Matriz 100% renovável no Brasil em 2050 é viável, mostra Greenpeace na Fiesp

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Ricardo Baitelo, coordenador de Clima e Energia do Greenpeace Brazil, fez nesta terça-feira (24 de abril) durante reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp (Cosema) a palestra A Revolução Energética no Brasil.

A apresentação teve como base um trabalho iniciado em 2006, que resulta em relatórios globais e regionais. A edição brasileira atual é a quarta, explicou. “Felizmente aumenta ano a ano a viabilidade da energia renovável”, afirmou. As versões mais recentes do estudo incluem informações sobre transporte e em menos profundidade sobre indústria.

Ressaltou que o Brasil pode pegar um atalho e ter uma matriz mais limpa de eletricidade e outros setores. Até 2013 o Greenpeace não ousava fazer um cenário totalmente renovável. A edição de 2016 pela primeira vez indica a viabilidade de matriz 100% renovável.

“Expandindo um pouquinho em hidrelétricas e calcando principalmente em solar e eólica”, disse, é possível chegar em 2050 a 100% de fontes renováveis na matriz elétrica brasileira.

Baitelo mostrou a relação entre o PIB e a demanda por energia no Brasil. A situação atual, de menor produção, exige menos energia do que se estimava anteriormente. A projeção do Greenpeace para a capacidade instalada de geração de energia mostra em 2050 base de 314 GW, que cresce para 349 GW caso seja efetivado o cenário [R]evolução Energética, caminho para que a matriz seja mais eficiente e 100% renovável.

Ressaltou que medidas de eficiência energética podem reduzir a demanda total em 47%, sem usar no modelo mudanças disruptivas. Nos transportes a queda pode ser de 61%, com transferência modal, substituição de motores, uso de eletricidade e eficiência logística.

O grande desafio é ter não somente uma matriz renovável. Nossa matriz energética é razoavelmente limpa e é possível mantê-la limpa, disse. Acha possível chegar já em 2040 a uma matriz de baixas emissões de carbono.

Em diferentes cenários, segundo o Greenpeace, o sistema elétrico 100% renovável consegue atender a todo o consumo.

Com mais renováveis, afirmou Baitelo, a conta de luz fica mais barata, apesar de não parecer à primeira vista. É caminho certo ir por eólica, solar e biomassa.

Redução de custo com as térmicas faz valer a pena o investimento em fontes renováveis. O corte de R$ 1 trilhão até 2050 compensa o investimento.

Eólica é fonte mais barata que a hidrelétrica, como mostrado em dois leilões consecutivos, sendo totalmente viável, frisou Baitelo. O que falta é haver regularidade nos leilões.

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Reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp, com a participação do Greenpeace. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Considera muito interessante o PDE 2026 (Plano Decenal de Expansão de Energia 2026, do governo federal), com expansão bem mais contida de hidrelétricas na Amazônia e com o uso de carvão estacionado.

Ainda falta avançar no estudo de redes dinâmicas, com maior integração das eólicas.

Destacou a impressionante queda do custo de produção de energia solar fotovoltaica desde os anos 1970.

Ao comentar a apresentação do representante do Greenpeace, Walter Lazzarini, presidente do Cosema, lembrou a grande importância da questão social e da ambiental. A desigualdade social leva a esta artificial oposição entre os dois temas, disse.

Temos espaço para todos os tipos de energia renovável, ressaltou Lazzarini. “Depende muito da gente poder levar este país para a frente, com igualdade, justiça social e desenvolvimento.”

Na mesa principal da reunião do Cosema também estavam Celso Monteiro de Carvalho e Mario Hirose, ao lado de Marcelo Laterman Lima, também do Greenpeace.

Energia solar fotovoltaica é alternativa, mas ainda pouco presente na matriz nacional

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

É preciso pulverizar as instalações de energia fotovoltaica em todo o Brasil. A afirmação é de Luis Pita, vice-presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), para quem essa tecnologia é simples em comparação com as demais que compõem a matriz de energia limpa, mas ainda praticamente inexistente. Pita participou de reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp (Cosema), no dia 27 de setembro.

