Code, da Fiesp, discute melhorias para o esporte com base no Pro-Mac

Amanda Demétrio, Agência Indusnet Fiesp

Reunião desta quarta-feira (29 de agosto) do Comitê da Cadeia Produtiva do Desporto da Fiesp (Code) discutiu como o Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais – Pro-Mac pode ser utilizada em mudanças no setor esportivo.

Integrante da mesa principal, o ex-secretário da Cultura e criador do programa, Andrea Matarazzo, além de explicar a funcionalidade da lei Pro-Mac, que trabalha o incentivo por meio da renúncia fiscal, sendo até 20% sobre o ISS e IPTU para os incentivadores – pessoa física ou jurídica-, destacou a sua visão sobre o trabalho realizado no esporte atualmente.

“Hoje, a única coisa que compete com as drogas é a cultura e o esporte, onde o jovem tem perspectiva de crescimento. O esporte numa cidade como São Paulo é uma das coisas mais importantes. Se pegar o gancho da lei de incentivo à cultura e a prefeitura liberar o recurso, tem muita coisa para fazer na área esportiva e que seria de grande utilidade para cidade. E para complementar, os clubes privados teriam uma importância muito grande até pelo conhecimento que possuem na área”, comentou Andrea.

Há mais um desafio para o Code, disse Mario Frugiuele, diretor titular, ao comentar sobre o desenvolvimento de um plano para o esporte a ser apresentado aos candidatos, já que apenas seis dos presidenciáveis têm algum projeto voltado para o esporte.

João Farias, Secretário Municipal de Esportes e Lazer na Prefeitura de São Paulo, também comentou a forma como o esporte e a cultura são vistos e trabalhados no país.

“Em um país de terceiro mundo como o Brasil, cultura e esporte são sempre tratados de costas, pela pressão que recai na saúde e na educação. Para mim, como secretário, o grande desafio é transformar o esporte de São Paulo em algo inclusivo, ou seja, que insere socialmente ou que se torna uma atividade de lazer para a população. Isso geraria um efeito em cadeia, com influências até nas áreas de saúde e educação”, finalizou.

Reunião do Code, da Fiesp, com a participação de Andrea Matarazzo. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Reunião do Code, da Fiesp, com a participação de Andrea Matarazzo. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Fora das categorias olímpicas e paraolímpicas, esporte para surdos busca apoio

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

A reunião do Departamento do Esporte da Fiesp (Code) desta quarta-feira (30 de agosto) teve como destaques os temas Esporte para Surdos e Manual de Boas Práticas de Gestão e Compliance. Foi conduzida por seu diretor titular, Mario Frugiuele.

Mario Xandó, técnico da seleção brasileira de vôlei de surdos, fez apresentação sobre o esporte para os atletas com essa deficiência. Alguns deles, destacou, têm desempenho muito próximo ao de atletas de rendimento. Um problema do esporte para surdos é que não se enquadra nas categorias olímpicas nem paraolímpicas, explicou. “É um mundo que não tem nada a ver com o olímpico nem com o paraolímpico.” A audição é especialmente importante nos esportes coletivos, destacou Xandó.

Uma dificuldade inicial para o trabalho esportivo com surdos, revelou Xandó, foi encontrar profissionais, como professores de educação física, que soubessem libras e a usassem com a velocidade necessária ao esporte.

Vêm de 1924 os Primeiros Jogos Internacionais Silenciosos de Verão de Paris, sendo em 2000 adotada a denominação Surdolimpíadas. Em 2002 o Brasil realizou a 1ª Surdolimpíada, e em 2014 houve em Caxias do Sul a primeira edição dos Jogos Sul-americanos de Surdos.

Segundo o IBGE, há no Brasil 9,72 milhões de surdos, 5% da população do país. No Estado de São Paulo, 1,89 milhão. A estimativa é que 300.000 surdos pratiquem esporte no Brasil. A Confederação Brasileira de Desportes de Surdos tem 3.000 atletas e técnicos filiados. A seleção brasileira masculina de vôlei de surdos tem, no meio de sua coleção de títulos, a medalha de prata no Pan 2012 e a de ouro no Pan 2016. Foi a quarta no Mundial 2016 e a quinta colocada nas Surdolimpíadas 2017. E ano que vem começa o processo de preparação para Dubai 2021.

Usando a Lei Paulista de Incentivo ao Esporte, foram realizadas 24 clínicas inclusivas em 12 cidades paulistas, com o objetivo de incentivar e integrar por meio do vôlei crianças e jovens surdos e ouvintes. Participaram 2.400 pessoas, das quais 400 surdas – e 2 viraram atletas da seleção brasileira.

Em 2017/18 se aguarda a liberação para execução do valor captado graças à Lei Paulista de Incentivo para nova etapa das clínicas inclusivas de vôlei. E está em planejamento a edição 2018/19 das clínicas.

Também se aguarda a liberação de recursos para as seletivas e treinamento preparatórios para os jogos Sul-Americanos de 2018 de Bogotá, de 8 a 18 de novembro.

Com a coordenação de Xandó e do mesa-tenista Hugo Hoyama, está em planejamento pelo Instituto Santa Terezinha o Centro de Desenvolvimento Esportivo Inclusivo – Surdos e Ouvintes, nas modalidades vôlei, futsal, judô, tênis de mesa e badminton.

Compliance

Paulo Cesar Movizzo explicou as razões para criação do Manual de Boas Práticas e Compliance pelo Sindicato dos Clubes do Estado de São Paulo (Sindi-Clube), presidido por ele. O manual se segue à incorporação, pela instituição, do compliance.

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Reunião do Code, da Fiesp, com a participação de Mario Xandó. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Prefeitura de São Paulo explica na Fiesp Plano Municipal de Esporte

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

A reunião desta segunda-feira (31/10) do Comitê da Cadeia Produtiva do Desporto da Fiesp (Code) teve a apresentação da minuta do Plano Municipal de Esporte de São Paulo. Sílvia Vidor, analista da Secretaria Municipal dos Esportes (Seme), explicou que a proposta é um documento técnico, elaborado a partir de um processo amplo e democrático, e não o projeto de uma gestão. E pediu a contribuição do Code.

O início do projeto, em 2011, surgiu em cooperação técnica com a Unesco e a Agência Brasileira de Cooperação. Uma consultoria foi contratada para ajudar no trabalho, fazendo a análise de planos de Barcelona, Madri e Amsterdã e do Sistema Nacional de Esporte. Grupos de trabalho com a participação de 19 instituições –incluindo o Sesi-SP- levaram à escolha de 9 temas norteadores, submetidos a consulta pública de 17 a 23 de maio.

Compiladas as sugestões, a equipe gestora chegou a seis eixos temáticos:

esporte como hábito de vida para todos;

esporte de formação e triagem de talentos;

atuação municipal no esporte de alto rendimento;

ampliação e requalificação da rede de equipamentos esportivos municipais e valorização do patrimônio municipal relacionado ao esporte;

desenvolvimento econômico e científico por meio do esporte;

governança e promoção do amplo controle social.

A partir daí foram construídas as metas de curto, médio e longo prazo, usando para isso entrevistas com servidores dos diferentes setores da Seme. As ações devem ser implementadas entre 2017 e 2021.

Metas e ações ficaram em consulta pública de 5 a 16 de outubro. Houve 272 comentários e 99% de aprovação, explicou Sílvia. Agora são aguardadas contribuições para que o plano vire lei.

Mario Frugiuele, coordenador do Code, ressaltou a importância do planejamento no esporte. “Ter um trabalho organizado, pensando nas necessidades atuais e pensando no futuro, é importantíssimo.”

