Lei Paulista de Incentivo ao Esporte é debatida em reunião do Comitê da Cadeia Produtiva do Esporte da Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

O objetivo é aprimorar a à Lei Paulista de Incentivo ao Esporte. E não faltaram ideias para tanto na reunião do Comitê da Cadeia Produtiva do Esporte (Code), realizada na tarde desta quarta-feira (29/03), na Fiesp. O encontro foi coordenado pelo diretor titular do Code, Mario Eugenio Frugiuele. E contou com a presença de convidados como o secretário-adjunto de Esporte, Lazer e Juventude do Estado de São Paulo, Silvio Garcia Jr, entre outras personalidades.

“Temos duas frentes de atuação em relação à Lei Paulista de Incentivo ao Esporte”, explicou Garcia Jr. “A primeira é o detalhamento da legislação e a modernização dos procedimentos. A segunda envolve uma proposta de alteração do próprio decreto, aprimorando pontos engessados”.

Para colaborar com esse processo, a Fiesp, por meio do Code, apresentou propostas de aprimoramento da lei ao governo estadual. “É preciso profissionalizar o processo, criar uma atividade mais competitiva”, disse Frugiuele. “A qualidade vem com a concorrência”.

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A reunião do Code: aprimoramento da lei estadual de incentivo ao esporte. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Entre as ideias apresentadas pela federação, está abrir espaço para que pessoas jurídicas com fins econômicos e atletas pessoas físicas sejam proponentes de projetos esportivos segundo os critérios da lei,  não apenas associações, ONGs, federações e entidades similares ligadas à área.

Normas

Alvaro Almeida, da diretoria técnica da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), foi outro convidado da reunião. E apresentou o trabalho da associação na segunda parte do encontro do Code.

A ABNT foi criada em 1940 e é uma entidade privada sem fins lucrativos, sendo reconhecida como o único foro nacional de normalização. A entidade trabalha como uma certificadora de produtos, sistemas e serviços, sendo a Fiesp uma de suas apoiadoras.

“A ABNT faz normas”, destacou Almeida. “Mas só atendemos os setores se eles quiserem ser atendidos, se houver muitas partes interessadas”, disse. “Assim, se houver consenso, buscamos atingir a melhor solução técnica possível”.

Dessa forma, a criação de uma norma pela ABNT é baseada em critérios como a simplificação, transparência, representatividade, paridade, voluntariedade, atualização e consenso.

E como é feita, na prática, a elaboração de uma norma? “O fluxo segue a seguinte ordem: demanda, programa de normalização, elaboração do projeto da norma, consulta nacional, análise do resultado da consulta nacional e finalização da norma”, explicou Almeida. “Estamos abertos às colaborações e pedidos de vocês, está tudo bem detalhado em nosso site: www.abnt.org.br”.


Ministério do Esporte cria Câmara Setorial; Fiesp tem assento com coordenador do Code

Agência Indusnet Fiesp

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Mario Frugiuele: um dos representantes do setor produtivo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Em portaria publicada no início deste mês no Diário Oficial da União, o Ministério do Esporte criou a Câmara Setorial da Indústria, Comércio e Serviços de Esporte e Atividades Físicas. A finalidade do organismo – com representantes dos setores produtivo e esportivo, da sociedade civil e do governo – é subsidiar a pasta em assuntos de sua competência.

Um dos representantes do  setor produtivo é o coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva do Desporto (Code) e segundo diretor secretário da entidade da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Mario Eugenio Frugiuele.

Também integram a Câmara, entre outras organizações, representantes dos comitês olímpico e paralímpico, das confederações de futebol, vôlei, atletismo, basquete, e dos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

A portaria foi assinada pelo ministro Aldo Rebelo, que participou de uma reunião do Code em março deste ano.

>> Comitê do Desporto da Fiesp pede apoio a Aldo Rebelo para fortalecimento da indústria brasileira

Cadeia produtiva do esporte está no caminho certo, afirma coordenador do Code

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

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Frugiuele: Code é instrumento benéfico para toda a cadeia produtiva do país. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O Comitê da Cadeia Produtiva do Desporto (Code) se reuniu no fim da tarde desta quarta-feira (24/09), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). No encontro foram debatidas as demandas da cadeia produtiva e informadas as principais ações realizadas pelo comitê.

