Presidente do Cosema/Fiesp destaca relevância da biodiversidade no Brasil

Edgar Marcel – Agência Indusnet Fiesp

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Walter Lazzarini, presidente do Cosema/Fiesp: 'Quando se fala em biodiversidade, o Brasil tem relevância muito grande'. Foto: Everton Amaro.

A mata atlântica e uma visão sobre os bens e serviços ambientais oferecidos pela floresta. Estes foram os temas de Walter Lazzarini, presidente do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), durante o seminário “Biodiversidade no Contexto da Sustentabilidade” – evento realizado na segunda-feira (18/06) no Humanidade 2012, no Rio.

Em sua participação, Lazzarini afirmou que entre os serviços ambientais relevantes da floresta estão a preservação da biodiversidade e a produção de água de qualidade. “A floresta amazônica gera cerca de 20 bilhões de toneladas de água por dia, assim como as outras florestas que realizam o sequestro de carbono, além de proteger o solo contra a erosão.”

De acordo com o presidente do Cosema/Fiesp, cerca de 90% de toda a biodiversidade terrestre está nas florestas. Das 10 a 50 milhões de espécies animais e vegetais que, segundo estimativas, podem existir no planeta, apenas 1,5 milhão estão devidamente catalogadas.

“Estamos perdendo uma oportunidade no momento em que provocamos a degradação de nossas florestas. E quando se fala em biodiversidade, o Brasil tem uma relevância muito grande porque o país está entre as 15 nações megadiversas, ou seja, as nações que têm a maior biodiversidade do planeta. Estima-se que 20% da biodiversidade global estejam no Brasil”, detalhou Lazzarini.

E como o Brasil tem feito para preservar a biodiversidade? A resposta, segundo o presidente do Cosema/Fiesp, está nas mais de 500 unidades de conservação e proteção integral no país.

“Estas unidades ocupam cerca de 50 milhões de hectares e as unidades de conservação e uso sustentável dão conta de 110 milhões de hectares. Ou seja, estamos falando em unidades de conservação da ordem de 160 milhões de hectares, ou quase 20% da superfície terrestre do Brasil”.

Lazzarini afirmou ainda que, apesar de ainda ocorrer desmatamento no Brasil, atualmente no mundo todo são desmatados 13 milhões de hectares de florestas por ano.

Recomendações na Rio+20

O presidente do Cosema/Fiesp explicou que, na conferência oficial da conferência Rio+20, que acontece no Riocentro, constam 10 recomendações no capítulo específico de florestas. A primeira delas é a necessidade de existência de 150 milhões de hectares de florestas preservadas e recuperadas.

“Quando se fala em 13 milhões de hectares de desmatamento de florestas tropicais por ano, tem-se a ideia de um país no tamanho da Nicarágua, ou seja, desmata-se no planeta uma Nicarágua por ano. Daí a necessidade de se ter os olhos voltados para a preservação da biodiversidade, o que temos feito no Brasil a partir das unidades de conservação”, explicou Lazzarini.

Apesar de tamanha devastação, o representante da Fiesp ressaltou que o processo de contínuo desmatamento ocorrido durante séculos está se revertendo com o aumento da quantidade da área preservada abrangida pela mata atlântica.

“O fato concreto”, disse Lazzarini, “é que a Comissão Nacional de Biodiversidade, que havia estabelecido uma meta para o ano de 2010 de ter 10% do bioma da mata atlântica em unidade de conservação, alcançou 90% dessa meta. Portanto, por meio das políticas que têm sido adotadas, nós mudamos a curva, que era de constante desmatamento e degradação de nossas florestas.”