Na abertura da reunião, Frugieuele destacou a importância da atividade física, entre outros fatores porque há o aumento da expectativa de vida dos brasileiros e o envelhecimento da população.

Outra apresentação durante a reunião do Code, relacionada ao tema da saúde, foi feita por Rogério Tavares, da Valle/Ampag, que explicou o Valle Esportes, cartão de incentivo à prática esportiva corporativa. Ideia é estimular quem não tem o hábito de praticar atividade física. A empresa define quantos e quais colaboradores receberão o benefício, a partir de R$ 100 por mês, valor que pode ser usado em qualquer estabelecimento que aceite a bandeira Visa. Há um programa de acompanhamento e motivação, que gera relatórios para a empresa, mostrando a evolução dos funcionários.

O uso do Valle Esportes, disse Tavares, pode permitir à empresa reduzir o FAP (Fator Acidentário de Prevenção) do Seguro de Acidente de Trabalho, devido à Previdência Social, com o reenquadramento de sua alíquota multiplicadora.

Victor Hajjar relatou a participação do Code na audiência pública da comissão de juristas responsável pela elaboração de anteprojeto para a Lei Geral do Desporto.

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Reunião do Code em que foi apresentada minuta do Plano Municipal de Esporte de São Paulo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Delegação olímpica italiana vê na Fiesp abertura da Rio 2016

Agência Indusnet Fiesp

A delegação olímpica italiana de atletismo assistiu nesta sexta-feira na sede da Fiesp à cerimônia de abertura da Olimpíada 2016. Atletas e equipe técnica participaram do jantar de encerramento do projeto Campus Itália, realizado pela Fiesp, que teve palestras sobre a imigração italiana e permitiu o acompanhamento dos atletas por alunos do Sesi-SP. Mario Frugiuele, diretor secretário da Fiesp e vice-presidente de seu Conselho Superior do Desporto, conduziu o evento, nesta sexta-feira (5/8).

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Jantar comemorativo do encerramento do projeto Campus Itália, na Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Code discute oportunidades de negócio durante as Olimpíadas

Agência Indusnet Fiesp

O Comitê da Cadeia Produtiva do Desporto da Fiesp (Code) se reuniu na tarde desta quarta-feira (27/4), na sede da entidade, para discutir a realização de Rodadas de Negócios com empresas brasileiras e estrangeiras durante o período dos Jogos Olímpicos no Brasil, a fim de estabelecer parcerias de transferência de tecnologia e inovação para o setor esportivo.

O coordenador do comitê, Mario Eugenio Frugiuele, conduziu a reunião, que contou com a participação do secretário municipal de esportes de São Paulo, José de Lourenzo Messina, e de Campinas, Dário Jorge Giolo Saadi.

Também compuseram a mesa principal os coordenadores adjuntos do Code, Vitor Hajjar e Maurício Fernandez, o ex-jogador olímpico de vôlei, José Montanaro, o presidente do Sindicato dos Clubes do Estado de São Paulo (SindClube), Cezar Roberto Leão Granieri, e o vice-presidente do Ciesp, José Eduardo Camargo.

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Reunião do Comitê da Cadeia Produtiva do Desporto da Fiesp sobre oportunidades de negócio nas Olimpíadas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Comitê da Cadeia Produtiva do Desporto realiza sua última reunião de 2014

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Na tarde desta segunda-feira (08/12) foi realizada a última reunião do Comitê da Cadeia Produtiva do Desporto (Code) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com a presença do ministro Vilmar Coutinho Júnior, da assessoria Internacional do Ministério do Esporte, e do ex-piloto de Formula Indy, Luiz Garcia Júnior, membro do Comitê Paralímpico Brasileiro.

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Ministro Vilmar Coutinho Júnior (segundo da esquerda para a direita): Câmara Setorial terá sucesso desde que a indústria participe efetivamente. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


No encontro foram apresentados detalhes do convênio firmado entre a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Cômitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio-2016.

Cristiano Antônio da Silva, representante da CNI, destacou que ainda há oportunidades para que as indústrias se candidatem como fornecedoras para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos que acontecerão no Rio, em 2016. “Dos R$ 3 bilhões disponíveis ainda há R$ 1 bilhão disponíveis para contratação até o mês de maio”, afirmou.

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Cristiano da Silva, da CNI. “Ainda há R$ 1 bilhão disponíveis para contratação até o mês de maio”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Segundo Silva, as oportunidades principais são para as indústrias dos setores gráfico, alimentício, madeira e móveis, metal-mecânico, construção e vestuário. As empresas interessadas devem fazer o seu cadastro no site http://portaldesuprimentos.rio2016.com e, desta forma, estarão previamente habilitadas para o processo seletivo que é realizado pelo setor de suprimentos do Comitê.

Silva explicou também que o Sebrae também fez um acordo para a capacitação das micro e pequenas indústrias, de maneira que elas também possam participar do processo.

Câmara Setorial do Esporte

O coordenador do Code, Mario Frugiuele, destacou que a recente instalação da Câmara Setorial da Indústria, Comércio e Serviços do Esporte significa uma das conquistas para a cadeia produtiva. “O Code fará parte dessa Comissão que, com certeza, terá bons frutos. É um ponto a favor para o esporte ter essa Comissão Interministerial com a participação da iniciativa privada”, afirmou Frugiuele.

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Mario Frugiuele: Câmara Setorial significa uma das conquistas para a cadeia produtiva. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O ministro Vilmar Coutinho Júnior também comentou sobre a instalação da Câmara Setorial, que terá a coordenação do próprio Ministério do Esporte, mas com a participação de outros ministérios como o do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Coutinho explicou que a constitucionalidade da Câmara ainda está sendo composta mas, paralelamente, deverão ser levantadas as reivindicações das indústrias para serem apresentadas à Câmara.

“A Câmara terá sucesso e poderá fazer um bom trabalho desde que a indústria consiga , de fato, aproveitar esse fato de forma efetiva e trazer as ideias”, afirmou Coutinho, sugerindo que as propostas sejam discutidas previamente e apresentadas de forma mais concreta para garantir mais celeridade.

Momento de oportunidade

Mauricio Fernandez, coordenador adjunto do Code, ressaltou a necessidade de sensibilizar e capacitar as indústrias diante das oportunidades que se apresentam, tanto os Jogos Olímpicos e Paralímpicos como o crescente mercado de esportes no país. “É preciso chacoalhar e acordar a indústria para as oportunidades. O dinheiro existe, é real, mas a gente tem uma dificuldade enorme de despertar a indústria para as oportunidades”, afirmou, destacando a importância da realização de rodadas de negócios.

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Luiz Garcia Junior, do Comitê Paralímpico Brasileiro: "Brasil vive um momento de oportunidade para o esporte". Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Luiz Garcia Júnior, do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), comentou que os bons resultados obtidos por atletas brasileiros, como a equipe de natação, não são por acaso. “Mais recentemente, desde quando o Brasil conquistou o direito de sediar os Jogos, tem muito mais recursos sendo colocados em projetos, tanto lá no CPB como nas diversas Confederações. Então, os atletas estão tendo uma preparação melhor também”.

Garcia Júnior afirma que a palavra-chave hoje é oportunidade. “Estamos em um momento de oportunidades no esporte, como a gente nunca teve aqui no país. É um momento de oportunidade para a indústria, comércio, serviços e para as diversas áreas envolvidas. A indústria pode e deve se qualificar. A gente tem condições, sim, de fazer equipamentos a nível de serem homologados internacionalmente”, declarou.

