Cortar preço não é a primeira resposta perante a crise, diz especialista em marketing estratégico

Alice Assunção e Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp

A primeira resposta de um empresário a um período de crise é inovar, e não cortar preços, afirmou nesta terça-feira (13/10) Edson Barbero, consultor e especialista em inteligência de negócios e marketing estratégico, ao participar do II Seminário da Micro e Pequena Indústria da Fiesp.

“Cortar o preço não deve ser a primeira resposta perante a crise econômica. Mas qual a primeira resposta? Inove, raridade é uma proteção contra erosão de preços”, disse Barbero ao palestrar sobre preço para empresários de micro e pequeno porte durante o encontro organizado pelo Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Fiesp.

O segundo passo, segundo Barbero, é cortar custos indevidos ou injustificáveis. “Uma empresa não quebra por ter preços altos, quebra por ter custos altos”.

Barbero reiterou que o preço é um componente estratégico dentro do plano de marketing da empresa.  Ele acrescentou ainda que “reduzir preços não é vantagem competitiva, mas reduzir custos é uma vantagem competitiva”.

Micro e pequena indústria

O tema do segundo seminário do Dempi este ano é “Prosperando na Crise”. Durante esta terça-feira, empresários de micro e pequeno porte debateram a importância do plano, da estratégia e das ações de marketing para superar a má fase da economia brasileira.

Também participaram dos debates a executiva de marketing e branding Marcia Auriani, o diretor Acadêmico de Pós-Graduação da ESPM Edson Crescitelli e o coordenador do Núcleo de Jovens Empreendedores (NJE) Sul do Ciesp, Luiz Trivelatto.

Os painéis sobre produto, preço, promoção e praça foram mediados por Martha Gabriel, autora do best-seller “Marketing na Era Digital”.

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Luiz Trivelatto, no segundo painel do seminário MPI. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Parcerias estratégicas

A integração dos “4Ps” do marketing – preço, produto, praça e promoção – funciona como uma escola de samba. Se não houver uma sincronia entre esses 4 tópicos, não haverá sucesso em seu funcionamento. A analogia foi feita por Edson Crescitelli durante sua apresentação no MPI.

A palestra de Crescitelli tratou dos temas praça, logística e estratégia dos canais de distribuição. De acordo com ele, o grande desafio em qualquer operação logística é chegar ao consumidor final da maneira mais rápida e mais barata. “Normalmente, a distribuição é um item que não aparece com muita relevância, mas se essa ala não funcionar, a escola de samba vai estourar o prazo e não vai conseguir vender”, analisou.

Para Crescitelli, apesar dos relacionamentos com os canais serem sempre complexos, são necessários, não são meros meios de colocar os produtos nas mãos dos consumidores, e sim parceiros estratégicos. “É preciso evitar dependência excessiva de um canal ou organização e ficar atento à evolução do varejo, porque é isso que vai determinar a venda do seu produto”, afirmou.

Crescitelli apresentou algumas tendências gerais da distribuição, como: maior dificuldade em conquistar vantagem competitiva sustentável, poder crescente dos distribuidores, necessidade de reduzir custo de distribuição e o avanço da tecnologia.

Segundo ele, a rede de distribuição é necessária em muitos casos, já que o distribuidor é a forma de concentração entre quem vende e quem compra. “Um fabricante não consegue atingir vários segmentos ou clientes sozinho, é por isso que ele precisa da distribuição”, comentou.

Entre tantas formas dinâmicas de distribuição, Crescitelli citou a internet, com o e-commerce, que vem crescendo nos últimos anos, já que o consumidor prefere comprar pela internet, pela praticidade e diversidade de preços.  “Vender pela internet não é coisa só de grande empresa. Hoje em dia é mais acessível, é algo consolidado, mas novas formas de distribuição também estão sempre surgindo”, disse Crescitelli.

O palestrante afirmou que um plano de marketing para o canal de distribuição é fundamental, já que é necessário saber qual é o seu público-alvo, qual a região de atuação, posicionamento (compatibilidade da imagem, como você quer que ele apareça), perfil da organização, compatibilidade operacional, situação financeira e representatividade estratégica. “Tudo isso deve ser avaliado na hora de você escolher os seus parceiros de distribuição”, alertou.

