Marina Silva analisa o Código Florestal Brasileiro em reunião na Fiesp

Daniela Morisson, Agência Indusnet Fiesp

Da esq. p/ dir: o embaixador Sérgio Amaral, a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o presidente do Cosema/Fiesp, Walter Lazzarini

 

 

O Código Florestal Brasileiro foi um dos principais temas discutidos pela ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, durante a reunião mensal do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp, nesta terça-feira (23).

Para Marina, o texto aprovado pela Câmara dos Deputados está em desalinho com a sociedade. Ela citou os números apurados pela Pesquisa Datafolha em junho deste ano, em que 79% dos brasileiros se dizem contrários à anistia para produtores rurais que desmataram ilegalmente.

Outras medidas contidas no documento, e classificadas como pontos negativos pela ex-ministra, são a diminuição das áreas de preservação permanente, a possibilidade de ter agricultura e pecuária em topos de morros e a permissão para que cada estado brasileiro crie uma legislação específica para o Código Florestal. O que, segundo Marina, geraria “uma espécie de vale-tudo florestal”.

“O aumento da produção deve vir através do ganho de produtividade, e não pela expansão da fronteira agrícola”, destacou. Para que estes e outros pontos sejam reavaliados, ela sugere o envolvimento de vários segmentos da sociedade: “É preciso estabelecer um diálogo entre os diferentes setores para chegarmos a uma alguma convergência e termos um texto de todos os brasileiros”.

O presidente do Cosema, Walter Lazzarini, classificou a anistia como “um desserviço à cidadania e um estímulo ao descumprimento da legislação”. Para ele, o Senado deve fazer uma discussão aprofundada sobre o assunto. “Não para favorecer este ou aquele setor, mas para encontrar um caminho que estimule a produção agrícola e a conservação do meio ambiente”, destacou.