Cadeia produtiva do Desporto precisa estar preparada para grandes eventos

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Depois de participar da abertura da 29ª edição do Sports Business, o coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva do Desporto (Code) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Mario Frugiuele, disse na manhã desta terça-feira (02/12), no hotel Maksoud Plaza, que as indústrias da cadeia precisam estar preparadas diante dos grandes eventos esportivos na agenda do país – entre eles, os Jogos Olímpicos Rio-2016 e a Universíades de Brasília 2019.

“É um mercado muito forte, muito transversal, amplo, mas [a indústria] precisa estar com nível internacional. A competição não é fácil, é dura, mas o Brasil tem muito que andar nesse sentido de inovação, na qualidade. Uma vez que essas empresas brasileiras continuem nesse desenvolvimento, vamos adquirir mais competitividade e vamos conseguir fazer melhores negócios. O mercado é gigante”, afirmou Frugiuele.

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Mario Frugiuele, coordenador do Comitê do Desporto da Fiesp: câmara setorial vai ajudar muito. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Em sua fala no evento, Frugiuele disse colocou o comitê à disposição dos diversos atores da cadeia produtiva. “A Fiesp, através da ideia do presidente Paulo Skaf, instituiu o Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria do Deporto. Esse comitê vem trabalhando pelo desporto ao lado de autoridades federais, estaduais e municipais”, disse Frugiuele.

De acordo com o diretor da Fiesp, a expectativa é que a câmara setorial criada recentemente – um dos assentos é da Fiesp – possa ter bons resultados a partir de 2015.  “Essa câmara vai ajudar muito porque junta a iniciativa privada, três ministérios importantes (Esporte; Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; e Relações Exteriores).”

“O evento é muito dinâmico, muito aberto por conta de todos os interesses. Estamos ajudando para que isso dê certo, para que a indústria nacional possa se aparelhar melhor.”

O Sports Business prossegue até quinta-feira (04/12) no Maksoud Plaza, reunindo representantes das áreas da Indústria, do Turismo, da Educação e do Esporte, das três esferas de governo (federal, estadual e municipal), empresários, patrocinadores, agências de propaganda, de marketing esportivo, turismo, veículos de mídia, entidades de classe, federações esportivas, atletas, gestores públicos, gestores de academias, profissionais de educação física e saúde, fornecedores de serviços e profissionais liberais, todos referências em suas áreas de atuação.

Maurício Fernandez, coordenador adjunto do Code/Fiesp e presidente da Associação Brasileira da Indústria do Esporte (Abriesp), explicou que o objetivo do evento é promover uma integração entre profissionais, setor público  e indústria em geral.

“Que eles se encontrem, que tenham oportunidade nesse evento que é multipolivalente de interagir, trocar cartão, conversar, e juntos possamos conseguir nossas metas e nossos objetivos, que estão estabelecidos de forma muito clara tanto pelo Code como pela Abriesp: redução de imposto, aumentar a sensibilização e a capacitação do empresário para ter acesso a mais verbas e conseguir que haja essa capilarização do dinheiro.”

A cerimônia de abertura do evento contou com a presença de Celso Jatene, secretário de Esportes, Lazer e Recreação na Cidade de São Paulo; Clóvis Volpi, secretário adjunto da Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude do Estado de São Paulo; e do ministro Vilmar Coutinho, representando o ministro Aldo Rebelo, do Ministério do Esporte, além do deputado federal Arnaldo Faria de Sá (SP), entre outras autoridades.

Entrevista: Mario Frugiuele explica como estão sendo estruturadas as ações do Code

Dulce Moraes e Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

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Mario Frugiuele: Code é um fórum adequado para que aconteça o relacionamento entre essas várias cadeias, categorias e indústrias. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Potência em revelar atletas talentosos, o Brasil virou o centro das atenções mundiais na área esportiva nos últimos anos, com a confirmação da Copa do Mundo da Fifa, realizada entre junho e julho de 2014, e dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.

Para trabalhar as questões relacionadas ao tema, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criou em 2013 o Comitê da Cadeia Produtiva do Desporto (Code) – um fórum de discussão e promoção de iniciativas visando fortalecimento dessa dinâmica cadeia produtiva, que reúne empresas de diversos setores e segmentos.

Em entrevista ao portal da Fiesp, o 2º diretor secretário da entidade e coordenador do Code, Mario Eugenio Frugiuele, detalha algumas dessas ações e esclarece como a Fiesp põe sua estrutura a serviço do desenvolvimento dessa cadeia produtiva.

Leia, a seguir, a entrevista na íntegra:

***

Como surgiu a ideia de criar o Comitê da Cadeia Produtiva do Desporto?

Mario Frugiuele – O Comitê foi criado, oficialmente, em abril de 2013, aliás, no mesmo dia da abertura da exposição “Jogos Olímpicos: Esporte, Cultura e Arte”, aqui no Centro Cultural Fiesp, que contou com a presença do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman. Mas as tratativas para sua criação começaram um ano antes. Para nos ajudar, trouxemos o Mauricio Fernandez, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Esporte (Abriesp), e, hoje, diretor adjunto do Code.

Qual foi o desafio inicial encontrado pelo Comitê?

Mario Frugiuele – Com certeza foi o de dimensionar essa cadeia produtiva tão ampla. Quando falamos de cadeia produtiva do esporte, estamos falando de várias setores: têxtil, calçados, de equipamentos esportivos, de produtos farmacêuticos, entre outros. E essa é a amplitude que viemos tentando dimensionar corretamente. E, mais do que isso, tentando fazer com que todas essas áreas se relacionem.

Então, um dos objetivos do Code é criar essa conexão entre os setores?

Mario Frugiuele – Sim, é claro. O Code é um fórum adequado para que aconteça o relacionamento entre essas várias cadeias, categorias e indústrias. A ideia é que possam engendrar e dar encaminhamento a projetos. E o contato é fundamental porque, muitas vezes, se não houver um fórum correto para o debate, simplesmente não se discute o assunto. Essa é a grande ferramenta que a Fiesp põe à disposição das indústrias, de tal maneira que o trabalho se desenvolve e as partes se inter-relacionam.

E como tem sido o trabalho conjunto de setores tão diversos e quais os resultados iniciais desse contato?

Mario Frugiuele – Através dessa inter-relação surgem projetos que serão desenvolvidos dentro do âmbito do Comitê. Criamos comissões para ações e estudos específicos dentro das necessidades que são detectadas por meio desse grande diálogo. Hoje, no Comitê, já foram definidas quatro comissões: Desenvolvimento de Produtos e Marketing Esportivo; Selo de Qualidade e Normatização; Impostos, Incentivos e Legislação Esportiva; e Capacitação Profissional. Todas as comissões são compostas por diretores de sindicatos e de empresas importantes da área. E o interessante é que todo assunto é discutido de forma muito concreta. É a vida real acontecendo.

Que tipos de problemas e situações são discutidos dentro do Comitê?

Mario Frugiuele – Muitas vezes estamos discutindo problemas que afetam vários setores. Em outras, são debatidos assuntos específicos. É curioso mas uma mesa de reunião pode ter o diretor do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil (Comtextil) da Fiesp e o presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA). Quando esses dois atores iriam sentar-se numa mesma mesa? Eles podem discutir, por exemplo, um problema com o tecido do maiô de natação. Eles podem verificar juntos como desenvolver esse produto e se este pode ser produzido aqui no Brasil. Ou seja, tudo isso só é possível se você tiver um contato e um relacionamento direto. Desta forma são cortados os caminhos. E isso faz o processo e os custos serem bem menores. É isso o que o Comitê está proporcionando.