A vantagem é que o módulo fotovoltaico permite que a eletricidade produzida seja consumida em seu local de origem ou descarregada no sistema.

Como vantagem, o setor elétrico brasileiro tem robustez e se configura como o maior da América Latina, mais do que o dobro do México, que ocupa o segundo lugar no ranking. “Com crescimento de mais de 4% ao ano, em 2024 será o dobro do nível atual. O consumo per capita de energia no Brasil é muito forte, e quando houver mais demanda será necessária uma decolagem forte a curto prazo”, avaliou Pita.

Em sua opinião, há possibilidades imensas à frente. O prazo de construção de uma estação fotovoltaica é rápido, de 12 a 18 meses, com geração de 200-300 megawatts.  Esse sistema de geração distribuída não utiliza linhas de transmissão e não as sobrecarrega. Hoje, há maior utilização por parte de condomínios, e 75% das instalações são residenciais.

Na Alemanha, a energia alternativa está em alta e registra forte desenvolvimento fotovoltaico, segundo o convidado, que explicou que são oferecidos esquemas de financiamento positivos em países que apostaram nesse tipo de energia. “No Brasil, ainda não foram oferecidas linhas de financiamento adequadas e ainda há discussões em curso sobre o PIS/Cofins”, disse. Nos Estados Unidos, a geração de emprego cresceu 193% nos últimos 5 anos – e 20% somente no último ano. No Brasil, em quatro anos, registraram-se aproximadamente 800 empresas ligadas à energia fotovoltaica.

Entre as vantagens apontadas, a geração de emprego qualificado em um sistema limpo que fomenta o investimento privado, desenvolvendo toda uma cadeia produtiva e, inclusive, uma microeconomia, pois a maioria das empresas envolvidas com energia fotovoltaica são micro e pequenas. Na agricultura, há expressivo impacto ambiental, uma vez que as fazendas contam geralmente com geradores diesel, que são poluidores.

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Energia solar fotovoltaica foi tema de reunião do Cosema. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Secretário de Energia defende gás natural na matriz energética

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

A Fiesp realizou nesta quinta-feira (28/7) o workshop “Usos múltiplos do gás natural”, na sede da entidade, para debater as oportunidades e os desafios nesse segmento. João Carlos de Souza Meirelles, secretário de Energia e Mineração do Governo do Estado de São Paulo, abriu o evento falando do compromisso do governo com o setor. “Temos urgência e a determinação de incluir gás natural na matriz energética no Estado de forma decisiva.” Para ele, é necessária a participação ativa do setor privado para que o setor se desenvolva mais. “Mas para ele [setor privado] poder participar, é preciso ter garantias, segurança jurídica, regulatória e institucional”, ressaltou.

Meirelles explicou que as fontes solar e eólica são intermitentes e, para garantir segurança energética, é necessária uma energia na base que hoje, segundo ele, é o gás natural. “Uma proposta é a construção de termelétricas a gás natural nos grandes centros consumidores”, afirmou. Segundo o secretário, foi enviada ao Conselho Nacional de Política Energética uma série de diretrizes estratégicas que a secretaria julga fundamental para alavancar o setor. Meirelles destacou o desenvolvimento de estratégias que garantam a articulação entre os subsistemas de geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica e entre esses e os sistemas de petróleo e gás e de fontes renováveis; viabilização da expansão de oferta de energia por meio de participação de termoelétricas a gás natural na base; taxas elevadas de crescimento da participação do gás na matriz energética, condição indispensável à ampliação da participação de fontes renováveis; ter geração de energia próxima aos centros consumidores e aumentar os níveis de segurança energética nacional.