Para o coordenador do Code, Mario Eugenio Frugiuele, há avanços nas demandas da cadeia produtiva do esporte.

“O esporte é uma área que cria emprego, um grande negócio que gera investimento, que distribui renda. E isso tem que ser visto. É um momento positivo para que a cadeia produtiva consiga resultados interessantes. As coisas estão acontecendo, tendo resultados. O esporte está no caminho certo”, afirmou.

Frugiuele ainda ressaltou a importância do Code como instrumento benéfico para toda a cadeia produtiva com abrangência nacional. “Estamos criando, através do comitê, uma ferramenta, um fórum que o setor pode utilizar. Temos força e poder de sensibilizar, com credibilidade”, disse.

Modernizar a tributação

Um dos temas debatidos pelos membros do comitê da Fiesp durante o encontro foi o posicionamento do governo federal ao analisar um pleito do Code: a redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para os segmentos e setores que integram a cadeia produtiva, visando aumentar a competitividade em relação a produtos importados, que são manufaturados em condições econômicas mais favoráveis nos seus países de origem.

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Helcio Honda: “Hoje, o esporte é uma necessidade, um conceito de saúde. Importante levar essa adequação ao governo, com essa necessidade de modernizar a tributação”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Segundo Hélcio Honda, diretor titular do Departamento Jurídico (Dejur) da Fiesp, a solicitação do comitê não deverá ser deferida neste ano.

“É preciso fazer um filtro, uma identificação em relação a itens mais prioritários”, informou Honda. “Importante fazer uma depuração, uma triagem, através de uma discussão setorial, para trabalhar com um espectro menor de produtos a ter a carga tributária reduzida”, sugeriu.

Em alguns casos, disse Honda, a redução deve acontecer por isonomia tributária; em outros, pelo aumento de competitividade. Segundo o diretor-titular do Dejur da Fiesp, é importante que o setor continuar a buscar a adequação e a modernização da tributação.

“Hoje, o esporte é uma necessidade, um conceito de saúde. Importante levar essa adequação ao governo, com essa necessidade de modernizar a tributação”, disse Honda.

Reunião com ministérios em Brasília

Outro tema debatido entre os membros do comitê foi a reunião realizada em Brasília entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e o Ministério do Esporte, com participação do Ministério das Relações Exteriores (MRE), que contou com a participação de membros da Fiesp.

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Mauricio Fernandez: demandas levadas à Brasília darão força e consistência para a cadeia. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

De acordo com Marcos de Castro Lima, chefe do escritório da Fiesp de Brasília, a cadeia produtiva do esporte, até então, não estava sendo tratada como um “produto econômico”.

Em sua visão, o esporte “estava sendo analisado apenas em relação aos grandes eventos, à discussão de eventos, infraestrutura, desempenho de atletas”.

Lima informou que durante a reunião, que contou com a participação de Aldo Rebello, Ministro do Esporte, foram criados simbolicamente dois organismos: um conselho no âmbito do Ministério do Esporte e uma Câmara Setorial no âmbito do MDIC.  “É um ponto inicial para que o governo passe a tratar o esporte como um fator para o desenvolvimento econômico”, analisou Lima.

Para ele, a Fiesp precisa encaminhar um documento para reforçar que há interesse da entidade em participar do conselho e da câmara setorial. “Precisamos, para isso, criar uma pauta consensual entre os elos da cadeia.”

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Paulo Vieira: setor precisa estar preparado para enfrentar um debate no Congresso Nacional. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Mauricio Fernandez, coordenador adjunto do Code, também participou do encontro em Brasília. “Conseguimos colocar a indústria do esporte como uma plataforma. Essas demandas levadas à Brasília darão força e consistência para a cadeia. Temos planos sólidos e um projeto para ser desenvolvido para todas os seguimentos da cadeia”, afirmou Fernandez. “Foi uma reunião muito positiva”, concluiu.

Para Paulo Vieira, coordenador do Ministério do Esporte, o setor “precisa estar preparado para que possa enfrentar um debate no Congresso Nacional de maneira mais unificada”.

Outro ponto destacado por Vieira é a importância da permanência de uma pasta para cuidar do esporte no próximo governo federal. “A continuidade de uma pasta especifica para o setor do esporte é uma bandeira imprescindível. Esporte não é mais coadjuvante”.

