‘O que Dilma fez está correto’, diz Paulo Skaf no Jornal da Gazeta ao comentar MP 579

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Paulo Skaf e Maria Lydia na entrevista do dia no Jornal da Gazeta.

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Convidado desta terça-feira (11/12) no Jornal da Gazeta, o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, disse à jornalista Maria Lydia Flandoli que a presidente Dilma Rousseff acertou ao propor a Medida Provisória 579 (MP 579/12), que abre a possibilidade de antecipação das renovações de concessões no setor elétrico mediante desconto no preço da conta de luz.

“O que o presidente Dilma fez está correto. Aqueles que quiserem esperar o vencimento em 2015, esperem e vai ter leilão e o preço vai despencar; e aqueles que quiserem antecipar o desconto, antecipem para beneficiar as pessoas a partir de 2013”, disse Skaf.

“O que estava injusto era a cobrança indevida da amortização de investimentos que já tinham sido cobrados anteriormente. O que ela [presidente Dilma Rousseff] fez foi correto, em atender o interesse das pessoas, das residências, das indústrias, dos hospitais e atender a uma reivindicação que nós ficamos  lutando há dois anos para acontecer o que aconteceu”, completou o presidente da Fiesp e do Ciesp.

Skaf falou ainda das expectativas para o ano de 2013 depois de medidas como desonerações de impostos sobre folha de pagamento, redução da taxa de juros e do preço de energia a partir de janeiro.

“Com essa série de medidas e tantas outras que vão começar a surtir efeito, realmente. a partir do próximo ano. Existe uma esperança e há expectativas da indústria, que este ano teve crescimento de -3%, de poder crescer de 2% a 3% positivo. Não é o crescimento que a gente sonha, mas é muito melhor”, comentou, observando que, entre outras medidas, é preciso acelerar o investimento na infraestrutura para baratear a logística e promover uma cruzada para reduzir o custo do gás.

Ampliar competitividade brasileira depende do governo, diz Paulo Skaf no Jornal da Gazeta

Agência Indusnet Fiesp

A confiança dos empresários no Brasil é enorme, mas a solução dos principais pontos que afetam a competitividade do país depende de ações do governo, afirmou o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, em entrevista à jornalista Maria Lydia Flandoli, na edição de terça-feira (17/07) do Jornal da Gazeta.

“Todos os consumidores pagam um preço da conta de luz que é injusto, um preço altíssimo. O governo precisa chamar os leilões dos contratos de concessões que irão vencer em 2015 para baixar os preços para todos os consumidores. Isto cabe à União, ao Governo. Isso não pode ser delegado à sociedade”, explicou o presidente da Fiesp e do Ciesp no principal telejornal da TV Gazeta.

Skaf defendeu o alongamento do prazo para recolhimento dos impostos. “Você acredita que além da alta carga tributária, a indústria financia 50 dias do Estado?”, questionou o líder empresarial.

Veja a entrevista:


Leia a transcrição da entrevista:

Maria Lydia Flandoli – Os números do IBGE mostram que a produção industrial brasileira caiu para níveis de cinco anos atrás e deve fechar o ano de 2013 em queda. E para saber o que está acontecendo de tão errado na indústria do país, vamos conversar com o empresário Paulo Skaf, presidente da Fiesp. A indústria sinalizou uma melhora nos índices e de repente despencou o que explica?

Paulo Skaf – Na realidade nós temos alertado para esse risco desde o ano passado. O crescimento da indústria de transformação no ano passado foi praticamente zero, não teve crescimento, e a expectativa para esse ano, se as coisas continuassem como estavam, será até um crescimento negativo, como é – estamos com uma previsão de -1%.  A economia brasileira também sente a mesma dificuldade. No ano passado tivemos um crescimento muito abaixo do crescimento mundial, muito abaixo do crescimento da América Latina, e este ano vai se repetir. O crescimento da economia brasileira este ano deve ficar em torno de 1,5 a 2 %, mais para 1,5% do que para 2%, enquanto o mundo deve crescer 3% e a América Latina deve crescer 3% também.  Então tem uma série de razões e eu focaria como principal a questão da falta de competitividade que temos hoje no Brasil.

Maria Lydia Flandoli – O governo está preocupado. A presidente Dilma Rousseff já baixou medidas de incentivo à indústria e hoje mesmo na Câmara Federal foram aprovadas as medidas provisórias do Plano Brasil Maior que possam dar um gás, um estímulo para a indústria. Vocês ficam animados com essa perspectiva, com essa aprovação?

Paulo Skaf – Como eu disse, nós temos um problema de competitividade, mas não da porta para dentro das fábricas, mas da porta para fora, ou seja, hoje passa uma dificuldade da competitividade do país. Por exemplo, geramos e produzimos energia da forma mais barata do mundo, mas temos um dos preços mais caros do mundo, e não é só pra indústria, mas para os hospitais e para todas as residências. Todos os brasileiros pagam uma energia muito cara. Temos um gás caríssimo, quatro ou cinco vezes mais caro que nos Estados Unidos. Juros? A taxa Selic está baixando agora, mas durante muito esteve muito alta e os spreads bancários são muito altos, ou seja, os juros que entram nas empresas, que as pessoas tomam, são muito elevados. Tínhamos um problema cambial. Melhorou um pouco agora, mas ficamos com uma defasagem cambial muito tempo. Temos um custo alto de logística por falta de investimentos em infraestrutura. Temos problemas na qualidade de educação, que também atrapalha o desenvolvimento e a competitividade. Tudo isso são problemas do país.

