Para ex-jogador Raí, postura ‘arrogante’ da Fifa prejudicou a realização da Copa no Brasil

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Aproveitando a proximidade da Copa do Mundo de 2014, que começa no dia 12 de junho com a partida entre Brasil e Croácia, na Arena Corinthians, o InteligênciaPontoCom, iniciativa do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), reuniu na noite desta segunda-feira (19/05) o ex-jogador do São Paulo Futebol Clube e da seleção brasileira, Raí, e Mário Prata, escritor, jornalista e cronista esportivo, para falar sobre uma das maiores paixões do brasileiro: o futebol.

O encontro entre os dois craques, um dos campos, o outro das letras, foi descontraído. Ambos interagiam e faziam perguntas entre si, como em uma conversa entre velhos amigos.

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Raí e Mário Prata: amor pelo futebol. Foto: Hélcio Nagamine/Fiesp


Um dos pontos de destaque do bate-papo foi a crítica feita em relação à atuação da Federação Internacional de Futebol (Fifa) durante os preparativos para a Copa de 2014 no Brasil.

Na análise do ídolo sãopaulino, a postura “arrogante” da Fifa criou efeitos negativos para o evento. “O que a Fifa fez jogou contra a Copa, criando um movimento contrário à realização por parte de parcelas da população”, analisou Raí.

Para o corintiano Prata, o processo que culminou com a escolha do Brasil como sede da Copa foi confuso, pois misturou esporte com política, e já demonstrava o rumo que a preparação para a competição teria no país.

“A classe política achou que a Copa fosse do Brasil, para o Brasil. Mas ela é da Fifa”, analisou.  “Além disso, já estava decidido há tempo que o Brasil seria o país–sede”.


Expectativas para a Copa no Brasil

Os dois falaram também sobre as expectativas que têm para o desempenho da seleção canarinho durante a Copa.

Para Raí, o técnico Luis Felipe Scolari conseguiu transformar as manifestações que aconteceram em junho de 2013, “aquela tensão toda”, em algo positivo para a atual equipe.

“O time embalou depois daquilo, durante a Copa das Confederações, e, hoje, tem condições de ganhar”, disse. “Mas se a Copa fosse fora do Brasil, esse time não seria favorito”, opinou o ex-jogador.

Prata revelou certa preocupação com a falta de craques no time atual. “Não temos gênios, com exceção, talvez, do Neymar”, revelou. “Tenho medo”, completou.


A seleção libertadora de 1994

Em seguida, Mário Prata questionou o ex-jogador do São Paulo e da seleção brasileira sobre a Copa de 1994, na qual Raí foi sacado do time pelo então treinador Carlos Alberto Parreira na terceira partida da primeira fase. Segundo Raí, ele acabou sendo o escolhido pela torcida como o principal culpado pela má fase da equipe.

“Aquele time foi muito criticado em 1993, depois que perdemos para a Bolívia, na altitude de La Paz, nas eliminatórias para a Copa dos Estados Unidos. Eu, como capitão, e o Parreira, o técnico, acabamos sendo os principais alvos das críticas”, justificou.

Apesar de criticada pelo futebol “feio”, Raí acredita que a seleção tetracampeã de 1994 ‘libertou’ as gerações posteriores da pressão pela conquista do mundial. “Nós éramos muito pressionados, porque desde 1970 o Brasil não vencia uma Copa. Acho que isso prejudicou duas ótimas gerações, incluindo a de 1982, de Zico, Falcão, Júnior”.


Futebol: mais fantástico que a ficção

Além do futebol, a literatura foi outro ponto abordado durante o encontro. Prata, autor dos livros sobre futebol, ‘Paris, 98!’, publicado em 2005, e de ‘Palmeiras, um Caso de Amor’, de 2002, explicou por que a chamada literatura futebolística é tão rara no Brasil. Ele revelou que considera muito difícil criar personagens palpáveis tendo como pano de fundo o principal esporte nacional.

