”, disse ao enumerar o leque de incentivos que a Petrobras e seis instituições financeiras oferecem à indústria fornecedora do setor. O painel foi coordenado pelo diretor da Fiesp, Paulo Guirro Pacheco.

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