Vilmar Coutinho, assessor especial do Ministro do Esporte, também participou do encontro.

Rodadas de Negócios em dezembro

Outro ponto destacado pelos membros do comitê foi a reunião do comitê com o Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp e com câmaras de comércio internacionais para divulgação de rodadas de negócio a ser realizado em dezembro.

Segundo Vladimir Guilhamat, diretor titular adjunto do Derex/Fiesp, o objetivo das rodadas é identificar que tipos de empresas querem vir ao Brasil.

“Buscamos empresas com qualidade que querem fazer parcerias, joint-ventures, e realizar transferências de tecnologia, consolidando novos mercados e oportunidades”, informou.

>> Reunião na Fiesp apresenta ‘Sports Business 2014’ para câmaras de comércio estrangeiras 

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Reunião do Comitê do Desporto da Fiesp tratou dos avanços e das demandas do setor. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Comitê do Desporto debate leis de incentivo e questões tributárias

Agência Indusnet Fiesp

O Comitê da Cadeia Produtiva do Desporto (Code) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) promoveu na última quarta-feira do mês de setembro (25/09), na sede, uma reunião plenária que teve como um de seus principais temas as leis de incentivo ao esporte. O debate contou com a participação de Paulo Silva Vieira, do Ministério do Esporte, e Clovis Volpi, secretario-adjunto da Secretaria de Esportes, Lazer e Juventude do Estado de São Paulo.

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Na mesa da reunião, Paulo Silva Vieira, Mario Eugenio Frugiuele, Mauricio Fernandez, João Bosco da Silva e Clovis Volpi. Foto Helcio Nagamine/Fiesp

Volpi falou sobre a Lei Paulista de Incentivo ao Esporte, que tem a finalidade de aumentar o número de prefeituras e de empresas participantes da iniciativa. De acordo com a legislação, as empresas devem se inscrever na Secretaria da Fazenda e recebem autorização para ingressar no projeto de lei. Após os trâmites, o programa permite que empresas destinem parte do ICMS devido ao Estado, até 3% do valor anual, para apoiar e investir em projetos esportivos.

O coordenador nacional da Lei de Incentivo ao Esporte, Paulo Vieira, fez esclarecimentos sobre como viabilizar projetos esportivos por meio de incentivos fiscais.

Durante os debates foram analisadas algumas das dificuldades que desestimulam os empresários a buscar recursos por meio de leis de incentivo. “Nem sempre quem legisla tem a sensibilidade de quem executa”, reconheceu Vieira.

O coordenador Mario Eugenio Frugiuele disse que vai convidar o Sindicato das Empresas dos Serviços Contábeis, Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas no Estado de São Paulo (Sescon-SP) para a próxima reunião, visando orientações sobre como tornar mais fácil o acesso a leis de incentivo.

Synésio Batista, presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), sugeriu que ter uma boa causa é o primeiro grande esforço para sensibilizar as indústrias a recorrer às leis de incentivo, citando o próprio exemplo de longevidade da Abrinq, criada em 1990 com o objetivo de mobilizar a sociedade para questões relacionadas aos direitos da infância e da adolescência.

A reunião contou ainda com a participação de João Bosco da Silva, secretário de Esportes da Prefeitura de São José dos Campos, que destacou os resultados positivos dos investimentos na equipe de basquete e fez um apelo para que os empresários procurem ter mais conhecimento sobre as leis de incentivo.

Também foram abordados temas como impostos, selo de qualidade e normatização e Desenvolvimento de produtos nacionais e marketing esportivo.

Ao lado do coordenador adjunto, Mauricio Fernandez, o coordenador Mario Eugenio Frugiuele encerrou o encontro afirmando que o Code vem tendo progressos. “Estamos andando. Temos muito a contribuir.”

‘Prática esportiva representa 1,9% do PIB brasileiro’, afirma professor da FGV durante reunião da Comissão da Cadeia Produtiva do Desporto da Fiesp

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

A reunião do Comitê da Cadeia Produtiva do Desporto (Code) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), realizada no início do mês (03/07), contou com uma palestra do professor da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-Rio), Istvan Karoly Kasnar.