No âmbito tributário, como o Code tem atuado?

Mario Frugiuele – O Comitê já realizou algumas reuniões e palestras sobre o tema. No final do ano passado, representantes da Secretaria de Esporte do Estado vieram à Fiesp para dialogar com os membros do Comitê sobre subsídios e incentivos fiscais. Veio também o representante da Receita Federal para falar do que está sendo elaborado e o que vai sair para a área de esportes em termos federais. Isso tudo a gente divulga, além do fato que, através do Comitê, os participantes têm contato aberto com os órgãos municipais, estaduais e federais. Neste ano, enviamos também um ofício para o Ministério da Fazenda solicitando a diminuição de IPI [Imposto Sobre Produtos Industrializados] em vários produtos de praticamente toda a cadeia do esporte. Houve uma reunião em Brasília (DF) com o secretário da Receita em que, juntamente com o Departamento Jurídico (Dejur) da Fiesp, colocamos o nosso pleito. Na ocasião, foi comentado que deveríamos iniciar esse processo não de uma forma global, mas por setores que fossem mais importantes e assim, gradativamente, vamos solicitando e conseguindo essas reduções. Então, já temos uma posição, por parte do Poder Público, de como essas reduções possam ser feitas. O que se subentende que existe uma aceitação, a priori, da redução de IPI em produtos esportivos.

Como o Code pretende contribuir para o desenvolvimento das empresas brasileiras que atuam no segmento esportivo? 

Mario Frugiuele – Primeiro, precisamos desenvolver produtos nacionais aptos para a formação de atletas olímpicos. Hoje, temos uma dificuldade de conseguir fornecedores nacionais para esportes de alto rendimento. E a indústria nacional, em muitos casos, ainda não tem produtos adequados para esse tipo de treino. Pretendemos desenvolver esses produtos dentro de um mínimo de possibilidade de utilização, para que a indústria nacional possa fornecer para ao menos uma parcela desse mercado. É importante se questionar: o que falta para indústria nacional chegar perto? Eu posso fazer um produto tecnologicamente não tão avançado, mas posso usar isso em clubes? Creio que pode haver um meio termo no caminho da formação do atleta. E esse meio termo é o início nas escolas e nos clubes esportivos. A indústria tem que se adequar a isso e deve saber quais as necessidades dos mais variados esportes. Esse é o trabalho do Comitê: aproximar essas situações e fazer essa possibilidade de adequar produtos que existem ao nível necessário. E queremos também desenvolver missões comerciais internacionais e levar nossas empresas para fora. Dentro da comissão de Marketing Esportivo já estamos estudando rodadas de negócios nacionais e internacionais com a Apex-Brasil [Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos] e Sebrae [Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas], e capacitação da indústria com o Senai [Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial].


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Reuniões plenárias do Comitê de Desporto juntam representantes de diversos setores da indústria, de governos e das entidades do esporte. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Nesse sentido, é importante uma aproximação com as confederações e outras instituições que estabelecem os critérios de qualidade e requisitos técnicos dos produtos, correto?

Mario Frugiuele – Sim. O Code promove essa integração com clubes, instituições de ensino, o próprio Sistema S e o setor público. Para nos desenvolver nisso é preciso haver uma integração entre todos esses elementos. Com a comissão de Selo de Qualidade e Normatização, o Code teve um diálogo inicial com a ABNT [Associação Brasileira de Normas Técnicas], a USP [Universidade de São Paulo] e outras entidades regulamentadoras. Estão sendo debatidos temas como padronização por cadeia produtiva, material esportivo, prestação de serviço, máquinas e equipamentos, entre outros.

O Code tem feito alguma proposição de mudanças nas leis relacionadas ao esporte

Mario Frugiuele – Temos estudado com atenção vários temas como a Lei de Incentivo Estadual, o ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços], a estrutura da Lei de Incentivo Municipal, impostos sobre os produtos esportivos. Todo esse trabalho envolve vários departamentos da Fiesp, como o Departamento Jurídico (Dejur), departamentos especializados como os de Meio Ambiente (DMA), Infraestrutura (Deinfra), Indústria da Construção (Deconcic), da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi). Todos os departamentos participam dos trabalhos e discussões do Comitê e, dependendo do foco de uma reunião, convocamos esses departamentos e os trabalhos com as comissões são desenvolvidos junto com eles. Também participam outros Comitês de Cadeia Produtiva como o Comcouro e o Comtextil, que fazem parte dessa transversalidade que é o esporte. O setor público está também sempre presente nessas discussões e há também participação de muitos representantes das empresas do setor.

Como é  o relacionamento do Code com o governo?

Mario Frugiuele – Sempre que detectamos uma necessidade, conversamos diretamente com as autoridades. Em março, por exemplo, convidamos para a reunião plenária do Code o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e na ocasião sugerimos a criação de uma comissão ou câmara que pudesse envolver outros ministérios na discussão e na solução de entraves na área do esporte. Este ano fomos convidados para uma reunião interministerial que se realizou em setembro, na sede do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), com a presença dos ministros Aldo Rebelo (Esporte) e Mauro Borges (MDIC), além de representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE). Nesta reunião foi resolvida a criação da Câmara Setorial da Indústria, Comércio e Serviços de Esporte e Atividades Físicas, com a finalidade de subsidiar o Ministério do Esporte em assuntos de sua competência. A câmara setorial foi criada oficialmente em outubro, por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União. E o Code faz parte dessa câmara. Assim, com ações como esta, conseguimos uma interação rápida e correta com o governo.

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Ministro Aldo Rebelo (à esquerda) e Mario Frugiuele durante reunião do Comitê do Desporto da Fiesp em março deste ano. Foto: Everton Amaro/Fiesp


No ano passado foi criado também o Conselho Superior do Desporto. Como é a interação entre Comitê e Conselho? 

Mario Frugiuele – Os Comitês têm uma função diferente dos Conselhos. O Conselho é mais estratégico e trabalha os macro temas, ou seja, é foro de discussão mais amplo. No caso do Comitê também há discussões sobre os temas do desporto, mas o foco é no dia a dia e se desenvolve uma ação. Vale a pena destacar que essa formulação estrutural de como a Fiesp deve funcionar foi estabelecida com a vinda do presidente Paulo Skaf, que definiu a criação de Comitês, Conselhos, Departamentos, Comitês Temáticos. A implantação desse modelo de organização, idealizado pelo presidente, facilitou de maneira exemplar a gestão de todos esses processos e todas as áreas, que ficaram muito bem definidas. O interessante é que novos Comitês são criados, pois não é um processo estático. Aliás, essa estrutura vai se moldando para atender novas necessidades, de forma ágil e no pulso da indústria.

A criação do Conselho do Desporto é fruto dessa visão?

Mario Frugiuele – Sim. Ele é mais uma prova dessa dinâmica da Fiesp. No Comitê detectamos a necessidade de discutir mais profundamente determinados temas. E para tal seria necessário um agente da área do esporte com uma visão mais profunda do esporte. Então, o Comitê percebeu a necessidade de um Conselho. Para liderar esse Conselho foi feito um convite ao Emerson Fittipaldi, uma figura que dispensa apresentações. Ele tem uma visão de voluntariado e é uma figura querida nacional e mundialmente. O Conselho está se estruturando e esperamos que a vinda do Emerson traga também a expertise de outros expoentes do esporte do Brasil e do exterior. O Comitê vai colaborar e terá muito a aprender com esse Conselho. Essa é a vantagem de ter uma estrutura que não é fixa e que vai se remodelando e se aperfeiçoando. E a credibilidade da Fiesp é muito importante para isso. É um chamariz e um polo de atração de pessoas de bem que querem colaborar com o país.