Tendências

Crescitelli apresentou algumas tendências dos canais de distribuição, como o omnichannel, que são lojas físicas e virtuais trabalhando de forma integrada, uma integração online e off-line. No varejo, a tendência é na inclusão de tecnologias, pagamentos por mobile, displays interativos, códigos de barra e vídeos, por exemplo.

Sobre os modelos de distribuição, o palestrante citou a distribuição exclusiva, seletiva e intensiva, explicando que a melhor opção depende do objetivo e da estratégia escolhida. A distribuição exclusiva, explicou Crescitelli, é uma opção um pouco restritiva, porque tem de haver um volume grande de produtos. Já a distribuição seletiva é aquela que vende o produto em alguns pontos de vendas determinados, e a distribuição intensiva vende no maior número de lugares possíveis.

CEO do LinkedIn mostra como a rede social profissional transformou os processos de recrutamento no Brasil

Marília Carrera, Agência Indusnet Fiesp

Convidado a falar sobre “Transformando atração de talentos e o marketing através de redes sociais profissionais” durante o Pocket Jovem Empreendedor – Inovações por minuto, realizado nesta segunda-feira (26/11) pelo Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), o CEO do LinkedIn Brasil, Osvaldo Barbosa de Oliveira, explicou a missão do site de relacionamento e de que forma ele vem transformando os paradigmas dos setores de recrutamento e marketing no interior das empresas.

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Osvaldo Barbosa de Oliveira: “Cada vez mais, as pessoas devem pensar suas marcas pessoais como negócio” Foto: Everton Amaro

Segundo dados apresentados por ele, com mais de 187 milhões de usuários, o LinkedIn é hoje uma das redes sociais profissionais mais utilizadas do mundo. Só no Brasil são 10 milhões de usuários, que elevam o país à 3ª posição do ranking mundial de audiência do site, atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia, com aproximadamente 66 milhões e 15 milhões, respectivamente.

Ao contrário do que muitos pensam, no entanto, sua principal missão não é a oferta de novas vagas de emprego. De acordo com Oliveira, o objetivo da rede é conectar profissionais do mundo, a fim de torná-los mais produtivos e bem-sucedidos nos negócios que realizam hoje. As futuras oportunidades de trabalho seriam apenas consequências do processo.

Para isto, informou o CEO, o LinkedIn conta com uma série de funções responsáveis por tornar a navegação do site mais dinâmica, disponibilizando aos seus usuários “insights”. Isto é, informações de negócio, compartilhadas por profissionais, líderes e empresas, que agregam conhecimento à carreira profissional.

Por meio de ferramentas, a exemplo dos grupos de discussões, o LinkedIn permite que seus usuários construam uma identidade profissional atualizada, que seja interessante a outros contatos e segmentos empresarias presentes na rede.

Para o CEO do sistema, o sucesso não depende somente das pessoas e do conhecimento; também está associado aos relacionamentos: “Cada vez mais, as pessoas devem pensar suas marcas pessoais como negócio”, ressaltou Oliveira.

Recrutamento e marketing

Osvaldo Oliveira salientou que hoje o LinkedIn vem se consolidando como um espaço ideal para as empresas recrutarem novos profissionais e promoverem sua marca. Por meio de buscadores e filtros de pesquisa, o site possibilita que recrutadores encontrem candidatos específicos para determinada oportunidade de emprego. “Ao invés de publicarem suas vagas, as indústrias acham seus candidatos”, reforçou.

No que diz respeito ao marketing, acrescentou Oliveira, as empresas podem utilizar as career e company pages para propagar valores internos aos profissionais da rede. Além disso, os próprios funcionários da organização atuam como “embaixadores” da marca, propagando o que ela faz e o que ela é.

Assim como os perfis de candidatos que aparecem aos recrutadores, completou o CEO, a publicidade no LinkedIn também é segmentada de acordo com a atualização dos usuários do site, de modo que elas sejam direcionadas para aqueles que realmente constituem público alvo da empresa.