Gestão de recursos humanos como fator estratégico é debatida no VII Congresso da MPI

Marília Carrera, Agência Indusnet Fiesp

“Criar um negócio exige uma responsabilidade muito grande. Você sonha com o empreendimento e para desenvolvê-lo é preciso trazer pessoas capacitadas para realizar este sonho ao seu lado”, afirmou Carlos Bittencourt, diretor do Departamento da Micro e Pequena Indústria (Dempi) da Fiesp, durante o VII Congresso da Micro e Pequena Indústria, na manhã desta quarta-feira (10/10), no hotel Renaissance, em São Paulo.

Carlos Bittencourt, diretor do Dempi/Fiesp

No painel A Gestão das Pessoas alinhada a Estratégia das Micro e Pequenas Empresas, Bittencourt enfatizou a importância do investimento em capital humano e afirmou que as organizações devem voltar suas ações para a satisfação de seus colaboradores.

Carlos Bittencourt (ao centro na foto) considerou ainda a relevância das funções ligadas ao setor de recursos humanos no processo de recrutamento e capacitação de funcionários dentro das médias e pequenas indústrias (MPIs), onde muitas vezes este papel é desempenhado pelo proprietário ou outro gestor da empresa.

Projeto Capital Humano

Para compor o grupo de debatedores do painel, também estava presente o diretor-titular do Departamento de Ação Regional (Depar) da Fiesp, Sylvio Alves de Barros Filho.

Ele demonstrou a importância do Projeto Capital Humano, além de outros projetos da Federação, nos processos de seleção e aprimoramento de mão de obra em indústrias distribuídas por todo o Estado de São Paulo.

Da esquerda para direita: Donizetti Tadeu Moretti, Luiz Stevanato, Carlos Bittencourt, Sylvio de Barros, Ana Paula Henriques.

O Projeto Capital Humano é uma pesquisa que consiste num ranking estatístico de vários segmentos de atuação profissional, como o da construção civil, têxtil, petroquímico, entre outros.

O estudo, desenvolvido pela Fiesp, oferece dados sobre as capacidades exigidas para o exercício da profissão, os municípios preponderantes onde ela é comum, o salário médio e a quantidade de funcionários existentes no Estado.

Barros também comentou o incentivo que as escolas do Serviço Social da Indústria (Sesi-SP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-SP) representam para as MPIs. Com 85% de suas vagas destinadas aos filhos de industriários, as escolas podem ser um fator determinante para a capacitação de mão de obra e retenção de talentos.

“A aproximação entre indústria e escola é uma ferramenta que pode ser muito bem utilizada pelos empresários. As indústrias devem investir na capacitação de seus colaboradores e, para isso, necessitam de profissionais qualificados na área de Recursos Humanos”, concluiu o diretor do Depar.

Estratégias e desenvolvimento humano

“Não existe um caminho único para gerenciar funcionários. Cada empresa possui uma forma própria de lidar com a gestão de pessoas”, afirmou o diretor da Associação Brasileira de Recursos Humanos de São Paulo (ABRH-SP), Donizetti Tadeu Moretti.

O diretor da ABRH-SP falou sobre a individualidade empresarial no que diz respeito à gestão de recursos humanos, destacando a influência e a participação do setor nas estratégias das organizações.

Moretti comentou a falta de verba das MPIs na formação de um setor de RH bem estruturado e lembrou: “empresários, vocês fazem a gestão de pessoas”.

A líder de remuneração executiva da Mercer, Ana Paula Henriques, abordou as cinco principais âncoras no processo de retenção de mão de obra dentro das empresas. São elas: perspectivas de carreira, remuneração, reconhecimento, o gosto do profissional pelo trabalho em si e o equilíbrio entre qualidade de vida profissional e pessoal.

A executiva frisou que a felicidade dos funcionários está diretamente associada ao lucro das empresas. Neste contexto, os profissionais mais engajados e mais satisfeitos com seu trabalho resultam em índices elevados de estratégias de sucesso dentro das organizações.