O Code vai participar no final deste ano de uma grande feira relacionada ao assunto no Brasil?

Mario Frugiuele – Uma das entidades participantes do Code, a Abriesp, realizará no final de 2014 um grande evento que se chamará SportBusiness. O Code estará presente neste evento realizando com o Ciesp [Centro das Indústrias do Estado de São Paulo] rodadas de negócios tanto internacionais como locais. O Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex) vem realizando ações no sentido de divulgar e trazer interessados para essas rodadas, inclusive com reuniões que têm a presença de representantes de câmaras de comércio de diversos países.

Como se dará a contribuição das entidades da indústria paulista para estimular a cultura esportiva no Brasil?

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Mario Frugiuele: Code estará presente no SportBusiness. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Mario Frugiuele – Um dos integrantes do Code é o diretor da Divisão de Esportes do Sesi-SP [Serviço Social da Indústria de São Paulo], Alexandre Pflug. Ele é a ponte de interação do Comitê com o Sistema Sesi e Senai.  Tanto o Sesi-SP como o Senai-SP [Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo] têm como foco a educação. Mas a educação integral só se completa com o esporte, que cria bons hábitos e disciplina. Sendo assim, o esporte faz parte do processo educativo e faz parte do foco das entidades da indústria. Aqui em São Paulo tem se realizado uma verdadeira revolução na área de educação no Sesi-SP e Senai-SP, principalmente no Sesi-SP com a implantação de educação em tempo integral.  O Sistema Sesi-SP de Ensino está sendo oferecido para a rede pública dos municípios paulistas. É um sistema já provado, de qualidade e vencedor. E o Sesi-SP também desenvolveu o Programa Atleta do Futuro, de formação esportiva para crianças e jovens, que já tem mais de 280 convênios firmados com prefeituras de todo o estado. E é dessa forma que podemos contribuir para se ter uma nação vencedora em qualidade de vida, pois o esporte, a saúde e a educação fazem parte da qualidade de vida. Os focos de atuação do Sesi-SP (esporte, saúde, qualidade de vida e educação) se complementam.

Isso trará algum reflexo direto às indústrias?

Mario Frugiuele – Sim, com certeza. Tanto o Sesi-SP como o Senai-SP são entidades que fazem parte do sistema sindical brasileiro que oferecem serviços para a indústria, beneficiando os trabalhadores das indústrias e suas famílias. Essa é uma forma de passar para a sociedade conhecimento, educação e qualidade de vida. O Sesi-SP está tratando do futuro das pessoas. E quem trata o futuro não tem que se preocupar com o passado. O foco é a prevenção para a saúde, visando manter a qualidade de vida.

>> Ministério do Esporte cria Câmara Setorial; Fiesp tem assento com coordenador do Comitê do Desporto

Comitê do Desporto da Fiesp pede apoio a Aldo Rebelo para fortalecimento da indústria

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

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Aldo Rebelo: isenção fiscal não é tabu. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, participou na manhã desta segunda-feira (31/03) da reunião plenária do Comitê da Cadeia Produtiva do Desporto (Code) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Entre os convidados, o secretário municipal de esportes Celso Jatene e o presidente do Conselho Superior do Desporto da Fiesp, Emerson Fittipaldi, e representantes da indústria e associações esportivas. A reunião foi presidida pelo coordenador do comitê, Mario Frugiuele.

Na pauta do encontro, a série de dificuldades que os fabricantes de produtos esportivos de alto rendimento enfrentam para obter homologações exigidas por organismos internacionais, um dos requisitos para ser fornecedor dos Jogos Olímpicos Rio-2016, segundo sustentaram os representantes do Grupo de Trabalho e Normalização e Selo de Qualidade do Code.

Aldo Rebelo ressaltou a importância de valorizar as marcas nacionais e destacou que a cultura de afirmação das marcas nacionais deve ser um esforço conjunto.

“Sem xenofobia, mas sendo realistas e lutando pelo que é nosso. O Brasil precisa dessas marcas internas e no mundo”, afirmou, questionando em seguida: “Por que o Japão e a América podem ter uma marca mundial de equipamentos e materiais esportivos e o Brasil não pode ter? Qual o esforço que precisa ser feito? Qual o passo precisa ser dado para que a gente possa competir com o mundo, com nossa indústria, com nossa marca, com nossa renda?”

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Aldo Rebelo questionou o que o governo precisa fazer para apoiar processo de homologação dos produtos brasileiros. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Renúncia fiscal

Rebelo disse saber que a principal queixa da indústria está na questão tributária. Segundo ele, por parte do governo, não há tabu contra a isenção fiscal.

Como exemplo, citou o setor automotivo que, mesmo sem marcas brasileiras, conseguir a manter a fabricação em território nacional. “Você calcula qual o interesse público e nacional na renúncia fiscal e na isenção que se oferece, pois você ganha competitividade e dá emprego. Acho que o mundo inteiro faz esse cálculo. E nós precisamos fazer.”

Sobre a questão de homologação internacional das marcas brasileiras, o ministro do Esporte destacou ainda que é preciso dar celeridade ao processo. “O que o governo precisa fazer?”, questionou.

“Temos que cuidar disso. E faremos o que estiver ao nosso alcance para ocupar o espaço correspondente às nossas ambições legítimas. Somos uma das 10 maiores economia do mundo, uma economia razoavelmente sofisticada. Temos várias áreas de excelência na indústria. E o governo tem a obrigação de fazer todo o esforço para apoiar, obedecendo uma estratégia”, disse Rebelo.

Code: à disposição

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Mario Frugiuele: iniciativa privada precisa estar lado a lado com a área federal. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O coordenador do Code, Mario Frugiuele, afirmou que a Fiesp, por meio do Comitê, estará se unindo aos esforços do governo para o desenvolvimento do desporto no Brasil. “Vamos responder a esse chamado. A iniciativa privada precisa estar lado a lado com a área federal, pois estamos falando de Brasil”, afirmou.

“E, com certeza, o Code e a Fiesp estarão à disposição para desenvolver trabalhos, atividades e eventos necessários para o bom desenvolvimento da produção da indústria, dos serviços da área do esporte”, destacou Frugiuele.

Normas para produtos de lazer e treinamento

Outro ponto apresentado na reunião é a falta de uma norma nacional para a fabricação de produtos esportivos ligados ao lazer e treinamento.

Um dos convidados da reunião, o presidente da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), Pedro Buzzato, afirmou que a instituição está aberta para criar uma comissão para desenvolver normas para a área do esporte.

Foto: empresários comemoram ‘Dia da Logística’ na sede da Fiesp

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Nas imagens, Pedro Francisco Moreira, presidente da Associação Brasileira de Logística (Abralog), na foto maior; Mario Eugenio Frugiuele, 2ºdiretor secretário da Fiesp, na foto menor à esquerda; e representantes do setor, entre outros convidados. Fotos: Mauren Ercolani/Fiesp

Acordo com Sorbonne é muito importante para a Fiesp, diz Mario Frugiuele, diretor secretário da entidade

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Relações de trabalho e emprego, sustentabilidade, infraestrutura, direito internacional, competitividade e inovação são alguns dos temas que irão mobilizar os esforços da cátedra “Globalização e mundo emergente Fiesp-Sorbonne”, lançada no dia 08/04 pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em parceria com a Universidade de Paris 1 Panthéon-Sorbonne. A informação é do diretor secretário da Fiesp e diretor da cátedra no Brasil, Mario Eugenio Frugiuele.