Maria Lydia Flandoli – Mas o ministro [da Fazenda Guido] Mantega disse que os empresários precisam despertar o seu espírito animal e investir mais, porque quem sai na frente leva vantagem. Como vocês viram esse comentário do ministro? É uma advertência?

Paulo Skaf – Esse é um comentário muito antigo. Esse negócio de espírito animal não leva a nenhuma novidade. Há muito tempo que se fala isso. Quem começou a falar isso há muitos anos foi o [ex-ministro Antônio] Delfim Neto. E esse espírito animal, essa reação, essa garra, o empresário brasileiro tem, o trabalhador brasileiro tem. Mas se nós pegarmos hoje a fábrica mais moderna e mais eficiente do mundo – ela pode estar no Brasil, mas vamos imaginar que esteja na China, ou no Japão, nos Estados Unidos, ou na Coreia – e trouxermos pra cá, ela fica sem competitividade porque vai pagar uma energia cara, vai pagar um gás caro, porque a logística é cara, porque os juros são altos, porque o crédito é difícil. Enfim, nós temos que resolver o problema da competitividade do Brasil.

Maria Lydia Flandoli – E a questão da ousadia? Porque quando o ministro falou do espirito animal, ele disse que não é só o governo que tem de tomar atitudes para corrigir essas distorções todas. Mas ele cobrou ousadia dos empresários para mais investimentos. O empresário, na circunstância atual, tem medo de ousar?

Paulo Skaf – Na verdade uma coisa é ousadia, outra é irresponsabilidade. Ninguém pode exigir das pessoas irresponsabilidade. A confiança que se tem no Brasil é enorme, mas na verdade todos esses pontos da competitividade dependem sim do governo e não da classe produtora. Nós também temos que lembrar que, se o Brasil se destaca no agronegócio, não é o governo que planta soja, que produz açúcar, que produz álcool, não é governo que produz milho, não é governo que tem a indústria de alimentos, que produz automóveis, que produz aviões, isso tudo é iniciativa privada, isso tudo é a criatividade, é a garra é o espírito guerreiro do empresariado e do trabalhador que quer produzir e acredita no Brasil.

Agora, condições conjunturais, por exemplo: todos os consumidores brasileiros pagam uma conta de luz a um preço injusto, um preço altíssimo. O governo precisa chamar os leilões dos contratos de concessão que irão vencer em 2015 para baixar o preço para todos os consumidores brasileiros. Isto cabe à União, ao governo. Isso não pode ser delegado à sociedade porque não é problema nosso.

O prazo, por exemplo, do pagamento dos impostos. Além da alta carga tributária, a indústria, por exemplo, financia 50 dias o Estado. Ou seja, ela paga, em média, fazendo o cálculo de todos os setores, 50 dias antes o imposto do que recebe do seu cliente pela venda da mercadoria. Isso, no passado, há 30 anos, existia isso, os prazos dos impostos foram reduzindo, e, na verdade, hoje, além da alta carga tributaria, se financia 50 dias. Qual seria uma medida eficaz agora? A prorrogação do prazo para recolhimento dos impostos. Esta seria uma forma justa, linear, de dar um crédito a todos de forma horizontal. Porque todos que cumprem a sua obrigação e pagam seus impostos deixariam de financiar o Estado se tivessem 60 dias a mais. Então essas medidas dependem do governo.

Maria Lydia Flandoli – Mas, na questão de arrecadação, você acredita que o governo possa abrir mão principalmente considerando a fase de crise?

Paulo Skaf – A crise não está no governo. A crise está nas pequenas e médias empresas, nos setores produtivos. O governo vai arrecadar R$ 1,5 trilhão em impostos. A sociedade vai pagar este ano R$ 1,5 trilhão em impostos. O governo tem caixa. Tanto o governo estadual de São Paulo quanto o governo federal pode, sim, prorrogar o prazo para recolhimento de impostos. Aliás, se não pudesse, nós não iríamos nem sugerir.  Quando nós tivemos a batalha contra a recriação da CPMF [Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira], em 2007, nós dizíamos: “é possível sim.” E muitas pessoas falavam: “o Brasil vai acabar no ano de 2008 sem a CPMF.” Não acabou nada. Nós falávamos a verdade. Da mesma forma lhe afirmo hoje: os governos, tanto estadual de São Paulo como o federal, podem sim prorrogar o prazo para recolhimento dos impostos. Têm caixa, têm reservas para isso, e seria uma medida eficaz e de curto prazo para melhorar o desempenho da indústria e dos setores produtivos ainda no ano de 2012. Caso contrário, lamentavelmente nós teremos um desempenho ruim na economia brasileira e no crescimento industrial brasileiro.