Marcelo Mendonça, gerente de planejamento estratégico e competitividade da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), também esteve presente no evento e falou sobre a importância da indústria do gás canalizado para a economia. “A indústria do gás canalizado desempenha um papel importante na economia brasileira, gerando receitas, impostos e investimentos de bilhões de reais, além de gerar quase 20 mil empregos diretos e indiretos. O número pode dobrar se os investimentos forem acelerados.”

Segundo Mendonça, estima-se um potencial de 6 GW que poderiam ser desenvolvidos no Brasil até 2020, caso fossem dados os incentivos necessários. “Somente no estado de São Paulo, estaríamos falando de um potencial de 3,7 GW.” Para dar ideia dos ganhos na cadeia produtiva, o gerente falou sobre um estudo publicado recentemente, elaborado pela consultoria americana Navigant Research, que revela que a capacidade instalada da cogeração na classe industrial irá crescer 50% nos próximos 10 anos, de 317,9 mil MW para 483,7 mil MW. “Em termos de valor, esse mercado deverá saltar de US$ 19,7 bilhões para US$ 29,8 bilhões no período”, disse.

Sérgio Luiz da Silva, diretor de planejamento e suprimento da Companhia de Gás de São Paulo (Comgás), afirmou que o gás natural tem grande oferta e que a companhia conta com robusta e segura infraestrutura de distribuição. “Temos amplas oportunidades de aplicações para todos os segmentos, cada vez mais competitivos, com mais eficiência e melhores resultados.”

O evento foi mediado pelo diretor da Divisão de Energia do Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra), Ricardo Pinto, e também contou com as presenças de Luís Fernando Quilici, diretor de relações institucionais e governamentais da Associação Paulista das Cerâmicas de Revestimento (Aspacer) e Newton Duarte, presidente da Associação Cogeração Energia (Cogen).

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Workshop Usos múltiplos do gás natural, promovido pela Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

País precisa de mais opções de matrizes energéticas, diz secretário de Minas e Energia

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A prioridade da política energética brasileira está baseada em hidroeletricidade, biomassa e eólica, fontes que representam 75% da expansão do sistema elétrico nos próximos anos, afirmou o secretário Altino Ventura Filho, do Ministério de Minas e Energia.  No entanto, as operações hidrelétricas, base dessa expansão, têm um horizonte de 12 a 15 anos, alertou ele, indicando que será necessário um substituto para o “carro-chefe” da matriz energética brasileira.

Os participantes do seminário na Fiesp: diversificação para evitar problemas futuros. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Os participantes do seminário na Fiesp: diversificação para evitar problemas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


A abertura oficial do seminário da FGV na Fiesp foi feita pelo gerente do Departamento de Energia (Deinfra-Energia) da Fiesp, Roberto Moussalem.

Ventura Filho: hidrelétricas esgotadas em 15 anos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ventura Filho: soluções para o setor de energia já estão atrasadas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

“As soluções já estão atrasadas”, afirmou Ventura durante o seminário O Futuro Energético e Geração Nuclear, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na tarde desta quarta-feira (13/07), na sede da entidade.

Segundo Ventura, a solução para substituir as hidrelétricas, esgotadas em no máximo 15 anos, partirá de uma mistura de fontes como a nuclear, térmica e o uso de gás natural.  O secretário destacou a geração de energia nuclear como um dos alvos de uma política mais efetiva e de curto prazo. “A política nuclear no Brasil neste momento consta da decisão do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) de construir Angra 3,  dos nossos estudos de planejamento de longo prazo que preveem essas necessidades nucleares e no plano de 2030. Essa é a politica atual, mas nós precisamos avançar em relação a ela”, afirmou.

Enquanto as soluções e o substituto das hidrelétricas não chegam, a capacidade instalada para geração de energia elétrica precisa duplicar nos próximos 15 anos, afirmou o secretário.  Segundo Ventura, o setor precisa crescer pelo menos 4% ao ano para suprir a demanda.