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Mario Frugiuele, diretor secretário da Fiesp, dirige a cátedra no Brasil. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Articulador do convênio com a instituição francesa, Frugiuele diz que é a primeira vez que este tipo de acordo é feito pela Sorbonne com uma instituição do setor privado fora da França e que o reconhecimento da universidade francesa é muito importante para a Fiesp. O diretor da Fiesp explica ainda como foram originadas as conversações com a Sorbonne e fala das expectativas para os trabalhos nos próximos três anos.

Leia trechos da entrevista:

Aproximação Fiesp e Sorbonne

Essa aproximação surgiu numa missão que a Fiesp fez à feira Batimat, em Paris, organizada pelo Departamento de Construção (Deconcic) da entidade. Eu conheci o professor da Sorbonne Guillermo Hillcoat [na época diretor da Cátedra das Américas] em um encontro na casa do embaixador brasileiro na França, José Maurício Bustani, junto com o vice-presidente da Fiesp José Carlos de Oliveira Lima. Trocamos impressões e falamos na possibilidade de tentar um relacionamento mais forte entre Fiesp e Sorbonne, ideia compartilhada e incentivada pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Em meados de 2011, fomos para a França para assinar um protocolo de intenções entre as entidades. Este acordo foi seguido de uma nova missão à Batimat, em 2011, com uma série de cursos na própria Sorbonne, o que demonstrou grande aceitação do nosso público empresarial a esse relacionamento com o setor acadêmico – especialmente a Sorbonne.

Percebendo a possibilidade de algo mais importante do que simplesmente um acordo de cooperação, e por sugestão do próprio professor Guillermo Hillcoat, ponderamos que o projeto mais importante e viável seria a formação de uma cátedra. Assinamos, portanto, em 2012, o protocolo de formação da cátedra e, em seguida, fizemos a assinatura da cátedra.

Projetos para a cátedra Fiesp-Sorbonne

Nós solicitamos projetos tanto na França como no Brasil e eles estão chegando. As pessoas interessadas, tanto do ramo acadêmico como do setor privado, estão enviando propostas com possibilidades de estudos e de parcerias de projetos dentro da cátedra. Estaremos trabalhando em conjunto nesses três anos e desenvolvendo os projetos de interesse mútuo, tanto da Fiesp quanto da Sorbonne.

Temas básicos

Nesse primeiro momento da cátedra, definimos temas básicos de estudo dentro de nossa programação para o ano de 2013.

Esses eixos básicos são: relações de trabalho e emprego, sustentabilidade, infraestrutura, direito internacional, direito econômico e várias situações estão surgindo com as possibilidades de desenvolvimento, inclusive na área de competitividade e inovação.

Os trabalhos já estão em andamento. Essa visita de lançamento [da comitiva da Sorbonne, nos dias 8 e 9 de abril] é também uma visita de trabalho. Várias reuniões foram feitas em função da programação dos projetos. Entendemos que, no mais tardar a partir de junho, já estaremos transformando em realidade essa ideia surgida em 2009.

Reconhecimento à Fiesp

É um trabalho inovador da academia com o setor privado e a primeira vez que este tipo de acordo é feito fora da França.

A Fiesp é uma entidade que, pela forma como atua – principalmente, em função da posição segura, decidida e dinâmica do presidente Paulo Skaf –, goza de uma confiança recíproca com a Sorbonne, uma universidade fundada em 1257.

O acordo com uma instituição acadêmica desse nível, para nós, é uma grande honra. Acreditamos que os projetos a serem executados neste convênio reflitam a credibilidade e importância das entidades envolvidas.

Relações Brasil e França

Além da situação de desenvolvimento das áreas de interesse comum, tanto em termos de transferência de conhecimento e de ideias, existe também uma situação muito importante que é o aumento do relacionamento entre o Brasil e a França.

De certa forma, essa atitude proativa da Fiesp vem ao encontro dos interesses, claro, da própria situação da indústria.

Quanto maior o nosso relacionamento, maiores as possibilidades de intercâmbio – tanto de conhecimento como de experiências.

Entrevista: Guillermo Hillcoat, coordenador da cátedra Fiesp-Sorbonne na França

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

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Guillermo Hillcoat: Brasil e França tem problemas comuns coma questão da desindustrialização. Foto: Julia Moraes/Fiesp

PhD em Economia na Universidade de Paris VIII, o professor Guillermo Hillcoat , da Universidade de Paris 1 Panthéon Sorbonne, é o coordenador na França da cátedra “Globalização e mundo emergente”, resultado de uma parceria entre a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a instituição francesa.

Mestre em Economia Política pela Universidade de Paris, Hillcoat é consultor de instituições como o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Comissão Europeia. É pesquisador no Centro de economia da Sorbonne e foi diretor, entre 2006 e 2012, da “Chaire des Amériques”.

Em entrevista ao site da Fiesp, Hillcoat fala sobre como surgiu a parceria, os objetivos da cátedra e como ele vê com relacionamento com a Fiesp.

Por que a Sorbonne decidiu trabalhar com a Fiesp?

Guillermo Hillcoat – A Universidade Sorbonne tem relações múltiplas, tanto no continente americano como em outras regiões do mundo. A internacionalização das universidades na Europa e, sobretudo, na França, tornou-se uma preocupação relevante e estratégica porque as universidades que não se internacionalizam – ou que se internacionalizam pouco – perdem em competitividade, conceito muito utilizado hoje em economia e na indústria.

Tivemos a chance de conhecer membros da diretoria da Fiesp, inclusive o presidente [Paulo Skaf]. E foi ali que pensamos em trabalhar sobre algo inovador porque, da mesma forma que é a primeira vez que a Fiesp firma um acordo com uma universidade fora do Brasil, para nossa Universidade também é uma inovação fazer um acordo bem amplo, com muito potencial, com uma instituição da sociedade civil, neste caso, uma federação de empresários, industriais, ainda mais por se tratar de uma grande cidade industrial de um país emergente, no caso, o Brasil.

Então, estávamos ambos bastante entusiasmados para desenvolver esta negociação e concluir algo que seja uma instância, de forma organizacional, que permitiria desenvolver aspectos ligados ao ensino, à formação, aqui ou em Paris; realizar atividades de grande público, conferências, mesas redondas, e fazer também diagnósticos setoriais, estudos pontuais, se aproximando de pesquisa. E, para isso, a ideia de criar uma cátedra, que possa ser uma cobertura para essas atividades e eixos de trabalhos.

Em novembro de 2011 foi assinada uma carta de intenções nesta direção. Tudo foi concluído há alguns meses e nós estamos em ponto de ignição do foguete, digamos assim. E depois será a decolagem.

O que França e Brasil tem a aprender um com o outro dentro dessa experiência da cátedra conjunta?

Guillermo Hillcoat – Esta é uma pergunta bem pertinente. Desde o começo, nós consideramos a relação com a Fiesp como uma relação de paridade. O Brasil é uma economia em que existem oportunidades em todos os aspectos, tanto econômicos, industriais, agrícolas, quanto acadêmicos. Tem problemas de mão de obra, de qualificação, de melhoria de infraestrutura.

Hoje, temos problemas que são comuns – aqui e na Europa – como a questão da desindustrialização, o problema do êxodo de empresas com a concorrência asiática, as questões ligadas a pesquisa, desenvolvimento e inovação, com novos produtos e métodos produtivos.