Para Raí, isso acontece talvez porque o futebol real é mais emocionante do que qualquer ficção relacionada ao esporte. “Tem jogos históricos cujas histórias jamais poderiam ter sido criadas por um roteirista”, opinou o ex-jogador do São Paulo.

O escritor também revelou uma curiosidade sobre sua obra ‘Palmeiras, um Caso de Amor’, que foi adaptada posteriormente para o cinema pelo cineasta Bruno Barreto.  “É um Shakespeare futebolístico”, classificou, fazendo referência à narrativa que acompanha o relacionamento conturbado entre uma palmeirense e um corintiano.

Esse filme, curiosamente, foi um tremendo sucesso em Israel, revelou o autor. “Talvez por eles viverem tão profundamente a rivalidade com os palestinos”.

No próximo InteligênciaPontoCom, Raí e Mario Prata falam sobre futebol

Agência Indusnet Fiesp

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Raí é um dos fundadores da Gol de Letra. Foto: Jairo Goldflus

Evento mensal em formato de um bate-papo promovido pelo Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), o InteligênciaPontoCom do mês de maio reúne o ex-jogador e criador da Fundação Gol de Letra, Raí Vieira de Oliveira, e o escritor e jornalista, Mario Prata, para falar de futebol, tema que vai mobilizar a atenção de bilhões de pessoas durante a Copa do Mundo.

O bate-papo acontece desta vez numa segunda-feira (19/05), às 20h, no Teatro do Sesi-SP, no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso, na avenida Paulista. O evento tem entrada gratuita e também pode ser acompanhado por transmissão online no site www.fiesp.com.br/online

Durante sua carreira, Raí se consagrou ao atuar por clubes como o São Paulo Futebol Clube e Paris St. Germain, na França. Em 1998, criou a Fundação Gol de Letra, reconhecida pela Unesco como instituição modelo no apoio às crianças em situação de vulnerabilidade social. Recentemente, escreveu três livros, sendo um infanto-juvenil. Durante a Copa do Mundo de 2010, que aconteceu na África do Sul, assinou coluna para o jornal francês France Soir com relatos das partidas e dos fatos mais importantes do evento.

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Mario Prata: mais de 3000 crônicas. Foto: Divulgação

Em mais de 50 anos de atividade, o escritor, dramaturgo, jornalista e cronista brasileiro Mário Prata acumula 3 mil crônicas e cerca de 80 títulos, entre romances, livros de contos, roteiros e peças teatrais. Na carreira, recebeu 18 prêmios nacionais e estrangeiros, com obras reconhecidas no cinema, literatura, teatro e televisão. Foi correspondente em duas Copas do Mundo, no EUA em 94, onde viu Raí levantar a taça, e na França, em 98.

Sobre o InteligênciaPontoCom

Projeto que aborda temas de diferentes áreas do saber com o objetivo de promover e aprimorar as trocas de conhecimento de forma clara e eficaz, o InteligênciaPontoCom acontece no formato de um bate-papo descontraído entre grandes nomes dos mais variados temas da cultura nacional e o público.

Mensalmente, grandes expoentes da música, cinema, teatro, literatura, artes plásticas e outras manifestações artísticas conversam com o público presencial e on-line, em um bate papo informal no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso, na avenida Paulista.

Serviço

InteligênciaPontoCom – com Raí e Mario Prata.
Data e horário: 19 de maio (segunda-feira), às 20h, com entrada gratuita.
Local: Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso / Teatro do Sesi-SP – Av. Paulista, 1.313 – São Paulo –SP
Capacidade: 456 lugares
Duração: 90 minutos
Recomendação etária: Livre
Entrada franca – A distribuição dos ingressos tem início a partir das 13 horas, no dia do evento. Serão distribuídos dois ingressos por pessoa. Reservas antecipadas pelo site: www.sesisp.org.br/meu-sesi
Informações: (11) 3146-7405/7406