Em reunião com presidente do BNDES, Skaf defende ações para devolver competitividade à indústria

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Durante reunião nesta terça-feira (18/10) com a presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, afirmou que há necessidade de criar condições mínimas para o funcionamento das indústrias, com crédito, com juros mais baixos, com câmbio num nível que permita a competitividade. O BNDES, disse Skaf, tem papel fundamental, como banco de fomento, de desenvolvimento econômico e social.

O presidente da Fiesp e do Ciesp lamentou a situação do país. “O Brasil não merece a situação atual, com 12 milhões de desempregados”, disse. “Como já está nela, não adianta olhar para trás. Temos que olhar para a frente.” Lembrou, no entanto, que já houve melhoras importantes. “A confiança foi recuperada, e vai se recuperar mais depois da PEC [241, de teto de crescimento das despesas do governo], depois da reforma da Previdência”, disse.

Skaf destacou o apoio dado pela indústria à PEC 241, por entender que o equilíbrio é essencial. “Não se pode permitir que o país morra na praia”, disse, antes de agradecer a visita de Maria Silvia.

Na reunião, o vice-presidente da Fiesp e diretor titular de seu Departamento de Competitividade e Tecnologia, José Ricardo Roriz Coelho, ressaltou que todos querem o crescimento econômico, mas a situação atual é difícil, com altas taxas de juros e consumidores sem propensão a gastar. O problema maior, disse, é a alavancagem das empresas. Segundo Roriz, a grande tarefa é fazer que elas voltem a ter saúde econômica. Defendeu, como proposta urgente para a atuação do BNDES, que o banco forneça crédito para o capital de giro, para evitar o colapso das empresas. Outras propostas são:

Não devolução antecipada de recursos ao Tesouro Nacional;

Participação do BNDES no lançamento de debêntures de empresas com excessiva alavancagem;

Financiamento para reestruturação de empresas;

Refinanciamento de dívidas vencidas com o BNDES e financiamento às micro, pequenas e médias empresas;

Atuação do BNDES junto aos bancos para recuperar a concessão de credito;

Voltar aos índices de conteúdo local, de 60%, para operação de financiamento do BNDES.

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Maria Silvia Bastos Marques, presidente do BNDES, durante reunião com empresários na sede da Fiesp e do Ciesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


O BNDES

Maria Silvia Bastos Marques disse na reunião que o papel do BNDES tem sido muito discutido neste momento de ajuste fiscal. O objetivo, afirmou, é que o país viva a estabilidade macroeconômica. E há uma escassez de recursos públicos, lembrou, defendendo a importância do retorno social dos investimentos.

Em sua visão, o banco deve ter no futuro papel mais de garantidor que de financiador, permitindo que haja um verdadeiro mercado de debêntures. Estão em discussão instrumentos que vão permitir isso, afirmou.

Inovação e produtividade, em que o Brasil fica atrás de países semelhantes a nós, são pontos importantes. “Qual é a forma mais efetiva de fazer o apoio à inovação? Não sabemos a resposta”, disse Maria Silvia, ressaltando que é um tema sobre o qual a nova diretoria tem se debruçado.

Segundo a presidente do BNDES, a infraestrutura logística e urbana é essencial para a competitividade. Acabar com esse gargalo é urgente, disse. Saneamento é prioridade, por ser viável, ter impacto social e gerar empregos, explicou. A atuação, ao lado da Caixa Econômica Federal, será conjunta com Estados que se interessarem, com a meta de universalização.

O banco, explicou Maria Silvia, voltou a ter papel central nas concessões. Vai atuar no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) desde a contratação de estudos até a assinatura do contrato. Para isso o banco vai se valer de consultores.

Ela destacou a importância de micro, pequenas e médias empresas. Em relação a elas, o BNDES poderia fazer muito mais, disse. O banco procura alternativas para aumentar sua capilaridade e atender melhor o segmento. Uma das medidas para isso será retomar os postos avançados nos Estados, anunciou. “Se pudermos ter presença física, mesmo que pequena, ajuda.”