Então, temos problemáticas que hoje são transversais. Não há somente os antigos países industrializados e os países em desenvolvimento como nos anos 60/70. Hoje, existe uma multipolaridade de regiões emergentes, não tem somente os Brics – eles são os mais conhecidos, e o Brasil faz parte –, mas tem uma segunda onda que chamamos dos “neo-emergentes” como África do Sul, México, Turquia e mesmo outros na América do Sul, como Colômbia e Peru, que são economias bem dinâmicas – ainda que de menor dimensão que a do Brasil.

De modo que consideramos esta relação [com a Fiesp] como uma relação de aprendizagem e de colaboração entre iguais, entre pares, e é neste espírito que nós começamos a identificar certos projetos na área jurídica, da competitividade, do meio ambiente, das energias renováveis – áreas na qual o Brasil não somente pode demandar colaboração mas tem ativos a transferir. Por exemplo, na área de energias renováveis como o bioetanol, o Brasil é um país avançado, que está na ponta da produção e das exportações.

Então, as expectativas são boas?

Guillermo Hillcoat – Sim, absolutamente. Estamos, de fato, somente no começo da identificação de possibilidades de colaboração. A cada conversa, seja quando encontro especialistas dos departamentos da Fiesp, seja quando tive a oportunidade de conversar com o Dr. Paulo Skaf, e, também, claro, com o Dr. Mario [Frugiuele], como na reunião desta manhã [08/04] com os dois vice-reitores da Paris 1 que estão conosco, ou nos encontros de pessoas do Derex [Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior] e de outros departamentos, aparecem ideias, sugestões, pistas para desenvolver projetos de pesquisa ou, talvez, workshops, de modo que as possibilidades são enormes e nós estamos apenas no começo da identificação de áreas de colaboração.

* Com tradução de Beatriz Stevens 

Entrevista: Jean Marc Bonnisseau, vice-reitor de Relações Internacionais da Sorbonne

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

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Jean Marc Bonnisseau: trabalho em comum com as empresas pode ser um trabalho de interesse verdadeiramente bilateral. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Em entrevista ao site da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Jean Marc Bonnisseau, vice-reitor de Relações Internacionais da Universidade Paris 1 Pantheon-Sorbonne, fala sobre a aproximação entre a instituição e a Fiesp que resultou na cátedra “Globalização e mundo emergente”.

Leia trechos da entrevista:

Interesse pelo Brasil

As relações universitárias e intelectuais entre a França e o Brasil são muito antigas: Claude Lévi-Strauss foi professor na Universidade de São Paulo, nós temos intercâmbios nas áreas de filosofia, história e geografia há décadas. Nós, da Universidade de Paris, como outras universidades de Paris e francesas, com as universidades brasileiras, especialmente as universidades de São Paulo e do Estado de São Paulo, desde muito tempo. Temos intercâmbios também nas áreas de cinema, de direito, das artes… Então, verdadeiramente, a proximidade intelectual franco-brasileira é extremamente ampla.

Agora, no plano econômico, é verdade que, hoje, o Brasil aparece como país emergente e se tornou, efetivamente, um destino privilegiado do ponto de vista da cooperação universitária. Temos vários estudantes brasileiros que vêm, alguns estudantes em cotutela de doutorado, temos alguns estudantes franceses que vêm estudar e fazer estágios no Brasil.

Então, quando tomei posse há alguns meses, a pessoa que me precedia [Christine Mengin], como vice-presidente encarregada das Relações Internacionais, me disse: “O Brasil é um destino privilegiado, você tem que ir”. E foi a segunda viagem internacional que fiz, no final de agosto, início de setembro 2012. Então, o Brasil é, verdadeiramente, para nós, um elemento extremamente importante para nossa estratégia internacional. E eu diria, para resumir, que o que eu descubro hoje é uma grande proximidade intelectual nos assuntos mais relevantes, de um ponto de vista econômico, evidentemente, os problemas de competitividade, de desindustrialização, de taxa cambial, de direito do trabalho, direito social, todas estas perguntas que estão no cerne de nossas problemáticas na Europa e também estão no cerne das problemáticas da Fiesp, de São Paulo, e, de maneira geral, do Brasil.

E nós sentimos uma grande confiança em todos esses intercâmbios intelectuais que existem desde muito tempo entre a França e o Brasil. O Brasil não é novo para a França, a França não é nova para o Brasil, mas, hoje, efetivamente, existe uma relação, tanto no plano interuniversitário quanto nas relações com a sociedade civil, empresas, todo o Brasil totalmente novo e renovado.

E eu penso também que esta tradição intelectual nos aproxima muito mais do que nós estamos próximos da Ásia e da China. Desta forma, nesta competição internacional, a Europa, o Brasil, talvez a América Latina de uma maneira geral, nós sentimos que temos bastante coisa para fazer juntos, talvez não tendo que passar pelos Estados Unidos, e que realmente temos interesses em comum que se enraízam em uma longa história. O Brasil é também a história portuguesa, um país europeu. Temos uma língua em comum que nos aproxima. Todos esses elementos hoje são fundamentais para nosso interesse em trabalhar com este país, com as universidades mas também com a sociedade civil, as indústrias, enfim, todo o Estado brasileiro.

Esse acordo com a Fiesp, essa cátedra Fiesp-Sorbonne, é realmente, para nós, uma ferramenta essencial para desenvolver todas essas relações num interesse verdadeiramente mútuo entre a França e o Brasil.

Interesse pelo sistema Sesi-Senai

A troca vai acontecer nos dois sentidos. Nós tivemos a impressão, hoje de manhã, de ver toda a força desta organização em torno do Senai-SP [Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo]. E na França toda essa questão da formação profissional está no centro de vários debates, particularmente por causa pela taxa de desemprego elevada que temos – e que continua a aumentar. E está claro que a formação profissional não é talvez tão eficaz quanto ela deveria ser no sistema francês para lutar contra o desemprego e ajudar os trabalhadores a adquirir qualificações novas para uma melhor integração no mercado de trabalho. Então, acredito que nós esperamos aprender um pouco e observar essa organização. E talvez importar boas práticas do Brasil para a França, essa questão de uma organização da formação profissional. Este é um dos pontos para mostrar efetivamente como as trocas são bilaterais.

O segundo ponto é que nós temos também na Universidade Panthéon-Sorbonne uma tradição de formação profissional, tanto na formação inicial com contratos de aprendizado e contratos de profissionalização, como na formação contínua. Aqui também temos uma certa expertise em temas que sejam talvez um pouco mais “fundamentais” – no sentido de acadêmicos – do que aqueles tradicionalmente ensinados pelo Senai, mas acredito que podemos também encontrar alguns pontos bem específicos sobre os quais poderíamos colaborar na formação de experts de diferentes níveis, o que pode ser bastante útil e operacional nas empresas.

Penso em algumas áreas nas quais a França é líder. Exemplo: em questões de análise de risco, que são também riscos industriais, como também financeiros etc. Em questões como essas poderemos ter uma cooperação bastante interessante com uma visão bastante aplicada e operacional como é, pelo que entendi das apresentações desta manhã, os objetivos do Senai.

Critérios de avaliação dos projetos

Penso que o ponto principal é que estes projetos sejam desenvolvidos de maneira verdadeiramente bilateral, quero dizer, que seja verdadeiramente uma área de interesse comum entre a Sorbonne e a Fiesp. É o primeiro critério.

O segundo critério, os resultados, não necessariamente de um ponto de vista de publicação científica, mas em todo caso, conseguir realizar verdadeiros trabalhos em comum, utilizando o cruzamento de dados que nós podemos ter na Europa e dados que aqui estão disponíveis. Evidente que uma federação patronal tem acesso a muitos dados, muitas vezes difíceis de adquirir. E pode ser um elemento muito importante. Então, trabalhos em comum com o cruzamento de dados novos e então, um “output” científico em relação aos trabalhos conduzidos.