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Reunião do Comitê de Desporto da Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Na ocasião, Kasnar apresentou pesquisa sobre o crescimento da prática esportiva no Brasil. “Procuramos compreender a evolução do esporte no país e analisamos oito modalidades para compreender seus ciclos de vida e em que estágio se encontram, a fim de chegar a uma série de práticas e políticas de decisões”, explicou.

De acordo com o professor, essa pesquisa mostrou que os principais recursos financeiros do Brasil para o esporte advêm de duas fontes: orçamento público e o próprio indivíduo. Para ele, para entender melhor a participação do cidadão na prática esportiva brasileira, seria necessário estudar a fundo a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). “Essa seria a melhor maneira de fazer uma projeção do gasto esportivo no Brasil”, explicou.

A pesquisa projetou que, em 2010, a prática esportiva representava 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o que significa R$ 72 bilhões. “Podemos chegar a valores cada vez maiores”, afirmou professor ao acrescentar que o esporte no Brasil é um setor dinâmico: “nos últimos dez anos, teve um crescimento médio de 5,77%”. E completou: “num processo comparativo com os Estados Unidos, onde esse valor chega a 3,2% do PIB, nossos números ainda são baixos”.

Apesar do cenário positivo, Kasnar alerta para o fato de que esses números são uma ‘subestimativa’, pois, segundo ele, o mapeamento do setor esportivo no Brasil é muito complicado. “Esse é um setor que cresce acima da média e evolui com firmeza, mas é preciso tomar cuidado, pois é uma área que possui características muito diferentes internamente”.

Com base nessa pesquisa, o professor afirmou que, no ano 2000, o futebol representava 62% total do movimento financeiro de prática esportiva no Brasil, seguido pelo vôlei, com 17%, e pelo basquete, com 8%.

Na opinião de Kasnar, embora o esporte coletivo seja diferente do individual, eles possuem muitos denominares em comum. “Há uma diferença colossal entre a prática esportiva profissional, amadora e, também, na indústria envolvida.”

Em sua apresentação, o professor detalhou que, além das modalidades profissionais e amadoras, o universo econômico da prática esportiva engloba a produção de artigos esportivos, como uniformes, sapatos, redes, entre outros, além de diversos serviços especializados, como mídia e jornalismo, agências de jogadores para o exterior, administração de clubes, eventos, arenas, gestão e manutenção de quadras e  academias de ginástica, entre muitos outros. “O mundo esportivo é muito amplo e requer cuidado para entender como funcionam suas práticas.”

Grandes eventos

Na opinião de Kasnar, boa parte das atividades esportivas está associada aos megaeventos da área que têm o Brasil como sede, desde os Jogos Pan-Americanos (2007), passando pela recente Copa das Confederações (2013), incluindo a Copa do Mundo (2014) e os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro (2016). “Há uma maior conscientização em relação à necessidade da prática esportiva, pois se criou a relação forte entre qualidade de vida, bem-estar e esporte. É normal que num processo de crescimento de megalópoles, a população passe a praticar algum tipo de esporte, seja pela saúde, seja pela sociabilidade, ou outros motivos”, explicou.

Segundo a apresentação do professor, em 2008, 61% da chamada classe alta – com renda familiar acima de R$ 4.500,00 – praticava exercícios por afirmarem saber que lhes fazia bem à saúde. “Isso significa que ainda há 39% deste nicho a ser conquistado”, afirmou. Já na classe baixa – com renda familiar inferior a R$ 980,00 –, esse índice era de 42%. No quesito da prática de esporte por diversão e lazer, a classe baixa representou 63%, contra 54% da classe alta. “Existe um potencial de expansão bastante significativo”, acrescentou.

Futebol

Na opinião do professor da FGV, o futebol é um esporte de massa, para as massas e com as massas. “E o único esporte que mobiliza o brasileiro a ser pautado a uma ascensão social. É um caso excepcional no setor esportivo do país, com poderes monopolistas de resultados”, afirmou, acrescentando que o futebol, no Brasil, já saiu do status de esporte para ser considerado oficialmente um patrimônio publico. “É um patamar que os outros ainda não alcançaram”, disse.