Segundo levantamento da FGV divulgado durante o seminário, o crescimento estimado da demanda de energia elétrica entre 2012-2021 deve ser de 4,9% ao ano, o equivalente a um aumento total de 55% durante o período.

Novo modelo de negócio

Moussalem: apoio da iniciativa privada. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Moussalem: iniciativa privada pode dar a sua contribuição. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O chefe de gabinete da presidência da Eletrobras Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, afirmou que impulsionar a geração de energia nuclear no Brasil é como “quase construir um novo negócio” já que o modelo com o qual setor conta para negociar é da década de 1970. “O grande ineditismo é explorar as possibilidades de negócios que possam se adaptar as características do setor energético nuclear considerando o cenário econômico atual”, avaliou Guimarães.

O gerente do Departamento de Energia (Deinfra-Energia) da Fiesp, Roberto Moussalem, defendeu a atuação da indústria no setor de energia nuclear. “A Fiesp entende também que há na energia nuclear um espaço muito importante para participação do setor privado. Na planta de energia nuclear o setor privado pode dar sim sua contribuição, aportando recursos e operando essas unidades”, afirmou.

O mundo busca uma matriz energética mais limpa, diz presidente da Petrobras

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

“O mundo busca uma matriz energética mais limpa”, afirmou Maria das Graças Foster, presidente da Petrobras, durante o painel “O futuro do petróleo e do gás natural no Brasil e no mundo”, que encerrou o 13º Encontro Internacional de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta terça-feira (07/08).

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Graças Foster, presidente da Petrobras

Graça Foster apresentou comparativos de 2000 a 2011 sobre as reservas e produção de óleo e gás natural. No que se refere à produção de óleo, o Brasil cresceu 73%, enquanto que o mundo cresceu 12%. Já na produção de gás natural, o crescimento foi de 61% e 36%, respectivamente. “Nós crescemos muito mais do que a média mundial”, avaliou a executiva da Petrobras.

De acordo com ela, 60% das reservas globais de petróleo estão concentradas em cinco países e 35%, em 47 países. O Brasil ocupa a 14ª. posição em tamanho de reserva. “Nós temos um futuro promissor”, sublinhou.

Sobre o valor de mercado das reservas, Graça Foster informou que 98% do que a Petrobras produz tem sido consumido no Brasil.

“Essa aproximação tão grande das nossas reservas com o melhor do mercado no Brasil – com o sul e sudeste, onde temos 47% do consumo de derivados, 62% do consumo de energia, 55% do PIB [Produto Interno Bruno] e 65% do consumo de gás natural – está a no máximo 300 quilômetros da costa. E isso traz para nós competitividade”,  destacou, explicando que o custo logístico desse petróleo e desse gás “é significamente menor porque está muito próximo da costa e do melhor do mercado no Brasil”.

Segundo a executiva, a Petrobras não tem negado esforços em investimentos. “Na área de exploração e produção, nós (sem somar os parceiros) temos U$ 131,6 bilhões de investimento”, informou.

Política de conteúdo local

A presidente da Petrobras explicou que todo projeto apresentado à diretoria da empresa precisa mostrar porque há conteúdo que não é feito no Brasil. “Não é um dogma e nem uma ordem do governo. Para nós, é uma decisão gerencial, porque representa grande competitividade”, afirmou.

“Nós temos esse compromisso porque acreditamos, não só por uma questão meramente nacionalista, mas porque traz competitividade para a Petrobras”, acrescentou Graça Foster, ao lembrar que a política de conteúdo local também gera empregos e renda para o Brasil, além de eficiência nos serviços. “Faz muito bem para a Petrobras ter a base de bens e serviços aqui no Brasil”, concluiu.