E o terceiro aspecto, eu diria, a avaliação vai ser feita pelos próprios profissionais. Espero muito que os profissionais da Fiesp, quero dizer, as empresas associadas, os especialistas, os presidentes de empresas, possam dizer “sim – esta formação nos ajudou e nós conseguimos ver sua aplicação prática.

Três anos é um tempo bastante curto para que as ideias desenvolvidas dentro de um parâmetro de pesquisa possam ser implementadas, mas a capacidade de implementar ideias novas me parece um elemento bem importante.

Não falamos até agora, mas podemos falar dos estudantes. Acredito que nossos estudantes podem também se beneficiar, o que pode também ser um critério de avaliação, mediante estágios aqui no Estado de São Paulo. Eu conto bastante com isso. Ou até mesmo projetos de tese em comum.

De novo, três anos pode ser um tempo curto para implementá-las, mas nós temos esse sistema na França de teses feitas entre Universidades e empresas. Podemos imaginar teses entre uma empresa brasileira e uma universidade francesa. E isso seria um forte sinal de sucesso. A tese é verdadeiramente um destaque que mostra que temos interesses em comum, que em três anos conseguimos desenvolver algo e, frequentemente, são cooperações que continuam a durar, por terem se iniciado bem cedo na carreira do jovem pesquisador, que continua a agir como ponte entre as duas instituições.

Mensagem para comunidade acadêmica

Nós já temos projetos em curso nas áreas de competitividade, de direito social comparado, direito do trabalho. Então, o projeto essencial é dizer, hoje, no Brasil, que existem problemáticas que são próximas das nossas. E, nesse ponto, nossos colegas talvez não estejam totalmente informados. O Brasil aparece como um país em pleno desenvolvimento. Então, quando falamos do Brasil, não pensamos imediatamente em problemas de desindustrialização e de competitividade do ponto de vista da Europa.

Então, ajudar nesta “tomada de consciência” e dizer que, sobre estas temáticas, um trabalho em comum com as empresas pode ser um trabalho de interesse verdadeiramente bilateral. Quer dizer, não será simplesmente nós que vamos trazer nosso, digamos assim, “savoir-faire” ou nossas competências,  mas que podemos adquirir também através deste contato direto com empresas e profissionais que estão todos os dias em contato com a “economia real” ou com o “direito real”.

Hoje de manhã estávamos comentando sobre direito ambiental, que é particularmente complexo, sobre questões deste tipo temos muito a ganhar trabalhando sobre uma comparação França-Brasil. Ou até mesmo Europa-Brasil ou América Latina. Enfim, tem várias extensões possíveis. E, então, para nossos colegas, desmistificar um pouco o Brasil, primeiramente, e em seguida, pegar problemas brasileiros e comparar com os nossos, que é o interesse de todos os estudos comparativos, e, em terceiro lugar, esta cooperação com a Fiesp abre o espaço para a cooperação com vários outros parceiros do Estado de São Paulo e com o Brasil de uma maneira geral.

E então nos abre para outras parcerias acadêmicas, o que é sempre bastante positivo para nossas pesquisas e para nossos estudantes. E eu digo também que vocês poderão encontrar, para os seus estudantes em mestrado ou doutorado, oportunidades de estágio no exterior, o que vai lhes permitir uma experiência extraordinária e reforçar a sua empregabilidade.

Gostaria somente de destacar que a Panthéon-Sorbonne é a primeira universidade na área de ciências humanas e sociais na França (história, geografia, sociologia, artes) e uma das primeiras na Europa, sendo também uma das mais antigas.

De forma que nós nos apoiamos em uma experiência de séculos e, para nós, é um novo renascimento: a Europa se projetou nas Américas nos anos de 1500 e, agora, é o sistema universitário que também se projeta para esse novo mundo.

Acredito que será bem proveitoso para nós todos, destacando esta longa tradição, na qual se insere e se enraíza nossas pesquisas, de pessoas que trabalham para o “longo prazo” e sobre várias áreas geográficas [temos, por exemplo, vários especialistas da história da América Latina) e contamos também com esse tipo de especialistas para obter uma análise mais ampla dos fenômenos, não olhando somente para os últimos 10 anos, ou o problema imediato, como, por exemplo, da concorrência com a Ásia.

* Com tradução de Beatriz Stevens 

Entrevista: Nadia Jacoby, vice-reitora de Comunicação e Sistemas da Informação da Sorbonne

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

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Nadia Jacoby: nossas expectativas são, antes de tudo, descobrir o que nós somos capazes de fazer neste ambiente novo. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Durante a visita à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no dia 15 de abril, a vice- reitora de Comunicação e Sistemas da Informação da Universidade de Paris 1 Panthéon-Sorbonne, Nadia Jacoby, atendeu a reportagem do site da Fiesp.

Nessa entrevista, Nadia Jacoby fala sobre os interesses comuns que motivaram a parceria e comenta as primeira reuniões de trabalho com diretores da Fiesp após assinatura da “Globalização e mundo emergente”, acordo de cooperação entre as duas instituições.

A parceria Fiesp-Sorbonne

“Foi um feliz concurso de circunstâncias, um encontro não programado entre meus colegas da Universidade de Paris 1 Panthéon-Sorbonne e dirigentes da Fiesp que descobriram um interesse comum para eventualmente montar, juntos, um acordo de cooperação. As discussões tomaram certo número de meses, o que, acredito eu, seja a garantia do estabelecimento de uma relação mutuamente interessante, e hoje, para nós, é quase natural, eu diria, trabalhar com um parceiro que faz perguntas que nós também fazemos. Nós questionamos as coisas como universidade, do ponto de vista acadêmico, e nosso parceiro, a Fiesp, faz o mesmo tipo de perguntas, mas de um ponto de vista muito mais operacional e, eu diria, muito mais pragmático. Em todo caso, do ponto de vista da conduta das relações industriais.”

As reuniões de trabalho com departamentos da Fiesp

“A primeira impressão é de um grande interesse por parte dos diretores dos diferentes departamentos da Fiesp que encontramos sobre esta cooperação em surgimento. Eu diria que se as principais temáticas foram definidas, de certa forma ainda resta tudo a fazer. A parte essencial do trabalho está diante de nós. Então, minha primeira impressão é realmente de um interesse bem forte e importante da parte desses diretores de departamento da Fiesp que compartilharam conosco quem são, o que fazem, quais são suas atividades – e quando falo de departamentos eu penso, inclusive, no Senai-SP e no Sesi-SP que não são, se eu entendi bem, exatamente departamentos da Fiesp, mas instituições afiliadas. De forma que, hoje, para nós, iniciamos essa colaboração, ao mesmo tempo, em bases de interesse comum, de uma dinâmica comum, e de respeito e interesses recíprocos das atividades dos dois parceiros.”

Expectativas

“Acredito que nossas expectativas são, antes de tudo, descobrir o que nós somos capazes de fazer neste ambiente novo. É um novo tipo de acordo, tanto para a Fiesp quanto para a Universidade Paris 1 Panthéon Sorbonne. Não temos o hábito de trabalhar regularmente num período de três anos, período concernente a essa cátedra. Sei que nós iremos construir juntos uma colaboração bem sucedida que vai nos levar também a fazer coisas que talvez não tenhamos feito, de uma maneira que não fizemos até agora. Eu acho que este já é um dos objetivos.”

* Com tradução de Beatriz Stevens