Kasnar explicou que a separação do futebol nas análises do setor já é um assunto em pauta, mas que a situação ainda é complexa, pois envolve diversos setores, como regulamentação e legislação. “Ainda há muito que fazer”, concluiu.

Esporte, indústria e educação

O professor da FGV destacou a importância da reunião para dar uma visão empresarial ao mundo do esporte, com a ajuda da indústria. “Esse é um passo importante para uma melhor conscientização dessa relação. Percebemos muitas conexões desse mercado esportivo com a indústria brasileira”, afirmou, mencionando, em seguida, cadeias produtivas relacionados à beleza e à cultura no Brasil. “Isso nos ajuda a compreender como o brasileiro enxerga a atividade esportiva”, completou.

O coordenador-adjunto do Code e presidente da Associação Brasileira da Indústria do Esporte (Abriesp), Mauricio Fernandez, concorda. “O setor esportivo envolve diversas cadeias produtivas como saúde, turismo, projetos sociais, terceiro setor, direito esportivo, etc.”, afirmou, ressaltando a oportunidade de marcado para as pequenas e médias empresas. “Existe uma demanda das pequenas e médias empresas que querem diferenciar seus investimentos. É preciso de uma melhor análise setorial para que elas sejam mais efetivas no viés de produção”,

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Mario Eugenio Frugiuele: vincular o esporte à educação é caminho para mudança de panorama.Foto: Everton Amaro/Fiesp

Para o coordenador-adjunto do Code e 2º diretor-secretário da Fiesp, Mario Eugenio Frugiuele, ainda existe um mercado muito grande nesse setor a ser explorado no Brasil. “A mudança de comportamento dos jovens, com o sedentarismo infantil, por exemplo, pode afetar o setor. Na cultura brasileira, o esporte não é fundamental, não faz parte da vida, pela própria situação de desenvolvimento. Essas são variantes fundamentais para analisar a mudança de comportamento”, afirmou.

Na opinião de Frugiuele, uma solução seria vincular o esporte à educação, a fim de criar um legado de cultura do esporte. Mas ressaltou: “Para isso, será preciso uma mudança estrutural nas escolas”, finalizou.


Fiesp e Sorbonne lançam cátedra que dá início à cooperação em temas como globalização e mundo emergente

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) recebeu nos dias 8 e 9 de abril, em sua sede, a visita  de uma comitiva da Universidade de Paris 1 Pantheon-Sorbonne.

O encontro marcou o lançamento da cátedra “Globalização e mundo emergente Fiesp-Sorbonne”, resultado de um acordo de cooperação firmado em novembro de 2012 entre as duas instituições.  A parceria prevê treinamento e capacitação de pessoas, cooperação científica, técnica e consultiva e atividades de visibilidade institucional.

Fizeram parte da delegação francesa dois vice-reitores da Sorbonne, Nadia Jacoby (Comunicação e Sistema de Informação) e Jean-Marc Bonnisseau (Relações Internacionais) e o coordenador da cátedra na França, o professor Guillermo Hillcoat.

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Na foto, da esquerda para a direita: Guillermo Hillcoat, coordenador da cátedra na França; os vice-reitores da Sorbonne, Nadia Jacoby (Comunicação e Sistema de Informação) e Jean-Marc Bonnisseau (Relações Internacionais); e o 2º diretor secretário da Fiesp e coordenador da cátedra no Brasil, Mario Eugenio Frugiuele. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Entre as ações previstas no escopo da cátedra estão a promoção de módulos de formação de curta duração nos dois países, intercâmbio de experiências e de conhecimento entre as instituições por meio de grupo de pesquisas, workshops, seminários, jornadas, conferências, mesas redondas, colóquios ou mesmo estudos e projetos, além de dois eventos institucionais, um em São Paulo e outro em Paris.

Para o 2º diretor secretário da Fiesp e coordenador da cátedra no Brasil, Mario Eugenio Frugiuele, as expectativas são as melhores possíveis. “É um trabalho conjunto da academia com o setor privado. É a primeira vez que este tipo de acordo é feito fora da França. A Fiesp é uma entidade que, pela forma como está atuando – principalmente em função da posição segura, decidida e dinâmica de nosso presidente Paulo Skaf –, tem a confiança da própria Sorbonne, fundada no ano de 1200. O acordo com uma instituição desse nível é uma grande honra. Esperamos que, dentro do tamanho e da força das duas entidades, os projetos sejam tão importantes quanto isso”, afirma Frugiuele.