Acesso a serviço público é exemplo de cidadania que vem do Morro Santa Marta, no Rio

Agência Indusnet Fiesp

O Rio de Janeiro tem um grande desafio a enfrentar quando o assunto é o fornecimento de energia elétrica: a combinação das tradicionais altas temperaturas do Estado se soma ao maior índice de favelização do Brasil, mais de mil contabilizadas. Os picos de consumo são frequentes, quadro agravado por pipas e balões, ar-condicionado e ventiladores.

“É preciso abaixar o consumo em função da matriz energética brasileira”, disse Carlos Piazza, da Superintendência do Público da Light S.A., que participou do debate “Como valorar os sistemas e serviços de meio ambiente”, durante a Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental, de 25 a 27/8, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O assunto foi debatido também por Laura Tetti (Cosema/Fiesp), Dr. Antonio Monteiro Neto (sócio-diretor da Pinheiro Neto Advogados) e Casemiro Tércio Carvalho (coordenador da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo).

A Light priorizou algumas ações, incluindo o combate ao furto de energia que representa prejuízo de R$ 700 milhões anuais, no Rio, e, no Brasil, R$ 7,5 bilhões, significando 20% de energia roubada na ponta, através do chamado “gato”, a instalação informal, de acordo com Piazza.

Medidores digitais anti-furto

Para desatar o nó, a Light deu início a um projeto pioneiro no Morro Santa Marta, na zona Sul, que começou com a ação da segurança pública ao pacificar a comunidade, que tem 1.400 residências, abrigando 4.500 habitantes. Ao todo foram 18 meses de trabalho, entre planejamento e instalação, e um trabalho envolvendo os dois lados, a empresa e os moradores, para que se efetivasse a instalação de 33 km de rede e 21 transformadores blindados.

Foi montada uma rede multiplexada com medidores digitais anti-furto. A Light investiu R$ 4 milhões na modernização da rede que tinha aproximadamente 40 anos e inúmeros “gatos”.

O investimento incluiu, ainda, a instalação de 400 chuveiros, tomadas nas residências, luzes nas vias e a entrega de aproximadamente mil geladeiras a fim de substituir os aparelhos com mais de dez anos de uso, de alto consumo. “Já foram compradas 23 mil geladeiras para distribuição em outras comunidades. O programa de substituição prevê o recolhimento das antigas e seu descarte correto, em função do CFC”, esclareceu Piazza.

Conquista: pacto de cidadania

O grande apelo do projeto da Light, ao diminuir a informalidade, é que proporcionalmente se eleva a auto-estima, possibilitando o exercício da cidadania. Os moradores têm acesso a um serviço público, sem o risco de incêndio nos fios, fato comum antes da modernização, além da queima de aparelhos.

Para que a conta seja entregue nas residências, foi preciso emplacar as ruas.Os nomes foram escolhidos pela comunidade. O fato de se ter um endereço de referência foi mais do que significativo para os moradores que entendem que agora têm direitos.

Os moradores receberão uma conta progressiva, fixa de R$ 15,72 nos próximos seis meses – que começa a ser entregue em setembro e outubro – e, a partir do sétimo mês, serão somados 20 kw até o valor real de consumo. As próximas comunidades a terem a rede elétrica recomposta são Cidade de Deus e outras que integram o PAC como Batan, Babilônia, Alemão e Chapéu Mangueira.

Impostos e encargos

O setor elétrico, regulamentado pela Aneel, tem sua conta montada de forma complexa pelo fator X. Piazza explica que em uma conta no valor de R$ 40, somente R$ 9 se referem ao consumo, a diferença se deve a tributos e encargos.

“A composição da tarifa é complexa, mas, no final, os consumidores formais acabam pagando pelos informais. Se todos forem formalizados, o valor da conta de cada usuário cai de 10 a 15%”. E finalizou explicando que os R$ 2,32 do ICMS na conta de R$ 15,72 pesa para os moradores do Morro Santa Marta. Sua redução é discutida em instâncias governamentais. A Light é a maior contribuidora de ICMS do Rio de Janeiro: R$ 150 milhões mensais.