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Comitiva francesa participa de reunião da diretoria da Fiesp. Foto: Junior Ruiz/Fiesp

De acordo com a vice-reitora Nadia Jacoby, a Fiesp tem preocupações similares às da Sorbonne, no que se refere ao comportamento das relações industriais. “Nós questionamos as coisas como universidade, do ponto de vista acadêmico, e nosso parceiro, a Fiesp, faz o mesmo tipo de perguntas, mas de um ponto de vista muito mais operacional e, eu diria, muito mais pragmático.”

Segundo Guillermo Hillcoat, há convergência de interesses. “Hoje, temos problemas que são comuns – aqui e na Europa – como a questão da desindustrialização, o problema do êxodo de empresas com a concorrência asiática, as questões ligadas à pesquisa, desenvolvimento e inovação, com novos produtos e métodos produtivos. Então, temos problemáticas que são transversais. Não há somente os antigos países industrializados e os países em desenvolvimento como nos anos 60/70. Hoje, existe uma multipolaridade de regiões emergentes”, explicou.

O coordenador da cátedra na França comentou suas expectativas nessa cooperação entre as entidades: “Consideramos esta relação [com a Fiesp] uma relação de aprendizagem e de colaboração entre iguais, entre pares, e é neste espírito que nós começamos a identificar certos projetos”.

Visita

No primeiro dia de visita (08/04), Nadia Jacoby, Jean-Marc Bonnisseau e Guillermo Hillcoat, foram recebidos pelos 1º e pelo 2º diretores secretários da Fiesp, Nicolau Jacob Neto e Mario Frugiuele, respectivamente.

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Comitiva da Sorbonne em reunião de trabalho com diretores da Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Em seguida, os convidados tiveram reuniões de trabalho com diretores de departamento da Fiesp, como Nelson Pereira dos Reis (Meio Ambiente), José Ricardo Roriz Coelho (Competitividade e Tecnologia), Antonio Carlos Teixeira Alvares (Pesquisas e Estudos Econômicos) e Newton de Mello e Antonio Fernando Guimarães Bessa (Relações Internacionais e Comércio Exterior), além de Walter Vicioni Gonçalves, diretor regional do Senai-SP e superintendente do Sesi-SP.

A programação do dia foi encerrada com uma entrevista ao jornal Valor Econômico e a participação em reunião de diretoria da Fiesp.

No segundo dia, a comitiva francesa visitou uma escola do Sesi-SP e outra do Senai-SP, no bairro da Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo.

Segundo Jean-Marc Bonnisseau, vice-reitor de Relações Internacionais da Sorbonne, o interesse da universidade francesa em torno do sistema Sesi-SP e Senai-SP é um exemplo de como efetivamente são bilaterais as trocas proporcionadas pela cátedra.

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Visita dos representantes da Sorbonne à escola do Sesi-SP na Vila Leopoldina. Foto: Everton Amaro/Fiesp

“Na França, toda essa questão da formação profissional está no centro de vários debates, particularmente por causa da elevada taxa de desemprego que temos – e que continua a aumentar. E está claro que a formação profissional talvez não seja tão eficaz quanto deveria ser no sistema francês para lutar contra o desemprego e ajudar os trabalhadores a adquirir qualificações novas para uma melhor integração no mercado de trabalho”, explicou.

Sobre o seu contato com o Senai-SP, Jean-Marc Bonnisseau expressou suas expectativas de aprender com a instituição. “E, talvez, importar boas práticas do Brasil para a França, no tocante à organização da formação profissional”, completou.

Atividades

Para implementar a iniciativa, Fiesp e Sorbonne estão convidando interessados em apresentar projetos. A Fiesp, com chamados a instituições de ensino superior e entidades privadas, entre outras; a Sorbonne, junto à rede acadêmica na França.

O objetivo é receber projetos – posteriormente selecionados por uma comissão paritária – sobre diversos temas: relações de trabalho no Brasil e na França; fenômeno da desindustrialização e desafios de reindustrialização; arquitetura sustentável; agronegócio; infraestrutura; meio ambiente; inovação tecnológica e competitividade.